sábado, 30 de maio de 2015

Espanha e Argentina dão uma banana para a direita                   

Na Espanha, o 'Podemos', desbancou o bipartidarismo dos carcomidos PP e PSOE. Na Argentina, Kirchner levou 800 mil pessoas à histórica Plaza de Mayo...

FC Lei Filho - Pátria Latina       

reprodução
Na Espanha, o partido 'Podemos', de menos de dois anos de existência e perfil progressista-popular, desbancou o bipartidarismo dos carcomidos  PP e PSOE. Também elegeu as maiorias parlamentares das duas grandes cidades - Madri e Barcelona -, na eleição de domingo, 24, credenciando-se, dessa forma, como a força política mais consistente para ganhar o governo nacional no pleito de dezembro.
 
Na Argentina, a presidenta Cristina Kirchner levou  800 mil pessoas  à histórica Plaza de Mayo, nessa última quinta(28) demonstrando que tem poencial para eleger seu sucessor, em outubro. Ela ainda desafiou em seu discurso daquele dia comemorando o 205 anos da independência: "Não tenham medo do que vai acontecer (depois que ela deixar o governo), porque (vocês) são os verdadeiros donos de seu destino". Por isso, se mostrou convicta de que o país seguirá "o rumo da mudança e da transformação, pois ninguém vota para trás".
 
Esses dois exemplos são muito ilustrativos da capacidade desses dois países em superar, através de lideranças afinadas com a maioria social, a arremetida neoliberal que destroçou sua economia e as conquistas da população: a Espanha, ainda afundada desde a crise de 2008 na recessão, no desemprego e na expulsão de milhares de espanhóis de suas casas, por não mais conseguirem pagar a hipoteca; e a Argentina, egressa da implosão de 2001 e agora no rumo do desenvolvimento com inclusão, que corre o risco de perder as conquistas ao longo dos últimos 12 anos, em face da mudança de governo.
 
Como agora no Brasil, onde a recém reeleita presidenta progressista Dilma Rousseff, enfrenta a maior campanha de descrédito promovida pela elite econômica, Espanha e Argentina, sofreram pesado bombardeio midiático, tentando reprimir suas forças sociais. Mas, cada qual a seu modo, estas vão derrotando em eleições limpas e democráticas, o modelo do Consenso de Washington, formulado pelos bancos e empresas transnacionais com o FMI e o Tesouro dos Estados Unidos, em 1989.
 
Tal modelo, que chegou a implantar uma ditadura neoliberal durante a década de 90 na América Latina, com a privatização e o desmantelamento das infraestruturas nacionais, foi depois subsituído pelos programas nacionais de inclusão iniciados com Hugo Chávez, na Venezuela, Lula, no Brasil, os Kirchner, na Argentina, Evo Morales, na Bolívia, RAfael Correa, no Equador, e DAniel Ortega, na Nicarágua.
 
Depois se transplantou, a partir de 2008, para a Europa, arrasando as economias de países como a Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda e afetando seriamente a Itália e a própria França, considerado o segundo país mais rico do continente.
 
Na Grécia, cujo governo, como o da Itália, foi deposto por maiorias parlamentares financiadas pela chamada troika - FMI, Banco Europeu e Comunidade Europeia -, a população rebelou-se e elegeu o Partido Syriza, em janeiro deste ano, para rejeitar a política do arrocho, implatada pelo governo dessa troika, e repudiar a dívida externa. Esta provocava 35% de desemprego e o colapso quase total das empresas e instituições governamentais. O Syriza já sinalizou que poderá até retirar o país da zona do Euro, caso não obtenha um entendimento, de preferência, com base no modelo adotado pelo governo Kirchner, da Argentina, a partir de 2003.
 
Agora, é a vez da Espanha, cujas forças de vanguarda organizaram-se politicamente com os protestos de rua dos Indignados, que redundaram na grande manifestação de 15 de maio de 2011, o chamado  15-M, em Madri, seguido da ocupação de vários locais estratégicos, em movimentos de massa convocados pela internet . Do 15-M, surgiram o Podemos e outros partidos progressistas, que já sinalizaram sua força com a vitória na eleição europeia de 2014, e, agora, com seu crescimento nas eleições municipais e autonômicas de domingo, 24 de maio.
 
