quarta-feira, 17 de setembro de 2014


O dia  em que  a Ucrânia deu uma 


lição ao mundo

Mauro Donato (*)                       

O deputado Vitali Zhuravski
O deputado Vitali Zhuravski
Descontentes com a atuação de seu representante na sessão que aprovou o acordo com a União Européia, manifestantes pegaram o deputado Vitali Zhuravski e o jogaram numa caçamba de lixo. Deram-lhe o tratamento que consideravam coerente. Lugar de 'lixo' é no lixo.
Não vamos entrar na questão da crise ucraniana, mas na reação dos populares contra um representante que não correspondeu com seu objetivo-fim: não os representou. É uma atitude extrema e nada civilizada? Talvez, mas não deixa dúvidas com relação a postura de acompanhamento dos passos de um político por parte de seu eleitorado.
Por aqui, em tempos de eleição, vêem-se discursos e posts desejosos por mudanças, rupturas com tudo que é anacrônico nas inflamadas conversas de bar. Porém, sempre há um maldito porém.
Focados exclusivamente na disputa e pesquisas do IBOPE, Datafolha e afins para presidente da república, a população deveria voltar os olhos para a pesquisa IBOPE referente à intenção de votos para deputados. É um retrato da contradição entre o que se deseja lá na frente e como se vota na base.
Em São Paulo, os cinco primeiros colocados são Tiririca (PR), Celso Russomanno (PRB), Paulo Maluf (PP), Baleia Rossi (PMDB) e Pastor Marco Feliciano (PSC). No Rio de Janeiro, Clarissa Garotinho (PR) vem em primeiro lugar e Jair Bolsonaro (PP) em segundo. Pare aqui e leia a lista novamente.
Representantes de tudo que há de mais ultrapassado ou até mesmo representantes do niilismo (o que representa Tiririca?), esses são os políticos que lideram a corrida.
A chamada “casa do povo” brasileiro, a Câmara dos Deputados precisa estar a serviço da sociedade brasileira e viabilizar a realização dos anseios do povo. Discute e aprova propostas referentes à educação, saúde, transporte, habitação. O que não passar por ali nem chega ao senado.
O que então explica que discursos progressistas em bocas de presidenciáveis alavanquem votos mas os discursos reacionários nos palanques de candidatos a deputados também? A única resposta que encontro é a desinformação política.
Querem que os direitos homoafetivos sejam defendidos pelo(a) presidente mas votarão em Feliciano? Desejam a desmilitarização mas querem ver Bolsonaro lá? É um misto de despolitização com desinformação, ignoram o trâmite entre os poderes. Não associam uma coisa à outra e esperam resultados homogêneos. Loucura.
Sinceramente, no exemplo ucraniano não enxerguei excesso de violência e sim um gesto altamente simbólico e que dispensa explicações. Se o deputado não tiver entendido o recado nada o fará entender.
A diferença para estas bandas é que o povo, ao votar da maneira que o faz, se por aqui repetisse a modalidade de arremesso de deputados ao lixo, estaria sim cometendo um ato de agressão pois foi o responsável pelo “representante” estar lá. Aliás alguém se lembra em qual deputado votou passados dois ou três meses das eleições?
Do AMgóes - Como sugestão para as Olimpíadas-Rio/16: etapa classificatória, próximo ano, na modalidade de 'arremesso olímpico de deputados à lixeira'. Será uma retumbante maratona de concorridas rodadas, para deletar deputados federais e estaduais de todo o Brasil, até o 'grand finale', dentro de dois anos, no Maracanã. Vamos lá?                                                                                             

(*) Mauro Donato é jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.

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