sexta-feira, 2 de janeiro de 2015


BERZOINI ASSUME PROMETENDO


DEBATE SOBRE REGULAÇÃO


DA MÍDIA



martins13
Sem fazer uso uma só vez da expressão anatemizada “regulação da mídia”,  o novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, tomou posse hoje no cargo reiterando a disposição de abrir um amplo debate com a sociedade brasileira sobre os melhores caminhos para tornar mais efetiva e mais democrática a atividade de comunicação no Brasil.  “A liberdade de expressão deve ser um valor assimilado por cada cidadão, e sob esta premissa podemos avançar na consolidação da democracia,. que não deve reduzir-se ao direito de votar.  A democracia deve assegurar também, entre outros direitos, o de consumir e difundir informação e, principalmente, o de participar livremente  da construção de um conjunto de ideias e valores pelo nosso próprio povo”.

Em entrevista coletiva a seguir, ele evitou fixar cronograma para o início desta ou de  qualquer outra ação do ministério mas,  respondendo à pergunta desta colunista do 247, admitiu que pode tomar a iniciativa de propor a regulamentação dos artigos 221, 222 e 223 da Constituição, que nunca foram regulamentados.   “A regulamentação é tarefa do Congresso mas nós podemos propor e estimular a tramitação desta matéria; A regulamentação seria uma boa oportunidade para ampliar o debate e fazer com que toda a população saiba do que estamos falando. De garantir o direito à comunicação, dentro do marco intocável da liberdade de expressão”.. Estes artigos vedam o monopólio e o oligopólio no setor,  exigem diversidade regional na produção de conteúdos, pluralidade e equilíbrio entre os sistemas estatal, público e privado de radiodifusão. Com base no artigo 223, foi criada a EBC para implantar o sistema público.
Berzoini quer reler o projeto de regulação deixado pelo ex-ministro Franklin Martins e conhecer outra experiências regulatórias, como a de Portugal, que,  segundo a coluna Painel, da Folha,  poderia ser o modelo adotado. Nenhum modelo será copiado, diz ele, mas todos serão examinados.  Nenhuma proposta, acrescenta,  será apresentada antes da ocorrência do diálogo e do debate com a sociedade e os setores envolvidos. Por isso vale conhecer mais a experiência da agência portuguesa, a ERP:
Agência reguladora da mídia em Portugal, defende os interesses do cidadão diante dos meios
A ERC – Entidade Reguladora para Comunicação Social, de Portugal, foi uma das agências internacionais de regulação da mídia que participaram, no final de 2010, do seminário sobre o tema organizado pelo então ministro-chefe da SECM, Franklin Martins. O seminário recolheu subsídios para o projeto que, acolhido por Lula, foi entregue à sucessora Dilma Rousseff, e esta o repassou ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
A ERP foi criada em 2005, como agência pública dotada de autonomia administrativa e financeira, nos moldes de nossas agencias reguladoras de serviços públicos, como ANP, Anatel e Aneel. Ela dispõe de um Conselho Regulador, composto por quarto membros indicados pelo Congresso e um escolhido pelos pares. Este conselho traça as diretrizes de ação, que são implementadas por uma diretoria executive. Há também um conselho fiscalizador da própria gestão da ERP. Compete à agência regular e supervisionar todos os meios de comunicação, privados e públicos (estes últimos são muito fortes em Portugal, ao contrário do Brasil, onde a EBC ainda é um projeto nascente) buscando assegurar a observância dos direitos e deveres constitucionais. a liberdade de imprensa, o direito à informação, a independência dos “media”, como eles dizem, em relação aos poderes político e economico. Seu regimento diz também que a mídia deve expresser o confronto entre as diversas correntes de opinião, evitando a prevalência de “pensamento único” sobre qualquer tema. Garante ainda o direito de resposta e ao contráditório em casos de veiculação de informação mentirosa, caluniosa, falsa ou disorcida. O leitor que diga honestadamente: tudo isso não está fazendo falta aqui no Brasil? Não para censurar ninguém, mas para garantir ao cidadão uma boa informação. Não se faz democracia sem cidadãos bem informados.
Atualmente a ERC decide questões (levadas a ela por pessoas físicas ou jurídicas) sobre garantias da liberdade imprensa, direito de resposta, programação televisiva, direitos dos jornalistas, concessões de canais de radiodifusão, pluralismo, entre outros. Quase todos os países da Europa têm uma regra legal que exige o pluralismo (de opinião, de programação, de expressão da diversidade cultural, política e étnica) na programação dos veiculos de radiodifusão. Afinal, eles são concessão do Estado a exploradores privados. Em 2014, a ERC determinou que não apenas o sistema público (encabeçado pela TV Pública RTP) estava obrigada a observar estes princípios mas também as emissoras privadas SIC e TVI.   Aqui no Brasil, a pluralidade está prevista na Constituição mas apenas a EBC e seus canais públicos (TV Brasil, rádios e Agência Brasil) têm obrigação legal de observância deste quesito, sob a fiscalização do Conselho Curador.
As concessões de canais são examinadas pelo órgao do Poder Excutivo (o Ministério das Comunicações no caso do Brasil) mas precisam de um parecer favorável da ERP.
Neste momento em que o debate está apenas começando, a publicação do resumo do seminário de 2010 seria uma grande contribuição. Veriam os críticos e os temerosos que não há bicho de sete cabeças nesta questão, apenas um aprimoramento da democracia. Ou, o que seria melhor ainda, a reedição do seminário. A TV Brasil tem em seu site uma boa entrevista com o presidente da ERP, Carlos Magno Castanheira.
MÍDIA GOLPISTA VESTE A CARAPUÇA DO ‘INIMIGO EXTERNO’  DO  PAÍS   