Pablo Iglesias, de 37 anos, ungido líder do Podemos, através de u processo horizontal, do qual participaram a cidadania de diferentes correntes, em votação realizada pela internet, já havia avisado dias antes da última votação: “Na Espanha, não há maioria social moderada, há um povo que se recusa a humilhar-se e tem bem claro quem são seus inimigos: as elites políticas e econômicas que assalta o povo espanhol e enriqueceu à custa dele”.

 
Iglesias e sua turma   de líderes imberbes,     na  maioria    menores    de  30 anos e vindos principalmente da       Universidade Complutense de Madri,      sofreram o pão que o diabo amassou,    a partir de sua vitória na eleição europeia.         A mídia de lá, tão devastadora quanto a daqui, procurou desmoralizá-lo,    vinculando-os ao bolivarianismo,    no que não estava errada,     porque  ele não esconde    seus pendores     integracionistas    dos países emergentes. Os líderes do Podemos conseguiram,   no entanto, se safar, ainda que à custa de algumas divergências internas,  mas chegaram bem organizados no pleito de domingo e têm    tudo para  seguir o exemplo   do Syriza, ou seja, assumir o poder na Espanha, quem sabe já nesta eleição parlamentar nacional de 24 de dezembro.
 
Finalmente, na Argentina, Cristina Kirchner, que se prepara para encerrar dois mandatos de quatro anos, ao qual soma outros quatro do marido Néstor Kirchner, acaba de triunfar sobre uma nova blitz-krieg midiática, desta vez a que procurou envolvê-la com a morte do procurador Alberto Nisman, em 18 de janeiro último. Ela demonstrou não só tratar-se de mais uma intriga como desmoralizou toda a articulação que comeu alguns pontos no seu Ibope, como volta a despontar como o principal eleitor na Argentina, diante de uma oposição que se fragmenta a cada dia que passa por falta de unidade e sobretudo de mensagem, porque toda ela envolvida na conluio neoliberal para voltar à Argentina do colapso de 2001.

 
Não se entenda daí que a eleição será fácil para    Cristina,  porque o pré-candidato de seu partido, Daniel Scioli, é favorecido    pelo Clarín e o La Nación,  os grandes conglomerados de comunicação e representantes das corporações.      Scioli, que não consegue negar suas inclinações neoliberais e seus vínculos com os Estados Unidos,    significaria um golpe forte no modelo inaugurado pelos Kirchner.
 
Para evitar a designação de Daniel Scioli como candidato kirchenerista, nas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO), em 23 de setembro, da qual participa todo o eleitorado argentino, a presidenta terá de reforçar o pré-candidato mais afinado com seu projeto, o ministro dos Transportes, Florenzo Randazzo. Este figura nas pesquisas com uma média de 12 a 15%, contra 25% de Scioli, 22% de Maurício Macri, governador da Cidade Autônoma de Buenos Aires, candidato do partido PRO, apoiado pelo sistema econômico, e 16% do deputado Sérgio Massa, da Frente Renovadora, também de direita. Randazzo vem experimentando crescimento ponderável nos últimos dias, mas terá de ter mais voto que Scioli nas PASO para se sagrar como candidato do governo, ou seja pelo partido Frente para a Vitória. Qualquer que seja a dificuldade, no entanto, tanto Cristina Kirchner como Pablo Iglesias não se deixam atemorizar e dão uma banana para a direita.

Intervenção dos EUA na Fifa seria um novo “Big Stick”   a caminho?

