terça-feira, 31 de março de 2015

Janio dá lições morais a Gilmar

Mendes. Mas, Janio, você acha 

que ele aprende? 

Fernando Brito                       
just
Com a habitual maestria de texto e de ideias, Janio de Freitas publica, hoje, na Folha de São Paulo, artigo sobre o “aniversário de sovaco” que Gilmar Mendes vai comemorar com seu “pedido de vistas”  que suspendeu o julgamento – em tese, já definido pelo placar parcial de 6 a 1 – da proibição de financiamento empresarial de campanhas eleitorais.
Com todo o respeito a Janio, trata-se de malhar em ferro frio.
Gilmar Mendes não se convencerá por razões jurídicas, menos ainda pelas éticas, a dar o seguimento normal a uma ação judicial deste tipo.
Tratando-se de alguém com a história, as opiniões e, sobretudo os métodos truculentos – recordam-se dos “capangas” da boca de Joaquim Barbosa, que depois aderiu à escola gilmariana ? – é como pedir jacas à bananeira.
A vergonha, neste caso, tem mais sócios. O Judiciário e a mídia.
Nesta última, Janio de Freitas é uma exceção, daquelas cada vez mais raras.
Mas a balança da mídia é viciada: a velocidade atropelante de Moro e a lentidão deliberada de Gilmar quase que só ganham aplausos.

O bolo

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo.
Embora 'santa', a próxima quinta-feira marca uma profanação constitucional: um ano exato do pedido de vista que Gilmar Mendes fez de uma ação direta de inconstitucionalidade e não mais a devolveu ao julgamento no Supremo Tribunal, impedindo-a de vigorar. Já vitoriosa por seis votos a um, os três votos faltantes não poderiam derrotá-la.
A ação foi movida pela OAB em 2011, recebendo adesão subsequente de entidades como a CNBB, com o argumento de que as doações de empresas que financiam as eleições são inconstitucionais e devem ser substituídas por doações dos cidadãos, com um teto para o montante doado.
Gilmar Mendes é favorável à permanência do financiamento dos candidatos e partidos por empresas. Sabe-se de sua opinião não só por ser previsível, mas também porque a expôs em público. Ainda há dez dias, dizia a repórteres: a proposta da OAB (Gilmar Mendes é costumeiro adversário da Ordem) “significa que o sujeito que ganha Bolsa Família e o empresário devem contribuir com o mesmo valor. Isso tem nome. Isso é encomendar já a lavagem de dinheiro. Significa que nós temos o dinheiro escondido e vamos distribuir para quem tem Bolsa Família. Não sei como essa gente teve a coragem de propor isso. Um pouco de inteligência faria bem a quem formulou a proposta”.
A explicação é ininteligível. “Essa gente”, que é a OAB, é a CNBB, são outras entidades e inúmeros juristas, não propôs nada parecido com doações iguais de empresários e de recebedores do Bolsa Família. E lavagem de dinheiro e caixa dois são características comprovadas do financiamento das eleições por grandes empresas, com destaque para as empreiteiras e alguns bancos. O eleitor comum é que iria lavar dinheiro nas eleições?
Em artigo divulgado no último dia 28, encontrável no saite “Viomundo”, a juíza Kenarik Boujikian, do Tribunal de Justiça-SP, pergunta: “Quem de fato está exercendo este poder” de eleger os “representantes do povo” no Legislativo e no Executivo? “O povo brasileiro ou as empresas?”. E segue:
“A resposta está dada: nas eleições presidenciais de 2010, 61% das doações da campanha eleitoral tiveram origem em 0,5% das empresas brasileiras. Em 2012, 95% do custo das campanhas se originou de empresas” [2014 não está concluído]. “Forçoso concluir que o sistema eleitoral está alicerçado no poder econômico, o que não pode persistir.”
O PT pretende a solução do financiamento eleitoral com verba pública. E lá iríamos nós financiar o pouco que se salva e o muito que não presta na política. O PMDB quer o dinheiro das empresas, mas cada doadora financiando um único partido. O PSDB é contra as duas propostas, o que leva à preservação do atual sistema. No Congresso há projetos para todos os gostos. Daí a importância da ação no Supremo.
Desde a reforma do Judiciário, há 11 anos, a Constituição aboliu o bloqueio de processos, como Gilmar Mendes faz a pretexto de vista de uma questão sobre a qual emite publicamente posição definida. Como diz a juíza Kenarik Boujikian, “não é tolerável que, com um pedido de vista, um ministro possa atar as mãos da instância máxima do próprio Poder Judiciário, o que soa ainda mais desarrazoado se considerarmos o resultado provisório [6 a 1] do processo e a manifestação do ministro. Com isto quero dizer que a soberania popular, que cada magistrado exerce em cada caso e sempre em nome do povo, não pode ficar na mão de uma pessoa, em um órgão colegiado”.
Gilmar Mendes desrespeita o determinado pelo art. 93 da Constituição porque não quer que se imponha a decisão do STF, como está claro em sua afirmação de que “isso é assunto para o Congresso”. Mas, além do problema de sua atitude, a decisão do Supremo tem importância fundamental. Eduardo Cunha avisa que levará a reforma política à votação já em maio. O dinheiro das campanhas é um dos temas previstos. E a decisão do Supremo, se emitida em tempo, ficará como um balizamento que não poderá ser ignorado pela reforma política, uma vez que antecipará o que é ou não compatível com a Constituição. E, portanto, passível ou não de ser repelido pelo Supremo Tribunal Federal.


