sábado, 18 de julho de 2015


Antônio Lassance - original no                                                                           Observatório da Imprensa

“Mídia  técnica”  do  governo  é desperdício de dinheiro público
com publicidade ineficiente
marinho
Governo Federal financia mídia cartelizada, mais
 cara  e  menos plural
Gasta-se muito e gasta-se mal em comunicação de governo, em todos os governos. Nos estaduais e municipais costuma ser pior do que no Governo Federal. Ainda assim, é inadmissível que um governo eleito e reeleito com a pauta da democratização dos meios de comunicação e com um discurso de que faz “mídia técnica” não tenha feito, até hoje, nem uma coisa, nem outra.
A expressão “mídia técnica” supostamente significa que o gasto em publicidade tem como critério a audiência de cada mídia e seus respectivos veículos. Assim sendo, as mídias e veículos de maior audiência são mais bem pagos que outros.
A mais recente “Pesquisa brasileira de mídia” (PBM 2015), feita justamente por quem deveria segui-la à risca, com o objetivo de aferir os hábitos de consumo de mídia da população brasileira para orientar os gastos em publicidade do Governo Federal, mostra que a tal mídia técnica está mais para bordão propagandístico do que para justificativa criteriosa para o gasto com publicidade.
Desde 2010, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) realiza a PBM. A segunda edição foi publicada em 2014. A PBM 2015 já está disponível no portal da própria Secom http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2015.pdf e mostra que, de cada 100 brasileiros, 95 têm o hábito de assistir tevê; 55 ouvem rádio, 48 navegam pela internet, 21 leem jornais impressos e 13, as revistas impressas.
Se o Governo Federal realmente empregasse critérios técnicos, utilizaria sua própria pesquisa como parâmetro para remunerar a publicidade em cada mídia. Nada mais razoável, tecnicamente falando, do que gastar proporcional e parcimoniosamente de acordo com o peso exato de cada mídia nesses hábitos de consumo.
Considerando que a maioria dos brasileiros tem o hábito de “consumir” mais de uma mídia, os valores proporcionais seriam os seguintes:
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.32