Morvan Bliasby  - em seu blog           
fifa
O mundo ficou estupefato com a notícia dos capi da Fifa; não que alguém, de sã consciência, discorde da necessidade de se sanitizar a Entidade, cuja corrupção campeia há tempo, e não d´agora, deste arroubo “vestal” das rapinas, até onde isto for possível.
O evento, longe de significar fato isolado (nada o é, em se tratando de EUA!), evoca a política descaradamente intervencionista do Big Stick (grande porrete), dos estadunidenses, os xerifes da humanidade; sempre, com a aquiescência dos que ou não enxergam a gravidade das ações destes reacionários neo-romanos e a falta de noção dos que clamam pela própria, ou da intervenção militar constitucional (Sic!); (os políticos brasileiros, notadamente os de direita, que têm à escrivaninha uma bandeira dos EUA, em vez da nossa, que o digam!).
A responsável pela emissão dos mandados de prisão no escândalo que abalou a Fifa (e o mundo!) ora, a procuradora-geral dos Estados Unidos,Loretta E. Lynch, afirmou:
“… O Departamento de Justiça do país está ‘determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol’.”
Lindo! Como são diligenciosos esses estadunidenses. De uma hora para outra,  tentam varrer a corrupção (dos outros!). Num país em que o lobbie é uma atividade regulamentada, os escândalos sempre ficam impunes (vide caso Enron), desde que os corrutos sejam “amigos do rei”, falar em corrupção soa no mínimo estranho. Sem se falar em um país onde se financiam derrubadas de Governos contrários à democracia (pois sim!) e a sociedade civil não se manifesta ou não tem força para. A corrupção dos outros é realmente mais fácil de detectar e de combater, sabe-se. Tanta fome na África, moléstias em todo o mundo, doenças que já deveriam ter sido erradicadas há séculos, tecnologia biomédica, há, e a preocupação desses honrados estadunidenses é com o futebol na Fifa!
Felizmente, nem todos caem neste conto manjado dos “vestais da humanidade”. A Rússia já alertou para as reais intenções da “palmatória do mundo“, embora possa se crer que o problema é bem mais complexo do que continuar a ser simplesmente a régua deste ou somente prejudicar a Rússia, futura sede da Copa: a agenda aponta claramente para um recado. Recado sutil como os são os daqueles senhores falconiformes: — “não vos esqueçais do Destino Manifesto, pois vós sois o meu quintal!“.
O recado, como se diz, nada sutil, é para os bolivarianos (Sic!); a Fifa é só o transdutor, ou seja, — “Nós podemos tudo, inclusive intervir, em qualquer lugar“. É a manifestação inequívoca, embora com o mesmo discurso protoudenista de sempre: a América Latina como nosso (deles, claro) quintal; afinal, para um povo ‘superior’, se lhe parece apenas o cumprimento da ‘profecia’.
Resta saber como a AL se comportará, diante deste farol de udenismo triunfante: ou aceitará o “Destino Manifesto” ou lhes dará um manifesto cacete, ou “Big Stick”, como eles gostam de falar, como fez a pequena, porém imponente Nicarágua, quando lhe tentaram anexar. 'Anexar o cacete!', diriam os nicaraguenses. “peia” para vinte, os valentões “escolhidos” pela “providência” (talvez seja a mesma que “escolheu” o avião onde viajava Eduardo Campos!) levaram sozinhos.
Assim se faz um povo. Viva a Nicarágua. O tal de “Destino Manifesto” não resiste a um povo. Apenas, onde eles e seu “Big Stick” atuam, têm sempre aqueles que vaticinam “A Teoria da Dependência”; depois, fica fácil: uma imprensa a serviço dos ‘superiores’, ‘escolhidos’, e o escritor da teoria da Dependência (É o cacete!) cria leis que facilitam a transferência de patrimônio. Funciona, mesmo. Vale, Petrobrax (felizmente, não deu tempo), nióbio, pedras preciosas, estrutura de telecomunicações, etc. Beleza de teoria. Não funciona na Nicarágua, na Bolívia, na Venezuela. sabe-se… nem em Cuba.
Façam com a Fifa e com seus carcamani o que quiserem, mas, fora da América Latina! É o Pré-Sal, estupendo!

A Receita tem medo

de  falar   na  Globo?

 Fernando Brito                
globola
Na Folha/SP, a Receita Federal diz que investiga fraudes no futebol brasileiro há mais de uma década.
Diz que foram feitas três operações especiais desde 2002, em que foram investigadas 96 pessoas e empresas ligadas ao futebol no país. Essas auditorias resultaram na cobrança de R$ 4,47 bilhões em tributos, multas e juros.
Mas contra quem, pessoas físicas e empresas, a Receita silencia, alegando sigilo fiscal.
Todo mundo pode saber quem roubou uma galinha, um pote de margarina, uma repartição pública e a Petrobras.
Quem roubou do dinheiro público R$ 4,5 bilhões, não.
Por que?
Será que nenhuma destas bilionárias sonegações virou processo criminal?
Ou sumiram todas na bolsa daquela moça que deu “Doril” ao processo da Globo?
E pior, muitos destes crimes se deram em concurso de outros, como falsidade documental, falsidade ideológica, simulação (declaração de vontade real, em conluio entre as partes para, em geral, livrar-se de obrigações) e outros.
Só que, mesmo que a Receita pegue o meliante – não é o que erra de boa fé no recolhimento – nada vira crime se o cidadão, apanhado, pagar.
Como tem Refis para recuperar débitos, acaba saindo barato.
É uma lei(AQUI), enviada por Fernando Henrique ao Congresso, em 1995, dizendo que o recolhimento exclui a responsabilização penal do sonegador. Em tese, para proteger quem não fez por dolo; na prática, um salvo-conduto para o “se colar, colou”.
E como cola!
Agora, no velho vício cartesiano ( que os antigos exprimiam dizendo que se A = B e B=C, então, A=C), permitam-me perguntar: se as propinas envolviam, em grande parte, direitos de transmissão e patrocínio de competições, e a Globo é a dona de quase tudo em direitos de transmissão e patrocínios, é possível achar que a santinha do Plim-Plim não está nessas maracutaias?