Obama: Lula para


Secretário-Geral 


da ONU


                                      Portal Metrópole       Resultado de imagem para imagem  da logomarca da Agência EFE


Em discurso, Obama lembrou que o ex-presidente brasileiro levou seu país a um incrível patamar, na luta contra a pobreza e a fome, pronto para ocupar o cargo mais alto da Organização das Nações Unidas.

Segundo a agência internacional de noticias EFE, o presidente Barack falou  em evento na Casa Branca, nesta segunda-feira(30),  destacando a "paz entre nações" em seu discurso. 

Obama também falou sobre o papel da ONU nessa questão, e que seria importante um líder que levasse a ONU a um padrão mundial de pacificação, com apoio institucional para contornar crises e conflitos, além da luta contra a fome e a discriminação. Segundo o mandatário americano, Lula é a personalidade ideal para a relevante função. O ex-presidente - lembrou Obama -  conduziu seu país a inusitado patamar  no combate à pobreza e à fome, além de costurar com habilidade importantes acordos internacionais. 

Em 2010, Lula descartara a hipótese de sua indicação para a secretaria-geral da ONU, considerando-a mais apropriada a um técnico, ao invés de um  ex-governante.

O secretário-geral  é o mais alto funcionário da ONU. O presidente Roosevelt preconizou que seria um “moderador do mundo”. A Carta das Nações Unidas refere-se ao cargo com o de “administrador internacional”. 

A nomeação do Secretário-Geral é de competência da Assembléia-Geral da instituição, sob aval do Conselho de Segurança (passível de veto). Atualmente, o mandato é de cinco anos, com direito a uma reeleição, utilizado o critério da alternância geográfica, com origem diversa da de um dos membros permanentes do Conselho. O Secretário-geral da ONU responde, basicamente, pela diplomacia e  mediação sobre questões globais.

Em visita ao Oriente Médio, Lula se dispôs, no curso de seu mandato presidencial, a mediar a solução do
 conflitos entre Israel e Palestina. O porta-voz da autoridade palestina chegou a declarar que “... ele poderia ser um ótimo secretário-geral da ONU, capaz de negociar a paz de maneira inteligente e admirável”. Em mais uma de suas famosas metáforas, Lula lembrara que que “...o vírus da paz está comigo desde a barriga de minha mãe”.

O mandato do atual secretário, Ban Ki-moon, vai até o final de 2016. A escolha do sucessor ocorrerá em meados do próximo ano. Apesar de formalmente não haver um limite de mandatos consecutivos, a tradição mantém o critério de apenas uma reeleição. Os próximos 10 anos do posto mais importante das Nações Unidas já estão em plena discussão, com o nome de Lula entre os mais aventados.

