domingo, 19 de julho de 2015


Para  jurista,   país   precisa   de      

legislação para garantir controle

civil da Polícia Federal                                                                            (Eduardo Maretti)

Na opinião do constitucionalista Pedro Serrano, críticas ao ministro da Justiça passam ao largo do problema principal: a PF atua até hoje segundo a filosofia da ditadura e da Lei de Segurança Nacional


BRUNO POLETTI/FOLHAPRESS
Pedro Serrano
"Precisamos ter um controle da PF realizado por entidades como OAB, CNBB, as ONGs, a ABI", diz advogado
As críticas ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que estaria sendo omisso diante da atuação da Polícia Federal, são um aspecto secundário do debate. A opinião é do advogado Pedro Estevam Serrano. Para ele, as críticas a Cardozo são “injustas”. Segundo o jurista, considerando a legislação em vigor, independentemente de quem seja o titular da pasta, “o ministro não tem esse poder todo sobre a Polícia Federal que as pessoas imaginam. O ministro da Justiça é hoje no Brasil uma espécie de rainha da Inglaterra em relação à PF”.
Precisamos radicalizar a republicanização da PF para garantir os direitos fundamentais, essência da República. Para que a PF supere o traço autoritário que ainda traz do regime militar            
Para o jurista, mais importante do que discutir a postura do ministro é estabelecer no Brasil uma legislação de controle democrático da Polícia Federal, e de garantias dos direitos do cidadão e da cidadania ante a ação policial. “A PF herda uma filosofia da ditadura e da Lei de Segurança Nacional para a qual o cidadão é inimigo”, diz. “Precisamos ter um controle da PF realizado pelas entidades da sociedade civil, como OAB, CNBB, as ONGs, a ABI.”
Esta semana, Cardozo declarou à imprensa que “o ministro da Justiça não pode controlar investigação da PF”, o que irritou setores que consideram que ele deveria ter mais “pulso”.
Há uma série de regulamentos criados a partir do governo Lula que ajudaram a aumentar a autonomia da Polícia Federal, lembra Serrano. “Não é uma novidade de agora. Acho um pouco injusto quando se acusa o atual ministro. O governo do PT criou essa política, da qual o próprio PT se vangloria. Talvez tenha se esquecido de criar mecanismos de controle”, diz.
O advogado afirma que, seja de parte de governistas, seja de opositores, “quem é acusado tem de tratar de se defender e não de ficar acusando outros”. “É um péssimo papel esse do Eduardo Cunha agora. Ele foi acusado de algo grave. Tem de tratar de se defender e não de acusar a Dilma.”
Leia a entrevista de Pedro Serrano à RBA.
>>O ministro José Eduardo Cardozo tem sido criticado por setores do PT por estar, segundo eles, sendo "omisso" em relação às ações abusivas da Polícia Federal. Como o senhor avalia essa conjuntura?
>>O que se tem são instrumentos disciplinares administrativos, a maioria na mão do diretor-geral da Polícia Federal, quando ocorre abuso. Por exemplo, no caso de vazamento ilegal de informação, se instaura o processo administrativo contra esse policial ou agente responsável e o suspende da função; é um afastamento cautelar. Mas isso é feito por provocação do presidente da comissão processante ao diretor do departamento da PF e o afastamento é determinado pelo diretor-geral da PF, não pelo ministro. Interferir na investigação, o ministro não pode nunca.
Quando ocorre abuso, como vazamento de informação, a competência para punir não é do ministro, é do diretor-geral. Se este não age, não atua, e isso é entendimento meu, acho que o ministro pode trazer a si a competência do diretor-geral e determinar a suspensão provisória. Mas isso numa situação muito radical e hipotética. O ministro tem razão no gênero, porque não tem esse poder todo sobre a Polícia Federal que as pessoas imaginam. O ministro da Justiça é hoje no Brasil uma espécie de rainha da Inglaterra em relação à PF: ele tem pouco poder tanto de comando como disciplinar.
>>A mudança depende de mudar a legislação ordinária?
Para mudar isso (a competência) precisaria mudar a lei. Enquanto não mudar, o ministro não tem competência de afastar agentes e policiais cautelarmente. Mas nem o diretor-geral tem o poder de interferir ou conduzir a investigação. Mesmo punindo o delegado que eventualmente cometer abusos, o diretor-geral não pode interferir na investigação.
É preciso estabelecer no Brasil uma legislação de controle democrático da Polícia Federal, e de garantias dos direitos do cidadão e da cidadania ante a ação policial. Isso ainda não foi feito desde o restabelecimento do regime democrático no país. A própria legislação ordinária precisa ser reformada para haver controle externo da PF. O controle externo feito pelo Ministério Público não resolve, porque o MP também é uma entidade punitiva, ele busca acusar, perseguir. Precisamos ter um controle da PF realizado pelas entidades da sociedade civil, como OAB, CNBB, as ONGs, a ABI.