Ricardo  Teixeira   põe  à venda
casa de R$ 22 mihões em Miami
‘por temer confisco’ 

                           Resultado de imagem para Imagem da Logomarca da FolhaSP

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira decidiu vender  sua  mansão de mais de  600 metros quadrados em Miami.    Ele anunciou  a  propriedade  em  corretoras   de imóveis da Flórida após saber, no ano passado, que o empresário J. Hawilla começou a colaborar com investigação das autoridades norte-americanas.
Parceiro da CBF em negócios na gestão de Teixeira, Hawilla, dono do Grupo Traffic, uma das maiores empresas de marketing esportivo do mundo, fez acordo com a Justiça dos EUA. Ele confessou crimes de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, obstrução da justiça e vai pagar multa de US$ 151 milhões (pouco mais de R$ 475 milhões).
O ex-cartola teme perder a mansão durante o desdobramento das investigações nos EUA. José Maria Marin, seu sucessor, foi preso na quarta pelo FBI.
O imóvel de dois andares, com sete quartos e oito banheiros, entrou no catálogo de imobiliárias especializadas no mercado de alto luxo dos Estados Unidos há cerca de seis meses. Em 2012, ele pagou cerca de R$ 22 milhões pela mansão localizada num do condomínio de alto padrão em Miami. A casa conta com uma marina particular.
Resultado de imagem para Fotos da mansão de Ricardo Teixeira em MiamiTeixeira quer vender a residência abaixo do valor para tentar se livrar do negócio. A antiga proprietária da casa, a ex-tenista russa Anna Kournikova, demorou quase nove meses para negociar o imóvel.
Em 2013, a Folha revelou que o ex-cartola comprou a propriedade após renunciar ao cargo de presidente da CBF.
VIDA PÓS-CBF
Teixeira comandou a CBF por mais de duas décadas e decidiu deixar o poder após as denúncias de corrupção no Brasil e no exterior. Ele saiu do país às pressas em março de 2012, pressionado pelas investigações sobre suspeita de desvio de dinheiro público na realização do amistoso entre Brasil e Portugal, em Brasília.
Ricardo Teixeira e a mulher, Ana Carolina Wigand(os dois, na foto acima), estiveram no jantar que o empresário José Victor Oliva e a mulher, Tatiana Sanches, ofereceram em homenagem ao locutor Galvão Bueno e sua mulher, Desirée Soares, em 2011.


Teixeira redigiu sua carta de renúncia nos Estados Unidos e só voltou ao país no ano seguinte. Mesmo assim, o ex-cartola articulou a posse do sucessor José Maria Marin, preso na quarta-feira (27), e continuou recebendo salário da CBF – mais de R$ 100 mil mensais.

Neste período nos Estados Unidos, aproveitava a vida dirigindo carros de luxo ou navegando um barco de 65 pés avaliado em cerca de R$ 6 milhões.
Em 2013, Teixeira sofreu dois golpes. Terminou o seu segundo casamento e correu risco de morte por causa de uma crise renal.
O ex-presidente da CBF voltou ao país para se submeter a um transplante. Seu irmão doou o rim. Abatido, o ex-cartola ganhou peso e decidiu voltar novamente ao Rio. No país, ele era visto com frequência num restaurante no Leblon.
Ele voltaria a deixar o país na véspera do início da Copa do Mundo de 2014. Temia ser alvo de protestos. Alugou um iate e ficou por dois meses viajando pela Europa, onde gostava de encontrar com Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, que renunciou ao cargo após suspeitas de irregularidades no clube catalão.
Na última semana, ele voltou ao Rio depois de um período em Mônaco. No mês passado, Teixeira fez outra mudança. Ele viajou ao Uruguai, onde registrou o país como seu novo domicílio fiscal.