Uma vez que o desafio da eventual candidatura de Lula seria não ter o veto de qualquer dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, oportuno analisar as condições políticas conjunturais. É aí que reside a  particularidade do momento histórico que favoreceria sua escolha. Nos Estados Unidos,  Barack Obama, do Partido Democrata, e não um 'republicano', será o chefe de Estado durante o processo de negociação e eleição. Na França, François Hollande, do Partido Socialista, que em 2012 venceu Nicolas Sarkozy e encerrou a sequência de 17 anos dos conservadores no governo. No Reino Unido, haverá eleições gerais em maio próximo, com ampla possibilidade de ser eleito primeiro-ministro o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, na disputa com o atual, o conservador David Cameron.  Na Rússia, o presidente Vladimir Putin apreciaria a indicação de Lula, não apenas em função do BRICS, mas por estratégias geopolíticas de maior amplitude.  Quanto à China,  Lula atenderia, entre outros pontos favoráveis, à maior inserção de Pequim na economia mundial, através das parcerias ora estabelecidas em todos os continentes, notadamente América Latina e África.

E qual é a importância de ser secretário-geral da ONU? Há uma pauta temática da maior relevância para as relações internacionais, de que constam 1) a preservação do meio ambiente (aí incluído o preocupante impasse do aquecimento global), 2) a gestão do armamento nuclear (cujo arsenal é capaz de destruir a civilização humana) e 3) a administração da Internet (pela exponencial capacidade de conexão entre os mais distantes pontos do  planeta). O mundo depende de uma ONU cujo secretário-geral disponha de legitimidade popular e poder institucional efetivos, fatores indispensáveis na atual conjuntura socioeconômica, de que o Brasil, por oportuno, passou a respeitado protagonista da concertação mundial.

Em ordem cronológica, já ocuparam a secretaria-geral da ONU: Trygve Lie (Noruega), Dag Hammarskjöld (Suécia), U Thant (Mianmar), Kurt Waldheim (Áustria), Javier Pérez de Cuéllar (Peru), Boutros Boutros-Ghali (Egito), Kofi Annan (Gana) e Ban Ki-moon (Coréia do Sul). Se  o posto  exige muito jogo de cintura,  é, acima de tudo, de extraordinária projeção planetária.

segunda-feira, 30 de março de 2015


IBGE derruba  tese preconceituosa

de que “pobres fazem filhos para 

conseguir bolsa família”

(do portal Brasil29)           Resultado de imagem para imagem  da logomarca do site Unisinos

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A tese defendida pelos eleitores conservadores de que o programa Bolsa Família estimularia o nascimento de filhos entre os mais pobres, em busca de recursos do governo, acaba de cair por terra. Levantamento realizado pelo IBGErevela que foi exatamente junto aos 20% mais pobres do país que se registrou a maior redução no número médio de nascimentos.
Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.                 
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.
Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.
Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.
A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.
Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.
Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.

O governo respira: quer renascer?

Politizar as escolhas do desenvolvimento significa estender à sociedade a tarefa de ir além do voto, para se engajar na construção do destino votado nas urnas...

Saul Leblon                       

José Cruz/Agência Brasil
A sensação de que o governo Dilma respira sem arfar, pela primeira vez desde a posse, não é miragem, mas tampouco pode ser creditada à percepção de um ambiente econômico mais favorável.
 
Perto de completar cem dias do novo mandato, o país arde nessa frente em labaredas de incerteza e regressão.
 
A estagnação do PIB em 2014 nem é o pior sintoma, a se considerar o panorama mundial anêmico e volátil.
 
O mais grave é a precificação de um plano inclinado diuturnamente anunciado como inevitável e doloroso.
 
Em jogral uníssono, a emissão conservadora  tange o gado para o matadouro e assegura: não há nada melhor a fazer para salvar a vida do que a eutanásia.
 
O ministro da economia é uma das vozes mais entusiasmadas do coral das carpideiras.
 
‘Quanto mais rápido, melhor’, garante à fila hesitante.
 
Empresas, famílias e investidores se conformam assim à fatalidade materializando o diabo a convite do enxofre.
 
O salve-se quem puder é um aviso geral do patrocinador, mas contempla interesses específicos.
 
O ajuste intempestivo das tarifas públicas, por exemplo, joga a inflação para 8% ao ano: legitima a demanda rentista por uma ração adicional dos juros.
 