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O  jornalismo  futriqueiro
(e mentiroso) foi à posse
de Dilma                           
CLS, no Facebook                      


Posse Dilma

ACABOU O JORNALISMO
1 e 2 de janeiro ficarão marcados em nosso calendário como os Dias Nacionais de Velório e Enterro do Jornalismo Político na TV e no Papel.
A cobertura da posse de Dilma na Globo News, em tese a CNN brasileira (sorry, mas deveria ser, né), chegou a me provocar náuseas literais.
As palavras “levy”, “ajuste”, “petrobras” e “lavajato”, como bem observou a Mariana Amaral Queiroz, devem ter rendido algum bônus por citação aos jornalistas da emissora.
Durante os cumprimentos das autoridades internacionais, o quarteto de ineptos que participava da cobertura preferiu ficar rosnando imbecilidades sobre a “robustez da oposição”.
Eu só soube que o tiozinho grisalho que ficou 10 minutos falando com a Dilma era da Rússia porque mudei pra NBR.
A ganhadora do prêmio do posto de gasolina (pela atuação como taquígrafa no depoimento de um certo alcaguete), o panaca com voz de choro e nome de área VIP, a gordinha simpática e um ser oposicionista não-identificado — todos deram um show de má vontade, ausência de fontes (Álvaro Dias não vale, hein) e preguiça mental.
Na Folha desta sexta(2), aquele jornal que deveria ser o nosso The New York Times (oh gaaaawd, mas é isso, né?), não se fala em reforma política (de longe o tema mais forte do dia, com o sintomático apoio de Renan Calheiros em discurso logo após o de Dilma), não se tenta entender o que é o “Brasil, pátria educadora” (“ah, ela não explicou” — mas porra, a obrigação do jornal é apurar, neh) e não se nota que a presidente politizou o caso Petrobrás à esquerda.
Nem mesmo a inflexão guerrilheira-trabalhista da retórica, com um “nenhum direito a menos, nenhum passo atrás, só mais direitos etc.” foi notada pelos gênios da raça folhentos.
Artigos de opinião não passam do senso comum antiestatista, antidilmista, antitrabalhista. Bate-paus que escrevem o que o patrão quer ler publicaram seus tradicionais mimimis — que, a rigor, poderiam ter sido escritos um mês atrás. É sempre a mesma coisa que eles dizem, chega a beirar o autoplágio.
Enquanto isso, vários dos chamados “blogueiros sujos” foram convidados pra recepção no Itamaraty, na noite de ontem, e devem publicar coisas muito mais interessantes — porque próximas do poder — de hoje em diante.
“Ah, mas eles são militantes pró-governo”.
Claro que são — e por isso mesmo têm acesso às fontes que interessam hoje em dia!
Já a turma da GN e da Folha, para ficar nos exemplos citados aqui, por fazer o jogo da “oposição robusta” (moralmente cada vez mais truculento), certamente não tem a confiança de ninguém do lado de cá.
Chafurdam exclusivamente nos interesses antigoverno, e por isso só têm fontes do lado de lá.
E isso não basta para entender o que realmente está acontecendo. Nem pra fazer JORNALISMO.

