sexta-feira, 27 de março de 2015

José Dirceu tem suspeita de AVC e milhares(de canalhas fascistas) pedem  sua morte

Reação ao suposto problema de saúde do ex-ministro reflete o nível do debate político no Brasil, onde mensagens de ódio extremo são tratadas com naturalidade...

Lino Bocchini                    Carta Capital

                                Resultado de imagem para Fotos de José Dirceu      
reprodução
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Algumas das mensagens de ódio atingiram mais de dois mil "likes" no Facebook em duas horas
No final da tarde desta sexta-feira(27), José Dirceu deu entrada em um hospital de Brasília com a suspeita de estar com um princípio de AVC.  Sem maiores detalhes sobre o estado de saúde do ex-ministro, sites publicaram a notícia e a publicaram em suas redes sociais.
Foi o suficiente para uma enxurrada de comentários de ódio brotarem nas redes sociais pedindo a morte de Dirceu, muitas delas com requintes de crueldade. Outros pediram também a morte da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. Abaixo reproduzo alguns comentários que conseguiram, o apoio de mais de 500 pessoas (“likes”) em apenas duas horas de Facebook:
“Você vai conseguir vencer essa! Força AVC!!”
“Estamos juntos AVC. Não mata não por favor, só deixa ele vegetativo, cagando na cama.”
“Morre que passa.”
“#SomosTodosAVC”
“O demônio tá vindo buscar!”
“A Dilma leva vantagem pois como não tem cérebro nunca vai ter AVC!!!”
“Que morra e volte para buscar Dilma e Lula.”
“A chapa quente do inferno tá prontinha pra ele a para o molusco.”
São frases fortes, e peço desculpas por reproduzi-las. Acredito, contudo, que neste caso a reprodução é justificável, para ilustrar o tamanho da irracionalidade e do ódio.
Curiosamente, muitos dos perfis autores destas mensagens ou seus apoiadores são pessoas que se dizem cristãs e têm imagens religiosas em meio a seus perfis. E ainda defendem a paz, a família, um mundo melhor...
Muitos dos comentários inclusive evocam a religiosidade para pedir a morte de José Dirceu:
“Glória a Deus, minhas preces foram atingidas.”
“Deus é pai, aqui se faz, aqui se paga.”
"DEUS. Faça ele ser atendido no SUS por um dos médicos cubanos que dará o diagnóstico de virose e ele será enviado para casa e morrerá dentro de poucas horas. Amém!"
Não quero entrar no mérito sobre  José Dirceu, o que ele fez ou deixou de fazer. Não é disso que se trata esse artigo. Também não defendo a censura de ninguém. Tampouco pretendo atacar a fé de quem quer que seja.
Este breve texto é apenas um convite à reflexão. A que ponto chegamos? Quando perdemos totalmente nossa humanidade a ponto de ser normal alguém falar publicamente algo como “Não mata não, só deixa ele vegetativo, cagando na cama” e receber o apoio de mais de mil pessoas em menos de uma hora?
Como será possível continuarmos debatendo não apenas política, mas qualquer assunto nesses termos? É com este tipo de debate sério que iremos melhorar o Brasil?
E, o pior de tudo, a publicação deste artigo deverá gerar ainda mais mensagens de ódio, comprovando que quem está doente não é o ex-ministro. É a sociedade.
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O anti-Villa:  o cientista social

que pegou a Globo de surpresa

ao não fazer demagogia

Kiko Nogueira                            

O professor Vitor Amorim de Angelo, da Universidade de Vila Velha(ES), tem mestrado e doutorado em Ciências Sociais e Políticas com passagem pelo Centre d’Histoire do Institut d’Études Politiques de Paris (SciencesPo).
É também pesquisador do Institut des Sciences Sociales du Politique da Université de Paris Ouest-Nanterre La Défense. Apesar desse currículo, expressa-se com muita clareza (uma raridade para acadêmicos brasileiros). Pensa bem e articula bem.
Vitor fez uma participação num telejornal da Globo que foi fruto, provavelmente, de um erro da produção. O fato é que ele não deverá voltar tão cedo. A não ser que mude de ideia.
O vídeo foi postado no blog(AQUI) da Maria Frô. No 'Bom Dia, ES'(da afiliada capixaba da Globo), foi convidado a comentar a manifestação do dia 15 de março e, no bojo disso, a corrupção. Ao invés de concordar com as teses do apresentador — o clássico: PT inventou a roubalheira, os protestos eram apartidários etc —, Vítor ofereceu alguns instantes de sobriedade, perspectiva e imparcialidade.
“Esse problema não ataca apenas o executivo. Não é só na política, mas na sociedade. A corrupção está disseminada. Não significa diminuir a culpa de ninguém. Apenas tratar um problema complexo da maneira como ele deve ser tratado. Ao colocar a culpa só no executivo, nós terminamos mascarando a questão”.
Opa. Alguém falando em complexidade?
Num determinado momento, o entrevistador aborda a entrevista dos ministros Cardozo e Rossetto após as manifestações. Rossetto afirmou que quem participou foram as pessoas que não votaram em Dilma. “Miriam Leitão disse que não é bem por aí. O senhor concorda com a Miriam ou com o ministro?”
O acadêmico concordou com o ministro, infelizmente, acrescentando alguns dados: eram eleitores de Aécio e de Marina, segundo uma pesquisa. Complementou: “A democracia, é bom lembrar, é um regime de confiança, não de adesão. Portanto, não é uma opção aderir ou não ao resultado. Você faz parte desse sistema político no qual ela é presidente. O inverso também é verdadeiro: você venceu, mas não pode deixar de governar para aqueles que não te elegeram”.
O jornalista centrou fogo no escândalo da Petrobras. Compassivo, Vitor voltaria ao seu ponto. “O que estou tentando dizer é que, num olhar um pouco mais refinado, a gente não pode reduzir a corrupção apenas ao PT”.
Vitor Amorim é sóbrio e ajuda a entender o momento político sem respostas óbvias e sem babar na gravata. Virtudes que o farão, provavelmente, nunca mais aparecer novamente para comentar qualquer coisa na Globo e congêneres. Pode ter sido ingênuo. Tendo a achar que foi corajoso.
É muito mais fácil convocar alguém como Marco Antonio Villa. Com historiadores como Villa, não há a menor chance de erro, não há espaço para a dúvida ou a reflexão. Villa é um mestre da simplificação rasteira. Onde há complexidade, ele traz uma explicação de bolso vagabunda. Desde a Babilônia, o culpado pelas tragédias da humanidade é o mesmo de sempre. Villa facilita o serviço de banalizar o mundo e entregar uma rapadura odiosa para a plateia, que a engole sem mastigar.
Pra que complicar? Chama o Villa, ué.

O  pesado legado de Joaquim 

Barbosa para a  democracia

brasileira

Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o "mensalão", com seu domínio do fato, transformou a Justiça em parte do terceiro turno eleitoral...

Maria Inês Nassif               
Márcia Kalume/Agência Senado
Na briga política com “P” maiúsculo,  quando se traça estratégias de disputa com grupos oponentes, define-se um limite além do qual não se deve ultrapassar, por razões éticas ou para não abrir precedentes que, no futuro, possam se voltar contra o próprio grupo que não observou esse limite. Em ambos casos, a preservação dos instrumentos de luta democrática é a preocupação central.
 
O Supremo Tribunal Federal (STF), a partir do caso chamado Mensalão,  arvorou-se em fazer política com "p" minúsculo, sem pensar nos precedentes que abria nos momentos em que jogava para a plateia, escolhia inimigos e relativizava a Constituição. Ao fazer jogo político sem que fosse qualificado para isso, pois não é um poder que decorre da livre escolha popular, não mediu as consequências e deixou uma lista de precedentes com potencial de corroer a democracia brasileira.
 
O primeiro mau exemplo que deu foi o de que um poder não deve obedecer limites. Ao longo do período pós-ditadura, a Corte maior do país se dedicou a uma crescente militância. A nova composição do Supremo, pós-Mensalão, é muito mais jurista do que política, mas é ela que vai ter que pagar pelo erro dos seus antecessores.
 
