quinta-feira, 2 de abril de 2015

As muitas opções políticas e seus humores                             

Todo grupo, comunidade e sociedade precisa sempre criar um 'bode expiatório' sobre o qual recaem todas as frustrações e queixas das pessoas...

Leonardo Boff, colunista do JB          


Agência Senado
Uma situação de crise generalizada no mundo e em nosso país permite muitos humores e não poucas interpretações. Toda crise é angustiante e dolorosa porque desaparecem as estrelas-guia e nos dá a impressão de um voo cego.
 
Como mostrou o conhecido pensador René Girard, um dos grandes estudiosos da violência, todo grupo, comunidade e sociedade precisa sempre criar um “bode expiatório” sobre o qual recaem todas as frustrações e queixas das pessoas. Ora são os comunistas, ora os subversivos, ora os homoafetivos, ora os fundamentalistas, geralmente os políticos e os governantes. Modernamente chamam a este fenômeno social complexo de bouling. Com isso se aliviam as tensões sociais e a sociedade encontra reletivo equilíbrio, sempre frágil e instável. Mas criam-se também muitas vítimas, por vezes inocentes e se deixa de reforçar o valor da convivência pacífica e se abre o lugar para o preconceito e para atitudes fundamentalistas.
 
Tal situação está se verificando claramente no Brasil. Praticamente não há pessoa que não expresse algum tipo de desconforto, até raiva e, no limite, ódio. Quem conhece um pouco o discurso psicanalítico não se admira. Sabe que no ser humano agem, ao mesmo tempo, duas forças: a de sombra sob a qual cabem todas as decepções e descontentamentos face a uma situação dada, seja a saúde que não funciona, o transporte de qualidade ruim, os impostos altos, a classe política inescupulosa e sem ligação orgânica com os eleitores, a corrupção deslavada que envolve milhões de dólares, coisa que escandaliza, revolta e cobra punições rigorosas. Mas há também a força de luz que representa tudo o que há de bom no ser humano, a bondade, o amor, a compreensão, a amizade e na sociedade, o sentimento de solidariedade num acidente de estrada, a cooperação ao se associar a uma ONG séria que faz trabalho coerente de resgate dos direitos humanos e da dignidade dos mais invisíveis etc.
 
O desafio é sempre este: a que damos mais primazia? À sombra ou à luz? Desejável e saudável é dar maior espaço à luz. Mas há também momentos em que os fatos perversos, tornados públicos, provocam a iracúndia sagrada, o protesto explícito e a manifestação pública. A sombra tem também o seu direito, pois não é um defeito mas uma marca de nossa condição humana: iracundos e pacíficos, duros e flexíveis.
 
O desafio é buscar a justa medida que representa o ótimo relativo, o equilíbrio entre o mais e o menos; ou a auto-limitação que significa o sacrifício necessário para que nossa ação não seja destrutiva das relações mas boa para todos. Uma sociedade que se civilizou procura sempre este equilíbrio. Neste grupo estão as maiorias que vivem de seu trabalho, empreendedores corretos que levam o país para frente. São sensíveis aos pobres e dificilmente discriminam por causa da origem, da cor ou da religião.
 
Atualmente constata-se um leque grande de expressões políticas, digamos de direita, de centro, de esquerda, cada qual com suas nuances. Há os que são conservadores em política, dão primazia ao princípio da ordem, mesmo admitindo que haja excessos sociais. Economicante são até progressistas, abertos às novidades tecnológicas. 
 
Há os que olham o cenário mundial, onde as grandes potências ditam os rumos da história e pensam: não somos suficiemente desenvolvidos e fortes para termos um projeto próprio.  É mais vantajoso caminhar com eles, mesmo como sócios menores e agregados. Assim não ficamos marginalizados. Estes temem projetos alternativos.
 
Há os que dizem que não devemos pisar nas pisadas deixadas por outros. Temos que fazer a nossa própria pisada com os recursos que dispomos. Somos grandes, temos um povo criativo, uma natureza que nos garante que a economia futura, de base ecológica, nos fará decisivos para o futuro do planeta. Esses são alternativos e se opõem diretamente à perspectiva imperial de alinhamento ao projeto da globalização. Criticam duramente o projeto neoliberal que acumula de um lado e empobrece de outro, devastando bens naturais.
 