PS do Viomundo: Agradecemos ao Palácio do Planalto pelo convite mas compromissos assumidos anteriormente nos impediram de comparecer à posse de Dilma. No entanto, acompanhando à distância o noticiário, estranhamos o viés negativo de certos comentaristas, acompanhado da obsessão pelo vestido de Dilma. É o jornalismo da futrica, que veio acompanhado de mentiras como a da Folha de S. Paulo. Segundo o diário conservador, tentou-se regulação de conteúdo da mídia no governo Lula. Mentira deslavada, na maior cara de pau. Em nome da militância, a turma da Barão de Limeira já nem se preocupa mais com a verdade factual. O jornalismo vagabundo omite, obviamente, que há regulação de conteúdo em concessões públicas de rádio e TV em várias democracias do mundo. No Reino Unido, por exemplo. Nunca como censura prévia, mas com exigências como conteúdo local, punição para transgressões, etc. A ênfase de Franklin Martins sempre foi: cumprir a Constituição de 1988. Mas a Folha, que em tese deveria informar, confunde “controle de conteúdo” com “censura prévia”. Tudo em nome de defender que apenas uma dúzia de famílias controlem o setor no Brasil (trecho de texto da Folha.com, abaixo).       
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A posse segundo as ‘estilistas’ Míriam         Leitão e Cora Ronai(barradas, com o PiG, na festa do segundo mandato,  claro)          
Paulo Nogueira                  

