quinta-feira, 4 de junho de 2015

Aprovado o Banco dos BRICS: 

falta    pouco  para  a   primeira 

novidade     pós-Breton  Woods

Fernando Brito                

               nbd
Em julho de 1944, quando os destinos da 2a. Guerra Mundial já estavam definidos, uma conferência internacional – essencialmente ocidental – criou as duas instituições que, durante mais de meio século, tiveram a hegemonia da relações monetárias e das condições de cooperação financeira entre os países do mundo.
Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial (então, Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) foram ferramentas importantíssimas na implantação do domínio econômico da potência vencedora – os EUA – sobre a face da Terra e o nascedouro do padrão-dólar nas relações cambiais, dando um indescritível poder a quem o emitia, pois passou não apenas a ser a referência de valor das moedas como, cruelmente, passou a ser mundialmente entesourado, permitindo a emissão de moeda sem o efeito inflacionário que isso traz: a moeda que não circula não  gera inflação, obvio
A Europa, em frangalhos, pendurou-se na hegemonia norte-americana e, na economia – ao contrário do que ocorreria na política, meses depois, na Conferência de Yalta – o mundo tornou-se unipolar. A tentativa de escapar dela, pela Europa, primeiro através do Mercado Comum Europeu e, depois, pela unificação monetária no Euro, levou 50 anos, e deu uma sobrevida à decadente economia do Velho Continente que, se não podia mais projetar-se globalmente, como na primeira metade do século 20, ao menos conseguiu – aos trancos e barrancos e cada vez mais sob a batuta alemã – preservar a capacidade de, internamente, funcionar como bloco, ao menos até que as crises da dívida pública dos seus membros abrisse rachaduras como a da Grécia e Itália que lutam para remendar por lá.
Primeiro discretamente, ao longo dos anos 80 e da primeira metade dos 90, a China, de 1995 em diante, sai de um papel nulo na economia global para tornar-se, no século 21, uma grande locomotiva da economia mundial, praticando um misto de grande liberalismo na atração de capitais e seletivo protecionismo no seu desenvolvimento industrial, que a tornou o grande player do comércio mundial. E é obvio que com a formação de capital próprio abundante, queira um papel menos dependente e mais isolado na atividade econômica do mundo.
Nesta década, ela assumiu abertamente que quer fazê-lo através de um processo de cooperação muito mais comercial que financeiro, ao contrário dos EUA que sempre pretenderam o controle das economias internas dos países, quando não dos próprios países.
Deu dois passos gigantes, mas pacientes e sem manifestações de exclusivismo, até agora.
O primeiro, com a formação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura – aberto ao mundo todo mas, como o nome indica, voltado para sua afirmação geopolítica no continente e cujas possibilidades, mesmo com os muxoxos públicos dos EUA, não impediu que a Europa –Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – e a Austrália aderissem à iniciativa, pelo potencial que tem para todo o mundo, inclusive o Brasil.
O segundo, em escala global, sinalizando que quer parcerias duradouras com líderes continentais (no caso da Índia, subcontinentais) de todo o planeta, hoje em processo de afirmação econômica. E que, somados, como relembra a nota(AQUI) do Ministério da Fazenda, hoje, “representam 42% da população mundial, 26% da superfície terrestre e 27% da economia global”.
O Banco dos BRICS, ou Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), como é seu nome oficial é isso,  mais do que a capacidade de investimento no curto prazo,  e a prova mais convincente é a divisão igualitária da governança da nova instituição.
É o recado mais direto que se podia dar aos EUA, que resistem teimosamente a mudar as regras de participação e influência no FMI, cuja função de prover estabilidade monetária se confundiu  com a de ser uma espécie de “polícia econômica” mundial, como os brasileiros acima dos 40 anos sabem que foi, para muitos e para nós.
É por isso que seu anúncio veio casado com – aí, sim, com a hegemonia chinesa, que  tem imensas reservas cambiais e é o maior credor do Tesouro Americano –  com a criação de um megacolchão monetário – US$ 100 bilhões – um fundo autogerido de reservas monetárias e cambiais para conter eventuais pressões cambiais dos países do BRICS e que, ao contrário do NBD, não exigirá aportes financeiros, mas a virtual disponibilização mútuas das reservas  em caso de ataques contra as moedas dos cinco integrantes.
Chamo a atenção para o último parágrafo de nota de Joaquim Levy, que para bom entendedor é o bastante:
“O NBD é uma instituição aberta a qualquer país membro das Nações Unidas. Os países dos BRICS, no entanto, dada sua condição de membros fundadores, manterão um poder de voto conjunto de pelo menos 55%. Ademais, nenhum outro país individualmente terá poder de voto de um país dos BRICS. Esta previsão garante ao Brasil lugar de fala privilegiado na governança do Banco e possibilitará que os BRICS efetivamente possam ver suas experiências de desenvolvimento refletidas no primeiro Banco Multilateral de Desenvolvimento de alcance global estabelecido desde a instituição do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), criado na esteira da Segunda Guerra Mundial.”
O acordo de reciprocidade no uso de reservas e o banco, são, de fato, a primeira resposta – não de confronto, mas de preservação de soberania – dada à Era FMI.

