domingo, 19 de julho de 2015

            Luis Nassif Online 
Jornal O Globo omite(e mente
sobre)  informações  para
atacar  Lula 

 
Jornal GGN - Uma troca de e-mails entre o jornalista de O Globo, Chico Gois e o assessor de imprensa do Instituto Lula, José Crispiniano, revela que o jornal omitiu informações importantes com a finalidade de produzir uma matéria acusando o ex-presidente de fazer lobby da Odebrecht em outros países.
No post abaixo, produzido pelo site de notícias Medium, é possível ler as mensagens trocadas entre o jornalista e o assessor. Crispiniano rebate todas as perguntas do Globo e finaliza perguntando à Gois porque o jornal, após fazer "um grande fuzuê, com manchete de primeira página sobre os documentos do Itamaraty durante a presidência de Lula", não produziu nova notícia de capa, quando os documentos tornados públicos revelaram a atuação positiva do ex-presidente na política externa.
Dentre todas as respostas enviadas pela assessoria de imprensa do Instituto Lula apenas uma foi utilizada na matéria de O Globo divulgada neste domingo.

Jornal O Globo omite informações e mente

novamente para atacar Lula


Em mais uma matéria que não diz nada, o jornal O Globo, não se atenta aos fatos e faz distorções para prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reproduzimos abaixo a troca de e-mails entre o jornalista e o assessor de imprensa do Instituto Lula, na qual fica clara a intenção de usar documentos que não revelam nada de novo, para criar um factoide. As mensagens trocadas entre repórter e assessor, em circunstâncias normais, deveriam ser apresentadas aos leitores do jornal na matéria, mas entendemos que a necessidade de criminalizar as atividades de Lula, vão além da normalidade e das boas práticas jornalísticas.
Veja abaixo a troca de e-mails:

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Boa tarde,
Estamos fazendo uma matéria sobre a atuação do ex-presidente Lula em defesa da Construtora Odebrecht. Telegramas diplomáticos trocados entre embaixadas brasileiras e o Ministério das Relações Exteriores apontam que o ex-presidente agiu, várias vezes, em defesa da construtora.
Entre 21 e 23 de outubro de 2013, por exemplo, ele esteve em Lisboa, a convite da construtora, para participar de cerimônia dos 25 anos da empresa em Portugal, informa telegrama enviado pelo embaixador Mario Vilalva. Em2 de maio do ano passado, em outro telegrama enviado pelo mesmo embaixador, o diplomata fala sobre a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), da qual a Odebrecht tinha interesse, e afirma que Lula “reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”.
O ex-presidente, segundo telegrama de 3 de março de 2014, enviado pelo encarregado de negócios em Havana, Marcelo Câmara, esteve em Havana entre os dias 24 e 27 de fevereiro daquele ano, com apoio da Odebrecht. Na capital cubana, Lula tratou de “prospecção de iniciativas para aperfeiçoamento da matriz energética cubana” relacionadas à zona especial de Mariel. Em 2011, Lula também estivera em Cuba, onde foi recebido no hotel pelo presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e pelo ex-ministro José Dirceu. Em outro telegrama, do embaixador Paulo Cordeiro afirma que Lula agendou uma reunião no BNDES para que o embaixador do Zimbabue no Brasil, Thomas Bvuma, pudesse pleitear recursos do banco de fomento brasileiro.
Pergunto:
1- Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?
2- O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?
3- Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?
4- O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?
5- O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?
6- Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?
Desde já, obrigado pelas informações
Chico de Gois

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Boa tarde, Gois. Qual o prazo para as respostas?
Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula
Hoje, as 18h. Obrigado.
De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Gois,
Outras 2 dúvidas, em uma pergunta você fala de “tais reuniões”. A quais reuniões você se refere que teriam sido solicitadas pelo ex-presidente? De quem com quem?
Também gostaria de saber, para poder responder apropriamente, os trechos literais dos texto dos telegramas citados por você, por exemplo o texto do embaixador Paulo Cordeiro e a época. Não posso basear uma resposta na afirmação do Globo da existência de um suposto documento o qual não conheço a formulação nem tenho certeza da existência.
Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Olá, Chrispiniano
Desculpe a demora. Estava almoçando
Sobre as “ tais reuniões”, refiro-me à intermediação do ex-presidente para que o embaixador do Zimbabue fosse atendido no BNDES, além de reuniões com o primeiro-ministro português no qual atuou a favor da Odebrecht.
Abaixo trechos dos telegramas:
25/10/2014
“Visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lisboa. 25 anos da Odebrecht em Portugal”