A polícia não tem por função primária só punir. Todas as instituições do Estado têm por função primária garantir o direito das pessoas, a polícia também. É importante combater a corrupção, mas dentro dos métodos próprios do Estado democrático de direito.
>>Para membros do governo e do PT, a PF é "seletiva" nas investigações...
>>O que está posto ao país hoje não é ficar discutindo por que pega esse partido e não pega aquele. Acho esse discurso ruim por parte de quem critica o ministro. Quem é acusado tem que tratar de se defender e não de ficar acusando outros. É um péssimo papel esse o do Eduardo Cunha agora. Ele tem que se defender, foi acusado de algo grave. Tem que tratar de se defender e não de acusar a Dilma.
Precisamos é radicalizar a republicanização da Polícia Federal para garantir os direitos fundamentais, que são a essência da República. Para que a Polícia Federal deixe de ter  este traço autoritário que ainda traz do regime militar. A PF precisa ter uma atuação despolitizada, não ver cor de partido político na hora de atuar, respeitar os direitos fundamentais, o exercício da advocacia, tratar as pessoas, os presos e investigados com urbanidade, decência, humanidade. Ela não está tratando com inimigo, está tratando com cidadãos. Mesmo os que erraram são cidadãos. Em suma: radicalizar a republicanização da PF, e não amesquinhá-la, dizer que falta controle do ministro.
>>Se o diretor-geral da PF é subordinado ao ministro e portanto à Presidência da República, então a questão é política, e não jurídica? O diretor-geral da PF não deve subordinação ao ministro?
A realidade é que uma série de regulamentos criados a partir do governo Lula foram dando autonomia à PF. Não é uma novidade de agora, desse ministro. Acho um pouco injusto quando se acusa o atual ministro. O governo do PT criou essa política (dar autonomia de investigação à PF), da qual o próprio PT se vangloria. Talvez tenha se esquecido de criar mecanismos de controle. Seres humanos não são neutros.
Se o PT está na pauta é porque é governo. O PT estimulou corretamente a autonomia da PF como órgão de Estado, e não como órgão de governo, e se o PT, como qualquer governo, tem suas mazelas, isso precisa ser apurado. Ele está mais no foco do que os outros partidos porque é governo.
>>A questão é a cidadania...
A gente tem que tentar tornar a Polícia Federal mais cidadã. Não dá para querer, como fazem setores governistas, criticá-la pelo fato dela investigar mais gente do governo do que outros partidos. A maior parte da competência da PF é de crimes contra a administração pública federal. É preciso entender a estrutura de Estado antes de fazer a crítica.
A crítica que deve ser feita à PF é a forma como tem atuado. A forma como expôs os automóveis apreendidos do senador (Fernando Collor), por exemplo.  Chamou a imprensa, expôs a público e humilhou o senador desnecessariamente. Não pelo fato de ser um senador, mas por ser um cidadão. Pela Lei de Segurança Nacional, quem tratava o cidadão como inimigo era a ditadura.
>>Podemos então concluir que Cardozo está tecnicamente correto ao dizer que "ministro da Justiça não pode controlar investigação da PF"?
>>Precisamos de uma legislação que vá, de forma preventiva, educando os policiais a tratar as pessoas com cidadania. Um dos elementos fundamentais dessa nova legislação deveria ser a criação de um controle externo. Isso é que deveria ser o mote do PT e do governo. Tem que pedir não que o ministro da Justiça controle a polícia, indevidamente, mas que a sociedade controle a polícia com vistas à garantia dos direitos fundamentais.
Outra coisa que precisa haver nessa legislação: regular a relação da polícia com a mídia. É muito importante que se divulguem as informações das investigações no momento certo, e quando for divulgado que seja da forma certa. É importante que haja uma assessoria de imprensa oficial da polícia e só ela possa se comunicar com a mídia, sem escolher com qual órgão se comunica. Não pode haver comunicação privilegiada, que vulnera o princípio da igualdade. Como é que redes como a Globo ou grandes jornais têm acesso privilegiado a informações de inquéritos?
>>A questão do vazamento seletivo de informações...
>>Não pode haver vazamento de informação, porque é crime. Precisa haver seriedade na punição dos vazamentos. Isso prejudica a imagem das pessoas e a própria investigação. E quando houver a divulgação das informações, precisa ser pública e impessoal. É preciso que nunca haja contato direto do agente policial, que investiga, com jornalista, porque isso leva à manipulação da narrativa, cria-se uma narrativa pública que muitas vezes gera injustiça, deixa de ser um julgamento público para ser um linchamento. Temos que acabar com este particularismo vaidoso na comunicação das autoridades judiciárias com a mídia.
                             (Darío Pignotti)    

