segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ironia ‘comunizante’: o “vai pra Cuba” 


dos  coxinhas ajuda  a ilha de Fidel       


a faturar com turistas brasileiros           


Fernando Brito 
                      
                            buiques
Matéria do caderno de turismo de  O Globo, hoje:
“­ Conhecer Havana, seus prédios e carros antigos, além de mergulhar nas águas do Caribe. Não é de hoje que os brasileiros demonstram interesse em visitar Cuba. Porém, de uns tempos para cá, a vontade de desembarcar na ilha de Fidel tem aumentado consideravelmente. Segundo uma pesquisa da Visual Turismo, agência parceira da Copa Airlines, o número de vendas de pacotes (com passagem aérea, hospedagem e passeios) para a ilha aumentou 9,5% em abril, na comparação com março desde ano”
Uns dizem que é o fim do bloqueio americano à ilha – o turismo dos EUA na ilha aumentou, também – mas não me parece que isso, por nossas bandas, tenha alguma influência.
O fato é que, desde os anos 60, nunca se falou tanto em Cuba no Brasil.
Uma simples camisa vermelha, como mostrou a agressão verbal ao filho de Ricardo Noblat, já é motivo para a coxinhada gritar “vai pra Cuba, vai pra Cuba”.
E não é que o pessoal com grana está mesmo indo?
Os brasileiros são o quarto maior público do luxuoso Hotel Meliá de Havana.
Mil pratas de diária, coisa para gente de bico grande, não o meu ou o seu, embora eu tenha visto na internet muitas pousadas na faixa de 100 a 200 reais.
Bom, não espalhem, mas isso está ajudando o governo cubano a fazer frente às suas dificuldades econômicas – boa parte dela, aliás, gerada pelo embargo americano.
A coisa é tão terrível que a operadora de cartões Visa, que oferece seguro de saúde em viagens(AQUI) cujos pacotes são comprados em alguns de seus cartões, tem um “aviso aos viajantes” em letras maiúsculas:
“IMPORTANTE! OS BENEFÍCIOS E SERVIÇOS DESCRITOS NA SEÇÃO C DESTE GUIA NÃO ESTÃO DISPONÍVEIS, SEJA QUAL FOR A CIRCUNSTÂNCIA PARA VIAGENS OU OUTROS SERVIÇOS RELACIONADOS A CUBA, IRÃ, SÍRIA E SUDÃO. AXA ASSISTANCE É UMA EMPRESA SEDIADA NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. AS LEIS DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA PROÍBEM A AXA DE FORNECER QUAISQUER BENEFÍCIOS OU SERVIÇOS RELACIONADOS A CUBA, IRÃ, SÍRIA E SUDÃO(…)” 
Ainda assim, Cuba, pequenina como é, recebe 3 milhões de turistas por ano – metade do que o imenso Brasil  tem de visitantes –  e aufere nisso a segunda maior receita nacional.
Até passear nos velhos  carrões americanos que circulam em Cuba por conta das restrições à importação, virou um charme entre os “vão pra Cuba”.
Como eu nunca fui à ilha de Fidel, mesmo que toda hora apareça um coxinha mandando que eu vá pra Cuba, sugiro que me mandem uma passagem que eu vou. Custa perto de R$ 3 mil, no varejo, mas há pacotes de R$ 2 mil em vôos fretados e acomodações modestas.
E rindo da idiotice que tomou conta dos nossos coxinhas.

Futebol e o ninho

de ratazanas       

A imprensa brasileira se regozija com a prisão, na Suíça, do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, por conta das investigações de autoridades americanas sobre corrupção na organização internacional do futebol profissional. Nas edições a última sexta-feira (29), um dos destaques é a fuga do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que deixou a conferência da Fifa em Zurique e preferiu se refugiar no Brasil...
 Luciano Martins Costa(*),                        

 no Observatório da Imprensa 


Reprodução
Marin é um fantasma do passado que o Brasil moderno quer ver exorcizadoMarin é um fantasma do passado que o Brasil moderno quer ver exorcizado

O noticiário equivale a uma bomba num ninho de ratazanas.

Os jornais abrem algumas frentes para abordar o assunto, e a principal delas é a chance de retomar as apurações da CPI da Nike, aberta no ano 2000 e concluída no ano seguinte. O relatório já apontava irregularidades nas relações da CBF com a empresa de material esportivo e o Grupo Traffic, cujo dono, José Hawilla, fez um acordo de delação com o FBI.