RESUMO:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa a convite da Odebrecht. Proferiu palestra sobre relações Brasil-Portugal, avistou-se com o PM Passos Coelho, recebeu empresários e participou do lançamento do livro do ex-PM José Sócrates”.

02/05/2014
“A participação brasileira no programa de privatização colhe a simpatia dos formadores de opinião em Portugal. Repercutiu positivamente na mídia recente declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à RTP no dia 27/04 último, no sentido de que o Brasil deve-se engajar mais ativamente na aquisição de estatais portuguesas. O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao PM Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”

03/03/2014
BRASIL-Cuba. Visita a Cuba do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (24–27/02)

RESUMO:
"Em atendimento a convite do governo local e com o apoio do grupo COI/Odebrecht, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou visita a Cuba entre os dias 24 e 27/02.”

03/05/2012
“O embaixador Paulo Cordeiro informou que participará, junto com o embaixador do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, de reunião com o BNDES em 3 de maio, organizada a pedido do ex-presidente Lula, que se dedicará ao desenvolvimento de infraestrutura na África”.

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Chico, muito obrigado pelo envio.
Atenciosamente,

De: Instituto Lula
Para: O Globo
Caro Chico, tudo bem?

Sim, entre 21 e 23 de outubro o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal, cumprindo uma extensa agenda e essa informação, como todas de viagens do ex-presidente, é pública e foi informada à imprensa na época.
Sobre Cuba, você mencionou, mas não fez nenhuma pergunta, de qualquer forma, segue o texto do release enviado informando a viagem na época, que informa à visita à Mariel: http://www.institutolula.org/raul-castro-recebe-lula-em-cuba
A visita também foi acompanhada pela imprensa internacional, nos links abaixo, as agências EFE e AFP:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/lula-considera-porto-de-mariel-como-referencia-para-america-latina.html
Respondo:
1- Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?
O ex-presidente não atuou em favor da Odebrecht , nem fez gestão a favor da empresa. Como o documento mostra ele comentou o interesse da empresa brasileira pela empresa portuguesa. Que, aliás, era público há muito tempo, como indica matéria do jornal Público de outubro de 2013, a qual segue o link: http://www.publico.pt/economia/noticia/odebrecht-interessada-na-privatizacao-da-egf-1608053 São inúmeras as empresas brasileiras que acompanham com interesse o processo de privatizações em curso em Portugal. A Azul empresa brasileira, acabou de comprar a TAP, por exemplo.
2- O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?
Não. O ex-presidente não recebeu, não recebe e jamais receberá qualquer pagamento de qualquer empresa para dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influencias.
No caso da Odebrecht, como de dezenas de outras empresas, ele recebeu pagamento para fazer palestra para funcionários, empresários ou diretores. E elas foram pagas através de notas fiscais e tiveram seus impostos pagos. Palestras assim são feitas também por diversos ex-presidentes brasileiros e estrangeiros, jornalistas, esportistas e artistas.
3- Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?
O ex-presidente não “agendou uma reunião”, o evento ao qual o telegrama se refere, no dia 3 de maio de 2012, foi público, um grande seminário comemorativo dos 60 anos do banco, com mais de 500 pessoas presentes, entre elas embaixadores ou delegações de todos os países africanos, na sede do BNDES. O seminário em questão teve em sua mesa uma delegação de 10 dirigentes da União Africana, pois o seu tema era o desenvolvimento na África. Não só o embaixador do Zimbábue foi convidado pelo banco, mas os outros 36 embaixadores africanos no Brasil também. O evento foi coberto pela imprensa e foi o primeiro evento público com participação do ex-presidente após o tratamento contra o câncer. Inclusive O Globo também cobriu, vejam essa matéria do G1 e da France Press, segue link:
4- O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?
O ex-presidente NUNCA intermediou reuniões de empresários com mandatários de outros países
5- O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?
Vide resposta acima.
6- Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?
Da mesma forma que avaliamos os encontros com quaisquer “altos dirigentes” de outras grandes empresas, dos mesmos setores ou de outros setores como comunicação, financeiro, alimentício, agrícola ou tecnologia. Ou os encontros com dirigentes sindicais, de movimentos sociais, artistas e sindicais etc…
Gostaríamos de complementar dizendo que o Globo fez um grande fuzuê, com manchete de primeira página sobre os documentos do Itamaraty durante a presidência de Lula, mas depois, quando os documentos se tornaram públicos e revelaram a atuação positiva do ex-presidente Lula, não localizamos nenhuma matéria do jornal sobre o assunto, o que talvez tenha causado estranhamento aos seus leitores, que talvez achem que os documentos não foram publicizados. Por isso segue matéria que fizemos sobre os documentos ignorados pelo jornal.




O ferro será malhado ainda 

quente com Eduardo Cunha

              (Fernando Brito)

             trio
A situação de Eduardo Cunha vai ficando patética.
Depois de ressuscitar um pedido de impeachment de Dilma feito por Jair Bolsonaro, agora recebe a manifestação de “solidariedade” de Marco Feliciano, que pede ao Pastor Everaldo, presidente do PSC(AQUI), a expulsão do também deputado Sílvio Costa (PE), por este ter feito um pronunciamento onde pede o afastamento temporario do presidente da Câmara (veja aqui), enquanto está sendo investigado.
Fica, portanto, no campo dos elementos folclóricos da Câmara, pois as forças políticas determinantes nas decisões parlamentares, os partido de peso, procuram fazer um cordão sanitário em torno de sua figura, para não serem apanhados pelos respingos da imundície.
A foto aí de cima (do Primeiro de Maio deste ano, um escárnio pela terceirização) tornou-se impossível de repetir.
O PMDB diz que suas atitudes são pessoais – até Leonardo Picciani, seu mais fiel escudeiro assina a nota “me inclua fora desta” do Partido – os tucanos voltam para o muro do qual nem se lembravam mais, com uma nota em que não diz nada e reafirma coisa alguma, com aquele “todas as denúncias devem ser investigadas”, o que, claro, não abrange as feitas contra Aécio Neves.
A semana que começa será, podem ter certeza, de fortes acontecimentos.
É início do recesso parlamentar e, portanto, de férias no  Reino de Cunha.
E de pressa para Rodrigo Janot que, sem fatos novos, tem hoje uma situação de ser  esmagado na votação de sua recondução ao cargo, vencidos os dois passos iniciais: sua indicação pelo voto da categoria e a confirmação de seu nome por Dilma.
As bombas virão logo, e com altíssimo poder explosivo.
15 dias são tempo demais para um “teste de fidelidade” da mixórdia política que se reuniu em torno da bandeira pirata  de Eduardo Cunha.
Mas se – e apenas – se troarem os canhões.

sábado, 18 de julho de 2015


Antônio Lassance - original no                                                                           Observatório da Imprensa

“Mídia  técnica”  do  governo  é desperdício de dinheiro público
com publicidade ineficiente
marinho
Governo Federal financia mídia cartelizada, mais
 cara  e  menos plural
Gasta-se muito e gasta-se mal em comunicação de governo, em todos os governos. Nos estaduais e municipais costuma ser pior do que no Governo Federal. Ainda assim, é inadmissível que um governo eleito e reeleito com a pauta da democratização dos meios de comunicação e com um discurso de que faz “mídia técnica” não tenha feito, até hoje, nem uma coisa, nem outra.
A expressão “mídia técnica” supostamente significa que o gasto em publicidade tem como critério a audiência de cada mídia e seus respectivos veículos. Assim sendo, as mídias e veículos de maior audiência são mais bem pagos que outros.
A mais recente “Pesquisa brasileira de mídia” (PBM 2015), feita justamente por quem deveria segui-la à risca, com o objetivo de aferir os hábitos de consumo de mídia da população brasileira para orientar os gastos em publicidade do Governo Federal, mostra que a tal mídia técnica está mais para bordão propagandístico do que para justificativa criteriosa para o gasto com publicidade.
Desde 2010, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) realiza a PBM. A segunda edição foi publicada em 2014. A PBM 2015 já está disponível no portal da própria Secom http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2015.pdf e mostra que, de cada 100 brasileiros, 95 têm o hábito de assistir tevê; 55 ouvem rádio, 48 navegam pela internet, 21 leem jornais impressos e 13, as revistas impressas.
Se o Governo Federal realmente empregasse critérios técnicos, utilizaria sua própria pesquisa como parâmetro para remunerar a publicidade em cada mídia. Nada mais razoável, tecnicamente falando, do que gastar proporcional e parcimoniosamente de acordo com o peso exato de cada mídia nesses hábitos de consumo.
Considerando que a maioria dos brasileiros tem o hábito de “consumir” mais de uma mídia, os valores proporcionais seriam os seguintes:
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.32








Em que medida, então, os gastos de publicidade da Secom e das estatais refletem os hábitos midiáticos dos brasileiros? Aí é que está: não refletem. Eis a fábula da mídia técnica desmentida (tabela inferior).
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.40
Portanto, com base em dados técnicos; dados de audiência; dados de pesquisa; dados oficiais; a mídia técnica do Governo Federal, de técnica, só tem o nome. Desrespeita os dados que a própria Secom tem em mãos, pelo menos, desde 2011.
Fonte: tabela do autor com base em dados disponíveis em http://www.secom.gov.br/pdfs-da-area-de-orientacoes-gerais/midia/total-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas.pdf
A televisão, que é a mídia mais cara, mais concentrada e menos plural de todas recebe mais de 70% da publicidade federal, quando não deveria receber mais do que 41%. Mídias mais regionalizadas, mais plurais, mais segmentadas recebem bem menos do que deveriam, conforme se vê pelos dados da PBM 2015.
O gráfico a seguir demonstra visualmente a distância (distorção) entre o que se paga e o que se deveria pagar por mídia se fossem obedecidos os hábitos de consumo dos brasileiros:
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.46
Gasta-se em tevê muito mais do que se deveria. Gasta-se, em rádio e internet, bem menos do que ambas as mídias fariam jus. Gasta-se, com jornais e revistas, um valor próximo ao que elas de fato merecem, com base nos hábitos.
A tevê, em queda livre, passou a receber mais dinheiro, em termos absolutos e relativos, do que recebia no passado. É como essa mídia, que um dia já foi um Boeing e agora está mais para ônibus, continuasse recebendo grandes somas de dinheiro para comprar combustível de aviação, não importa que tenha baixado de patamar e de número de passageiros.
Detalhe irônico: calculando-se essa distorção de 30% que premiou todos os veículos de tevê em mais de uma década de governos de esquerda, dos 6,2 bilhões recebidos pela Rede Globo, cerca de 1,8 bi foram para o bolso dos Marinho de mão beijada. Quem sabe, pelos serviços prestados – não se sabe exatamente a quem.
Importante dizer que o gasto com outras mídias, mesmo sendo bem menor, não destoa da preferência governamental por veículos que fazem parte do cartel das grandes corporações. Rádio, internet, jornais e revistas têm gastos muito concentrados em velhos conhecidos, como O Globo, Folha, Estadão; revistas como Veja e Época; rádios como CBN, Band News e suas afiliadas.
Antes que se aplauda o fato de que o gasto com publicidade em internet esteja crescendo, é bom entender por onde. Acertou quem disse Google e Facebook. E quais são os veículos de maior concentração publicitária na internet? De novo, acertou quem disse Google e Facebook. Com o tempo, os governos irão, no máximo, trocar um cartel por outro. Assim caminha a publicidade.
Moral da história: a tal mídia técnica não passa de um eufemismo ou, melhor dizendo, uma fábula, em todos os sentidos: um desperdício de dinheiro público com uma publicidade ineficiente, contraproducente, que premia veículos tidos como grandes, mas que de fato são bem menores do que os olhos generosos da publicidade os enxergam.
Mídia técnica é um tipo de propaganda enganosa feita para encobrir a farra com dinheiro público que patrocina o conluio das agências de publicidade com os veículos de comunicação cartelizados, feita com chapéu alheio – o do governo. Está nas mãos dessas agências programar as campanhas veiculadas na mídia privada, recebendo, em troca, a chamada bonificação de volume (BV). Quanto mais se investe em um veículo, mais BV esse veículo paga para a agência camarada.
Diz-se, na instrução normativa que regula a publicidade institucional do governo, que ela “destina-se a posicionar e fortalecer as instituições, prestar contas de atos, obras, programas, serviços, metas e resultados das ações do Poder Executivo Federal, com o objetivo de atender ao princípio da publicidade e de estimular a participação da sociedade no debate” etc, etc, etc (IN 007/2012, Art. 3º, inciso I).
A bem da verdade, o que se poderia dizer, de forma mais simples, direta e honesta, é que a publicidade governamental destina-se a favorecer as maiores corporações de mídia do país, em montantes cada vez maiores, não importa o quanto elas tenham ou não pensamento único; não importa o quanto elas falem mal ou não do Brasil; desprezem ou não as instituições e a democracia; não importa o quanto elas eduquem ou deseduquem e propaguem solidariedade ou intolerância. Não importa, sequer, o quanto elas estejam em decadência nos hábitos de consumo de informação, cultura e entretenimento dos brasileiros. Não é a propaganda que é a alma do negócio. É o negócio que é a alma da propaganda, mesmo a governamental.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política, especialista em comunicação e políticas públicas.
                                          (Fernando Brito)