Mercosul:  Ameaça de golpes 

na região foi o tema central

da cúpula de Brasília 

Dilma optou por uma afirmação categórica para falar sobre o assunto: 'Não há espaço para aventuras antidemocráticas na América do Sul'

Lula Marques

Nessa última sexta-feira(17), enquanto a presidenta Dilma Rousseff anunciava aos seus colegas do Mercosul que condenava as tentativas de golpe de Estado pela via institucional – como tem ocorrido no continente nos últimos anos –, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pertencente a grupos de direita, desengavetava um pedido de impeachment apresentado pelo militar aposentado Jair Bolsonaro, hoje deputado, o mais votado do Estado do Rio de Janeiro.
 
Desde janeiro, a instabilidade política brasileira cresce sem parar. Quando Dilma iniciou seu segundo mandato, setores da oposição prometeram que ela não chegaria a 2018 como presidenta, contrariando a norma institucional.
 
A ameaça de instabilidade tem no Congresso brasileiro um dos seus redutos, principalmente graças a Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, que anunciou passar a ser oficialmente um opositor e justificava a agressividade na guerra política aberta contra o Planalto, enquanto Dilma debatia com seus colegas do Mercosul, Cristina Fernández, Horacio Cartes, Tabaré Vázques e Nicolás Maduro.
 
O caldeirão político brasileiro se cruzou com a 48ª Cúpula do Mercosul, em Brasília, onde Dilma Rousseff concluiu sua presidência pro tempore e a cedeu ao governante paraguaio Horacio Cartes.
 
Se dias antes da reunião semestral os diplomatas brasileiros diziam aos correspondentes estrangeiros que o golpe institucional era um tema que poderia ser tratado, mas sem ser assunto de importância, o que os fatos demonstraram foi outra coisa: foi um assunto importante no debate dos mandatários. Os ventos de golpe contaminaram o encontro dos presidentes, realizado a 200 metros do Congresso, no Palácio do Itamaraty, sede da chancelaria brasileira.
 
No lugar de uma linguagem indireta para se referir ao tema, Dilma optou por uma afirmação categórica: “Não há espaço para aventuras antidemocráticas na América do Sul”, disse ela, recebendo gestos de aprovação de alguns de seus pares.
 
Logo ela, que foi presa política durante a ditadura brasileira, recordou que “somos uma região que sofreu muito com as ditaduras. Hoje, somos uma região onde a democracia floresce e madura, o ano passado, tivemos eleições gerais no Uruguai e no Brasil, e este ano haverá na Argentina, além das parlamentarias na Venezuela”.
 
Depois, a presidenta brasileira voltou falar dos anos do autoritarismo, ao lembrar do presidente João Goulart, o Jango, deposto pelo golpe de 31 de março de 1964 e morto durante o exílio, no dia 6 de dezembro de 1976, quando visitava uma fazenda na Argentina. Ele era vigiado por agentes de inteligência vinculados à Operação Condor, um trabalho de coordenação repressiva entre os governos ditatoriais.
 
Dilma elogiou bastante o presidente Goulart, e recordou o compromisso dele com a democracia e o bem-estar do povo, em evento onde ele foi declarado cidadão ilustre do Mercosul, um reconhecimento dado a grandes personalidades, como o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que deixou de existir em abril deste ano.
 