O senador e ex-jogador de futebol Romário de Souza Faria (PSB-RJ) protocolou o pedido de abertura da CPI e é tido como provável relator, por sua familiaridade com o assunto e por haver denunciado, sucessivas vezes, irregularidades na gestão do futebol brasileiro. O assunto também mobilizou o senador Zezé Perrella (PDT-MG), que em 2013 se empenhou em abortar uma iniciativa semelhante, convencendo vários colegas a retirar a assinatura de apoio à abertura de uma investigação sobre a CBF.

Perrella, que se notabilizou como presidente do Cruzeiro Esporte Clube e foi citado na crônica policial, em 2013, quando um helicóptero de propriedade de sua família foi apreendido com 450 quilos de cocaína, saiu coletando adesões para uma CPI já na manhã da última quarta-feira (27), quando as prisões de dirigentes da Fifa ainda chegavam aos portais noticiosos da internet. 


Evidentemente, o destino da investigação no Congresso estaria selado se fosse criada a CPI de Perrella e não a de Romário.

Essa é, aliás, uma das táticas mais comuns que levam muitas Comissões Parlamentares de Inquérito à desmoralização: deputados ou senadores que têm alguma coisa a temer se antecipam, participam ativamente ou tratam de ocupar um posto estratégico, como a relatoria ou a presidência, para conduzir o trabalho a resultados inócuos.

Um “encosto” da ditadura


Mas esse é apenas um dos aspectos presentes na profusão de reportagens, entrevistas e opiniões abrigadas pela imprensa. Nas entrelinhas, pode-se colher alguns detalhes que devem orientar a ação da Polícia Federal, que também deu início a uma investigação para apurar crimes previstos na legislação brasileira. A abertura dessa nova frente ganha destaque na mídia, mas não parece assustar alguns protagonistas, como Marco Polo Del Nero, que substituiu Marin na presidência da CBF.

A fuga do dirigente para o Brasil faz sentido, porque aqui ele tem mais chances de se safar da prisão e de evitar a deportação para os Estados Unidos: segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal já abriu, nos últimos 15 anos, 13 inquéritos sobre a gestão do futebol nacional, e nenhum deles teve qualquer resultado. Nesse período, a entidade patrocinou congressos e viagens de policiais e até cedeu a Granja Comary, centro de treinamentos da Seleção Brasileira, para um torneio de futebol de delegados federais.

Del Nero trata de se distanciar de seus padrinhos, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, que renunciou à presidência da CBF em 2012, para fugir das acusações que pesavam contra ele, e passou a viver em sua casa em Miami. Sabedor das investigações nos Estados Unidos, Teixeira voltou a morar no Rio de Janeiro, onde também espera estar a salvo da Justiça.

Ricardo Teixeira ainda não se manifestou, Marin está recolhido a uma pequena cela num presídio comum de Zurique, e Del Nero trata de se distanciar dos dois. Mandou retirar o nome de Marin da fachada do edifício-sede da CBF, no Rio, e entregou ao Ministério Público Federal cópias dos contratos que estão sendo investigados pelo FBI.

Todos os dedos apontam para José Maria Marin, embora as investigações da polícia americana citem negociatas iniciadas na gestão de Ricardo Teixeira e alcancem o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

O esquema criminoso remonta ainda ao longo mandato de João Havelange, mas é a figura de Marin que acende essa espécie de catarse que excita a mídia: com seu passado de sabujo da ditadura, um dos incentivadores da repressão que resultou no assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975, Marin é um fantasma do passado que o Brasil moderno quer ver exorcizado.


(*) Luciano Martins Costa é jornalista e escritor.

A  promiscuidade   que   envolve o mundo   do   esporte  tem incentivos cínicos  de  empresas 