Movimentos sociais denunciam Cunha e os 84 deputados que mudaram seus votos

O entendimento é que o presidente da Câmara não agiu sozinho ao acabar com o sonho da reforma política reivindicada pelo povo brasileiro...

Najla Passos                         

ABR
Enquanto 61 deputados do PT, PCdoB, PSOL, PSB, PPS, PROS recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a votação da Câmara que constitucionalizou as doações de empresas para campanhas políticas no país, as entidades que integram a chamada Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político decidiram denunciar os responsáveis pela manobra que piorou ainda mais o já corrupto sistema político brasileiro.

No documento, os movimentos denunciam a forma antidemocrática com que o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conduziu o processo de votação para chegar ao resultado que ele almejava. E citam os nomes dos 84 deputados de 23 partidos que, literalmente da noite para o dia, mudaram seus votos  iniciais para acompanharem os desígnios do presidente. A maior parte deles integra o PRB (18), seguido pelo PMDB do próprio Cunha (11).
O presidente da Câmara perdeu a votação num dia e recolocou a questão em votação no dia seguinte, ganhando a posição que sempre defendeu: incluir na Constituição Federal a autorização de doações de empresas para as campanhas. Mas ele não agiu sozinho, teve a colaboração dos partidos e parlamentares que, em menos de 24 horas, mudaram seu voto. Por que mudaram? Fizeram jogo de cena na primeira votação? Que “milagre” os levou a aceitar o golpe de Eduardo Cunha e no sentido contrário do dia anterior? Isso é inaceitável. Os parlamentares que mudaram seus votos não merecem os mandatos que receberam do povo”, diz o documento.
Na nota, as entidades reafirmam sua disposição de lutar por uma reforma política democrática, que proíba o financiamento privado de campanha. “Não vamos aceitar passivamente uma reforma que piore o sistema político existente, tornando constitucional um mecanismo que é a porta de entrada para a  corrupção na política. Conclamamos a sociedade então a manifestar seu repúdio a este processo e a seguir mobilizada para revertê-lo nas próximas etapas de sua tramitação no Congresso Nacional”, afirmam.


A  Plataforma atua há 10 anos para aprimorar a democracia e o sistema eleitoral brasileiro. Reúne movimentos sociais e instituições como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e foi a responsável pela idealização e pela coleta das milhares de assinaturas que permitiram a apresentação do Projeto de lei Popular da Ficha Limpa, já aprovado e sancionado. 