O abraço
O abraço
O 'médium' Merval Pereira intuiu, há poucos dias, que Dilma chorou. Freud baixou em Merval e comunicou que se tratava de 'depressão'.
Dilma, de fato, tinha todos os motivos para chorar. O maior deles é que ela acabou de se reeleger presidente da República, com 54 milhões de votos.
À depressão de Dilma opõe-se o entusiasmo frenético que tomou conta de Aécio Neves depois de perder o Brasil e Minas.
Não bastassem tais derrotas, a alegria de Aécio ganhou um novo patamar depois que a revista Veja o sagrou 'pior senador da República', com nota zero. “Você só não pode mascarar, Aécio”, aconselhou-o o tutor FHC.
Nosso médium MP haverá de trazer novidades sobre as lágrimas de Dilma depois que duas consagradas 'estilistas internacionais', Míriam Leitão e Cora Ronay, criticaram a roupa e o andar de Dilma.
Uma palavra de Míriam ou de Cora, como sabe o universo da moda, eleva ou arrasa qualquer mulher.
E ambas reprovaram a elegância, ou falta de elegância, de Dilma.
Correm rumores de que Dilma soube da reprovação em plena cerimônia de posse. Fontes próximas do DCM afirmam que, no abraço que Dilma deu em Lula, ela chegou a pedir que ele a substituísse até 2018.
Era o tempo, ponderou ela, mínimo para ela se recuperar mentalmente dos comentários das grandes 'damas da moda'.
Lula, segundo essa mesma fonte, pediu alguns dias para refletir. Quer antes ouvir a opinião jurídica do mestre Gilmar Mendes.
Foi nesse quadro de tensão extrema que a especialista em fitness da Globonews, Cristiana Lobo, detectou um claro cansaço em Dilma, mesmo depois de férias dignas de Aécio numa praia baiana.
Não surpreende, diante de tal quadro, que dois 'críticos de cinema' do UOL, Fernando Rodrigues e Josias de Souza, tenham achado “sem graça” o espetáculo da posse.
Caso fosse trocado o ator principal, como eles bem notaram, o filme seria outro e bem melhor. Aécio, como protagonista, salvaria o filme, a pátria, a Folha, o UOL – e o emprego de ambos.
É sabido o rigor dos dois críticos. Eles simplesmente destruíram, no passado, a peça 'Rancor', de Otávio Frias II, imperador da Barão de Limeira.
Fontes íntimas do Planalto dizem que a amargura de Dilma com as observações das 'deusas da moda' se multiplicou quando ela soube que ambas louvaram o ar hipster de Aécio 2015, agora com barba por fazer.
A nação entra no Ano Novo incerta sobre quem a presidirá, uma vez que Lula pediu dias para refletir sobre o pedido de substituição feito por Dilma, mas com a certeza do imenso privilégio que é ter 'árbitras de moda' como Míriam Leitão e Cora Ronay, para não falar em 'críticos de arte' como Fernando Rodrigues e Josias de Souza, sem esquecer a especialista em fitness Cristiana Lobo(AMgóes: cujo rosto de bolacha toma a tela inteira de meu televisor de 42 polegadas) e nem, claro, o 'médium' Merval Pereira(da ala de 'maníaco-depressivos' da ABL).

CID GOMES ESTÁ À ALTURA DA 'PÁTRIA EDUCADORA'?  


Empossado hoje como ministro da Educação, o ex-governador Cid Gomes não chegou ao cargo por obra do acaso; nos oito anos em que esteve como chefe do executivo, o Ceará assumiu o primeiro lugar no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Norte/Nordeste para o Ensino Fundamental; apesar disso, já no primeiro dia apanhou de colunistas conservadores, como Merval Pereira e Dora Kramer, que questionaram seu preparo para o cargo; como a presidente Dilma deixou claro na posse, a educação, com o lema 'pátria educadora', será a prioridade das prioridades e Cid estará sob os holofotes; quem ganhará essa briga?                                              
Criticado por colunistas(pró-golpismo) como Dora Kramer, do Estado de S. Paulo, e Merval Pereira, do Globo, (leia mais aqui), o ex-governador do Ceará e recém-empossado Ministro da Educação, Cid Gomes, chega ao cargo respaldado pelos avanços do setor no Estado durante sua gestão como chefe do executivo estadual. Durante seus oito anos de governo, foi criado, por exemplo, o Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), que hoje é referência para todo o País, sendo incorporado e expandido pelo Governo Federal. 
Nos oito anos em que esteve como chefe do executivo cearense, o Ceará assumiu o primeiro lugar no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Norte/Nordeste para o Ensino Fundamental. Em 2013, igualou a média brasileira (5,2) e superou a meta estipulada (4,9). 
Também no período, cerca de 80 escolas de Ensino Médio foram implantadas em distritos do interior e 40 mil alunos foram matriculados em escolas de educação profissional. E, segundo último levantamento, cresceu em 77% o número de alunos das escolas públicas aprovadas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Ao todo, 2.481 estudantes conseguiram vagas no ensino superior no Exame Nacional do Ensino Médio, contra 1.401 no ano anterior. 
Com conquistas como essas, Cid Gomes ganhou todas as credenciais para assumir uma das pastas centrais do novo governo, já que a educação foi definida pela presidente Dilma como “a prioridade das prioridades” em discurso de posse. Como ministro, Cid terá o segundo maior orçamento da União (depois da Saúde), com mais de R$ 100 bilhões em recursos públicos, inicialmente. Este montante deve aumentar à medida que o setor passe a receber recursos oriundos do royalties do petróleo. 
Polêmica com professores
A relação de Cid Gomes com os profissionais da educação nem sempre foi boa. Em 2011, o então governador do Ceará envolveu-se em uma polêmica ao declarar que “quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”. Uma semana antes, ele teria dito que “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado". Na ocasião, os professores da rede estadual de ensino estavam em greve há 24 dias. As declarações despertaram a ira dos profissionais do setor e o Sindicato dos Profissionais do Ceará (Apeoc) acusou o Governo do Ceará de não cumprir a Lei Federal do Piso e o plano de cargos e carreiras dos professores. 
Leia, ainda, reportagem da Agência Brasil sobre a reforma do ensino médio, o principal desafio do novo ministro:
Reforma do ensino médio será desafio
para Cid Gomes na Educação
Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil

A reforma do ensino médio foi apontada pelo ministro da Educação, Cid Gomes, como um dos desafios a ser enfrentado na sua gestão à frente da pasta. Na cerimônia de transmissão de cargo, o ministro se dirigiu aos professores e afirmou que eles terão seu trabalho reconhecido e valorizado. Gomes disse ainda que vai trabalhar para atingir as metas do Plano Nacional de Educação. O ex-governador do Ceará assumiu hoje (2) a pasta que era comandada por Henrique Paim.
“No ensino médio temos um desafio especial, que é, além de ampliar o acesso, reformar o seu currículo, compreendendo as características regionais de cada estado e município brasileiro. Para que tenhamos êxito será necessário todo o apoio de professores e universidades”, disse.
Ao se dirigir aos professores, Cid Gomes disse que estará aberto ao diálogo com a classe. “Gostaria de me dirigir a todos os professores brasileiros. Sou filho e irmão de professores. Minha experiência como prefeito e governador me ensinou ainda mais sobre a necessidade do corpo docente. Pretendo me reunir com seus representantes, vamos valorizar e reconhecer seu trabalho. Meu gabinete estará sempre aberto para receber conselhos, críticas e ajuda”, disse. Em entrevista a jornalistas, depois da cerimônia, ele acrescentou que pretende discutir formas de avaliação para os professores.
O novo ministro citou que tem por metas ampliar as vagas de ensino em tempo integral e o atendimento a crianças até 3 anos de idade nas creches, além de universalizar o acesso das crianças de até 5 anos à pré-escola. Melhorar a qualidade do ensino fundamental e continuar a expansão do ensino superior também foram citados por Gomes.
Cid Gomes iniciou o discurso fazendo referência ao novo lema de governo, apresentado ontem (1°) pela presidenta Dilma Rousseff, que é “Brasil: pátria educadora”. “A educação será a prioridade das prioridades como nos disse a presidenta Dilma”, observou.
O ex-ministro Paim disse que ao deixar o cargo encerra também um ciclo de 11 anos no Ministério da Educação (MEC), e fez um balanço de sua gestão e dos avanços dos últimos anos na área. Paim destacou como principal conquista a implantação da política de cotas. “A lei de cotas, considero a política mais importante que este governo fez. Conseguimos inverter a lógica de que só estudantes de escolas privadas conseguiam acessar as universidades públicas neste país”, disse.
Paim ainda citou a consolidação de avaliações feitas pelo MEC, o estabelecimento de um padrão sólido de relação com estados e municípios e políticas de formação dos professores.
Cid Gomes terá um início de gestão movimentado. Na primeira semana de janeiro deve divulgar o reajuste do piso nacional dos professores. O reajuste é determinado por lei e o cálculo do percentual é feito por técnicos do ministério. Na segunda semana de janeiro será divulgado o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, em seguida, abertas as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Gomes é formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi eleito prefeito de Sobral em 1996 e em 2000. Em 2006, elegeu-se, em primeiro turno, governador do estado, e também coordenou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo mandato presidencial. Em 2010, foi reconduzido ao cargo de governador.