Juca Kfouri, na Folha de S.Paulo         
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A velhacaria que envolve o mundo do esporte tem incentivos cínicos de empresas e isso deve ser dito
Resultado de imagem para Imagens de Juca KfouriA FIFA cometeu dois erros fatais ao negar as duas próximas Copas do Mundo ao ainda poderoso império americano e ao velho império inglês. Note que, desde então, jamais teve paz.
Primeiro caíram os velhos cardeais corruptos e agora os que os substituíram.
Não sejamos seletivos na indignação, porém.
Havelange, Teixeira, Hawilla, Leoz, Marin, o que menos importa é o nome do bicho.
Importa denunciar o mundo à parte que inventaram, no qual se vive nababescamente e depois corre-se o risco da desmoralização, da prisão e da humilhação. Vale a pena? Cada um sabe de si.
Lava-se dinheiro e joga-se bruto no esporte desde que o esporte virou o negócio que virou.
Certa de sua impunidade, a cartolagem da Fifa jamais deu bola aos que a investigavam.
Preferiu sempre negar-lhes credenciamentos, processá-los ou ignorá-los.
A polícia do mundo é a polícia do mundo e as três letrinhas do FBI golearam as quatro da Fifa. Porque, como sempre, alguém precisa botar um mínimo de ordem nesta zorra.
Zorra que gera a promiscuidade incapaz de separar jornalismo de propaganda ou de entretenimento.
Promiscuidade que atinge até o Poder Judiciário, que vira e mexe dá razão a tais figuras.
Ou permite que comunicadores e executivos frequentem os mesmos convescotes que tais cartolas e os protejam e homenageiem.
Dia desses mesmo, na festa da FPF, o número 1 da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto, se desmanchou em elogios ao “eterno presidente Marin” –e o homem já não tem mais nem o nome no edifício que mandou construir a toque de caixa, por R$ 70 milhões!
2015 vai entrar para a história do futebol brasileiro como um grande ano, o ano em que José Maria Marin passou o bastão ao presidente Marco Polo Del Nero”, disse Campos Pinto. De fato!
Não satisfeito, acrescentou, emocionado, a Marin: “O senhor escreveu o seu nome na história do futebol brasileiro, tendo sucedido um outro grande presidente, que foi o Ricardo Teixeira...
Nero foi saudado como “excelentíssimo senhor com o qual tenho o privilégio de conviver assiduamente há mais de 11 anos”.
Esta promiscuidade também precisa acabar porque não há autocrítica que dê conta quando o interesse do negócio suplanta a ética e os bons costumes.
O que vale para a GM, Visa, Ambev, Itaú etc.
Uma coisa é a polidez numa cerimônia pública, outra é a cumplicidade subserviente porque, enfim, tudo resulta no mesmo, em comissões, bônus ou corrupção.
Finalmente é preciso salientar que mais que novas CPIs da CBF, será fundamental aprovar a Medida Provisória do Futebol, esta sim com novos métodos de governança que podem mudar os hábitos que vigoram há décadas em nosso futebol.
Para que não sigamos ouvindo de um Hawilla o que eu já ouvi, há anos, de um Odebrecht: “Preferiria que fosse diferente. Mas o jogo é o jogo, não posso mudar o mundo”.
Todos podemos.

CBF e a cara

do Brasil         

(Luis Nassif)               Luis Nassif Online imagem de Delegado Iegas
Há muitos anos se sabe que uma das caras do crime organizado é o futebol, nas suas vertentes de comércio de jogadores e de torneios.
No Brasil, o antigo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, montou uma blindagem intransponível no Judiciário carioca e na Polícia Federal. A exemplo de outras figuras poderosas - como o presidente da Câmara Eduardo Cunha e o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes - passou a sufocar os críticos com montanhas de processos, saindo ileso de todas as ações contra ele.
Essa blindagem permitiu-lhe passar isento pela CPI da Nike, que visava apurar denúncias de corrupção na entidade. Nenhum órgão de fiscalização interno - nem PF, nem Ministério Público Federal - ousou avançar contra os esbirros do setor.
Assim como no caso Alstom, foi necessário uma investigação externa para levantar o véu dos malfeitos do futebol brasileiro.
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É fácil entender as razões dessa blindagem.
O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, é estreitamente ligado ao influente deputado petista Vicente Cândido. Este foi vice-presidente de Del Nero na Federação Paulista de Futebol e depois na CBF, além de seu sócio no escritório particular.
Ricardo Teixeira é amicíssimo de Aécio Neves (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB).
J. Hawila, o empresário que comandava a venda de campeonatos e de patrocínios, é umbilicalmente ligado às Organizações Globo. E não apenas pela amizade íntima com Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo responsável pela compra de direitos de transmissão de campeonatos.
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Além de garantir à Globo o virtual monopólio na transmissão dos campeonatos, Hawila tornou-se sócio de um dos herdeiros do grupo,  adquirindo com ele retransmissoras da Globo em todo o interior paulista, o jornal Diário de S. Paulo, além de ter-se tornado produtor de vários programas da rede.
Não é o único envolvimento de grupos de mídia com a contravenção.
A audiência da Globo deu-se em cima de três pilares: novelas, futebol e carnaval.
Em dois deles - carnaval e futebol - em sociedade com a contravenção do jogo de bicho e dos esquemas bilionários da CBF e da Fifa. De seu lado, a Editora Abril mete-se em negócios nebulosos com a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira. Apesar da abundäncia de provas colhidas por uma CPI, não motivou uma representação sequer ao MPF.
Ambas foram poupadas pelos órgãos de investigação, graças às parcerias firmadas com eles .
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É nesse ambiente protegido que floresceram os contraventores de primeira classe, protegidos da ação do Ministério Público Federal e da Polícia, ao largo do alcance da mão da Justiça e do Congresso.
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Repete-se, no futebol, as mesmas práticas generalizadas envolvendo os principais partidos políticos - PT, PSDB e PMDB - e os principais centros de poder do país.
Resta esperar os desdobramentos desse jogo, que será o maior desafio para comprovar a independência (ou não) do MPF e da Polícia Federal em relação a seus parceiros preferenciais.
COMENTÁRIO-RESPOSTA
"Troféu da vergonha para a PF"