Reflexões sobre os espasmos
finais ou fatais do liberalismo
europeu no Brasil


Fábio de Oliveira Ribeiro   Luis Nassif Onlineimagem de Severino Januário

O conflito gerado pela conduta do Presidente da Câmara dos Deputados esta semana – num dia ele amargou a derrota do financiamento privado de campanhas eleitorais e no outro conseguiu aprovar a privatização dos partidos políticos – não é novo. De fato ele está na origem da destrutiva oposição parlamentar que paralisou o governo João Goular e desembocou no golpe de 1964. Impossível esquecer que o Ipês, um biombo para uma operação coberta da CIA no Brasil, distribuiu milhões de dólares aos candidatos de direita em 1962. Sobre este assunto videhttp://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/69660/golpe+de+64+saiba+como+o+ipes+desestabilizava+o+governo+jango.shtml
É preciso dizer, contudo, que esta tensão (decorrente do conflito entre a natureza pública da atividade parlamentar e governamental e os poderosos interesses privados que pretendem se abrigar à sombra do Estado financiando eleições) não é um fenômeno recente, tampouco é uma coisa que ocorre apenas no Brasil. Na verdade o moderno Estado liberal já nasceu com este dilema, como notou com precisão Harold J. Laski. Ele afirma que ao final da Revolução Inglesa o ideal de Estado que prevaleceu:
“... no fue la de Lilburne o Winstanley, o la que en los debates sobre el ejército propugnó con pasión el  coronel Ramsborough. Es el ideal de Ireton para quien el Estado es uma sociedad de proprietarios; y en el  fondo es ése también el ideal de Locke. La inconformidad con la ingerencia es uma inconfirmidad con las limitaciones sobre el derecho de propriedad a disponer a su antojo de los suyo. El buen ciudadano es el hombre que ha logrado, o está logrando, la prosperidad; la ley debe ser la que el concibe como necesaria. Las liberdades que busca son las liberdades que necesita. Los peligros contra los que deben tomarse precauciones son los que amenazan su seguridad.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 134)
Não é de se estranhar que os mesmos políticos que apóiam o financiamento privado de campanha (porque consideram que o Estado é uma extensão necessária e assecuratória de sua propriedade e um instrumento indispensável para aumentá-la) são aqueles que querem reduzir os direitos dos trabalhadores universalizando a terceirização. A preservação da pobreza ou a disseminação desta é um corolário do liberalismo, quer porque fragiliza aqueles que não são proprietários (impedindo-os de conquistar o poder político pelo voto ou através da revolução violenta), quer porque permite um aumento da propriedade daqueles que já a tem através da sujeição da maioria do povo ao trabalho mal remunerado:
“Una doctrina que empezó como método de emancipación de la classe media se transformo después de 1789 em um método de disciplina para la classe trabajadora. La liberdad contratual que buscaba emancipo a los proprietários de sus cadenas; pero em el logro de esta liberdad estaba envuelta la esclavitud de quienes solo podían vender su fuerza de trabajo. El expediente doctrinario más sencillo justifico la victoria de los conquistadores. Declararon que su liberdad era también la de la nación; insistieron en que no podrían perseguir sus intereses propios sin satisfacer al mismo tiempo los de quienes de ellos dependían. He tratado de señalar que esa concepción estaba implícita en la enseñanza práticamente de todos los que deseaban especular sobre asuntos de constitución social. Cuando debieron enfrentarse a los frutos de su filosofia, tuvieron escasa dificuldad en reconciliarse con sus consecuencias. O bien, como los autores de la resurreción evangélica, predicaron al pobre uma doctrina que hacía de la resistência a la miseria social um ataque contra la providencia de Dios; o, como Pitt y sus sucesores, aterrorizaron a sus críticos sometiendolos por uma aplicación inflexible del poder coercitivo del Estado. Em 1806 Patrick Colquhoun puso en uma forma concisa la justificación que les satisfacía: ‘Sin uma gran proporción de pobreza no pude haber riqueza, puesto que las riquezas son el producto del trabajo, em tanto que este solo puede provenir de um estado de pobreza. La pobreza es aquel estado y condición em sociedad em que el individuo no tiene sobra de trabajo almacenado, o, en otras palabras, ni propried o medios de subsistencia, sino los que se derivan del ejercicio constante de la industria en las diversas ocupaciones de la vida. La pobreza, por lo tanto, es um ingrediente necesarísimo e indispensable em la sociedad, sin el cual las necesidades y comunidades no podrían existir en um estado de civilización.”  (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 178/179)