Confira a lista de parlamentares que mudaram seus votos e compactuaram com a constitucionalização do financiamento privado de campanha:
PRB  ( 18 ) 
Alan Rick (AC)   André Abdon (AP)   Antonio Bulhões (SP)  Carlos Gomes (RS)   Celso Russomano (SP) Cleber Verde (MA)      Fausto Pinato (SP)    Jhonatan de Jesus (RR)     Jony Marcos (SE)  
Marcelo Squassoni (SP)   Marcio Marinho (BA)    Roberto Alves (SP)    Roberto Sales (RJ) 
Ronaldo Martins (CE)    Rosangela Gomes (RJ)   Sérgio Reis (SP)   Tia Eron (BA)   Vinicius Carvalho (SP)
PMDB  ( 11 )  
Baleia Rossi (SP)    Daniel Vilela (GO)   Edinho Bez (SC)   João Arruda (PR)   Lelo Coimbra (ES)
Marinha Raupp (RO)   Rodrigo Pacheco (SC)   Ronaldo Benedet (SC)   Roney Nemer (DF)
Vitor Valim (CE)   Washington Reis (RJ)
PP ( 8 )  
Conceição Sampaio (AM)   Luiz Fernando Faria (MG)   Missionário José Olimpio (SP)
Oldemo Leão (MG)   Paulo Maluf (SP)   Roberto Balestra (GO)   Roberto Britto (BA)
Sandes Junior (GO)
PSC  ( 6 ) 
Edmar Arruda (PR)   Julia Marinho (PA)   Marcos Reategui (AP)   Pr. Marco Feliciano (SP)
Professor Victório Galli (MT)   Raquel Muniz (MG)
DEM  ( 6 ) 
Eli Côrrea Filho (SP)   Jorge Tadeu Mudalen (SP)   Mandetta (MS)   Misael Varella (MG)
Moroni Torgan (CE)   Professora Dorinha Seabra Rezende (TOC)
PR  ( 5 ) 
Altineu Côrtes (RJ)   Cabo Sabino (CE)   Jorginho Mello (SC)   Lincoln Portela (MG)
Paulo Freire (SP)
PV  ( 4 ) 
Dr. Sinval Malheiros (SP)   Penna (SP)  Sarney Filho (MA)   Victor Menders (MA)

PSD ( 3 ) 
Átila Lins (AM)   Paulo Magalhães (BA)   Sérgio Brito (BA)
PSB ( 3 ) 
João Fernando Coutinho (PE)   Tereza Cristina (MS)   Valadares Filho (SE)
PROS ( 3 ) 
Domingos Neto (CE)   Leônidas Cristino (CE)   Rafael Motta (RN)
PSDB  ( 2 ) 
Daniel Coelho (PE)   Mara Gabrilli (SP)
PTdoB ( 2 ) 
Luis Tibé (MG)   Pastor Franklin (MG)
Solidariedade ( 2 ) 
Augusto Carvalho (DF)   Elizeu Dionizio (MS)
PMN ( 2 ) 
Antonio Jácome (RN)   Hiran Gonçalves (RR)
PDT ( 1 ) 
Roberto Góes (AP)
PHS  ( 1 ) 
Diego Garcia (PR)
PRP  ( 1  
Marcelo Álvaro Antonio (MG)
PRTB  ( 1 ) 
Cícero Almeida (AL)

PSDC ( 1 ) 
Aluisio Mendes (MA)
PSL ( 1 )  
Macedo (CE)
PTB ( 1 ) 
Wilson Filho (PB)
PTC  ( 1 ) 
Uldurico Junior (BA)
PTN  ( 1 ) 
Bacelar (BA)