A pá de cal na carreira

política de Aécio          

A carreira política de Aécio Neves - ou ao menos suas pretensões de voltar a se candidatar à presidência da República - terminará nos próximos dias.
Sua declaração recente, apresentando o governador de São Paulo Geraldo Alckmin como o próximo candidato do PSDB, foi mais que um gesto de elegância: respondeu a uma avaliação realista do que o espera pela frente.
Não se sabe bem o que virá da Lava Jato.
Autoridade com acesso integral ao inquérito informa o seguinte:
  1. Não há como conter vazamentos, que partem dos advogados, delegados e procuradores e do próprio juiz, que está dando publicidade a todos os depoimentos. Especificamente no caso da capa da Veja, o vazamento foi do advogado do doleiro Alberto Yousseff.
  2. Até agora, os vazamentos foram seletivos, aliás "completamente seletivos", diz ele. Quando o inquérito total vier à tona, haverá "bombas de hidrogênio", supõe que envolvendo próceres da oposição. Não avançou sobre quem estaria envolvido, portanto não se sabe se a bomba atingirá Aécio ou não.
Mesmo que não atinja, o fantasma que persegue Aécio atende pelo nome de "ação penal 209.51.01.813801-0".
Em 8 de fevereiro de 2007 foi deflagrada a Operação Norbert, visando a apurar denúncias de lavagem de dinheiro na praça do Rio de Janeiro. Conduzida por três jovens brilhantes procuradores - Marcelo Miller, Fabio Magrinelli e José Schetino - foi realizada uma operação de busca e apreensão nos escritórios de um casal de doleiros do Rio de Janeiro.
No meio da operação, os procuradores se depararam com duas bombas.
A primeira, envolvia o corregedor do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Carpena do Amorim.
Carpena foi peça central no assassinato de reputação da juíza Márcia Cunha, trabalhando em parceria com a Folha de S. Paulo no período em que o jornal se aliou a Daniel Dantas. Coube a Carpena endossar um dossiê falso preparado por um lobista ligado a Dantas, penalizando uma juíza séria. 
Ao puxar o fio da meada de uma holding, os procuradores toparam com Carpena. O caso foi desmembrado do inquérito dos doleiros, tocado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e resultou na condenação do ex-juiz a três anos e meio de prisão.
O segundo fio foi puxado quando os procuradores encontraram na mesa dos doleiros uma procuração em alemão aguardando a assinatura de Inês Maria, uma das sócias da holding Fundação Bogart & Taylor - que abriu uma offshore no Ducado de Linchestein.
Os procuradores avançaram as investigações e constataram que a holding estava em nome de parentes de Aécio Neves: a mãe Inês Maria, a irmã Andréa, a esposa e a filha.
Como o caso envolvia um senador da República, os três procuradores desmembraram do inquérito principal e encaminharam o caso ao então Procurador Geral da República Roberto Gurgel. Foi no mesmo período em que Gurgel engavetou uma representação contra o então senador Demóstenes Torres.
O caso parou na gaveta de Gurgel.
No próximo mês deverá ser apreciado pelo atual PGR Rodrigo Janot. Há uma tendência para que seja arquivado. Alega-se que Aécio não seria titular da conta - que está em nome de familiares - mas apenas beneficiário. Certamente não se levantará a versão jabuticaba da "teoria do domínio do fato", desenvolvida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Arquivado ou não, certamente será a pá de cal nas pretensões políticas de Aécio.
Comentário
Por Clever Mendes de Oliveira
Talvez Aécio Neves não tenha
paciência para esperar
Luis Nassif,
