sábado, 30 de maio de 2015

Reflexões sobre os espasmos
finais ou fatais do liberalismo
europeu no Brasil


Fábio de Oliveira Ribeiro   Luis Nassif Onlineimagem de Severino Januário

O conflito gerado pela conduta do Presidente da Câmara dos Deputados esta semana – num dia ele amargou a derrota do financiamento privado de campanhas eleitorais e no outro conseguiu aprovar a privatização dos partidos políticos – não é novo. De fato ele está na origem da destrutiva oposição parlamentar que paralisou o governo João Goular e desembocou no golpe de 1964. Impossível esquecer que o Ipês, um biombo para uma operação coberta da CIA no Brasil, distribuiu milhões de dólares aos candidatos de direita em 1962. Sobre este assunto videhttp://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/69660/golpe+de+64+saiba+como+o+ipes+desestabilizava+o+governo+jango.shtml
É preciso dizer, contudo, que esta tensão (decorrente do conflito entre a natureza pública da atividade parlamentar e governamental e os poderosos interesses privados que pretendem se abrigar à sombra do Estado financiando eleições) não é um fenômeno recente, tampouco é uma coisa que ocorre apenas no Brasil. Na verdade o moderno Estado liberal já nasceu com este dilema, como notou com precisão Harold J. Laski. Ele afirma que ao final da Revolução Inglesa o ideal de Estado que prevaleceu:
“... no fue la de Lilburne o Winstanley, o la que en los debates sobre el ejército propugnó con pasión el  coronel Ramsborough. Es el ideal de Ireton para quien el Estado es uma sociedad de proprietarios; y en el  fondo es ése también el ideal de Locke. La inconformidad con la ingerencia es uma inconfirmidad con las limitaciones sobre el derecho de propriedad a disponer a su antojo de los suyo. El buen ciudadano es el hombre que ha logrado, o está logrando, la prosperidad; la ley debe ser la que el concibe como necesaria. Las liberdades que busca son las liberdades que necesita. Los peligros contra los que deben tomarse precauciones son los que amenazan su seguridad.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 134)
Não é de se estranhar que os mesmos políticos que apóiam o financiamento privado de campanha (porque consideram que o Estado é uma extensão necessária e assecuratória de sua propriedade e um instrumento indispensável para aumentá-la) são aqueles que querem reduzir os direitos dos trabalhadores universalizando a terceirização. A preservação da pobreza ou a disseminação desta é um corolário do liberalismo, quer porque fragiliza aqueles que não são proprietários (impedindo-os de conquistar o poder político pelo voto ou através da revolução violenta), quer porque permite um aumento da propriedade daqueles que já a tem através da sujeição da maioria do povo ao trabalho mal remunerado:
“Una doctrina que empezó como método de emancipación de la classe media se transformo después de 1789 em um método de disciplina para la classe trabajadora. La liberdad contratual que buscaba emancipo a los proprietários de sus cadenas; pero em el logro de esta liberdad estaba envuelta la esclavitud de quienes solo podían vender su fuerza de trabajo. El expediente doctrinario más sencillo justifico la victoria de los conquistadores. Declararon que su liberdad era también la de la nación; insistieron en que no podrían perseguir sus intereses propios sin satisfacer al mismo tiempo los de quienes de ellos dependían. He tratado de señalar que esa concepción estaba implícita en la enseñanza práticamente de todos los que deseaban especular sobre asuntos de constitución social. Cuando debieron enfrentarse a los frutos de su filosofia, tuvieron escasa dificuldad en reconciliarse con sus consecuencias. O bien, como los autores de la resurreción evangélica, predicaron al pobre uma doctrina que hacía de la resistência a la miseria social um ataque contra la providencia de Dios; o, como Pitt y sus sucesores, aterrorizaron a sus críticos sometiendolos por uma aplicación inflexible del poder coercitivo del Estado. Em 1806 Patrick Colquhoun puso en uma forma concisa la justificación que les satisfacía: ‘Sin uma gran proporción de pobreza no pude haber riqueza, puesto que las riquezas son el producto del trabajo, em tanto que este solo puede provenir de um estado de pobreza. La pobreza es aquel estado y condición em sociedad em que el individuo no tiene sobra de trabajo almacenado, o, en otras palabras, ni propried o medios de subsistencia, sino los que se derivan del ejercicio constante de la industria en las diversas ocupaciones de la vida. La pobreza, por lo tanto, es um ingrediente necesarísimo e indispensable em la sociedad, sin el cual las necesidades y comunidades no podrían existir en um estado de civilización.”  (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 178/179)
No Brasil, aqueles que se julgam os “donos do poder” (como afirmou Raymundo Faoro) devem com justiça ser chamados de liberais, pois para eles Estado, propriedade e sucesso pessoal são a mesma coisa. O desprezo que eles sentem pelas classes subalternas (e o ódio que eles difundem contra os partidos que representam os trabalhadores e os pobres, como é o caso do PT na atualidade) também não é um fenômeno novo, pois:
“El liberalismo siempre ha estado afectado por su tendencia a considerar a los pobres como hombres fracasados por su propria culpa. Siempre ha sufrido por su inhabilidad para darse cuenta de que las grandes posesiones significan poder sobre los hombres y mujeres lo mismo que sobre las cosas. Siempre ha rehusado ver cuán poco significado existe en la liberdade de contrato cuando está divorciada  de la igualdad en la fuerza de negociación.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 220)
Também não é novidade que em situações de grave crise econômica ou em períodos históricos em que tenha perdido o poder político, os ricos (que se consideram não só proprietários das riquezas, mas inclusive e principalmente proprietários do Estado que garante o direito de propriedade) comecem a descrer da democracia e a fomentar o fascismo.
“La esencia del fascismo es la destrucción de las ideas e instituciones liberales en beneficio de los que  posseen los instrumentos del poder económico. Sin duda las causas de su crecer son complicadas; pero es inequívoco el propósito de su acción. Lo que há hecho, dondequiera que ha conseguido el poder, es, sobre todo, destruir las defensas características de la clase trabajadora; sus partidos políticos, sus sindicatos, sus sociedades cooperativas. Paralelo a esto ha sido la supresión de todos los partidos políticos, excepto el fascista, de la discusión libre y del derecho de huelga. Bien frecuentemente, los facistas han proclamado, antes de su advenimiento al poder,  objetivos de sabor socialista. Pero resulta notable, primero, que hayan conseguido siempre el poder en concierto con el ejército y los grandes negocios, y que, después de su logro, hayan dejado prácticamente intocada la propriedade de los meios de producción. El fascismo, en resumen, surge, como una técnica institucional del capitalismo en su fase de contración. Destruye el liberalismo que permitió la  experiência de la expansión con objeto de imponer a las masas esa disciplina social que cre las condiciones bajo las cueales esperan poder continuar obteniendo utilidades. Esto explica por qué em los países fascistas el patrón de vida de la clase trabajadora ha ido em continuo descenso desde la supresión de las ideas e instituciones liberales.” (El liberalismo europeo, Harold J. Laski, Fondo de Cultura Econômica México –Buenos Aires, México, 1961, p. 210/211)
No Brasil, o PSDB (partido supostamente social democrata) é justamente aquele que votou em peso na privatização das eleições, que apóia a terceirização (precarização do trabalho e o empobrecimento da população para aumentar a propriedade e o poder dos ricos), que pretende destruir midiática e juridicamente o PT e que tenta, de todas as maneiras, derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Portanto, o partido fundado por FHC e liderado por José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin já se transformou num típico partido fascista. Isto explica a proximidade entre os tucanos e os malucos que pregam um golpe de estado, defendem intervenção militar e fazem apologia da tortura nas ruas. Este partido fascista só não chegou ao poder por três motivos: resistência eleitoral da população e dos empresários que acreditam nas virtudes administrativas e liberais do PT; ausência de apoio das Forças Armadas e; medo de um contra-golpe violento que leve à aniquilação total da base social e econômica em que os fascistas tucanos se sustentam.    
A impossibilidade de golpe de estado, contudo, não resolve a tensão insuperável existente entre os defensores da privatização da política (financiamento privado das campanhas ou dos partidos) e a natureza pública da atividade parlamentar. Em algum momento este nó terá que ser desfeito por bem ou por mal. Espero que o financiamento público de campanhas seja aprovado e aceito. Caso contrário, os dias dos tucanos no Brasil podem estar contados. 

Zé Zuca, apresentador da 'Rádio Maluca', morre

aos 63 anos


Há dez anos, ele apresentava programa infantil nas rádios Nacional e MEC AM do Rio de Janeiro

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Resultado de imagem para Zé ZucaDo AMgóes - Acabo de saber da morte do Zé Carlos,  brilhante companheiro de teatro universitário, nos  'anos de chumbo'(1974) aqui no Rio. Perdido o contato  por mais de duas décadas, reencontramo-nos  na Rádio MEC, onde o visitei em 1998, quando lembrou ter ouvido minha passagem pelo microfone esportivo da Rádio Globo, entre 1977 e 1981. Na década passada, por telefone, falamo-nos outra vez, com seu convite para assistir ao 'Rádio Maluca', no auditório da Rádio Nacional, na praça Mauá. Lá estive, num daqueles sábados do programa, quando nos vimos pela última vez. 'Zé Zuca' já se submetera a delicada cirurgia na cabeça e seguia estoicamente com seu talento nos palcos da vida. Vi-o, casualmente, em 2009,  em 'talk-show' infantil do cartunista Ziraldo, na TV Brasil. Em novo telefonema, já em 2012, acertamos um encontro, em meio a sua  agenda repleta de compromissos profissionais('qualquer hora dessas', combinamos), o que, afinal, não aconteceu. Zé Carlos, o 'Ze Zuca', notável  e eclético como ele só, agora se foi, após resistir com  garra, todos esses anos, a um câncer na medula, internado, coincidentemente, no mesmo hospital(Copa D'OR) onde sobrevivi, faz uma década, a uma dissecção da aorta torácica. Fica a dolorida frustração, face aos desacertos do cotidiano, por nossa 'troca de figurinhas' que não mais ocorrerá.                                                              
Resultado de imagem para Zé ZucaJosé Carlos de Souza, o Zé Zuca, morreu na tarde desta sexta-feira (29), no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro. Ele lutava bravamente contra um câncer na medula. Profissional multimídia, era cantor, compositor, autor, ator e diretor teatral, pedagogo, arte-educador, psicodramatista, radialista e diretor da ZZ Produções