Enviado por Delegado Iegas  - Ref. ao post CBF e a cara do Brasil
Da Federação Nacional dos Policiais Federais:
E a FENAPEF responde...
Após a prisão de José Maria Marin, ex-Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, pelo FBI norte-americano e polícia da Suiça, o Brasil voltou a questionar a falta de capacidade, eficiência  ou mesmo a isenção da sua estrutura de investigação criminal nos casos envolvendo corrupção nas entidades que cuidam do futebol nacional.
É fato que nem a Polícia Federal nem a CPI apelidada de “CPI da Nike” resultaram em prisão ou condenação de pessoas ligadas ao futebol brasileiro, em que pesem as graves denúncias veiculadas por jogadores, imprensa e diversos profissionais do ramo.
Mas por que a Polícia Federal norte-americana chegou a essas prisões e nós, no Brasil, não?
Em vários sites de jornais de grande circulação, matérias veiculadas à época das investigações pátrias retornaram às manchetes e, de certa forma, ajudaram – e muito – a desvendar a incrível inoperância do modelo de investigação brasileiro e o envolvimento direto entre a CBF e aqueles que, em tese, seriam os responsáveis pelas investigações.
“Em 15 anos, a Polícia Federal, no Rio, abriu 13 inquéritos contra a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o seu ex-presidente Ricardo  Teixeira. Nenhum deles obteve resultado até hoje.”
Neste período, segue a reportagem, “a CBF patrocinou congressos, viagens, e até cedeu a Granja Comary , centro de treinamento da seleção brasileira, para um torneio de futebol de delegados .”
São fatos graves os que foram denunciados, inclusive ligando Ricardo Teixeira à associação dos delegados de Polícia Federal, quando a CBF teria doado R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) para um congresso realizado em Fortaleza, no ano de 2009. (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/05/1635188-inqueritos-da-policia-federal-sobre-cbf-e-teixeira-nao-deram-em-nada.shtml)
Não obstante os graves fatos denunciados, que ensejam os reais motivos das investigações contra a CBF no Brasil não terem decolado, ainda há muito a ser esclarecido à sociedade.
O modelo de investigação criminal no Brasil é de um retrocesso incalculável. A abertura de 13 (treze) inquéritos policiais por delegados de Polícia Federal não cria uma relação diretamente proporcional com o deslinde de crimes cometidos e nem com a condenação dos eventuais investigados.
As investigações deveriam seguir um ritmo célere e coordenado, com intuito exclusivo de se chegar à verdade dos fatos. E por que isso não acontece no Brasil?
Enquanto o poder de formatação e encaminhamento formal das investigações ficar na mão de servidores burocratas, que priorizam oitivas e o questionável indiciamento, ao invés de análise documental e de evidências mais profunda, utilizando do conhecimento multidisciplinar dos seus policiais, com imediato encaminhamento ao Ministério Público para a elaboração da denúncia, as investigações no Brasil nunca terão números de eficiência satisfatórios.
Burocracia, prazos, vai-e-vem constante de inquéritos policiais entre a Justiça e a Polícia, passando novamente pelo Ministério Público, tudo isso revela a saga indigesta da fina-flor da inoperância e do gasto público desnecessário,  algo que em países como os Estados Unidos não prosperaria jamais. No caso da CBF, investigar e prender criminosos de alto padrão demonstrou ser algo mais simples, mais rápido, mais eficiente e, principalmente, sem qualquer possiblidade de criação de vínculos entre os que deveriam investigar e os investigados.
Imoral e inconcebível o Brasil ainda utilizar um modelo de investigação que possibilite a vinculação entre o potencial investigador e o investigado, a ponto de este vir a ser palestrante em um congresso privado daquele, e de haver uma troca de homenagens e gentilezas como selo do entrelace formado.
A Fenapef fez denúncias do caso à época e publicou as seguintes matérias:
PARA NÃO ESQUECER: Troféu da vergonha para os policiais federaishttp://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/25101
Investigados patrocinam encontro da Polícia Federalhttp://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/25126
A sociedade brasileira não pode assistir pacificamente à degradação do respeito ao trabalho da Polícia Federal e especialmente os policiais federais terão que trilhar novos caminhos em busca de um modelo que não propicie novamente os mesmos erros durante as investigações, seja por omissão, seja por pura ineficiência, sob pena de ter seu nome manchado por elos políticos reprováveis.
A Federação Nacional dos Policiais Federais irá apoiar a CPI que está sendo criada e não medirá esforços para que fiquem esclarecidos os motivos dos insucessos das investigações que foram feitas através de inquéritos policiais no Brasil, pela Polícia Federal.
A Diretoria da Fenapef também abrirá agenda junto à Corregedoria da Polícia Federal, ao Ministério da Justiça para que o caso tenha a devida apuração. Um pedido de abertura de CPI específica para apurar a atuação política da associação dos delegados no Congresso Nacional já havia sido aprovado pelo Conselho Nacional de Representantes e deverá ter desdobramentos nos próximos dias.
A sociedade brasileira precisa de explicações e um dos órgãos de maior credibilidade do País - a Polícia Federal - deve dar sua pronta e suficiente resposta.

Esperteza, quando é muita, engole o dono                        

Do que Cunha e Russomano se esqueceram na hora de fazer a manobra ilegal do financiamento (privado')de campanha eleitoral?

Jean Wyllys                      Carta Capital

Jean Wyllys protesta contra a manobra de Cunha
Vocês    que acompanharam a tramitação   da (contra) "reforma política" na House of Cunha sabem que,     um dia    depois     de o presidente da Casa ter perdido(AQUI)  a votação em que tentou incluir na Constituição,     mediante emenda, o financiamento empresarial de campanha, ele  fez(AQUI) uma manobra ilegal para votar novamente e, dessa vez, obteve a maioria necessária.
Vocês que acompanharam sabem, também, que a "emenda aglutinativa" rejeitada permitia a doação de empresas a partidos e candidatos, e o artifício usado por Cunha na segunda votação foi pedir ao deputado Celso Russomano, do PRB, que apresentasse (fora do tempo, quando a matéria já tinha sido rejeitada) uma nova "emenda aglutinativa" que permite a doação de empresas (pessoas jurídicas) apenas a partidos, mas não a candidatos, que só poderão receber dinheiro ou bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas. Certo?
Pois bem, leiam com muita atenção o que o texto ilegalmente votado diz:
«Dê-se ao artigo 17 da Constituição Federal, constante da redação do artigo 2º do Substitutivo apresentado pelo Relator, a seguinte redação:

"Art. 17 

§5º É permitido aos partidos políticos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas.

§6º É permitido aos candidatos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas.
(...)».

Vamos repetir: os partidos poderão receber dinheiro ou bens de pessoas físicas ou jurídicas, mas os candidatos só poderão receber dinheiro de pessoas físicas.

Do que é que Cunha e Russomano se esqueceram? 

Os partidos são pessoas jurídicas!

Ou seja, os partidos, com essa emenda, não poderão repassar um tostão aos candidatos, mesmo que recebam milhões das empreiteiras amigas! Quer dizer: esse dinheiro poderá ser usado pelo partido para qualquer coisa, menos para financiar as campanhas dos seus candidatos

Não é engraçado? Tantas manobras, tanto atropelo, e eles mesmos atiraram no pé. Desesperados e com pressa por redigir uma emenda para ser votada (mesmo que isso atropelasse a Constituição Federal), Cunha et caterva criaram uma aberração jurídica que pode fazer com que os partidos que se submeterem a essa prática arrecadem milhões de reais, mas não possam repassar nada aos seus candidatos! Um verdadeiro Frankenstein!

Sem prejuízo a essa burra malandragem, o Mandado de Segurança contra a manobra golpista do Eduardo Cunha para aprovar essa emenda — iniciativa do meu mandato e do PSOL que conquistou o apoio de dezenas de parlamentares de diferentes bancadas — já foi protocolado no Supremo Tribunal Federal.