O desemprego –a ameaça dele em marcha--  acua a reivindicação por aumento real de salário.
 
A desvalorização cambial em si é positiva para a manufatura, mas associada a um ambiente de retração do investimento privado e público – para o qual é decisiva paralisia criada pela Lava Jato--  atrai o capital estrangeiro que não adiciona capacidade produtiva ao país. Apenas vem sugar direitos de remessa sobre o parque já existente.   
 
Tudo isso já está acontecendo.
 
Sem que a maioria das medidas cogitadas pelo centurião Joaquim Levy tenham entrado em operação.
 
É assim que o mercado opera uma nação quando falta o contraponto do Estado.
 
Joaquim Levy monopoliza a voz de um governo que assiste calado ao seu desmonte; a mão pesada dos juros estreita qualquer horizonte de futuro; martelete midiático repica que o pior está por vir.
 
A força material das expectativas faz o resto.
 
Quem vai investir um tijolo no Brasil nesse momento?
 
É essa lógica que inocula o sentimento de desamparo na vida de uma nação.
 
Daí o aparente paradoxo de um governo que, pela primeira vez desde a posse, respira sem arfar.
 
Na verdade, não há contradição.
 
O que há, de fato, é a evidência pedagógica de que o monólogo conservador  -- na política, como na economia--  passou a fazer água mesmo sem que o governo se esforce para isso.
 
Sob a névoa espessa e deliberada da mídia é preciso um trabalho de costura e pinça, mas os sinais se avolumam.
 
Depoimentos dos dois principais delatores da Lava Jato –Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa—  comprovam que o buraco da corrupção é mais amplo do que sugere o foco da conveniência conservadora.
 
Gravações só agora liberadas incriminam enfaticamente Aécio Neves e família em comissionamentos mensais de US$ 100 mil em Furnas, de 1997 a 2001; mas também o presidente do PSDB, falecido senador Sergio Guerra, na drenagem de R$ 10 milhões da Petrobrás para abortar a CPI que investigaria a estatal, já em 2009.
 
Não só.
 
Nas contas generosas do HSBC da Suíça, o vice-presidente do PSDB, Márcio Fortes, ex-caixa de campanha de Serra e FHC, notificado pela emissão de notas frias nessa função, abriga a bagatela de US$2,4 milhões não declarados à Receita.
 
Não, não é um ponto fora da curva, como agrada a FHC dizer sobre as maracutaias de Pedro Barusco e do ‘clube dos nove’, na Petrobras, desde 1997.  
 
É maior que isso. É a rotina da supremacia do mercado sobre as instituições e a democracia.
 
As maiores casas bancárias do país --Safra, Bradesco etc--  ao lado de algumas das mais prestigiadas empresas, como a Gerdau, ícones da eficiência privada, foram flagradas em uma nova operação da PF, a Zelotes.
 
Estima-se que entre acertos e falcatruas tenham sangrado tributos da ordem de R$ 19 bilhões ao fisco.
 
O valor equivale a 1/3 do arrocho fiscal em marcha; supera em R$ 1 bilhão a fatia diretamente predestinada aos ombros dos trabalhadores.
 
Não é pouco.
 
E o muito não se refere apenas ao numerário subtraído às políticas públicas.
 
Estamos falando de disputa pela hegemonia política na transição de ciclo de desenvolvimento vivida pelo país --um  ingrediente que o governo Dilma esqueceu em alguma pasta na campanha de outubro de 2014.
 
O escândalo da Operação Zelotes oferece-lhe a chance de resgatar a iniciativa nessa frente assumindo a bandeira da taxação adequada às grandes fortunas e ao capital financeiro.
 
Ou seja, contrapondo-se, em vez de se render, a esses que fuzilam o déficit público, exigem cortes da ‘gastança social’, demonizam o ‘custo Brasil’, ao mesmo tempo em que sangram a receita em golpes cinematográficos.
 
O salvacionismo conservador –aquele que vai redimir todos os males do Brasil destruindo o PT, o salário mínimo e a Petrobras-- enfrenta assim a sua hora do espelho.
 
A oportunidade de sacudir o jogo político está dada.
 