Nascido em 1º de agosto de 1951, há mais de 30 anos trabalhava com o público infantil, escrevia textos, livros infantis, compunha músicas e fazia direções musicais para teatro profissional adulto e infantil, sendo indicado duas vezes para o prêmio Mambembe. Seu espetáculo Coração de Gigante ganhou um prêmio Shell na categoria Auxílio de Montagem. É da autoria de Zé Zuca o tema de abertura do programa infantil ABZ do Ziraldo, da TV Brasil.

Resultado de imagem para Zé ZucaZé Zuca morou cinco anos na Holanda, onde realizou aproximadamente 500 shows, fundou o jornal brasilandês Papagaio e o grupo de teatro musical para crianças, Zabelê. Voltando ao Brasil, deu aulas no Curso de Radialismo da UFRJ e na UniverCidade. Na Rádio MEC, lançou a série de programas Zé Zuca e  Rádio Maluca, voltando a produzir o  Radioteca, ao vivo, para jovens. Também trabalhou na extinta TVE do Rio de Janeiro e na MultiRio.


Como cantor, lançou os discos Jacaré-espaçonave do céu, O que eu vejo da janela, Zé Zuca e a Rádio Maluca, Todas as Festas (todos de produção 'independente'), O Melhor de Zé Zuca (Angels Records e Sony, em 2002), Roda de cantigas (Selo Rádio MEC, em 2007) e Álbum de figurinhas(Selo Rádio MEC, em 2008), com figuras da música para crianças no Brasil, contando com participação de Bia Bedran, Palavra Cantada, Hélio Ziskind, entre outros.


Em 2008 foi indicado para o prêmio Zilka Salaberry de teatro infantil, na categoria 'Prêmio Especial', por incluir a criança e o teatro no rádio.

Na literatura, Zé Zuca lançou o livro Casa de Caramujo (Vozes, 1987), Amigos do Peito (Mirabolante, 2009), Vou contar um segredo - uma história cheia de medo (Saraiva, 2010) e também Avó com cheiro de pão caseiro (Zit).

Até o começo deste ano, produzia, roteirizava, fazia a trilha sonora e apresentava, junto com Mariano, o programa Rádio Maluca, com duração de uma hora, ao vivo, aos sábados, das 11 ao meio-dia, nas Rádios MEC AM e  Nacional do Rio de Janeiro. Desde setembro de 2013, a Rádio Maluca alcançou mais crianças Brasil afora, quando, gravado, passou a fazer parte da grade das  Rádios Nacional de Brasília,  Nacional da Amazônia e  Nacional do Alto Solimões.


Ponto de encontro das crianças e da família, o Rádio Maluca apresentava o rádio para o público infantil, recuperando a tradição dos programas de auditório, com a participação da plateia e dos ouvintes.


Histórico

Na MEC, o primeiro programa de Zé Zuca foi o Radioteca Infantil, que ele definia: “maior parte do programa era feita com radioteatro, e a outra parte com algumas crianças de escolas que vinham gravar no estúdio sinfônico. As crianças sentavam-se e eu conversava com elas sobre um determinado tema. [...] “
Radioteca Infantil, ainda nos anos 1980, já se destacou, com reconhecimento no exterior. Foi premiado no Festival Internacional de Rádio de Nova York (ficou entre os três finalistas, após concorrer com 1.547 programas oriundos de 18 países).
A rápida consolidação do programa levou a Rádio MEC a ampliar o espaço destinado ao público infanto-juvenil e Zé Zuca logo passou a produzir outras atrações, no mesmo estilo e formato, mas diversificando as faixas etárias da seu público-alvo.
Logo em seguida, concebeu outros  “radioteca” para as mais diversas faixas de idade: mirim, dente de leite etc. Mais tarde, idealizou e produziu Radioteca Jovem, programa de auditório que realizava transmissões simultâneas com escolas secundárias.
O Rádio Maluca nasceu em 1994. O programa misturava diversos formatos e linguagens radiofônicos – show musical, auditório, dramatização, brincadeiras, entre outros. Destinado ao público infantil em idade escolar, tinha inicialmente 20 minutos de duração . O programa contava a história de uma rádio criada por um menino e uma menina com a ajuda de dois artistas mambembes. Seus episódios temáticos mostravam as aventuras dos dois repórteres mirins, o Babulina e a Rosa Melosa, sob a coordenação do ‘loucutor’ Zé Zuca e do técnico de som ‘biruta’ Mariano.

Clique abaixo para ouvir uma das tantas produções musicais de 'Zé Zuca' destinadas ao público infantil: