quarta-feira, 1 de abril de 2015

Um pouco de liberdade de imprensa


faz bem! Caco Barcellos e os 2 anos 


do Mais Médicos                                     

Fernando Brito                        

                       

reporter
Caco Barcellos é um dos raros repórteres que não têm horror à reportagem nem aos personagens dela, quando são gente pobre.
Ah! Porque tem gente assim, e como tem, que só se interessa por eles quando podem render algo “mundo cão”. Cinegrafista esperto já “fecha” a cãmara nos olhos do infeliz quando o texto do repórter força a memória da desgraça, da morte, da perda, do sofrimento. Não pode “perder a lágrima”.
Caco tem na bagagem algo que poucos da era do “jornalista modelo-manequim” tem, apesar de ser tido como um tipo meio galã. Foi menino pobre, na periferia de Porto Alegre, só começou a estudar aos nove anos, quando Brizola abriu ali, no São José, uma escola de tempo integral. Dirigiu táxi por muitos anos para pagar a faculdade e, talvez, aí tenha desenvolvido a capacidade de ouvir as pessoas.
Faz jornalismo com pessoas, não propaganda e exploração política, contra ou a favor. Aqui não se tem nenhum constrangimento em elogiar um programa da Globo, quando faz o que deveria fazer, sempre.
Hoje, no comando da equipe de jornalistas do Profissão Repórter, Caco abre seu espaço para retratos que a imprensa brasileira não se acostuma a fazer, salvo na desgraça: os do povo brasileiro.
Ontem seu programa foi sobre o “Mais Médicos”, dois anos quase depois de implantado. Com os problemas, as carências, as dificuldades, os erros, as fugas de cubanos (sobre as quais bastam os números para julgar: 40 em 11.400 profissionais) mas, sobretudo, as pessoas: médicos, pacientes e os que nem médico tiveram.
Como o “seu” Raimundo Xavier, morador de uma palafita próxima a Cametá, no Pará, que perguntado sobre o que diria a jovens médicos que se dispusessem a ir para lá:
- Dotô, venha pra cá, que nós tá aqui. Nós lhe damos atenção, nós lhe agrada aqui, tudo, tudo de bom que nós pudé lhe dá, nós damos para o senhor.
Quem tem nada se oferece para dar tudo, que lição aos egoístas!
Leia abaixo a transcrição da reportagem, que pode ser vista clicando no 'link' http://s03.video.glbimg.com/x360/4077278.jpg
O 'Profissão Repórter' esteve em cinco estados para saber como estão trabalhando e vivendo os primeiros médicos estrangeiros que aderiram aos programa Mais Médicos. Acompanhamos a recepção em 2013 e o dia a dia de trabalho um ano e meio depois.
Bahia
Em Serra do Ramalho, na Bahia, a prefeitura não economizou na propaganda quando os três primeiros médicos chegaram. Hoje são oito.
Os médicos do programa recebem uma bolsa de R$ 10 mil. No caso dos cubanos, o dinheiro é pago ao governo de Cuba, que repassa R$ 3 mil aos profissionais de saúde. A cidade de Serra do Ramalho nunca havia tido um médico residente, os cubanos foram os primeiros.
Em 2012, só 38% do município tinha cobertura do programa Saúde da Família. Hoje os médicos atendem 98% da população, mas alguns problemas continuam. A falta de medicamentos prejudica aqueles que precisam de tratamento.
Desde que os médicos chegaram à Serra do Ramalho, a mortalidade infantil caiu 56%. Com as visitas domiciliares, eles avaliam os fatores de risco e orientam melhor os pacientes, até mesmo sobre amamentação.
Amazonas
Em Manaus, o médico espanhol chegado em 2013 está totalmente integrado à comunidade. No espaço cedido por uma igreja, ele dá palestras para as mulheres sobre câncer de mama. Mais de 800 famílias ocuparam um grande terreno ao lado da UBS onde o espanhol atende. Em pouco mais de um ano, o número de pacientes dobrou. Oitenta crianças nasceram desde que o médico chegou à comunidade.
Pará
O programa Mais Médicos já chegou a 73% dos municípios. Hoje a cidade de Cametá, com 120 mil habitantes, vai receber a primeira médica brasileira. O município fica a mais de seis horas de viagem por terra e água saindo de Belém.
A médica Taísa Neville foi criada em Belém e estudou medicina na universidade estadual do Pará. “A expectativa é grande. Estou bastante ansiosa assim de estar conhecendo minha nova família. Porque a comunidade vai ser a minha nova família a partir de agora”. No primeiro dia de trabalho, Taísa atendeu 20 pacientes.
Este ano, os brasileiros vão ocupar 85% das vagas do Mais Médicos. Em 2013, eram 10%. Uma novidade do programa é oferecer como benefício um bônus de 10% na prova que dá acesso à residência médica. Isso atraiu mais profissionais.
O Pará é o estado que enfrenta mais dificuldades para preencher as vagas do programa Mais Médicos. O município de Limoeiro do Ajuru ainda não conseguiu nenhum dos quatro médicos que queria contratar. Parte dos 20 mil moradores da cidade moram em ilhas isoladas.
Rio Grande do Sul
Em 2013, Eurizandra deixou a família em Lisboa para participar do programa Mais Médicos no Brasil. Há um ano e meio morando no interior do Rio Grande do Sul, quase na fronteira com o Uruguai, Eurizandra só encontrou a família duas vezes. “Muita saudade, mas eu tive oportunidade de viajar e eles também vieram aqui. Não gostaram e voltaram”. O contrato da médica é de três anos.
A cidade tem 11 médicos estrangeiros. O posto de saúde do bairro recebeu três médicos de fora. “Eles são bons médicos, atendem muito bem. Nos encaminham para algum especialista, se precisa”, diz a aposentada Lamir Maragalione.
A médica Eurizandra atende 20 pacientes por dia e não tem pressa. “Tem que conversar com eles, para eles se sentirem mais á vontade. Porque se não sentir a vontade, podem não contar algumas coisas e dificultar o diagnóstico”.
São Paulo
Agudos, no interior de São Paulo, foi a primeira cidade do Brasil a aprovar um auxílio para os filhos dos médicos cubanos. O município tem sete médicos que vieram de Cuba. Hoje, três moram com os filhos.
“A ideia de criar esse incentivo por filho ao médico oriundo do programa, de R$ 550 por mês por filho, foi para que o médico se sentisse mais motivado, mais estimulado. Houve um problema para eles, vindo do governo de Cuba. Tem havido pressão sobre os médicos, que estão acuados, assustados e receosos em receber esse auxílio. Pressão para que eles enviem os filhos de volta ao país”, conta Éwerton Octaviani, prefeito de Agudos.
 
Pelo contrato assinado com o governo cubano, os médicos não podem levar a família para morar com eles nem aceitar o auxílio dado pela prefeitura de Agudos.
Na manhã desta terça-feira, o Ministério da Saúde foi informado pela prefeitura de Jandira, na Grande São Paulo, que a médica cubana Dianelis Parrada não está mais trabalhando. Segundo seu supervisor, o que motivou a partida da médica para os Estados Unidos foi a pressão do governo de Cuba para que seu filho voltasse ao país.
Quarenta médicos cubanos desistiram do programa desde 2013. Atualmente, 11.400 profissionais cubanos estão trabalhando no Brasil.
O Tribunal de Contas da União fez uma auditoria para avaliar o funcionamento do programa Mais Médicos e visitou 1.176 municípios. Em 161 cidades houve redução de médicos brasileiros após a chegada dos estrangeiros.
A cidade de Santa Bárbara do Oeste, no interior de São Paulo, perdeu 19 médicos em um ano, mesmo tendo recebido sete profissionais cubanos pelo Mais Médicos. A prefeitura do município diz que o atendimento particular é mais atrativo para os profissionais e, por isso, a rotatividade é grande. Nenhum dos médicos foi demitido do serviço público.

Ao novo ministro da educação Renato Janine Ribeiro                 

A educação não deve se prender ao formalismo do ensino ultrapassado que escolas e universidades ainda teimam em seguir...

José Carlos Peliano (*)       


CPFL Cultura / Flickr
Antes de mais nada parabenizo-o pelo cargo e oportunidade de poder contribuir de forma consequente para melhorar a situação da educação nacional. Como filósofo e professor universitário, sua tarefa deverá obedecer aos seus conhecimentos teóricos e práticos adquiridos ao longo de sua carreira profissional.

Gostaria, no entanto, de levantar algumas questões que julgo importantes, primeiro por ter começado cedo no mundo do trabalho, meio tempo no ginásio e científico e meio tempo no comércio. Segundo por ter mais tarde cursado a universidade, tendo o tempo diário restante trabalhado igualmente no setor de serviços.

Neste período, cheguei brevemente a ministrar algumas aulas em cursos primários e ginasiais. Em seguida, mestrado, apenas estudando por meia bolsa de estudo, e finalmente o doutorado, enquanto desfrutava de licença correspondente no serviço público.

Após o doutorado, ao tempo em que já trabalhava no serviço público, fui diretor de uma escola experimental, organizada entre pais e mestres para o ensino pré-escolar, onde convivi com professores, alunos e muitas reuniões com os pais.

A experiência nessa escola me mostrou de um lado que o ensino pode ser um dom se bem e genuinamente aplicado, como pode ser um problema quando impera a “democratite”, onde todos querem dar seu palpite sem pensar na missão guia da instituição, tampouco no convívio e aprendizagem dos alunos.

Passei também pelo ensino universitário e pelo ensino técnico como professor. Momentos diferenciados que me mostraram as especificidades da proposta científica-universitária e da proposta tecnológica-profissional. Podem e devem ser melhor adequadas de sorte a se combinarem entre si para melhorar ambas: a universitária botando a mão na massa técnica e a profissional conhecendo mais de perto as noções básicas e fundamentais da ciência.

O breve currículo foi aí adicionado de propósito para mostrar que consegui obter uma experiência de estudo e trabalho suficiente para entender o que querem as empresas e o que pretende o ensino superior. Não são divergentes, mas têm características próprias, muitas vezes assimétricas e até mesmo conflitantes.

Minha experiência escolar, universitária e profissional me levou a considerar questões que me parecem importantes para melhorar o ensino nacional. Desde o nível pré-escolar, passando pelos demais até à universidade. Não vou entrar na discussão específica dos conteúdos respectivos aqui uma vez que merecem abordagem mais ampla e aprofundada. Comentarei apenas a ligação entre os níveis.

A educação não deve se prender ao formalismo do ensino ultrapassado de escolas e universidades que ainda teimam em seguir. Fugir das didáticas ortodoxas adeptas da cartilha “de cor e salteado”, da gravação de fórmulas, regras e teoremas, da repetição do que é apresentado em salas de aula. A internet chegou para ajudar. O aluno precisa aprender desde cedo a pesquisar por si próprio, embora com orientação, comparar, duvidar, debater, divergir, até formar sua opinião que se aproprie do que precisa ser aprendido e apreendido.

Nada de formação de robôs, meros repetidores das suficiências e insuficiências dos professores, livros-textos e padrões escolares. O mundo moderno exige há tempos alunos e professores, parceiros de conhecimento, pesquisa e elaboração técnica e científica.

Disciplinas modernas, tais como a biotecnologia, a robótica, a nanotecnologia, a astrobiologia, entre outras, requerem um conjunto de cientistas, técnicos e profissionais de várias áreas para levar à frente o conhecimento tendo o entendimento das relações entre as áreas como a base visceral do progresso científico e tecnológico.

Para tanto as velhas disciplinas como a biologia, química, matemática, física, desenho, precisam ser repensadas para voltarem a ser ensinadas de maneira mais eficiente e eficaz de acordo com o avanço do conhecimento. Minha sugestão é a de recuperar delas suas estruturas básicas, ou postulados estruturantes, se quiser, para que eles sim sejam aprendidos e apreendidos.

Não mais a ladainha de conceitos, definições, regras, postulados. Mas a fotografia fundamental de cada uma das velhas disciplinas de sorte a que elas sejam guardadas sob nova roupagem, sem esquecimento, sem raiva, sem frustação.

Quantos são os casos em que os profissionais usam, se muito, já no mundo do trabalho, apenas uns 10% do que aprenderam nos ensinos de primeiro e segundo graus, mesmo o universitário. É hora de a maioria guardar mais que 10% sob nova orientação didática e pedagógica; o restante fica para os profissionais que realmente quiserem seguir as carreiras nas quais esses conhecimentos são exigidos.

Agora, para que isto frutifique é necessário que a teoria venha junto com a prática. Sugestão que não é nova, mas pouco seguida. O conhecimento só ganha força e sinergia se ao aluno é dada a oportunidade de conhecer de perto como funciona o mecanismo ou a máquina, o qual foi concebido ou foi deduzido da teoria.

É preciso ver em sala de aula ou ler no livro e operar no chão de fábrica ou de oficina aquele mecanismo ou máquina. Há inúmeros casos de operários que contribuíram para suas empresas apenas observando o funcionamento do sistema de equipamentos e máquinas. Se tivessem conhecido antes a teoria com certeza se lhes expandiriam o conhecimento e suas respectivas contribuições.