Mas para isso o governo precisa sair da catatonia e redescobrir a política e o seu interlocutor disposto a ouvi-lo: os movimentos sociais, as famílias assalariadas e não apenas os mercados.
 
O que falta para ir além do monólogo levyano com as tesourarias?
 
Falta recuperar o elo perdido entre a aguerrida vitória em 26 de outubro em clima de virada progressista, e o anúncio oficial do ministro da Fazenda, um mês depois, em 27 de novembro.
 
O que aconteceu nesse buraco negro da transição ainda é um mistério, mas o fato é que engessou o governo e condenou a sua base à prostração.
 
Pior que isso: disseminou a percepção letal em política de que para as prioridades do novo mandato petista o apoio ou não dos movimentos sociais é irrelevante.
 
Uma liderança política que inspira tal percepção em seu alicerce histórico coloca a sua sobrevivência nas mãos da indulgência adversária.
 
Não haverá indulgência, como já deu para perceber.
 
Delineiam-se, assim, dois caminhos na travessia para um novo ciclo de desenvolvimento.
 
Um, implica a repactuação ampla das linhas de passagem para uma nova matriz de crescimento ordenada pela justiça social.
 
Não é isenta de algum sacrifício planejado e negociado, alerte-se.
 
A outra, simplifica a tarefa, terceirizando-a à ‘racionalidade’ dos livres mercados. Como vem sendo feito em uma Europa em carne viva, há seis anos submetida à lixadeira neoliberal.
 
Com o resultados sabidos.
 
A escolha conservadora dispensa o penoso trabalho de coordenação política da economia, associado à mediação dos conflitos inerentes às escolhas do desenvolvimento.
 
No fundo, torna ornamental a bandeira da reforma política na medida em que prescinde da maior participação social. Por razões análogas protela por irrelevante a regulação do sistema de comunicação que deveria ser mais poroso à expressão dos diferentes interesses sociais.  
 
Por algum motivo, no intervalo entre a vitória na urna e a formação do ministério, a Presidenta Dilma e as lideranças do PT optaram por trocar tudo isso a favor da terceirização da travessia a um centurião dos mercados.
 
O alívio desfrutado nesse momento decorre não dos acertos propiciados por essa escolha, mas dos reveses políticos enfrentados pelos interesses que dela se beneficiam diretamente.
 
De uma forma ou de outra o Brasil vai passar pelas dores do parto intrínsecas à reordenação do seu desenvolvimento.
 
É uma repactuação incontornável no horizonte da nação.
 
A escolha do método condiciona a meta.
 
A disjuntiva é reordenar a economia em negociação permanente com os grandes contingentes populares que ingressaram no mercado e na cidadania nos últimos doze anos.
 
Ou contra eles.
 
Não há terceira escolha.
 
A depender do método abraçado, conquistas e riquezas promissoras podem florescer ou regredir; tornarem-se um bem socialmente compartilhado, ou o combustível da fogueira da desigualdade e da exclusão.
 
Não é retórica.
 
A politização das escolhas do desenvolvimento significa estender à sociedade de fato, a tarefa de ir além do voto, para se engajar na construção efetiva do destino sufragado nas urnas. Ou este não se consumará.
 
Foi esse princípio que se perdeu nos 30 dias entre a vitória em 26 de outubro e a escolha do método associado a Joaquim Levy em 27 de novembro.
 
Passados três meses, o governo respira sem arfar. Tem a chance de reavaliar, não a necessidade dos ajustes, ou de parte deles, mas o método. E a coerência com os fins para os quais foi mandatado nas urnas.
 