No Brasil, aqueles que se julgam os “donos do poder” (como afirmou Raymundo Faoro) devem com justiça ser chamados de liberais, pois para eles Estado, propriedade e sucesso pessoal são a mesma coisa. O desprezo que eles sentem pelas classes subalternas (e o ódio que eles difundem contra os partidos que representam os trabalhadores e os pobres, como é o caso do PT na atualidade) também não é um fenômeno novo, pois:
“El liberalismo siempre ha estado afectado por su tendencia a considerar a los pobres como hombres fracasados por su propria culpa. Siempre ha sufrido por su inhabilidad para darse cuenta de que las grandes posesiones significan poder sobre los hombres y mujeres lo mismo que sobre las cosas. Siempre ha rehusado ver cuán poco significado existe en la liberdade de contrato cuando está divorciada  de la igualdad en la fuerza de negociación.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 220)
Também não é novidade que em situações de grave crise econômica ou em períodos históricos em que tenha perdido o poder político, os ricos (que se consideram não só proprietários das riquezas, mas inclusive e principalmente proprietários do Estado que garante o direito de propriedade) comecem a descrer da democracia e a fomentar o fascismo.
“La esencia del fascismo es la destrucción de las ideas e instituciones liberales en beneficio de los que  posseen los instrumentos del poder económico. Sin duda las causas de su crecer son complicadas; pero es inequívoco el propósito de su acción. Lo que há hecho, dondequiera que ha conseguido el poder, es, sobre todo, destruir las defensas características de la clase trabajadora; sus partidos políticos, sus sindicatos, sus sociedades cooperativas. Paralelo a esto ha sido la supresión de todos los partidos políticos, excepto el fascista, de la discusión libre y del derecho de huelga. Bien frecuentemente, los facistas han proclamado, antes de su advenimiento al poder,  objetivos de sabor socialista. Pero resulta notable, primero, que hayan conseguido siempre el poder en concierto con el ejército y los grandes negocios, y que, después de su logro, hayan dejado prácticamente intocada la propriedade de los meios de producción. El fascismo, en resumen, surge, como una técnica institucional del capitalismo en su fase de contración. Destruye el liberalismo que permitió la  experiência de la expansión con objeto de imponer a las masas esa disciplina social que cre las condiciones bajo las cueales esperan poder continuar obteniendo utilidades. Esto explica por qué em los países fascistas el patrón de vida de la clase trabajadora ha ido em continuo descenso desde la supresión de las ideas e instituciones liberales.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 210/211)
No Brasil, o PSDB (partido supostamente social democrata) é justamente aquele que votou em peso na privatização das eleições, que apóia a terceirização (precarização do trabalho e o empobrecimento da população para aumentar a propriedade e o poder dos ricos), que pretende destruir midiática e juridicamente o PT e que tenta, de todas as maneiras, derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Portanto, o partido fundado por FHC e liderado por José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin já se transformou num típico partido fascista. Isto explica a proximidade entre os tucanos e os malucos que pregam um golpe de estado, defendem intervenção militar e fazem apologia da tortura nas ruas. Este partido fascista só não chegou ao poder por três motivos: resistência eleitoral da população e dos empresários que acreditam nas virtudes administrativas e liberais do PT; ausência de apoio das Forças Armadas e; medo de um contra-golpe violento que leve à aniquilação total da base social e econômica em que os fascistas tucanos se sustentam.    
A impossibilidade de golpe de estado, contudo, não resolve a tensão insuperável existente entre os defensores da privatização da política (financiamento privado das campanhas ou dos partidos) e a natureza pública da atividade parlamentar. Em algum momento este nó terá que ser desfeito por bem ou por mal. Espero que o financiamento público de campanhas seja aprovado e aceito. Caso contrário, os dias dos tucanos no Brasil podem estar contados.