Veja vira metralhadora

giratória de Cunha  

(Mas sem força para arrastar a mídia)

capaveja
A capa da revista Veja assume – não se pode deixar de reconhecer, com certa ironia – o sensacionalismo da revista, agora a serviço da desesperada defesa de Eduardo Cunha, que consiste, claro, em espalhar lama a granel, para que sua própria imundície desapareça.
É essa a saída possível de Cunha: criar um clima assemelhado ao bordão do antigo personagem de Chico Anysio, “sou, mas quem não é?”.
O problema é que não somos, embora haja – e por todos os lados – muitas falcatruas.
Excessos e desbordamentos, dos quais a mídia se comprazia, de repente começam a ser criticados porque as medidas se voltam contra seus podres e pobres cúmplices, como Eduardo Cunha, que anuncia suas reações desesperada ao que já claramente se aproxima: seu afastamento da presidência da Câmara, como especula hoje a Folha/SP.
Afinal, durante meses a fio, a veja fez  a apologia do “cadeia para todos”, da prisão sem provas cabais, das detenções continuadas, sem prazo ou formalidade…
Tanto quanto a Épocasua irmã “dimenor”, claro, aproveita para isso o inepto e anômalo inquérito aberto contra Lula por um procurador da República que viu na notoriedade a maneira esperta de escapar de punições por anos de negligência funcional, pelo qual passara a responder em processo administrativo, poucos dias antes.
Truquezinho rastaquera,  ficou evidente, apenas para fazer o MP se constranger em anular o procedimento e passar por “lulista”.
Mas, como admite a revista em seu editorial, “sensacionalistas são os fatos”.
E as acusações a Eduardo Cunha e suas ações, como no caso da autoria real dos requerimentos destinados a achacar um lobista e as movimentações de dinheiro vivo – até seus jantares paga “em espécie” – ou as pressões que faz sobre seus cúmplices são fatos.
Por mais que se proclame ungido, já está a se ver, Cunha não há de ter descoberto o “crime perfeito”, até porque sua modalidade de poder, tal como as dos “gangsters” funciona à base da intimidação.
Portanto, abalado seu poder, enche-se de rachaduras a blindagem do medo com que se reveste.
Os políticos começam a fugir dele à medida em que a crise o atinge em cheio  e não será diferente do que fará a mídia com sua “madrinha” semanal, se estar seguir no “cunhismo”.
Sensacionalismos se esvaem, como aquilo que são: palavras. Mas os fatos, estes ficam e acabam por imperar.