Por que nunca entrei no PT


e por que não  chuto  o  PT 


na   hora  das  dificuldades 


Fernando Brito                         
               gelula
Na véspera da eleição de 1989, quando a juventude ainda me permitia entrar num bar após um dia inteiro de trabalho, encontrei uma mesa de amigos jornalistas, petistas, e tivemos todas as provocações que se possa imaginar sobre quem passaria ao segundo turno para enfrentar Collor.
A certa altura, peguei a mão de um dos mais fortemente petistas, meu amigo Fernando Paulino, e lhe disse: “sabe qual é a diferença entre nós? É que metade do PT não irá com Brizola, se ele passar ao segundo turno e a metade que virá, virá rebolando, de salto alto.” E, apertando-lhe  a mão, prossegui: "Agora, se o Lula passar, nós vamos segurar na mão dele nem que seja para irmos juntos para o inferno!”
Os fatos mostraram que foi assim e Brizola nunca faltou a Lula no momentos dos embates eleitorais decisivos. E, 2002, inclusive, isto foi causa de uma incompreensão amarga com Ciro Gomes, ao final do primeiro turno.
O PT, quase todo, não compreendeu o trabalhismo para além do discurso de turma do pré-vestibular, com aquela história de “Carta del Lavoro”.
A História, a porretadas práticas, abriu a cabeça de alguns, melhor assim. Aprenderam que a política se faz tanto com intenções quanto com concessões.  Com muitos erros no varejo e um grande acerto no atacado do processo histórico.
E tudo o que criticavam no velho Getúlio se desfez na imensa vontade que têm agora, de cantar para Lula a marchinha do Francisco Alves: “Bota o retrato do velho outra vez/ Bota no mesmo lugar/ O sorriso do velhinho faz a gente se animar” (Aliás, a patrulha era tanta que só transcreviam uma das estrofes, que dizia “trabalhar”, em lugar de “se animar”.)
Podemos e devemos discutir erros do PT, a sua natureza essencialmente udenista – que como todo udenismo se acaba como Greta Garbo, no Irajá – mas não podemos deixar de ver que foi com Lula que, pela primeira vez em décadas – talvez com um pequeno momento de intervalo, na campanha das Diretas-já, que convenientemente se abortou por uma solução pessedista, com Tancredo –  o povo brasileiro se viu como coletividade e ao país como uma esperança.
Igualmente, também não fecho os olhos à natureza do PT – não a de Lula – de expressão da classe média  à qual o movimento social, mais pela figura de seu líder operário, aderiu. Isso não é, em si, nem mau nem desinteressante, porque a esquerda no Brasil sempre teve – ainda bem! – uma adesão da classe média e dos intelectuais à imensa massa popular, expressa em seus escritores, seus músicos, seus poetas, que maravilha!
Virou moda, agora, descer a lenha no PT, inclusive por parte de gente que, com ele, viveu sua experiência de ser governo.
O PT merece, claro, boas pauladas ideológicas, a começar por sua “vocação civilizatória” neobandeirante, que crê (ou cria) que iria “civilizar” o Brasil com sua “modernidade inclusiva”.
Mas não vou fazer coro com a direita, no momento de dificuldades do partido, que não sabe para onde se volta e nem sabe o que vai fazer.
Se eu tivesse de dizer algo ao PT, diria: “Beba História”.
É amargo, dói na garganta, nos deixa, paradoxalmente, sóbrios para agir com lucidez e loucos para sonhar .
E, como há 26 anos, há gente que vai segurar firme a mão de quem fizer isso e ficar firme.
Para desespero dos petistas “neoliberais”,  dizer que é preciso recolocar uma referência aos olhos do  povo brasileiro.
O que está em jogo é ele mesmo: o retrato do velho, outra vez.
É o que querem destruir.
É o que temos de defender.

Globo ataca Janine e

trata independência 

intelectual como erro


()             Luis Nassif Online  imagem de mario lucio de oliveira
Mal foi anunciado seu nome para novo Ministro da Educação, na última sexta-feira(27), o filõsofo Renato Janine Ribeiro foi torpedeado pelo jornal O Globo por já ter criticado o segundo governo Dilma.
 
Sua indicação indica a aceitação implícita, por Dilma, das críticas feitas por ele. E indica tamém mudança de atitude de Dilma em relação ao "sim, senhora"  que campeia nas relações com Ministros. Da parte de Janine, indica independência intelectual porque, ao lado das críticas, sempre se confessou um eleitor de Dilma.
 
Mas o jornal preferiu transformar tudo em uma grande fofoca.
 