Há os que não esperam nada de cima, pois a história tem mostrado que todos os projetos elaborados pelos do andar de cima sempre deixaram as grandes maiorias do andar de baixo, lá onde estavam ou simplesmente de fora. Confiam nas organizações dos movimento sociais, articuldos de tal forma que conseguem elaborar  um projeto de Brasil debaixo para cima e de dentro para fora. Visam a uma democracia participativa e políticas públicas que beneficiem os milhões de historicamente deixados para trás. Esses no Brasil, como em outros países da América Latina, com seus partidos, ocuparam o poder de Estado. Melhoraram a situação dos mais penalizados e todos de alguma forma ganharam. Esses lutam para se garantir no poder e levar avante o projeto popular.
 
Mas não basta esta vontade generosa. Ela precisa vir revestida de ética, de transparência e de figuras de políticos exemplares que dão corpo ao que pregam. Infelizmente isso não ocorreu ou de forma fragmenta e insuficiente. Não poucos sucumbiram ao arquétipo mais poderoso em nós, segundo C. G. Jung, o poder, porque nos dá a ilusão de onipotência divina, de poder decidir o destino das pessoas além de inúmeras vantagens pessoais.
 
Max Weber, o mestre do estudo do poder, sentenciou: só exerce bem o poder quem toma distância dele e considera-o passageiro e serviço desinteressado à comunidade.

O que o general Médici
achava do noticiário
da Globo?
          Resultado de imagem para Foto do presidente Médici   Resultado de imagem para Foto de Cid moreira no Jornal nacional

Do general-'presidente'  de plantão, Garrastazu Médici, entrevistado em de 1972, auge da repressão dos 'anos de chumbo' do golpe militar:
"Sinto-me feliz todas as noites quando assisto à TV porque no noticiário da Globo  o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz… É como tomar um calmante após um dia de trabalho…"
Resultado de imagem para Foto de tortura no Doi-CodiE enquanto o país 'estava em paz', em meio ao 'milagre brasileiro', e o mundo vivia 'um caos' generalizado, a tortura e a morte de desafetos da ditadura corriam soltas nos porões do DOI-CODI...
(No quartel do Exército situado na rua Barão de Mesquita/Tijuca-Rio de Janeiro, foi trucidado, entre outros,  o ex-deputado Rubens Paiva)

Petrobras  firma  acordo  com
Banco de Desenvolvimento
da China 
               Luis Nassif Onlineimagem de nosden

Jornal GGN - A Petrobras informou nessa quarta-feira (1º) que assinou acordo com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB). “É o primeiro contrato de financiamento de um acordo de cooperação a ser implementado ao longo de 2015 e 2016”, disse a estatal em nota.
O contrato é de US$ 3,5 bilhões. Foi assinado na China, durante visita do diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Ivan Monteiro, ao país.
Banco da China e Petrobras também afirmaram que pretendem “desenvolver novas cooperações no futuro próximo”.
“Este contrato é um importante marco para dar continuidade à parceria estratégica com o CDB, fortalecendo as sinergias entre as economias dos dois países”, finalizou a Petrobras.
Com informações do blog Fatos e Dados(Petrobras)

"Empresários corruptos da Receita?
Não vem ao caso..."                                

Da série “Juiz Touro e o Procurador do Dirceu”
 Paulo Henrique Amorim        TV AFIADA


quarta-feira, 1 de abril de 2015


China empresta R$ 11 bilhões à Petrobras
                 
  Miguel do Rosário                                                                               

                      chinese-dragon-red

A Petrobrás acaba de dar o “drible do dragão” nas forças especulativas que
tentam tentam vergá-la,   tentando  abocanhar  pedaços  maiores  da nossa
indústria de petróleo e atividades agregadas.