 As razões da morte

de  Eduardo  Cunha

                                                              (Paulo Nogueira)

                Teve o que mereceu

Teve o que mereceu
Sabe aquele lutador que cisca, cisca, cisca até que leva um golpe na pera e desaba?
É Eduardo Cunha.
O golpe foi o depoimento de Júlio Camargo.
A luta acabou para Eduardo Cunha. Ele está tão zonzo que não percebeu. É como se ele, ainda na lona, dissesse ao juiz: “Tá tudo bem. A que horas começa a luta?”
Se preferirem outra imagem, Cunha é um dead man walking, um morto que caminha, como os americanos chamam os detentos do corredor da morte.
Camargo contou, num vídeo eletrizante de uma hora, o que Eduardo Cunha fez para garantir uma propina de alguns milhões de dólares.
Cunha chamou-o depois de mentiroso. Mas quem vê o vídeo sabe muito bem quem é o mentiroso entre os dois.
Todas as peças se encaixam.
O método do achacamento, por exemplo. Cunha ia triturar a empresa devedora na Câmara se o dinheiro não lhe fosse dado.
Isso bate com uma investigação da Procuradoria Geral da República segundo a qual requerimentos na Câmara para investigar a empresa partiram, secretamente, de Cunha.
Funcionaria assim. Se o dinheiro fosse dado, o trabalho da Câmara não daria em nada. Se não fosse, bem, eis aí a arte do achaque e da chantagem.
Outro delator, o doleiro Alberto Youssef, também num vídeo tornado público, contribuiu para o desmascaramento de Cunha.
Youssef contou que um “pau mandado” de Cunha o vinha intimidando para não falar nada sobre o presidente da Câmara em sua delação.
As ameaças do “pau mandado” se dirigiam à família de Youssef.
Camargo também tocou nisso: o medo que sentia de que sua delação levasse a violências contra sua família.
Você ouve Camargo e Youssef e pensa que se trata do submundo da bandidagem, de organizações como o PCC.
Mas é o mundo de Eduardo Cunha.
Desesperado, ele tentou criar uma notícia para neutralizar o conteúdo devastador do depoimento de Camargo.
É aí que apareceu sua “ruptura” com o governo, como se ele em algum momento tivesse jogado a favor.
Alguns jornalistas embarcaram alegremente no blefe de Cunha. Diego Escosteguy, da Época, o Kim Kataguiri das redações, foi um deles.
Em sua conta no Twitter, ele anunciou, triunfal, o “furo” da ruptura. A notícia de fato importante passou a não valer nada: o vídeo histórico de Camargo. Foi o triunfo do rodapé.
Maus editores contribuem mais para o fim de revistas impressas do que a internet.
Qual o poder de Cunha numa guerra contra o governo?
Alguma coisa muito próxima de zero. Não há nada mais liquidado do que um chefe político liquidado.
Que lealdade alguém como ele, cercado do que há de pior em termos de caráter, pode esperar dos deputados que controlava agora que está numa encrenca pesada e já não tem nada a oferecer?
Um sinal disso veio quando o PMDB, em nota, avisou que ele falará em nome dele mesmo, no pronunciamento de rádio e tevê que ele programou para esta sexta.
Para a mídia, ele também já não serve para nada.
A mídia precisa de alguém que pelo menos pareça honesto para se contrapor ao PT na campanha demagógica centrada na corrupção.
Depois do depoimento de Camargo, Eduardo Cunha já não serve para isso. Ele é o maior ícone da corrupção no Brasil.
Tudo aconteceu muito rápido para Cunha.
Da obscuridade aos sonhos presidenciais, foram poucos meses.
Agora, devolvido à áspera realidade, resta a ele torcer para escapar da cadeia.
CLIQUE no 'link' abaixo e assista, no Youtube, ao trecho do depoimento do empresário Júlio Camargo sobre a propina de milhões de dólares a Eduardo Cunha...
                      https://www.youtube.com/watch?v=zNJzmNHCM68