Esses dois trechos do discurso da anfitriã da cúpula, pronunciados no Salão Portinari da Chancelaria, são indicativos de que a hipótese de uma quebra da ordem institucional não é tão descabelada. A comparação entre as escorregadas democráticas da atualidade e os regimes dos Anos 70 foi mais eloquente nos discursos de Cristina Fernández e Nicolás Maduro.
 
A mandatária argentina recordou que este ano se cumprem 40 anos da criação da Operação Condor e especulou com que “talvez se esteja engendrando, em algum lugar, um novo plano, que não tenha intervenção das Forças Armadas, que seja mais sutil”, prosseguiu Fernández de Kirchner. “Quem sabe se agora são abutres e não condores. São sempre aves de rapina, e por isso temos que fortalecer mais do que nunca a democracia”, pela qual expressou seu respaldo aos estados e povos que correm riscos de desestabilização.
 
Maduro também mencionou a Operação Condor e citou os países “imperialistas”, que continuam, segundo opinou ele, obstinados em causar problemas na América Latina.
 
O chefe de Estado venezuelano recebeu o apoio do Mercosul em sua reclamação contra os Estados Unidos, por um decreto assinado por Barack Obama que se caracterizou a Venezuela como uma ameaça a sua segurança.
 
O documento final, assinado pelos cinco governantes, afirma que “se reafirma aqui o compromisso com o princípio de não intervenção e o repúdio ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos, do dia 9 de março de 2015”.

            Luis Nassif Online 
Jornal O Globo omite(e mente
sobre)  informações  para
atacar  Lula 

 
Jornal GGN - Uma troca de e-mails entre o jornalista de O Globo, Chico Gois e o assessor de imprensa do Instituto Lula, José Crispiniano, revela que o jornal omitiu informações importantes com a finalidade de produzir uma matéria acusando o ex-presidente de fazer lobby da Odebrecht em outros países.
No post abaixo, produzido pelo site de notícias Medium, é possível ler as mensagens trocadas entre o jornalista e o assessor. Crispiniano rebate todas as perguntas do Globo e finaliza perguntando à Gois porque o jornal, após fazer "um grande fuzuê, com manchete de primeira página sobre os documentos do Itamaraty durante a presidência de Lula", não produziu nova notícia de capa, quando os documentos tornados públicos revelaram a atuação positiva do ex-presidente na política externa.
Dentre todas as respostas enviadas pela assessoria de imprensa do Instituto Lula apenas uma foi utilizada na matéria de O Globo divulgada neste domingo.

Jornal O Globo omite informações e mente

novamente para atacar Lula


Em mais uma matéria que não diz nada, o jornal O Globo, não se atenta aos fatos e faz distorções para prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reproduzimos abaixo a troca de e-mails entre o jornalista e o assessor de imprensa do Instituto Lula, na qual fica clara a intenção de usar documentos que não revelam nada de novo, para criar um factoide. As mensagens trocadas entre repórter e assessor, em circunstâncias normais, deveriam ser apresentadas aos leitores do jornal na matéria, mas entendemos que a necessidade de criminalizar as atividades de Lula, vão além da normalidade e das boas práticas jornalísticas.
Veja abaixo a troca de e-mails:

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Boa tarde,
Estamos fazendo uma matéria sobre a atuação do ex-presidente Lula em defesa da Construtora Odebrecht. Telegramas diplomáticos trocados entre embaixadas brasileiras e o Ministério das Relações Exteriores apontam que o ex-presidente agiu, várias vezes, em defesa da construtora.
Entre 21 e 23 de outubro de 2013, por exemplo, ele esteve em Lisboa, a convite da construtora, para participar de cerimônia dos 25 anos da empresa em Portugal, informa telegrama enviado pelo embaixador Mario Vilalva. Em2 de maio do ano passado, em outro telegrama enviado pelo mesmo embaixador, o diplomata fala sobre a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), da qual a Odebrecht tinha interesse, e afirma que Lula “reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”.
O ex-presidente, segundo telegrama de 3 de março de 2014, enviado pelo encarregado de negócios em Havana, Marcelo Câmara, esteve em Havana entre os dias 24 e 27 de fevereiro daquele ano, com apoio da Odebrecht. Na capital cubana, Lula tratou de “prospecção de iniciativas para aperfeiçoamento da matriz energética cubana” relacionadas à zona especial de Mariel. Em 2011, Lula também estivera em Cuba, onde foi recebido no hotel pelo presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e pelo ex-ministro José Dirceu. Em outro telegrama, do embaixador Paulo Cordeiro afirma que Lula agendou uma reunião no BNDES para que o embaixador do Zimbabue no Brasil, Thomas Bvuma, pudesse pleitear recursos do banco de fomento brasileiro.
Pergunto:
1- Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?
2- O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?
3- Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?
4- O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?
5- O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?
6- Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?
Desde já, obrigado pelas informações
Chico de Gois