Em que medida, então, os gastos de publicidade da Secom e das estatais refletem os hábitos midiáticos dos brasileiros? Aí é que está: não refletem. Eis a fábula da mídia técnica desmentida (tabela inferior).
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.40
Portanto, com base em dados técnicos; dados de audiência; dados de pesquisa; dados oficiais; a mídia técnica do Governo Federal, de técnica, só tem o nome. Desrespeita os dados que a própria Secom tem em mãos, pelo menos, desde 2011.
Fonte: tabela do autor com base em dados disponíveis em http://www.secom.gov.br/pdfs-da-area-de-orientacoes-gerais/midia/total-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas.pdf
A televisão, que é a mídia mais cara, mais concentrada e menos plural de todas recebe mais de 70% da publicidade federal, quando não deveria receber mais do que 41%. Mídias mais regionalizadas, mais plurais, mais segmentadas recebem bem menos do que deveriam, conforme se vê pelos dados da PBM 2015.
O gráfico a seguir demonstra visualmente a distância (distorção) entre o que se paga e o que se deveria pagar por mídia se fossem obedecidos os hábitos de consumo dos brasileiros:
Captura de Tela 2015-07-17 às 14.23.46
Gasta-se em tevê muito mais do que se deveria. Gasta-se, em rádio e internet, bem menos do que ambas as mídias fariam jus. Gasta-se, com jornais e revistas, um valor próximo ao que elas de fato merecem, com base nos hábitos.
A tevê, em queda livre, passou a receber mais dinheiro, em termos absolutos e relativos, do que recebia no passado. É como essa mídia, que um dia já foi um Boeing e agora está mais para ônibus, continuasse recebendo grandes somas de dinheiro para comprar combustível de aviação, não importa que tenha baixado de patamar e de número de passageiros.
Detalhe irônico: calculando-se essa distorção de 30% que premiou todos os veículos de tevê em mais de uma década de governos de esquerda, dos 6,2 bilhões recebidos pela Rede Globo, cerca de 1,8 bi foram para o bolso dos Marinho de mão beijada. Quem sabe, pelos serviços prestados – não se sabe exatamente a quem.
Importante dizer que o gasto com outras mídias, mesmo sendo bem menor, não destoa da preferência governamental por veículos que fazem parte do cartel das grandes corporações. Rádio, internet, jornais e revistas têm gastos muito concentrados em velhos conhecidos, como O Globo, Folha, Estadão; revistas como Veja e Época; rádios como CBN, Band News e suas afiliadas.
Antes que se aplauda o fato de que o gasto com publicidade em internet esteja crescendo, é bom entender por onde. Acertou quem disse Google e Facebook. E quais são os veículos de maior concentração publicitária na internet? De novo, acertou quem disse Google e Facebook. Com o tempo, os governos irão, no máximo, trocar um cartel por outro. Assim caminha a publicidade.
Moral da história: a tal mídia técnica não passa de um eufemismo ou, melhor dizendo, uma fábula, em todos os sentidos: um desperdício de dinheiro público com uma publicidade ineficiente, contraproducente, que premia veículos tidos como grandes, mas que de fato são bem menores do que os olhos generosos da publicidade os enxergam.
Mídia técnica é um tipo de propaganda enganosa feita para encobrir a farra com dinheiro público que patrocina o conluio das agências de publicidade com os veículos de comunicação cartelizados, feita com chapéu alheio – o do governo. Está nas mãos dessas agências programar as campanhas veiculadas na mídia privada, recebendo, em troca, a chamada bonificação de volume (BV). Quanto mais se investe em um veículo, mais BV esse veículo paga para a agência camarada.
Diz-se, na instrução normativa que regula a publicidade institucional do governo, que ela “destina-se a posicionar e fortalecer as instituições, prestar contas de atos, obras, programas, serviços, metas e resultados das ações do Poder Executivo Federal, com o objetivo de atender ao princípio da publicidade e de estimular a participação da sociedade no debate” etc, etc, etc (IN 007/2012, Art. 3º, inciso I).
A bem da verdade, o que se poderia dizer, de forma mais simples, direta e honesta, é que a publicidade governamental destina-se a favorecer as maiores corporações de mídia do país, em montantes cada vez maiores, não importa o quanto elas tenham ou não pensamento único; não importa o quanto elas falem mal ou não do Brasil; desprezem ou não as instituições e a democracia; não importa o quanto elas eduquem ou deseduquem e propaguem solidariedade ou intolerância. Não importa, sequer, o quanto elas estejam em decadência nos hábitos de consumo de informação, cultura e entretenimento dos brasileiros. Não é a propaganda que é a alma do negócio. É o negócio que é a alma da propaganda, mesmo a governamental.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política, especialista em comunicação e políticas públicas.
                                          (Fernando Brito)

Veja vira metralhadora

giratória de Cunha  

(Mas sem força para arrastar a mídia)

capaveja
A capa da revista Veja assume – não se pode deixar de reconhecer, com certa ironia – o sensacionalismo da revista, agora a serviço da desesperada defesa de Eduardo Cunha, que consiste, claro, em espalhar lama a granel, para que sua própria imundície desapareça.
É essa a saída possível de Cunha: criar um clima assemelhado ao bordão do antigo personagem de Chico Anysio, “sou, mas quem não é?”.
O problema é que não somos, embora haja – e por todos os lados – muitas falcatruas.
Excessos e desbordamentos, dos quais a mídia se comprazia, de repente começam a ser criticados porque as medidas se voltam contra seus podres e pobres cúmplices, como Eduardo Cunha, que anuncia suas reações desesperada ao que já claramente se aproxima: seu afastamento da presidência da Câmara, como especula hoje a Folha/SP.
Afinal, durante meses a fio, a veja fez  a apologia do “cadeia para todos”, da prisão sem provas cabais, das detenções continuadas, sem prazo ou formalidade…
Tanto quanto a Épocasua irmã “dimenor”, claro, aproveita para isso o inepto e anômalo inquérito aberto contra Lula por um procurador da República que viu na notoriedade a maneira esperta de escapar de punições por anos de negligência funcional, pelo qual passara a responder em processo administrativo, poucos dias antes.
Truquezinho rastaquera,  ficou evidente, apenas para fazer o MP se constranger em anular o procedimento e passar por “lulista”.
Mas, como admite a revista em seu editorial, “sensacionalistas são os fatos”.
E as acusações a Eduardo Cunha e suas ações, como no caso da autoria real dos requerimentos destinados a achacar um lobista e as movimentações de dinheiro vivo – até seus jantares paga “em espécie” – ou as pressões que faz sobre seus cúmplices são fatos.
Por mais que se proclame ungido, já está a se ver, Cunha não há de ter descoberto o “crime perfeito”, até porque sua modalidade de poder, tal como as dos “gangsters” funciona à base da intimidação.
Portanto, abalado seu poder, enche-se de rachaduras a blindagem do medo com que se reveste.
Os políticos começam a fugir dele à medida em que a crise o atinge em cheio  e não será diferente do que fará a mídia com sua “madrinha” semanal, se estar seguir no “cunhismo”.
Sensacionalismos se esvaem, como aquilo que são: palavras. Mas os fatos, estes ficam e acabam por imperar.