quarta-feira, 3 de junho de 2015

PEDRA CANTADA: FBI QUER TIRAR COPA de

2018 DA RÚSSIA


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247 - Aconteceu o óbvio: um dia depois da renúncia de Sepp Blatter à frente do comando da Fifa, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, anuncia que está investigando o processo de escolha das sedes da Copa de 2018 e 2022, que estão previstas para ocorrer na Rússia e no Catar.
Derrotada pela Rússia, a Inglaterra já faz campanha para sediar a próxima Copa. Os Estados Unidos foram derrotados pelo Catar. Quando seis executivos do futebol mundial foram presos em Zurique, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o objetivo real era impedir a Copa na Rússia. Blatter afirmou que nada teria ocorrido se Inglaterra e EUA tivessem sido escolhidos.
Todo o escândalo da Fifa tem como pano de fundo a nova guerra fria entre Estados Unidos e Rússia, que teve como capítulos a derrubada, com apoio norte-americano, do governo ucraniano, seguida da anexação da Crimeia pela Rússia.
Depois disso, os Estados Unidos forçaram países do Ocidente a excluir a Rússia das reuniões do G7. O objetivo, agora, é evitar, a qualquer custo, que a Copa de 2018 ocorra no país de Vladimir Putin, que desafia a hegemonia norte-americana.
Leia, abaixo, reportagem da Reuters:
Por Mark Hosenball e Katharina Bart
NOVA YORK/ZURIQUE (Reuters) - A investigação da Agência Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) sobre a suposta corrupção na Fifa inclui a análise de como a entidade reguladora do futebol mundial concedeu a Copa do Mundo de 2018 à Rússia e o torneio de 2022 ao Catar, declarou um agente da lei norte-americano.
A análise seria parte de um inquérito que vai além das alegações de suborno em um indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA a dirigentes da Fifa anunciado uma semana atrás, disse à Reuters o funcionário, que falou sob condição de anonimato.
Na ocasião, as autoridades norte-americanas declararam estarem investigando um caso de suborno de 150 milhões de dólares, enquanto promotores suíços anunciaram seu próprio inquérito criminal sobre as campanhas vencedoras de 2018 e 2022.
Rússia e Catar negaram qualquer delito na condução de suas campanhas. No caso do Catar, houve alguma surpresa com a concessão da sede do Mundial a um pequeno país desértico sem tradição futebolística e onde as temperaturas durante o dia no verão podem ultrapassar os 40 graus Celsius.
O ministro das Relações Exteriores do Catar, Khaled al-Attiyah, disse que de maneira nenhuma o país será privado do direito de sediar a Copa porque fez a melhor proposta.
"É muito difícil para alguns engolir que um país árabe islâmico tenha este torneio, como se um Estado árabe não pudesse ter este direito", afirmou ele à Reuters em uma entrevista em Paris. "Acho que é por causa do preconceito e do racismo que temos essa campanha de agressão contra o Catar".
De sua parte, a Rússia minimizou os temores de que possa perder o direito de organizar o evento. "A cooperação com a Fifa está em andamento e, o que é mais importante, a Rússia continua com os preparativos para a Copa de 2018", declarou Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin.
Entre as questões que o FBI está examinando consta a liderança do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que na terça-feira anunciou subitamente sua renúncia pouco antes de vir à tona que ele mesmo é investigado pelas autoridades norte-americanas – que na semana passada disseram que essa investigação iria continuar.
Uma fonte próxima à Fifa informou terem sido assessores de Blatter que o aconselharam a abandonar o posto. Críticos apontaram como possíveis razões a investigação criminal cada vez mais abrangente, o desassossego entre os patrocinadores e a pressão da Uefa.
ALERTA DA INTERPOL
A Interpol colocou dois ex-dirigentes do alto escalão da Fifa em sua lista de procurados a pedido das autoridades norte-americanas: Jack Warner, ex-chefe da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), e Nicolás Leoz, ex-chefe da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
Os outros sujeitos a 'alertas vermelhos' – que não são mandados de prisão – são Alejandro Burzaco, Hugo e Mariano Jinkis e José Margulies, brasileiro que liderou duas empresas envolvidas na transmissão de jogos de futebol.
Blatter, de 79 anos, anunciou sua decisão de entregar o cargo na terça-feira, seis dias depois de a polícia fazer uma operação em um hotel de Zurique e prender sete dirigentes da Fifa – entre eles o brasileiro e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin – e quatro dias depois de ele ter sido reeleito para um quinto mandato à frente da organização.
Blatter não recebeu nenhuma acusação, e a Fifa não respondeu a um pedido de comentário sobre uma investigação de seu mandatário.
Uma eleição para escolher um novo presidente provavelmente não irá acontecer antes de dezembro, e enquanto isso o suíço permanece na função.
Entre os candidatos em potencial, o chefe da Uefa e ex-jogador francês Michel Platini é o favorito. O príncipe jornaniano Ali Bin Al Hussein, que desistiu de concorrer à eleição presidencial da semana passada após obter 73 votos diante dos 133 de Blatter na primeira rodada, não chegou a confirmar se será candidato novamente. Outro candidato seria Chung Mong-joon, bilionário do conglomerado sul-coreano
Mais possíveis candidatos: Domenico Scala, presidente independente do comitê de auditoria da Fifa, os ex-jogadores Zico e Diego Maradona, e Jérôme Champagne, ex-diplomata francês e vice-secretário-geral da Fifa, além do alemão Wolfgang Niersbach, ex-chefe de mídia da entidade.

Jornalismo   de    esgoto   alardeia custos em vez dos frutos de viagens de Lewandowski ao exterior              

As estadas   do   presidente   do STF   em   compromissos internacionais variaram de três a sete dias, em  agendas destinadas a celebrar o máximo de acordos...


Patricia Faermann      Luis Nassif Onlineimagem de Francisco Silva Telles
Jornal GGN - Reportagem desta semana de O Globo, "Lewandowski já recebeu R$ 57 mil em diárias em 2015", informa que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski gastou R$ 57 mil com diárias em viagens de compromissos internacionais e que recebeu R$ 1.561 de reembolso com passagem área.
"Somente neste ano, será o quarto país visitado a trabalho, sempre aproveitando datas de feriados", diz a reportagem. A assessoria de imprensa do STF respondeu ao jornal que Lewandowski prefere marcar os compromissos em feriados para "não comprometer o trabalho no tribunal". E a reportagem menciona, de passagem, alguns bons convênios firmados no exterior.
Na manchete, a ênfase é apenas nos gastos, deixando de se aprofundar nos frutos colhidos em compromissos que variaram de três a, no máximo, sete dias.
Em sua primeira viagem do ano, Ricardo Lewandowski foi à Itália, no dia 17 de fevereiro, para verificar a possibiliade de um acordo de cooperação entre o Conselho Nacional da Magistratura italiano e o Conselho Nacional de Justiça brasileiro. O encontro traçou os primeiros passos de um protocolo que possibilita a cooperação.
Esse acordo envolve a troca de jurisprudência e boas práticas entres as duas instituições. Tanto Lewandowski, como o vice-presidente do Conselho Superio de Magistratura da Itália, Giovanni Legnini, assumiram o compromisso de dar seguimento às discussões.

Ainda na Itália, no dia seguinte, o presidente do STF foi recebido pelo Papa Francisco, no Vaticano, com quem conversou sobre preocupações comuns à Igreja Católica e ao Poder Judiciário, como a proteção aos grupos sociais mais frágeis, o desenvolvimento social e a preservação do meio ambiente.
Lewandowski encerrou seus compromissos na Itália no dia 19 de fevereiro, partindo diretamente para Londres, no dia seguinte, para participar da abertura do Global Law Summit, no dia 22 de fevereiro, evento que reuniu autoridades, advogados e empresários, para celebrar 800 anos da Carta Magna de 1215. 
A semana do ministro em Londres, na Inglaterra, também foi cheia.
Além do Congresso, encontrou-se com parlamentares, em visita ao Parlamento Britânico; com o presidente e juízes da Suprema Corte inglesa, Lord Neuberger, e foi recebido no Palácio de Buckingham pela Rainha Elizabeth.
No último dia de estadia de Lewandowski na Inglaterra, durante o almoço de trabalho com membros da Suprema Corte, o ministro debateu desafios comuns enfrentados pelo Judiciário dos dois países. Horas depois, encontrou-se com o embaixador britânico no Brasil, Alex Ellis, e à noite, foi palestrante de um dos painéis do Global Law Summit.
Lewandowski no Fórum de Justiça do BRICs
A segunda viagem de Lewandowski ao exterior ocorreu no dia 27 de março, onde representou o Brasil no Fórum de Justiça do BRICs.
No mesmo roteiro, o ministro ainda participou da conferência anual “Fórum Boao para a Ásia 2015”, palestrou na Faculdade de Direito da Universidade de Pequim, foi recebido pelo vice-presidente-executivo Shen Deyong, na Suprema Corte Popular da China, e reuniu-se com o ministro da Justiça chinês, Wu Aiying. 
Em compromisso com Zhou Qiang, presidente da Suprema Corte Popular da China, Lewandowski assinou memorando de entendimento para o intercâmbio de experiência entre os dois países. O acordo bilateral foi celebrado na cidade de Haikou, estabelecendo um banco de jurisprudência comum do BRICS em matéria ambiental, a curto prazo, a ser disponibilizado em meio eletrônico. 
Com o presidente da Suprema Corte chinesa também foi agendada a realização de um seminário sobre direito e desenvolvimento no Brasil, em 2016, em que contará com a participação de magistrados e juristas dos dois países.
Por fim, em Pequim, Lewandowski encontrou-se com a ministra da Justiça da República Popular da China, Wu Aiying, com quem debateu formas de aperfeiçoar a cooperação judicial internacional entre a China e o Brasil.
No mesmo dia 1° de abril, visitou uma corte de primeira instância no distrito de Dongcheng e o Tribunal Superior de Pequim, onde conheceu os sistemas informatizados de acompanhamento de audiências e de processos, operados a partir de um moderno centro de controle.
Todos esses compromissos oficiais na China ocuparam apenas cinco dias do ministro do STF.
Em encontro com o presidente da Suprema Corte da Federação Russa
Hoje, Lewandowski está na Rússia, em seu quarto compromisso internacional, onde já se encontrou com o presidente da Suprema Corte da Federação Russa, Vyacheslav Lebedev, em Moscou, e acordaram a necessidade de cooperação judicial entre os países. Lebedev lembrou que a Suprema Corte russa tem competência constitucional para propor projetos de lei ao Parlamento, o que pode favorecer com iniciativas legislativas a relação Brasil-Rússia. 
O presidente do STF também reuniu-se com o diretor do Departamento Judicial da Suprema Corte da Federação Russa, Alexander Gousev, tentando uma cooperação na área da informatização dos processos judiciais, uma vez que a Rússia desenvolveu inovadores sistemas para atender as regiões longínquas do maior país do mundo. Hoje, ele participa da Sessão Plenária do Conselho de Juízes da Federação Russa, órgão equivalente ao CNJ brasileiro.
Entretanto, para os (empulhados)leitores de O Globo restou apenas o destaque dado aos R$ 57 mil gastos com diárias.

Como fica a Globo se Ricardo Teixeira abrir o bico numa delação premiada? 
Paulo Nogueira                            

Um homem com muitas histórias
Teixeira: um homem com muitas histórias

Sem Blatter, que enfim se rendeu à realidade e renunciou, a Fifa pode enfim passar por um processo de desintoxicação.E a CBF?
O equivalente a Blatter, no futebol brasileiro, é a Globo.
Enquanto a Globo estiver metida no futebol brasileiro, nada vai acontecer.
O espírito da Globo é o que todos conhecemos: predador. Na relação entre a Globo e o futebol brasileiro, a Globo ganhou extraordinariamente e o futebol brasileiro se reduziu à miséria.
Alguma coisa, obviamente, não funcionou na sociedade. Quer dizer, funcionou apenas para a Globo.
A Globo tem que sair do futebol brasileiro, como Blatter saiu da Fifa.
Mas vai sair?
É difícil, dado o poder na Globo. Mas também era difícil imaginar Blatter fora da Fifa, mesmo depois da eclosão do escândalo.
Há um caminho que pode levar a uma faxina real na CBF, e ele passa por Ricardo Teixeira.
Se a PF e a Justiça realmente apertarem Teixeira, os desdobramentos podem ser interessantes.
Imagine que seja oferecida a ele a delação premiada.
Que histórias ele não tem a contar dos anos, muitos anos, de parceria entre a CBF, a Globo – e a Fifa.
A Globo, nos anos de influência de Teixeira (e do antigo sogro Havelange) na Fifa, sistematicamente ganhou os direitos de transmitir a Copa para o Brasil.
Bizarrices ocorreram.
A Globo levou as Copas de 2010 e 2014 por 220 milhões de dólares, pagos à Fifa, 100 milhões pela primeira e 120 pela segunda. A Record foi preterida com uma oferta de 360 milhões de dólares.
Para a Copa de 2014, a Globo colocou no mercado oito cotas de patrocínio, cada uma delas por 180 milhões de reais.
Como o dólar estava em dois reais, isso significava 90 milhões de dólares por cota.
Isso dá um total de 720 milhões de dólares. A Globo não é de dar descontos, e então o faturamento deve ter sido aquele mesmo.
Qual o gasto para cobrir? O maior mesmo é a compra dos direitos. Sequer imagens a Globo teve que gerar, pelo contrato.
Suponhamos, com boa vontade, que a Globo tenha gastado 50 milhões de dólares para armar a cobertura da Copa.
Você gasta 120 mais 50. O total é 170. E fatura 720.
Existe negócio melhor?
É assim que os Marinhos se tornaram a família mais rica do Brasil.
Ricardo Teixeira e João Havelange tinham força, no passado, para influenciar nas decisões da Fifa.
O que a Globo não teria feito para manter a Copa em casa?
Fora o dinheiro, há um ganho imenso de audiência e de prestígio na transmissão de uma Copa, coisas que se transformam em mais negócios lucrativos.
O difícil, no Brasil como conhecemos, é acreditar que Ricardo Teixeira vai ser cobrado pela polícia e pela justiça como Marin será nos Estados Unidos.
Mas se for, e se ele falar numa delação premiada, a CBF vai ser desinfetada, como a Fifa pós-Blatter.