No julgamento do Mensalão, em vez de manter-se acima de um clima de comoção artificialmente criado por partidos de oposição e uma mídia avassaladoramente monopolista, o STF fez parte da banda de música. O que se tocava era um mantra  segundo a qual qualquer que fossem as provas, quem deveria pagar com a cadeia era a banda governista envolvida no escândalo. Se as provas não corroborassem, que se danassem as provas. Era uma onda de pânico tão típica de momentos aterrorizantes da história mundial – como a ascensão do nazismo e do fascismo, com a repetição de “verdades” construídas sobre afirmações mentirosas, mas fáceis de atrair ódio sobre grupos políticos adversários – que a inclusão da Corte Suprema do país nesse tipo de armação foi de tirar noites de sono de quem já viveu o pesadelo de ditaduras.
 
O STF abraçou entusiasticamente a tese do domínio do fato para justificar a condenação, por exemplo, de Henrique Pizzolatto (acusado de desviar um dinheiro da Visanet, empresa privada de cartões de débito, que comprovadamente foi destinado para veiculação de anúncios nos próprios veículos de comunicação que o acusavam de corrupção), ou de José Genoíno (que foi condenado porque assinou um empréstimo bancário que comprovadamente entrou na conta bancária do PT e foi quitado pelo partido), ou de José Dirceu (que se supôs ser o mentor do esquema sem que nenhuma prova disso fosse apresentada à  Justiça). Com isso, a Corte deu satisfações a uma parcela da população que advogava a prisão a qualquer custo, mas por este prazer de momento legou ao país a dura herança da condenação sem provas e do espetáculo midiático em vez do julgamento justo. O STF alimentou o senso comum de que lugar de adversário político é na cadeia. A democracia brasileira vai levar anos, décadas, uma era, para se livrar desse legado.
 

O juiz Sérgio Moro forçou a mão nas suas decisões de indiciamento das pessoas mais ligadas ao PT e ao governo, no curso da Operação Lava Jato, e provavelmente condenará todos eles, com provas ou, se não consegui-las, por suposição. Mas não se pode acusá-lo de ter inventado a roda. A insegurança jurídica provocada pela teoria do domínio do fato – que aproxima a Justiça da democracia brasileira dos famigerados Inquéritos Policiais Militares (IPMs) da ditadura, responsáveis pela “investigação” e “julgamento” de adversários políticos por suposições de corrupção – é obra do ex-ministro Joaquim Barbosa, corroborada pela maioria do plenário do STF, no bojo de uma histeria coletiva artificial provocada por uma pressão direta da oposição e dos meios de comunicação, on line, na medida em que o julgamento se desenrolava nas telas das TVs. Barbosa continuará produzindo condenações altamente questionáveis mesmo depois de ter ido embora para casa tuitar palpites sobre uma democracia que ele não cuidou quando era ministro do Supremo.
 
Daí que o precedente Joaquim Barbosa gerou Sérgio Moro, que forçou a mão nas peças jurídicas que levaram ao indiciamento de uns, e deixaram passar culpas de seus oponentes.
 
O precedente Joaquim Barbosa condenou Pizzolatto por contratos do Banco do Brasil com a Visanet que são anteriores à sua posse na diretoria da Marketing da estatal. O tesoureiro do PT, João Vaccari, foi indiciado por financiamentos legais de campanha feitos ao seu partido pelas empresas implicadas no escândalo Petrobras desde 2008 – sem que Moro tenha se importado com o detalhe de que Vaccari assumiu a tesouraria da legenda a partir de fevereiro de 2010. Se a intenção fosse a de fazer justiça, o juiz teria no mínimo feito referência ao tesoureiro anterior. Usou, todavia, o domínio do fato, para argumentar uma responsabilidade telepática de Vaccari sobre fatos que aconteceram mesmo antes de ele assumir o cargo.
 
O juiz argumenta, ao aceitar a denúncia, que João Vaccari “tinha conhecimento do esquema criminoso [de pagamento de propinas por empresa fornecedoras da Petrobras] e dele participava”, fiando-se em delações premiadas de participantes do esquema que tinham interesse pessoal em responder aos anseios das autoridades policiais e judiciárias que jogavam para uma plateia – e que fizeram isso de forma mais intensa no período eleitoral, com fartos vazamentos seletivos sobre um inquérito que envolveu Deus e o diabo na terra do sol.
 
Moro tomou como fato inquestionável – e confundiu isso com prova – que o esquema envolveu exclusivamente os últimos governos, e que o financiamento dado oficialmente ao PT era, na verdade, produto de propina. E traçou uma lógica segundo a qual a cada fechamento de contrato pelas empresas envolvidas resultava numa doação legal para o PT, ou para uma campanha do PT.
 
Quando se toma a doação dessas mesmas empresas para o PSDB e para o PMDB, todavia, fica um grande vazio. Existem duas ordens de doações privadas para partidos e candidatos, segundo Moro: uma, recebida por determinados partidos, que são propina; outra, captada por outros partidos, que não são crimes.
 
Se tomados os dados de doação registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as 16 empresas envolvidas no Caso Lava Jato (Galvão Engenharia, Oderbrecht, UTC, Camargo Correa, OAS, Andrade e Gutierrez, Mendes Júnior, Iesa, Queiroz Galvão, Engevix, Setal, GDK, Techint, Promon, MPE e Sranska) contribuíram com R$ 135,5 milhões para as eleições de 2010 e R$ 222,5 para as eleições de 2014.
 
Nas eleições de 2010, o PMDB, que não tinha candidato presidencial, recebeu a maior parcela, de R$ 32,85 milhões; o PT, R$ 31,4 milhões e o PSDB, R$ 27 milhões. Foram os três maiores agraciados, com 24%, 23% e 20% das doações totais dessas empresas, respectivamente. Todavia, o PSB, o PP, o PRB e o PSC conseguiram também quantias consideráveis: R$ 19,5 milhões, R$ 6,5milhões,  R$ 4,95 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente. PDT, PC do B, DEM, PTB, PTN, PTC, PTdoB e PMN receberam entre R$ 150 mil e R$ 1,8 milhão.
 
No ano passado, PT e PSDB mantiveram, de novo, arrecadação muito próxima dessas mesmas empresas. O partido de Dilma conseguiu R$ 56,38 milhões junto a essas fontes, mas o PSDB de Aécio não ficou muito atrás: obteve R$ 53,73 milhões. O PMDB ficou em terceiro em arrecadação, mas rivalizando com os dois partidos que disputaram a Presidência no segundo turno: conseguiu levantar R$ 46,62 milhões dessas empresas. O PSB de Marina Silva ganhou R$ 15,8 milhões; o DEM, R$ 12 milhões; o PP, R$ 10,25 milhões; o PSD, R$ 7,13 milhões; e o PR, R$ 6,85 milhões. Os demais partidos arrecadaram entre R$ 3,3 milhões e R$ 100 mil.
 
Esses números certamente não querem dizer que todos os partidos que receberam dinheiro dessas empresas tenham, na verdade, recebido propina por serviços prestados a elas. Mas indicam que a simples existência de doações legais ao PT não comprova propina. É preciso que existam provas do ilícito, e que elas sejam mais consistentes do que a delação de implicados que são réus confessos e que foram premiados pela Justiça.
 
É esse legado que o país carrega do caso Mensalão. Em vez de servir para punir exemplarmente culpados, o Mensalão abriu o precedente de incluir a Justiça com parte de um terceiro turno eleitoral. A Justiça brincou de fazer política e não olhou para os precedentes que abria. A insegurança jurídica que isso causa pode levar no mesmo rodo, no futuro, a água dos que encenaram o espetáculo da condenação sem provas.

Janine vem  para cuidar da

Educação.E para  ajudar  a 

pensar, porque pensa e diz 

Fernando Brito                          
janine
Aqui neste blog, onde tanto se criticam as vacilações de Dilma Roussef em se decidir por uma sinalização direta à sociedade da direção e dos métodos de seu Governo, reconheço, com prazer, que a Presidenta emplacou sua segunda “bola dentro” do dia, depois(AQUI) da indicação de Edinho Silva para a Secom.
A escolha do professor de Ética e Filosofia da USP Renato Janine Ribeiro foi uma prova de sabedoria.
Não apenas pelas qualidades de Janine, mas porque, já de início, tira de Aloizio Mercadante a condição de “intelectual do Governo”.
Porque Mercadante, embora seja um homem com imensa quantidade de informações absorvidas, é desprovido da clorofila que transforma, como versejou Caetano, luz do sol em verde novo.
Janine não é um sabujo à procura de poder e é disso que Dilma precisa, até porque isso corresponde à sua própria natureza.
Não fará a política calculando o número de votos que lhe dará em São Paulo ou quantas vezes irá aparecer na Folha.
Até porque já aparece, lá e em muitos lugares, dizendo o que pensa.
Dois  dias antes de sua nomeação, lá na mesma Folha, publicou um artigo.
Onde não tapa o sol com a peneira sobre a insatisfação existente na sociedade, mas afirma o caminho da superação sem ficar no flácido “respeitamos as manifestações”.
Vale a pena ler e ver quem Dilma chamou para junto de si:

Renato Janine Ribeiro: Tem razão quem se revolta

“On a raison de se révolter”, dizia o filósofo francês Jean-Paul Sartre no fim da vida, quando, depois de maio de 1968, se cansou de esperar que o Partido Comunista se consertasse e fez causa comum com os maoistas. Não é fácil traduzir a frase de Sartre. Seria algo como “tem razão quem se revolta”.
Mas qual razão, quanta razão? Eu diria que é a razão do sintoma: sente-se a dor, procura-se a infecção, mas queixar-se não é diagnosticar a doença, menos ainda curá-la. O último dia 15 de março foi isso. A queixa é correta, o tecido social está sofrendo, mas diagnóstico e prognóstico ficaram pela metade.
A queixa: não se aguenta mais a corrupção. O caso da Petrobras mostra uma crise grave em uma de nossas maiores empresas. Pior, uma empresa que pertence a todos nós. Muito resta a explicar, da falta de controle à pura indecência. Como o PT foi entre tolerante e partícipe do processo, ele se torna a bola da vez.
A dor: como fizeram isso com nosso país? E o erro: fizeram, quem? Isso, o quê? Nosso, de nós, quem? Aqui está o problema.
Quem “fizeram” é só o PT ou, mais que ele, o PP ou, ainda mais, um sistema político que se acostumou a ser eficiente pela via da desonestidade? Porque há um subtexto em nossa sociedade que diz: resolva o problema, “não quero saber como”.
Não queremos saber como funcionam as coisas, desde que elas funcionem. Vejam o que chamamos de “segurança pública”. Ela depende muito da violência policial contra inocentes. Não queremos saber a que custo reina alguma paz em nossos bairros. O preço dessa paz é a violência contra três 'Ps': pobres, pretos e putas.
Ainda que insuficiente, a eficiência que o Estado consegue deve-se, em vários casos, ao “não quero nem saber”. Só que agora está emergindo o iceberg inteiro. Nós nos acostumamos ao “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”; fingíamos que não havia bolor, mas ele está aparecendo. Tanto no Metrô de São Paulo como na Petrobras.
O avanço da democracia desnuda esse preço, esse bolor. Há uma reação tola: não quero saber do preço. Um dos modos dessa reação é carimbar um culpado bem afastado de nós. O PT cumpre hoje esse papel de demônio, que já foi de Getúlio Vargas. Assim se afasta de nós esse 'cale-se'. Somos poupados.
As manifestações do dia 15 de março, legítimas na medida em que “tem razão quem se revolta” (mas alguma razão, não toda), caíram no engodo de construir um 'Outro' demoníaco, aquele que acabou com o que era doce. O passado fica como uma idade, senão de ouro, pelo menos de prata.
Um teste simples: se alguém contesta os males atuais em nome de um passado que teria sido melhor, essa pessoa está pelo menos mal informada. Nossa História tem podres que mal começamos a enxergar.
O presente pode parecer horrível, mas só porque expôs a chaga purulenta. O bom que era doce se assentava em mentiras. Aumentaram as mentiras? Ou, na sociedade da informação, é mais fácil descobri-las do que antes? O mensalão do DEM teria sido exposto, não fosse uma microcâmera escondida? Delações premiadas funcionariam se os cúmplices mantivessem a lealdade dos mafiosos, que morrem, mas não falam?
Sem uma força-tarefa como a da Operação Lava Jato, teriam sido pegos? Quem deve teme. Por que tantos querem que a investigação foque só o PT? A apuração não deve ser ampla, geral e irrestrita?
Tratar o sintoma não é a solução. Meias medidas são meros paliativos. É preciso chegar às causas. Venceremos a corrupção quando ela parar de servir de pretexto político de um lado contra o outro e for mesmo repudiada pela maior parte da população. Não é o caso – ainda.
PS. Se não bastassem as qualificações acadêmicas de Janine, ele tem uma enorme virtude. A ignorância o odeia, como você pode ver pelo número de posts(AQUI) em que Reinaldo Azevedo o atacava, mesmo fora do Governo.
O Exército fantoche 
da PM de São Paulo
João  Quartim de Moraes        Fundação Maurício grabois
Quando a água ferve muito, vira vapor; quando esfria muito vira gelo. Chamar 100° a primeira transformação, 0° a segunda, é convenção, mas ebulição e congelamento são fenômenos naturais que expressam a dialética da transformação da quantidade em qualidade. Quando uma aglomeração humana se torna multidão, vira força social. Quanto maior a multidão, maior a influência que pode exercer na cena politica. Por isso os grandes trustes audiovisuais, que são safados, mas não são bobos, empenharam-se em subestimar descaradamente o número dos trabalhadores que participaram da manifestação democrática do dia 13 e em superestimar, com ainda maior descaramento, o tamanho da multidão reacionária que foi às ruas no dia 15.
Seria um grave equívoco descartar como secundária a importância de uma avaliação objetiva desses números. Vale neste, como em tantos outros confrontos, o antigo preceito de Sun Tzu, grande mestre da arte da guerra:
“Conhece teu inimigo, conhece a ti mesmo, travarás sem temor cem batalhas”
Conhecer os inimigos começa por saber quantos são, continua por avaliar quantos mais eles são capazes de mobilizar. Em São Paulo, a superestimação dessa capacidade foi grotesca. Durante a tarde do dia 15, os canais de TV do cartel mediático, eufóricos com o grande afluxo de manifestantes à avenida Paulista, começaram a inflar os números para melhor celebrar a apoteose dos coxinhas. Em menos de uma hora, as “estimativas” saltaram de dez para cem mil, depois duzentos e logo em seguida, num salto não dialético, a um milhão e duzentos.
A fonte dessas desinformações era a Polícia Militar, a qual
“a respeito da grande manifestação popular realizada neste domingo (15/03), na região da Avenida Paulista, ratifica suas estimativas de público em aproximadamente 1 milhão de pessoas, de acordo com a aplicação de sua ferramenta tecnológica “COPOM ON-LINE”, que utiliza recursos de mapas e georreferenciamento, baseadas nas imagens aéreas colhidas por um dos helicópteros Águias, determinando a extensão principal da manifestação, bem como, a ocupação das ruas adjacentes adotando como parâmetro de cálculo, naquele momento, de 5 pessoas por metro quadrado”.
A PM, mais conhecida pela “aplicação” de outros tipos de “ferramentas tecnológicas”, manipulou grosseiramente os dois fatores da multiplicação.  Observadas do alto de um de seus helicópteros, que se chamam Águias, mas são pilotados por tucanos, as “ruas adjacentes” ampliaram-se desmesuradamente; quanto ao parâmetro de “5 pessoas por metro quadrado”, tracem um quadrado de 1 metro e juntem dentro cinco humanos de estatura e envergadura média, depois comparem com as inúmeras imagens da multidão facho-coxinha e verão o tamanho da mentira da PM.
Embriagados com o espetáculo da multidão furibunda babando ódio contra a esquerda, insultando a presidente, vociferando contra tudo que lhes parecia vermelho, de Cuba e Venezuela até a Rússia (a ignorância da reação é um poço sem fundo), os psitacídeos mediáticos foram repetindo enfaticamente os números inventados pela polícia de Alckmin. Achando, porém que a histeria estava indo longe demais e acabaria desacreditando qualquer avaliação séria, o Datafolha calculou, mais razoavelmente, em 210 mil os manifestantes em sua máxima concentração. Embora o número seja muito menor do que o dos participantes das paradas do “Orgulho Gay” (estas sim, ultrapassando a casa do milhão), ele é grande o bastante para reforçar a campanha golpista.
Além de falta de seriedade ao fabricar um exército fantasma de cerca de 800.000 figurantes quiméricos, a PM mostrou, com seu excesso de zelo no apoio ao “fora Dilma”, a hipocrisia da tucanagem e de outras formações da direita, que se queixam incansavelmente do “aparelhamento” da máquina do Estado pelo PT, mas instrumentalizam sem pudor os aparelhos do Estado sob seu controle.
Longe porém, de estar sozinha na promoção da ofensiva reacionária de 15 de março, a PM contava com muitos parceiros dispostos a pôr a mão na massa. Como foi bem assinalado nas Notas Vermelhas do Portal Vermelho (a cor proibida nos atos golpistas), a Federação Paulista de Futebol, cujos cartolas não parecem credenciados para estar à frente de um combate contra a corrupção, antecipou para as 11:00 um jogo do Palmeiras que estava marcado para as 16:00, afim de permitir que a torcida fosse torcer pelo golpe. O metrô foi liberado para transportar grátis os coxinhas menos endinheirados e o cartel da notícia, em ordem unida, assegurou em todos os pormenores a propaganda e a divulgação da grande revanche dos derrotados nas urnas de 2014. Por isso mesmo, defender o mandato da presidente Dilma (o que não implica necessariamente concordar com as medidas que seu governo tomou ou venha a tomar) é defender o princípio da soberania popular expresso no sufrágio universal.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Márcio Fortes,  o da lista do HSBC,  era
tesoureiro nacional do PSDB e simples membro da Executiva tucana

Fernando Brito                                                  

fortes
Faltou um “pequeno detalhe” nas matérias de O Globo(AQUI) e de Fernando Rodrigues, do UOL(AQUI), sobre Márcio Fortes, o político tucano com depósitos no HSBC de Genebra, cujas contas secretas vazaram e estão sendo conhecidas a conta-gotas..
É que ele é descrito, genericamente, como “membro da Executiva do PSDB”.
Faltou dizer que era, especificamente, o tesoureiro nacional do partido, e não faz muito tempo.
Você pode conferir aí em cima na página do próprio PSDB, em dezembro de 2008, aliás numa reunião presidida pelo 'Sérgio 10 milhões pela CPIGuerra'.
Se a conta fosse de João Vaccari, do PT, ele seria apresentado como tesoureiro ou “membro da Executiva”?
Manchete garantida no Brasil inteiro.
Marcio Fortes é tucano de quatro costados, foi presidente do BNDES e  – segundo a 'Agência-Podemos-Tirar-Se-Achar-Melhor-Reuters' - era atuante na coleta(AQUI) de recursos para a campanha de José Serra, em 2010:
“Outros tucanos, com bom trânsito junto à iniciativa privada, devem atuar na arredação, entre eles Márcio Fortes (candidato a vice na chapa de Fernando Gabeira ao governo do Rio) e Eduardo Jorge (vice-presidente executivo do PSDB)”.
Detalhes, pequenos detalhes, que podemos tirar, se achar melhor.