 As razões da morte

de  Eduardo  Cunha

                                                              (Paulo Nogueira)

                Teve o que mereceu

Teve o que mereceu
Sabe aquele lutador que cisca, cisca, cisca até que leva um golpe na pera e desaba?
É Eduardo Cunha.
O golpe foi o depoimento de Júlio Camargo.
A luta acabou para Eduardo Cunha. Ele está tão zonzo que não percebeu. É como se ele, ainda na lona, dissesse ao juiz: “Tá tudo bem. A que horas começa a luta?”
Se preferirem outra imagem, Cunha é um dead man walking, um morto que caminha, como os americanos chamam os detentos do corredor da morte.
Camargo contou, num vídeo eletrizante de uma hora, o que Eduardo Cunha fez para garantir uma propina de alguns milhões de dólares.
Cunha chamou-o depois de mentiroso. Mas quem vê o vídeo sabe muito bem quem é o mentiroso entre os dois.
Todas as peças se encaixam.
O método do achacamento, por exemplo. Cunha ia triturar a empresa devedora na Câmara se o dinheiro não lhe fosse dado.
Isso bate com uma investigação da Procuradoria Geral da República segundo a qual requerimentos na Câmara para investigar a empresa partiram, secretamente, de Cunha.
Funcionaria assim. Se o dinheiro fosse dado, o trabalho da Câmara não daria em nada. Se não fosse, bem, eis aí a arte do achaque e da chantagem.
Outro delator, o doleiro Alberto Youssef, também num vídeo tornado público, contribuiu para o desmascaramento de Cunha.
Youssef contou que um “pau mandado” de Cunha o vinha intimidando para não falar nada sobre o presidente da Câmara em sua delação.
As ameaças do “pau mandado” se dirigiam à família de Youssef.
Camargo também tocou nisso: o medo que sentia de que sua delação levasse a violências contra sua família.
Você ouve Camargo e Youssef e pensa que se trata do submundo da bandidagem, de organizações como o PCC.
Mas é o mundo de Eduardo Cunha.
Desesperado, ele tentou criar uma notícia para neutralizar o conteúdo devastador do depoimento de Camargo.
É aí que apareceu sua “ruptura” com o governo, como se ele em algum momento tivesse jogado a favor.
Alguns jornalistas embarcaram alegremente no blefe de Cunha. Diego Escosteguy, da Época, o Kim Kataguiri das redações, foi um deles.
Em sua conta no Twitter, ele anunciou, triunfal, o “furo” da ruptura. A notícia de fato importante passou a não valer nada: o vídeo histórico de Camargo. Foi o triunfo do rodapé.
Maus editores contribuem mais para o fim de revistas impressas do que a internet.
Qual o poder de Cunha numa guerra contra o governo?
Alguma coisa muito próxima de zero. Não há nada mais liquidado do que um chefe político liquidado.
Que lealdade alguém como ele, cercado do que há de pior em termos de caráter, pode esperar dos deputados que controlava agora que está numa encrenca pesada e já não tem nada a oferecer?
Um sinal disso veio quando o PMDB, em nota, avisou que ele falará em nome dele mesmo, no pronunciamento de rádio e tevê que ele programou para esta sexta.
Para a mídia, ele também já não serve para nada.
A mídia precisa de alguém que pelo menos pareça honesto para se contrapor ao PT na campanha demagógica centrada na corrupção.
Depois do depoimento de Camargo, Eduardo Cunha já não serve para isso. Ele é o maior ícone da corrupção no Brasil.
Tudo aconteceu muito rápido para Cunha.
Da obscuridade aos sonhos presidenciais, foram poucos meses.
Agora, devolvido à áspera realidade, resta a ele torcer para escapar da cadeia.
CLIQUE no 'link' abaixo e assista, no Youtube, ao trecho do depoimento do empresário Júlio Camargo sobre a propina de milhões de dólares a Eduardo Cunha...
                      https://www.youtube.com/watch?v=zNJzmNHCM68