Não gosto do Aécio Neves, mas não gosto por duas razões. Uma é que é do PSDB. A minha resistência ao PSDB decorre do modo de fazer política do partido que se resumia na construção da mentira de modo intelectual para sustentar a ausência de carisma de que os próceres do PSDB sofriam. Da falta de carisma é que se construiu frases como “o PSDB é um partido fundado para trazer a ética para a política”, ou “o PSDB é um partido fundado para tirar o fisiologismo da política” ou “governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira”, ou “a inflação é o mais injusto dos impostos, pois recai sobre os mais pobres”.
A segunda razão diz respeito ao fato que Aécio Neves conseguiu transformar-se em um político carismático. Não sou contra o político carismático desde que o carisma ajude o político a se desenvolver como político, principalmente galgando cargos de executivo, e desde que o carisma seja um instrumento que facilite a interlocução do político com o eleitor e desde que o carisma não seja utilizado para enganar o povo, em uma condição de desprezo ou desconsideração pelo eleitor. O Aécio Neves vem utilizando o carisma dele nessa condição. Aliás, os slogans do partido que ainda são utilizados em campanhas do PSDB, alguns com menos ênfase, porque serviriam para reforçar o PT, são utilizados exatamente porque menosprezam o eleitor e sabem que esses slogans não vão ser questionados pelo povo.
Aécio Neves percebeu que ele não precisa criar essas construções intelectuais que dão aparência de verdade para enganar o povo. O carisma dele assegura que as pessoas serão convencidas daquilo que ele diz mesmo que o que ele diz não pareça fundamentado em anos de estudos sociológicos como são os slogans de campanha do PSDB que eu relacionei acima.
Agora, essa história de conta no estrangeiro para mim não tem o menor valor. Não é porque eu considero que este lado de malversação de dinheiro público é sempre uma história mal contada que só deveria sair na mídia com a sentença transitado em julgado do Poder Judiciário. O problema desta história de dinheiro no estrangeiro da família de Aécio Neves é porque quem a propaga desconhece a particularidade do casamento de Inês Maria, a mãe de Aécio Neves, com o banqueiro Gilberto Faria, filho do fundador do Banco da Lavoura, Clemente Faria.
O Banco da Lavoura foi o maior banco do país no final da década de 40 e do Banco da Lavoura surgiram dois bancos, o Banco Real com Aloysio Faria e que depois foi incorporado pelo ABN AAMRO que depois foi vendido para o Santander e o Banco Bandeirantes com Gilberto Faria. Gilberto Faria era pai de Clemente Faria Neto que faleceu  em 12/07/2012 em um acidente aéreo e era grande empresário dividindo com o irmão Gilberto Faria Júnior a direção de um grupo empresarial que reunia cerca de 20 empresas entre elas a Minasmáquinas, revendedora de caminhões, máquinas pesadas e automóveis de luxo da marca Mercedes-Benz, e das rádios Alvorada, em Belo Horizonte, Sulamérica Paradiso, do Rio, e Jovem Pan, de Santos. Além disso, Clemente Faria Neto antes do segundo casamento dele fora casado com Ângela Gutierrez. Não é de se estranhar que o grande empresariado brasileiro se encaminhou para apoiar Aécio Neves. E é interessante ver que esses empresários todos investem em meios de comunicação. O pai de Clemente Faria Neto, Gilberto Faria, padastro de Aécio Neves era dono (ou detinha parte) da Transamérica.
Enfim, os milionários não são muito de abrir mão do dinheiro de seus antepassados, mas os quase trinta anos de casamento da mãe de Aécio Neves com o banqueiro Gilberto Faria e que perdurou até a morte do banqueiro em 01/10/2008 formaram vínculo forte para permitir essas contas ainda mais em um paraíso fiscal como é o do Ducado de Linchestein.
O problema de Aécio Neves será permanecer durante quatro anos apresentando atestado de bom comportamento. E não basta isso para o sucesso dele. É preciso que o PT fracasse no segundo governo da presidenta Dilma Rousseff.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/01/2015