Universidades e centros de pesquisa não são guetos fechados da ciência, tampouco as escolas técnicas e institutos tecnológicos são apêndices de conhecimento, assim como as fábricas são somente lugares onde a ciência e a tecnologia são aplicadas. A construção de naves espaciais, por exemplo, abriga vários cientistas, técnicos e profissionais especializados de vários níveis de conhecimento e formação.

Quase ao final, mas não menos importante, está mais que na hora de a professora e o professor, especialmente os dos ensinos básico, fundamental e médio, voltarem a ter a importância e o relevo social que merecem. Melhores condições de trabalho e salários são requisitos básicos de reconhecimento da sociedade e do estado pelo trabalho que desempenham na formação das meninas e meninos do nosso país.

Por fim, um breve relato. Ao final de uma de três palestras na cidade de Tefé, AM, no cinema da cidade, em 1970, fui abordado por um velho morador, pescador, que participara todo o tempo. Disse-me ele: “entendi tudo o que o senhor falou, bem explicado, só tem um problema, a cooperativa de consumo proposta para os pescadores fazerem aqui, não vai dar certo. Nós, sozinhos, não damos conta de enfrentar os comerciantes e a prelazia que se encarrega do transporte fluvial. A esperança minha e da maioria é que o senhor, quando voltar à capital, lembre da gente e faça alguma coisa por nós, especialmente na educação”.

Acho que muita coisa pude fazer ao longo de minha vida de servidor público e profissional de ensino superior para atender ao senhor Jatobá. Complemento aqui e agora com sugestões ao novo ministro a ser empossado para a área específica de educação.
 
(*) José Carlos Peliano é economista e colaborador da Carta Maior.



Moscou assume presidência do Brics até abril de 2016
Reforma do FMI e luta contra crimes cibernéticos estão entre as principais tarefas do grupo ao longo deste período Foto: RIA Nóvosti

Em entrevista à imprensa, o embaixador para assuntos extraordinários do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Vadim Lukov, que também é subsecretário da Rússia no BRICS, falou sobre os planos específicos do país. Segundo ele, o primeiro objetivo do país, ao assumir a presidência do grupo, é “reforçar a posição do Brics no sistema internacional e, paralelamente, fortalecer a posição da Rússia na política e economia mundial”.
Além disso, está prevista a utilização de mecanismos de consolidação da estabilidade estratégica e do regime de não proliferação de armas de destruição em massa, “bem como a luta contra o terrorismo internacional e a preservação da segurança informática internacional”, acrescentou o diplomata.  
A cooperação estratégica entre os países do BRICS, desenvolvida com base no projeto russo-chinês, assume prioridade na esfera econômica. O documento que servirá de base para essa parceria será discutido por especialistas no dia 15 de abril, e a sua assinatura deve ocorrer na próxima cúpula do Brics em Ufa. Os pontos a serem debatidos concentram-se nos novos aspectos da cooperação em energia e mineração.
Também temos urgência em dar sequência à reforma do FMI, que já está há três anos parada por causa da posição do Congresso americano. Ao que parece, o governo de Obama não é contra a iniciativa, mas não possui maioria parlamentar no Congresso para levá-la adiante”, explicou Lukov.
Rede social
Outra área de importância para o BRICS ao longo deste ano refere-se à cooperação na esfera social. Os países-membros pretendem compartilhar em uma conferência científica as suas experiências e tecnologias na luta contra doenças cardiovasculares e infecciosas. No que tange à educação, há planos de ampliar a parceria técnico-científica por meio da Liga de Universidades.
A segurança e a luta contra ameaças comuns também devem estar em pauta. “No âmbito de nossa convergência política Internacional, será dada atenção especial à questão do Oriente Médio e do Norte da África”, anunciou o diplomata ao falar sobre áreas “afetadas pelo terrorismo e pelo tráfico de drogas”.
Um grupo de trabalho para combater o tráfico de drogas, bem como discutir a monopolização da internet pelos Estados Unidos, reunirá ainda os ministros das Comunicações dos países-membros. “A internet está hoje nas mãos de grandes players americanos, que não compartilham a sua gerência com países não-ocidentais”, disse Lukov. “Isso é injusto com os BRICS, que possuem bilhões de usuários. 

PT e governo se preparam

para  sair  da  defensiva      

A ideia é voltar ao clima pós-eleitoral, dar discurso à militância e acenar para uma ação integrada com todas as forças progressistas...