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Boa tarde, Gois. Qual o prazo para as respostas?
Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula
Hoje, as 18h. Obrigado.
De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Gois,
Outras 2 dúvidas, em uma pergunta você fala de “tais reuniões”. A quais reuniões você se refere que teriam sido solicitadas pelo ex-presidente? De quem com quem?
Também gostaria de saber, para poder responder apropriamente, os trechos literais dos texto dos telegramas citados por você, por exemplo o texto do embaixador Paulo Cordeiro e a época. Não posso basear uma resposta na afirmação do Globo da existência de um suposto documento o qual não conheço a formulação nem tenho certeza da existência.
Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Olá, Chrispiniano
Desculpe a demora. Estava almoçando
Sobre as “ tais reuniões”, refiro-me à intermediação do ex-presidente para que o embaixador do Zimbabue fosse atendido no BNDES, além de reuniões com o primeiro-ministro português no qual atuou a favor da Odebrecht.
Abaixo trechos dos telegramas:
25/10/2014
“Visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lisboa. 25 anos da Odebrecht em Portugal”

RESUMO:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa a convite da Odebrecht. Proferiu palestra sobre relações Brasil-Portugal, avistou-se com o PM Passos Coelho, recebeu empresários e participou do lançamento do livro do ex-PM José Sócrates”.

02/05/2014
“A participação brasileira no programa de privatização colhe a simpatia dos formadores de opinião em Portugal. Repercutiu positivamente na mídia recente declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à RTP no dia 27/04 último, no sentido de que o Brasil deve-se engajar mais ativamente na aquisição de estatais portuguesas. O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao PM Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”

03/03/2014
BRASIL-Cuba. Visita a Cuba do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (24–27/02)

RESUMO:
"Em atendimento a convite do governo local e com o apoio do grupo COI/Odebrecht, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou visita a Cuba entre os dias 24 e 27/02.”

03/05/2012
“O embaixador Paulo Cordeiro informou que participará, junto com o embaixador do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, de reunião com o BNDES em 3 de maio, organizada a pedido do ex-presidente Lula, que se dedicará ao desenvolvimento de infraestrutura na África”.

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Chico, muito obrigado pelo envio.
Atenciosamente,

De: Instituto Lula
Para: O Globo
Caro Chico, tudo bem?

Sim, entre 21 e 23 de outubro o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal, cumprindo uma extensa agenda e essa informação, como todas de viagens do ex-presidente, é pública e foi informada à imprensa na época.
Sobre Cuba, você mencionou, mas não fez nenhuma pergunta, de qualquer forma, segue o texto do release enviado informando a viagem na época, que informa à visita à Mariel: http://www.institutolula.org/raul-castro-recebe-lula-em-cuba
A visita também foi acompanhada pela imprensa internacional, nos links abaixo, as agências EFE e AFP:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/lula-considera-porto-de-mariel-como-referencia-para-america-latina.html
Respondo:
1- Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?
O ex-presidente não atuou em favor da Odebrecht , nem fez gestão a favor da empresa. Como o documento mostra ele comentou o interesse da empresa brasileira pela empresa portuguesa. Que, aliás, era público há muito tempo, como indica matéria do jornal Público de outubro de 2013, a qual segue o link: http://www.publico.pt/economia/noticia/odebrecht-interessada-na-privatizacao-da-egf-1608053 São inúmeras as empresas brasileiras que acompanham com interesse o processo de privatizações em curso em Portugal. A Azul empresa brasileira, acabou de comprar a TAP, por exemplo.
2- O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?
Não. O ex-presidente não recebeu, não recebe e jamais receberá qualquer pagamento de qualquer empresa para dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influencias.
No caso da Odebrecht, como de dezenas de outras empresas, ele recebeu pagamento para fazer palestra para funcionários, empresários ou diretores. E elas foram pagas através de notas fiscais e tiveram seus impostos pagos. Palestras assim são feitas também por diversos ex-presidentes brasileiros e estrangeiros, jornalistas, esportistas e artistas.
3- Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?
O ex-presidente não “agendou uma reunião”, o evento ao qual o telegrama se refere, no dia 3 de maio de 2012, foi público, um grande seminário comemorativo dos 60 anos do banco, com mais de 500 pessoas presentes, entre elas embaixadores ou delegações de todos os países africanos, na sede do BNDES. O seminário em questão teve em sua mesa uma delegação de 10 dirigentes da União Africana, pois o seu tema era o desenvolvimento na África. Não só o embaixador do Zimbábue foi convidado pelo banco, mas os outros 36 embaixadores africanos no Brasil também. O evento foi coberto pela imprensa e foi o primeiro evento público com participação do ex-presidente após o tratamento contra o câncer. Inclusive O Globo também cobriu, vejam essa matéria do G1 e da France Press, segue link:
4- O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?
O ex-presidente NUNCA intermediou reuniões de empresários com mandatários de outros países
5- O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?
Vide resposta acima.
6- Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?
Da mesma forma que avaliamos os encontros com quaisquer “altos dirigentes” de outras grandes empresas, dos mesmos setores ou de outros setores como comunicação, financeiro, alimentício, agrícola ou tecnologia. Ou os encontros com dirigentes sindicais, de movimentos sociais, artistas e sindicais etc…
Gostaríamos de complementar dizendo que o Globo fez um grande fuzuê, com manchete de primeira página sobre os documentos do Itamaraty durante a presidência de Lula, mas depois, quando os documentos se tornaram públicos e revelaram a atuação positiva do ex-presidente Lula, não localizamos nenhuma matéria do jornal sobre o assunto, o que talvez tenha causado estranhamento aos seus leitores, que talvez achem que os documentos não foram publicizados. Por isso segue matéria que fizemos sobre os documentos ignorados pelo jornal.




O ferro será malhado ainda 

quente com Eduardo Cunha

              (Fernando Brito)

             trio
A situação de Eduardo Cunha vai ficando patética.
Depois de ressuscitar um pedido de impeachment de Dilma feito por Jair Bolsonaro, agora recebe a manifestação de “solidariedade” de Marco Feliciano, que pede ao Pastor Everaldo, presidente do PSC(AQUI), a expulsão do também deputado Sílvio Costa (PE), por este ter feito um pronunciamento onde pede o afastamento temporario do presidente da Câmara (veja aqui), enquanto está sendo investigado.
Fica, portanto, no campo dos elementos folclóricos da Câmara, pois as forças políticas determinantes nas decisões parlamentares, os partido de peso, procuram fazer um cordão sanitário em torno de sua figura, para não serem apanhados pelos respingos da imundície.
A foto aí de cima (do Primeiro de Maio deste ano, um escárnio pela terceirização) tornou-se impossível de repetir.
O PMDB diz que suas atitudes são pessoais – até Leonardo Picciani, seu mais fiel escudeiro assina a nota “me inclua fora desta” do Partido – os tucanos voltam para o muro do qual nem se lembravam mais, com uma nota em que não diz nada e reafirma coisa alguma, com aquele “todas as denúncias devem ser investigadas”, o que, claro, não abrange as feitas contra Aécio Neves.
A semana que começa será, podem ter certeza, de fortes acontecimentos.
É início do recesso parlamentar e, portanto, de férias no  Reino de Cunha.
E de pressa para Rodrigo Janot que, sem fatos novos, tem hoje uma situação de ser  esmagado na votação de sua recondução ao cargo, vencidos os dois passos iniciais: sua indicação pelo voto da categoria e a confirmação de seu nome por Dilma.
As bombas virão logo, e com altíssimo poder explosivo.
15 dias são tempo demais para um “teste de fidelidade” da mixórdia política que se reuniu em torno da bandeira pirata  de Eduardo Cunha.
Mas se – e apenas – se troarem os canhões.