Diferentemente da  mídia, da direita e do exército de zumbis que marcham nas  ruas pedindo intervenção militar, a China não quer que a Petrobrás saia do controle do Estado brasileiro.
Porque a China sabe que, se isso acontecer, ela vai acabar nas mãos de empresas norte-americanas, ou seja, sob controle do governo americano.
Para quebrar a Petrobrás, portanto, a mídia e a oposição (um monstro com dois troncos, mas uma só cabeça) terão que passar por cima do cadáver do governo Dilma, dos movimentos sociais, das maiores centrais sindicais, dos estudantes, e agora também do dragão chinês.                                               
Os R$ 11 bilhões do título correspondem aos US$ 3,5 bilhões que o banco oficial da China anunciou que emprestará à estatal.
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Petrobras fecha empréstimo de US$ 3,5 bilhões com banco chinês
Operação foi concluída um dia após a estatal anunciar a venda de ativos na área de exploração e produção de petróleo na Argentina
RIO – A Petrobras informou nesta quarta-feira ter assinado um contrato de financiamento com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), no valor de US$ 3,5 bilhões. A operação foi concluída um dia após a companhia ter anunciado a venda de ativos na área de exploração e produção de petróleo na Argentina por US$ 101 milhões.
Às 10h50m, as ações ordinárias e preferenciais da empresa subiam com força na Bolsa de Valores de São Paulo: em torno de 5%. Segundo um especialista, essa operação mostra o esforço da nova direção em captar recursos para melhorar o caixa da companhia.
Com limites para realizar captações no mercado, em meio a denúncias de corrupção que envolvem a empresa, a Petrobras disse anteriormente que estudava “outras possibilidades de financiamento e incremento de fluxo de caixa”, até para fazer frente aos pesados investimentos projetados. A estatal não conseguiu até agora publicar seu balanço auditado de 2014.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o contrato de financiamento assinado hoje na China é o primeiro de um acordo de cooperação que será implementado ao longo de 2015 e 2016. A operação foi fechada durante visita do diretor financeiro, Ivan Monteiro, à China.
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A estatal explica que o contrato de financiamento foi assinado pela a Petrobras Global Trading BV (PGT), subsidiária da Petrobras. Segundo a Petrobras, “as duas partes confirmaram a intenção de desenvolver novas cooperações no futuro próximo.”
A estatal afirma ainda que o contrato é um importante marco para dar continuidade à parceria estratégica com a China, para quem a estatal exporta petróleo, “fortalecendo as sinergias entre as economias dos dois países”.
A Petrobras não informou as condições e taxas do financiamento chinês, nem se está atrelado à compra de equipamentos na China.




A mídia e o complexo de vira-lata      

Jornal GGN – A política externa brasileira passa pelo duro crivo da mídia nacional. O envolvimento do país em discussões – sejam na América Latina ou no Oriente Médio – desperta paixões em uma imprensa que parece ter escolhido a dependência como o caminho correto para o desenvolvimento da nação.
Essa mídia é uma grande personagem no livro do ex-ministro Celso Amorim("Os avanços e desafios da diplomacia brasileira"), que em conversa com o jornalista Luis Nassif relatou algumas das suas experiências.
“Eu vivi situações inacreditáveis. Por exemplo, eu chegar na Organização Mundial do Comércio, fazer uma queixa contra o Canadá no caso da vaca louca. Cinco ou seis países nos apoiam, o Canadá se defende e a manchete no dia seguinte em um grande jornal é ‘Brasil criticado na OMC’.  É uma coisa que não há como entender. E aquilo era o governo Fernando Henrique, dito neoliberal e que tinha boa relação”.
Para ele, há um certo conforto na dependência. “Acho que é mais do que um complexo de vira-lata. Porque complexo de vira-lata dá a impressão que é apenas a pessoa se achar pequena. Aí é um pouco mais o caso de querer ser pequeno. Antigamente se falava da burguesia compradora. Hoje em dia acho que isso nem tem mais cabimento como conceito. Mas algo parecido. Você vive bem sendo advogado de uma grande empresa estrangeira, sendo uma filial, vendendo uns produtos. Dá muito mais trabalho você ser produtor de uma máquina do que você importar uma máquina”.
Veja abaixoentrevista concedida aos jornalistas Luis Nassif e Luiz de Queiroz

As ilusões da direita no Brasil

Uma ilusão muito importante é a de que tudo vai muito bem pelo mundo, só no Brasil ou na América do Sul dominada pelas esquerdas é que não...

Flávio Aguiar                    
Antonio Cruz/Agência Brasil
As ilusões da direita no Brasil se dividem em dois grupos: o das que ela quer vender para a população em geral, e o das que ela mantém por si mesma, e para si. 

Dentre as primeiras – aquelas à venda – destaca-se a de uma frase atribuída ao senador Aécio Neves: “...para resolver o problema da corrupção no Brasil basta tirar o PT do governo”, ou algo parecido. Simplória, simplista, não li desmentido: ficou o não dito pelo dito. Vai na esteira da superstição martelada pela mídia de que a corrupção foi fundada pelo PT, alimentada por comportamentos, no Judiciário, de juízes como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro. 

Mas há outras no mercado. Outra muito importante é a de que, nas aparências, tudo vai muito bem pelo mundo, só no Brasil ou na América do Sul dominada pelas esquerdas é que não. A Europa 'não está' em estado falimentar, os Estados Unidos 'não estão' pressionados por uma crise sem precedentes, 'só há corrupção' no Brasil e no Terceiro Mundo, o Japão vai 'muito bem', embora estagnado há décadas e por aí adiante. 

Outras ilusões vendidas: caso ganhe as eleições presidenciais algum dia, a direita não vai mexer nos direitos trabalhistas. Vai sim. Vai mexer nas férias remuneradas, no salário mínimo, na Justiça do Trabalho, nas indenizações, em suma, em tudo aquilo que ela vê como elevação do “custo Brasil”, quer dizer, as obrigações sociais que o empresariado tem de cumprir. Espero que quem viver não veja, mas quem vir a vitória da direita, verá. 

Mas as piores, as mais daninhas, são aquelas que a direita mantém para si mesma. Vamos começar pelas internas. Cada grupo, cada político da direita, alimenta a ilusão de que poderá livremente instrumentar os e as demais. Serra acha que poderá instrumentar Aécio e Alckmin, este que vai instrumentar os outros dois e aquele, este e aqueloutro. FHC acha que poderá instrumentar todos eles em função do sonho de garantir seu lugar no Panteão dos grandes chefes de estado nacionais, transformadores e consolidadores, por ora ocupado por Pedro II, Vargas e Lula, nesta ordem cronológica. Vã ilusão de todos. Haverá uma briga de foice entre eles, e FHC já está condenado a ser o ex-intelectual brilhante, ainda que conservador, que esqueceu tudo o que escreveu antes e se tornou um político medíocre, aprendiz de golpista nos últimos tempos. 

Além disto, os líderes da direita pensam que poderão instrumentar os movimentos de rua, os pró-impeachment, os pró-ditadura e os pró-coisa nenhuma, e estes pensam que poderão instrumentar aqueles e os outros movimentos. Esta ilusão pode sair cara a eles, mas será mais cara a nós, democratas pró ou contra o governo, pois, se aqueles prevalecerem, começarão por comer quem se lhes opuser mas terminarão por se comer a si mesmos, num processo longo, doloroso, inseguro, e cheio de solavancos, como aconteceu com a ditadura de 21 anos que engolimos décadas atrás. 

Também alimentam a ilusão de que serão recebidos como salvadores da pátria. A menos que tenham o apoio das Forças Armadas e que estas calem os movimentos sociais à bala, o que parece improvável, uma vitória do impeachment, por exemplo, mergulhará o país no caos, além de liberar de fato uma gandaia de corrupção, pois a PF perderá a autonomia, o Ministério da Justiça virará um bordel, o Procurador-Geral da Republica voltará a ser o Engavetador-Mór etc,  o arrocho nos trabalhadores, aposentados e estudantes seguirá o modelo europeu, enfim, o Brasil vai virar uma república dividida entre a banana e o abacaxi, além do pepino. 

Por fim, a direita alimenta a ilusão, esta para si e também à venda, de que será recebida de braços abertos pela “comunidade internacional”, aquela que para ela conta: a Europa Ocidental, ou 'circuito Helena Rubinstein'; os Estados Unidos, supermercados de Miami à frente; e o Japão, recessão à parte. Vã ilusão. Seremos recebidos – pois estaremos juntos nesta antiaventura – com risotas de bastidor, finalmente reconduzidos ao curral de onde nunca deveríamos ter saído, aquele reservado aos pobres que não têm remédio nem saída, governados pelos oligarcas(e plutocratas) de plantão. 

A outra ilusão é a de que tudo isto é possível. Não é mais. O Brasil não voltará ser o que era. O Brasil enveredou para o futuro. Seja lá o que seja ele.

Créditos da foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.