                Luis Nassif Onlineimagem de bfcosta


O fim da vergonhosa 

'era Eduardo Cunha'  

O fim da saga de Eduardo Cunha coloca um ponto final em um dos mais constrangedores episódios políticos da história da República, desde a redemocratização.

O vácuo político produzido pelos erros da presidente Dilma Rousseff promoveram uma abertura inédita da porteira e abriram espaço para oportunistas da pior espécie.
A crise colocou Cunha no papel de touro conduzindo o estouro da boiada. E, atrás dele, a malta do congresso, o universo dos pequenos políticos sem expressão, o chamado 'baixo clero', cuja atuação, em outros tempos, era moderada por lideranças de maior fôlego.
A cada eleição, os grandes políticos - à esquerda e à direita - foram se afastando do Congresso, permitindo que outros de grande habilidade e nenhum escrúpulo - como Cunha - assumissem a liderança, bancados por contribuições milionárias de campanha garantidas pelo negocismo amplo que se implantou no Parlamento.
***
A queda de Cunha era questão de tempo. Figuras como ele são eficientes para agir nas sombras, não na linha de frente. Ainda mais com a megalomania que sempre o acompanhou, acima de qualquer limite de prudência.
Em ambiente democrático, não há espaço para os superpoderosos. Tanto assim, que um dos truques históricos da mídia, quando quer marcar um inimigo, é superestimar seus poderes. O sujeito entra na marca de tiro, torna-se alvo não só de jornais como de outros poderes.
***
No início adulado pela mídia, Cunha não precisou de nenhum empurrão para expor sua falta de limites. As demonstrações inúteis e abusivas de músculos incumbiram-se de quebrar a blindagem e transformá-lo em uma ameaça às instituições, ainda mais liderando um exército de parlamentares emergente das profundezas do preconceito.
***
Com o fim de Cunha, o PMDB volta às mãos de figuras moderadas e responsáveis, como o vice-presidente Michel Temer, e de figuras polêmicas mas cautelosas(como Renan Calheiros, até que seja colhido pela Lava Jato). Pacifica-se, assim, uma das frentes que impedia a volta à normalidade política.
No plano Jurídico, com a parte mais relevante da Lava Jato assumida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e com os conflitos internos na Polícia Federal, haverá menos espaço para o show midiático.
***
Na outra ponta, caiu a ficha do PSDB quanto à irresponsabilidade política de Aécio e a loucura sobre o impeachment da presidenta. Não interessa nem a José Serra nem a Geraldo Alckmin, em suas pretensões presidenciais, nem a quem tem um mínimo de vislumbre do caos que se instalaria no país, caso o golpe fosse bem sucedido.
***
Para retomar a normalidade, falta Dilma começar a governar.
Nos últimos dias, a Fazenda passou a desovar projetos mais consistentes, de simplificação tributária. Há boas iniciativas na Agricultura e no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Ainda há o risco de um Banco Central descontrolado, praticando uma taxa de juros que poderá criar uma dinâmica insustentável na dívida pública. E Dilma, que ainda não pegou a batuta de maestrina para articular um plano integrado de ação do segundo governo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

                                                               (Fernando Brito)

Eduardo Cunha, o zumbi: a cara é ameaçadora, mas 
vai caindo aos pedaços

        cunhamorde
Acontecerão, na próxima semana, ações concretas da Procuradoria Geral da República contra Eduardo Cunha.
É inevitável e é conveniente, porque o recesso do parlamento vai  reduzir a possibilidade de reações imediatas dos “cunhistas”, que vão, prudentemente, se encontrar com as “bases”: isto é, analisar o quanto os favores e arranjos feitos com o “Dono da Câmara” os podem atingir numa investigação criminal.
Os arquivos eletrônicos que colocam suas digitais nos requerimentos de achaque contra o lobista Júlio Carmargo serão um ponto, mas não serão tudo.
Cunha reage, desafiador, mas não tem eco, porque está desmoralizado, apontado como achacador.
Cunha preferiu se apresentar na TV como um realizador e colaborador do esforço para enfrentar a crise, ao mesmo tempo em que, nos jornais, “chutava o balde” e se anunciava em oposição frontal a Dilma.
O problema é que seu “exército” vacila.
O PSDB não quer se algemar a alguém que podem em duas semanas, virar um cadáver político.
O PMDB – como, aliás, a maioria dos deputados – é um sobrevivente.
Já declarou que Cunha age “em nome pessoal”.
Há um clima de medo em todos os que se associaram ao projeto de Cunha, alguns com “argumentos” obtidos na base do que foi denunciado ontem.
Qual seria o efeito de uma “batida policial” na casa de Cunha? A esta altura alguém pode dizer que isso é inviável?
Não, porque os métodos abusivos de ação policial e judicial estão consagrados desde o início da Operação Lava Jato.
Cunha diz que vai acertar Dilma.
Espertamente, esta diz que espera dele imparcialidade.
Jogo-de-cena, como pede a política, porque nem a Velhinha de Taubaté espera imparcialidade de Cunha.
Claro que Cunha, afundando, estenderá suas garras para levar quem puder com ele.
Só que a mão que cai sobre o pescoço de Cunha não é a dela, mas a de Janot.
Cunha ameaça com o impeachment de Dilma, mas é o dele que se tornou gritantemente próximo.
PS do AMgóes - O  'pronunciamento' de Eduardo Cunha-presidente da Câmara, nesta sexta, na TV gerou uma expectativa transformada, ao fim e ao cabo, em 'propaganda(pateticamente)enganosa'. Apenas um ridículo 'jabá' sobre autodeclarados 'feitos' à frente da Casa legislativa, nada que ele próprio já não tenha ecoado na mídia que lhe garante generosos espaços para desancar o governo.  Cunha, nas entrevistas no curso do dia,  disse e repetiu que é 'vítima do ódio de aloprados do Palácio do Planalto e do Ministério Público Federal'.         
                   Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães

Quem tem Cunha tem medo!               

Ao PMDB só resta a legalidade...

cunha
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ironizou, na quinta-feira, o “ barulhaço ” que está sendo combinado nas redes sociais para ser feito durante seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV, que ocorrerá nesta sexta-feira às 20h25m. Diz que será um “petezaço” e que está “feliz” com a projeção que o protesto dará à sua fala.
A tática de Cunha lembra muito a de Paulo Maluf, que ironizava as críticas e debochava a cada surgimento de evidências de corrupção contra si. Nunca se rendeu e, até que fosse parar atrás das grades, com o enfrentamento dos acusadores atraiu uma legião de apoiadores, dos quais uma parcela pequena, porém significativa, até hoje o apoia.
O Brasil é um país machista e grande parte deste povo gosta de políticos “machões”, ou seja, fanfarrões, que enfrentam seus detratores com deboches e ameaças. E claro que, como bom país machista, o mesmo comportamento não é aceito para mulheres que entrem na política. Marta Suplicy enfrentava seus adversários e críticos e, por isso, ganhou a pecha de “histérica”.
Nada a favor de Marta, cujo comportamento oportunista vem decepcionando a muitos. Porém, ela é um dos melhores exemplos de como mulher forte, no Brasil, invariavelmente acaba rotulada de forma pejorativa. Dilma Rousseff é outro bom exemplo disso.
Voltando a Cunha, ele adotou a tática kamikaze contra o aumento de seus problemas. O noticiário dos últimos dias revela que adotou a chantagem e a ameaça como estratégias de defesa. Acumulam-se as denúncias de ameaças que tem feito não só ao governo Dilma – que o presidente da Câmara promete “explodir” –, ao procurador-geral da República, mas, também, aos delatores da Operação Lava Jato, que relatam ameaças que o terceiro na linha de sucessão da Presidência tem feito até às famílias desses delatores.
Como se não bastassem todos os problemas políticos e econômicos que o país enfrenta, ainda tem um gangster presidindo uma das Casas do Congresso.
Apesar da fanfarronice de Cunha, é arrasador o fato de o delator da Operação Lava Jato Júlio Camargo acusá-lo de ter pedido 5 milhões de dólares em propina para que um contrato de navios-sondas da Petrobras fosse viabilizado. O presidente da Câmara pode ameaçar quem quiser que a investigação dessa denúncia não tem mais volta.
Estúpido, como todo fanfarrão truculento, Cunha ignora que mesmo que funcionasse sua ameaça à presidente da República para que não reconduza o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao cargo, em setembro, o novo procurador-geral teria imensas dificuldades para bloquear a investigação.
Se Cunha fosse inocente, confiaria em que a denúncia de Júlio Camargo não daria em nada, pois o lobista não teria provas a apresentar. Desse modo, o presidente da Câmara não teria com o que se preocupar. Sua virulência, suas ameaças, suas chantagens, tudo corrobora a teoria de que deve, e muito. Assim, acredita que só interrompendo as investigações as provas não seriam apresentadas. E, para interromper as investigações, aposta em mudança de procurador-geral da República.
Apesar de ser uma aposta furada, pois o processo já ganhou vida própria e outro procurador-geral não poderia abafar tudo sem se complicar, apostar que a presidente Dilma abandonaria a prática de todos os governos petistas de nomear para a PGR sempre o primeiro nome da lista tríplice do MP, é ilusão. Dilma tampouco teria condições, neste momento, de não nomear quem o Ministério Público indicasse.
Conhecendo o Ministério Público, é improvável que, estando o atual PGR sob bombardeio dos presidentes da Câmara e do Senado, o indicado pela instituição venha a ser outro que não Rodrigo Janot.
Cunha vai se tornando extremamente pesado. Suas constantes ameaças a Deus e todo mundo vão minando a unanimidade fatídica que o levou ao comando da Câmara. E o cada vez mais provável naufrágio político que se avizinha fará com que os ratos, como de costume, abandonem o navio.
No caso, o navio é o PMDB. Ter Cunha em suas hostes está minando as possibilidades políticas que o partido vinha vislumbrando para 2018 e que parcela significativa dos peemedebistas avistava para os próximos meses, com a possibilidade de impeachment de Dilma e ascensão de Michel Temer ou até do próprio Cunha, caso a chapa que venceu a eleição presidencial fosse impugnada.
Como se não bastasse, a linha sucessória da Presidência da República vai se transformando em um pesadelo para o PMDB. Façamos um exercício de pura especulação.
Dilma cai juntamente com o peemedebista Michel Temer, via reprovação das contas de campanha da chapa que venceu a eleição do ano passado. O presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha, terceiro na linha sucessória, não assume por conta de seus problemas com a lei. O peemedebista Renan Calheiros, presidente do Senado, quarto na linha sucessória, não assume pelo mesmo motivo.
Desse jeito, a Presidência acabaria nas mãos do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que convocaria novas eleições.
Após ter três nomes da linha sucessória inviabilizados, o que restaria do PMDB? O PSDB seria o grande premiado com tudo isso. Ficaria assistindo de camarote PT e PMDB se destruírem e apareceria como o grande salvador da pátria.
Então, vamos combinar: ao PMDB só resta ter muito juízo e não entrar na tática 'kamikaze' de Eduardo Cunha e na do impeachment de Dilma. O partido tem muito a perder com uma ruptura institucional. Quase tanto quanto o PT.
O PMDB é um partido que está sempre no poder desde a redemocratização do país. Além disso, é o partido com maior número de prefeitos e com grandes bancadas no Congresso. Tudo que conseguiu, após a redemocratização, deve-se ao seu proverbial pragmatismo(de ocasião). É difícil acreditar que vá se suicidar só para ajudar Eduardo Cunha.