Maria Inês Nassif                          

Ricardo Stuckert / Instituto Lula
“Ajustar o ajuste fiscal”, de forma a torná-lo mais palatável para as esquerdas, e ao mesmo tempo produzir uma agenda, negociada com os movimentos sociais, que minimize seus efeitos sobre as camadas mais pobres da população, são as duas ações simultâneas que estão sendo articuladas por setores do governo e do PT, com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta seria uma tentativa de retroceder a novembro, quando a presidenta Dilma Rousseff venceu o segundo turno eleitoral constituindo-se num razoável consenso entre camadas mais pobres da população e os setores progressistas, e de retirar a militância do acuamento a que foi submetida por uma agressiva saída do armário de grupos de direita.

Se tiver êxito, uma articulação como esta dá perspectiva às inúmeras iniciativas de debate sobre a constituição de uma frente de esquerdas que, num modelo uruguaio, possa agregar não apenas partidos progressistas, mas militância sem carteirinha, isto é, simpatizantes do projeto de governo de esquerda que não são filiados a partidos políticos.  
A negociação de uma agenda política de esquerda com os movimentos sociais proveria setores comprometidos com as classes mais pobres da população – e interessados na manutenção de um projeto político de esquerda no poder – de um discurso capaz de conter o efeito da agressividade de uma “minoria de direita” sobre as camadas da população que votaram em Dilma, e de reverter o clima de insatisfação que rapidamente contaminou o ambiente político.  
Ricardo Stuckert / Instituto LulaA mobilização dos setores progressistas não descarta, mas complementa os esforços feitos junto à base aliada no Congresso, em especial ao PMDB, para recompor a maioria parlamentar. A avaliação é a de que o maior partido da base governista tem interesses consolidados, mas é muito susceptível à opinião pública. Se é impossível cooptá-lo para um projeto político, será mais fácil convencê-lo a ajudar – e não atrapalhar – a governabilidade se a popularidade do governo Dilma, hoje em baixa, for revertida.  
Unir as esquerdas e fazer o PMDB voltar a ser sustentação e não oposição ao governo não são tarefas fáceis. Mas a avaliação que se faz é que, por parte das forças de esquerda, há um razoável consenso de que deixar a presidenta Dilma à deriva compromete o projeto de todos. Se o governo não conseguir reverter o quadro político, reconhecidamente desfavorável, e se essas forças deixarem Dilma  “sangrar” como pregam figuras da oposição, ou ainda se for permitida qualquer quebra na legalidade e interrompido o seu mandato, as chances de retomada de um projeto de poder no campo progressista serão remotas e longínquas.
Outra vertente das articulações de setores do governo, ex-presidente Lula e PT é para revitalizar o partido. Segundo diagnóstico que é comum entre todos os envolvidos nos esforços, o partido perdeu a capacidade de liderança, quer devido a sucessivos escândalos políticos, cujas apurações policiais, sentenças judiciais e repercussão midiática estão concentradas no partido, quer pelo descolamento da militância e perda de quadros.
A reunião do ex-presidente Lula com a direção nacional e os diretórios regionais do partido, na terça-feira, definiu alguma estratégia para tirar o partido da defensiva, como a proposta para que a legenda deixe unilateralmente de receber financiamento empresarial, mesmo se não for aprovada a lei que proíbe isso para todos os partidos políticos.

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Liga de Universidades do Brics deve sair do papel em outubro
Presidente Dilma Rousseff entre líderes internacionais antes da reunião do G20 na Austrália, em 2014 Foto: AP
Os estabelecimentos de ensino superior do BRICSD planejam concluir a criação da Liga de Universidades e da Rede de Universidades durante a cúpula de reitores marcada para outubro, em Pequim, apenas dois anos após o surgimento da iniciativa.
De acordo com Aleksei Maslov, professor da Escola Superior de Economia, que supervisiona os trabalhos russos na Liga, o principal objetivo dessas estruturas é ampliar e simplificar a mobilidade acadêmica e desenvolver a pesquisa científico-analítica entre as universidades dos membros do bloco.
A Liga das Universidades, uma espécie de associação das melhores universidades dos países do BRICS, recebeu o apoio de algumas das maiores instituições de ensino russas, incluindo a Escola Superior de Economia, a Universidade Estatal de São Petersburgo e Universidade Federal do Extremo Oriente.          
Espera-se que algumas universidades e centros anunciem, no âmbito da Liga, projetos de pesquisa prioritários cujos resultados sejam importantes para todos os Estados-membros do bloco. Por exemplo, projetos na área de economia, desenvolvimento sustentável, meio ambiente, energia e ciências naturais”, diz Maslov.
O vice-reitor da Universidade Federal dos Urais (UrFU), Maksim Khomiakov, ressalta que a aproximação dos países dos Brics deverá estimular a convergência nos setores de educação, ciência e inovação.
É curioso notar que as agências de classificação também compreendem isso – tanto a QS como a Times Higher Education estão criando rankings para as universidades dos países do Brics e, separadamente, dos países com economias emergentes”, diz o vice-reitor da UrFU.
Porém, segundo Khomiakov, essas classificações não fazem sentido sem a criação de um espaço científico-educacional comum. “A estrutura da Liga e o projeto da rede de universidades estão sendo projetados para apoiar uma cooperação real”, afirma
.

Notícia  boa  é  só  para  os  espertos.


Para os do tipo 'PIB'(Perfeito Idiota


Brasileiro),  tome desgraça                   

Fernando Brito    

chinaimport
Você abre os grandes sites e, de Petrobras, só lê desgraça.
Não fica sabendo, por exemplo, que as ações da empresa sobem 5%, o que saberia se fosse uma queda de 5%.
Nem que as ações da empresa ultrapassaram, pela primeira vez desde o início do ano, a marca de R$ 10.
A ultima vez que valeram mais que isso, na Bolsa (valem, de fato, muito mais) foi no dia 15 de dezembro.
Pode ser que caia um pouco, pois vai ter muita gente que comprou a R$ 8, no fim de janeiro, vendendo para realizar um lucro nada desprezível de quase 30% em dois meses.
Tudo porque, na notícia que não se dá com destaque, o Banco de Desenvolvimento da China (uma espécie de BNDES deles) concedeu um empréstimo(AQUI) de US$ 3,5 bilhões à Petrobras, o que resolve quase um terço de seus problemas de financiamento para investimentos.
E não deu de “bonzinho”, porque chinês não é bonzinho, mas é bom de aproveitar oportunidades.
Embora os detalhes do negócio não tenham sido divulgados, ainda, é certo que é grana vinculada a contratos de exportação firme de petróleo para os chineses, que não dispõem dele em todas as suas necessidades e não querem ficar exclusivamente presos à importação do  barril de pólvora do Oriente Médio.
De lá vem metade de suas importações de petróleo. Ou 60%, se colocarmos a Rússia no saco.
Mas qual é a diferença entre o interesse da China no petróleo e o mesmo desejo dos EUA?
Simples. os chineses querem o petróleo, muito mais que a cadeira produtiva do petróleo para suas empresas.
Para as petroleiras chinesas entrarem, ainda assim timidamente, na parcela aberta da exploração de petróleo no Brasil é um custo.
Até nos 20% que duas empresas chinesas dividiram no leilão de Libra, associadas à Petrobras, havia um chinês lá, marcando em cima o consórcio, para o caso de aparecer alguém querendo dar mais que o lance mínimo. Só sossegou quando abriram o envelope e o recheio do “pastel” era o combinado.
Não estão nem aí para especulação, estão atrás de negócios estratégicos.
Safra  ofereceu  R$28  mi 
para quitar R$793 milhões
devidos  à  Receita Federal                
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247 – Investigadores da Operação Zelotes acusam um representante do Banco Safra de oferecer R$ 28 milhões para se livrar de uma dívida da ordem de R$ 793 milhões com a Receita Federal.

Segundo o relatório divulgado pela agência Globo, o suborno foi negociado com conselheiros do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), entre eles, o procurador da Fazenda Nacional Jorge Victor Rodrigues. As negociações aparecem em gravações de conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) com autorização judicial.
O caso foi considerado tão grave que a Polícia Federal chegou a pedir a prisão de João Inácio Puga, membro do Conselho de Administração do Banco Safra, mas o juiz entendeu que, por enquanto, bastariam as interceptações telefônicas e as quebras de sigilo bancários.
O esquema envolve ao menos 54 empresas e 70 processos, entre elas gigantes do setor privado, como a telefônica TIM, o frigorífico Avipal e a construtora Via Dragados. A Polícia Federal investiga o envolvimento até do Partido Progressista (PP). O débito tributário alvo da Zelotes é de R$ 10,7 milhões.