BRASÍLIA - O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, já fez várias críticas à presidente Dilma Rousseff. Em entrevista ao GLOBO no último dia 7, Ribeiro afirmou que a maior parte do ministério “é fraca”. Apesar de ter declarado voto na petista, ele disse ter se sentido “enganado” em relação ao modo de Dilma governar.
— Considero que na situação que estava foi o melhor voto. Mas isso não quer dizer que eu esteja satisfeito. Me sinto enganado no sentido em que houve um compromisso implícito de que ela mudaria o estilo de governo, ia parar de governar pela braveza e ia começar a dialogar mais e a delegar mais. Esse para mim era um compromisso que ela cumpriu de maneira muito limitada na medida em que nomeou um ministro que ela praticamente não pode mandar embora, que é o Joaquim Levy. Com ele, eu suponho que ela não grite. A maior parte do ministério é fraca, com honrosas exceções. Ela tem uma imagem de quem dialoga e delega pouco e isso não é uma boa imagem para um presidente na democracia — declarou ao GLOBO.
 
Em artigos publicados no jornal “Valor Econômico”, o novo ministro também criticou Dilma. Entre outras coisas, disse que lhe faltava dialogar e delegar poderes e que tem um "má comunicação". Em artigo publicado em dezembro, numa crítica a Dilma e aos outros dois principais candidatos a presidente na última eleição, Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), o novo ministro disse que "não vamos bem de líderes". Em 26 de janeiro, ele inclusive comparou Dilma a Aécio, dizendo que são mais semelhantes do que aparentam ser. "Temos um paradoxo: candidato, Aécio Neves prometeu continuar a política social do PT; reeleita, Dilma Rousseff adotou medidas econômicas dos tucanos. Portanto, a realidade não os afasta tanto mas, na aparência, eles parecem estar quase em guerra", escreveu.
Os presidentes das Supremas Cortes dos países integrantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) assinaram nesse último sábado (28) em Sanya, na China, documento no qual afirmam posições consensuais sobre temas relacionados ao funcionamento da Justiça, com ênfase na cooperação judiciária entre os países e a troca de experiências em matéria de reformas judiciais e melhorias do sistema judicial, levando em conta a necessidade de fazer frente aos desafios do mundo atual. O documento foi assinado pelos presidentes do Supremo Tribunal Federal do Brasil, ministro Ricardo Lewandowski; da Suprema Corte Popular da China, Zhou Qiang; da Suprema Corte da Federação Russa, Vyacheslav Lebedev; e pelos ministros da Suprema Corte da Índia, Jagdish Singh Khedar, e da República da África do Sul, Frederik Daniel Jacobus Brand.
A carta foi elaborada a partir das discussões do Fórum de Justiça do BRICs para o intercâmbio de informações sobre tópicos como os recentes avanços dos sistemas judiciais dos países membros do bloco e proteção ambiental por meio do processo judicial. “Com o aumento da multipolarização, da globalização econômica e da interdependência, a humanidade passa por mudanças profundas e complexas”, afirma o documento. “Em face dos desafios globais do crescimento econômico, da segurança energética, da proteção ambiental e das ameaças de terrorismo, as Supremas Cortes dos países do BRICS têm construído um consenso visando a uma governança global mais representativa e justa e um crescimento mais inclusivo”.
Um dos pontos destacados no documento, a partir da participação do Brasil, representado pelo ministro Lewandowski, trata das mudanças introduzidas pelo desenvolvimento e pelo uso da tecnologia da informação nos modelos e práticas judiciais. “As Cortes devem valorizar e seguir essa tendência e se adaptar visando à melhoria da prestação da justiça, e garantir a imparcialidade judicial e a solução rápida dos litígios”, afirma o texto. Outro objeto de consenso é o aprofundamento da cooperação entre as Cortes por meio de programas de intercâmbio e treinamento para juízes.
         
Como resultado do encontro, as Supremas Cortes se comprometem ainda a promover reformas judiciais e intercâmbio internacional como meio de aperfeiçoar seus sistemas judiciais, buscando conciliar o desenvolvimento econômico e social com as necessidades específicas de cada país. Enfatizam ainda o uso dos canais judiciais para proteger o meio ambiente e os recursos naturais, e propõem uma cooperação pragmática no campo judicial para aperfeiçoar o Estado de Direito e promover a harmonia entre crescimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental.