segunda-feira, 2 de março de 2015


Não, Noblat! Lula não é uma


ameaça à democracia, mas à 


ditadura da mídia                

Fernando Brito                    
    
noblatreinaldo
Comecei esta segunda(2) lendo a coluna de Ricardo Noblat, em O Globo, espantado em como o “estilo Veja” de jornalismo mediúnico – e grosseiro – passou a ser uma regra na imprensa brasileira.
Noblat conta histórias “em detalhes” sobre encontros privados de Dilma e um “presidente de uma entidade financeira estatal”:
“Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos?”
Ao ler, ocorreu-me: que tipo de “presidente de uma entidade financeira estatal”  ouviria um “cale a boca” sem, ato contínuo, pedir as contas e ir embora?
E será que alguém que ouvisse isso, murchasse as orelhas e seguisse no cargo ia contar a “proeza” de ter sido assim humilhado?
No máximo de boa vontade com Noblat, para o caso de ele ter conversado mesmo com um masoquista dessa laia, é de presumir que – tratando-se de pessoa de tão pouco caráter assim – possa simplesmente ser uma mentira.
Depois, descreve algo semelhante envolvendo o próprio Lula, desta vez com interlocutores identificados: José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken.
Consegue o distinto leitor e a cara leitora imaginar um dos três procurando Noblat para contar-lhe como foram “escovados” por Lula, já presidente da República?
Depois, diz que “Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado”.
Mesmo, Noblat? Lula lhe disse isso? Ou foi a Marta Suplicy? Ou os “espíritos”?
Se Lula, de fato, quisesse ser candidato, estava aí mesmo o “Volta, Lula” para embalá-lo e ninguém que conheça o PT pode sequer imaginar que Dilma teria forças para resistir a esta pretensão do ex-presidente.
Afora o “modo Chico Xavier” de apurar diálogos, Noblat incorre no caminho da grosseria, algo que os comentaristas políticos, até por necessidade de manter diálogo em todas as áreas, foge.
Falo dos comentaristas políticos, não dos propagandistas da direita feroz, no padrão Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo.
Mais grave ainda porque Noblat deveria guardar o exemplo de Carlos Castello Branco, que conheceu no  velho Jornal do Brasil, e que, por qualidade de texto e por ter modos, jamais escreveria frases de pretensão divina como as que ele escreve hoje.
“(Lula) procede assim por defeito de caráter”
“(Lula) agora (é) um milionário lobista de empreiteiras”
Em que Noblat se converteu? Em 'Sérgio Moro' de um tribunal de caráter?
Mas há algo que é verdadeiro no que ele escreve: o fato de Lula ser uma ameaça.
Não à democracia, como afirma, sem maiores explicações.
Mas a algo que a prepotência açula e o farisaísmo dissimula.
À ditadura da mídia, com sua voz monocórdia, a dizer quem e o que serve para o Brasil.
Falta só arranjar um chapéu para o Noblat...

O sistema financeiro frauda e trava a economia do país         

Não é mais possível fingir não enxergarmos o papel dos atravessadores que travam a economia. Não há PIB que possa avançar com tantos recursos desviados...

Ladislau Dowbor               
Arquivo
A conta é simples. 


O crédito no país representa cerca de 60% do PIB. Sobre este estoque incidem juros, apropriados por intermediários financeiros. Analisar esta massa de recursos, na sua origem e destino, é por tanto fundamental. 

É bom lembrar que o banco é uma atividade “meio”, a sua produtividade depende de quanto repassa para o ciclo econômico real, não de quanto dele retira sob forma de lucro e aplicações financeiras. Aqui simplesmente foram juntadas as peças, conhecidas, pare evidenciar a engrenagem, pois em geral não se cruza o crediário comercial com as atividades bancárias formais e os ganhos sobre a dívida pública, e muito menos ainda com os fluxos de evasão para fora do país. 

O principal entrave ao desenvolvimento do país aparece com força. 

O reajuste financeiro é vital, não o reajuste fiscal proposto, compreensível este último mais por razões de equilíbrios políticos do que por razões econômicas.
(Aqui vai o esqueleto do artigo de 14 páginas sobre o sistema, veja o artigo completo aqui.

Pense que o crediário cobra por exemplo 104% para “artigos do lar” comprados a prazo. Acrescente os 238% do rotativo no cartão, os mais de 160% no cheque especial, e você tem neste caso mais da metade da capacidade de compra dos novos consumidores drenada para intermediários financeiros, esterilizando grande parte da dinamização da economia pelo lado da demanda. O juro bancário para pessoa física, em que pese o crédito consignado, que na faixa de 25 a 30% ainda é escorchante, mas utilizado em menos de um terço dos créditos, é da ordem de 103% segundo a Anefac. 

A população se endivida muito para comprar pouco no volume final. A prestação que cabe no bolso pesa no bolso durante muito tempo. O efeito demanda é travado. 

Os bancos e outros intermediários financeiros demoraram pouco para aprender a drenar o aumento da capacidade de compra do andar de baixo da economia, esterilizando em grande parte o processo redistributivo e a dinâmica de crescimento.

Efeito semelhante é encontrado no lado do investimento, da expansão da máquina produtiva, pois se no ciclo de reprodução o grosso do lucro vai para intermediários financeiros, a capacidade do produtor expandir a produção é pequena, acumulando-se os efeitos do travamentos da demanda e da fragilização da capacidade de reinvestimento.  


Quanto ao financiamento bancário, os juros para pessoa jurídica são proibitivos, da ordem de 40 a 50%, e criar uma empresa nestas condições não é viável. Existem linhas de crédito oficiais, mas compensam em parte apenas a apropriação dos resultados pelos intermediários financeiros.
Terceiro item da engrenagem, a taxa Selic. Com um PIB de 5 trilhões, um por cento do PIB representa 50 bi. Se o superávit primário está fixado em 4% do PIB, por exemplo, são cerca 200 bi dos nossos impostos transferidos essencialmente para os grupos financeiros, a cada ano. Com isso se esteriliza parte muito significativa da capacidade do governo de financiar mais infraestruturas e políticas sociais. Além disso, a Selic elevada desestimula o investimento produtivo nas empresas pois é mais fácil – risco zero, liquidez total – ganhar com títulos da dívida pública. 

E para os bancos e outros intermediários, é mais simples ganhar com a dívida do que fomentar a economia buscando bons projetos produtivos, o que exige identificar clientes, analisar e seguir as linhas de crédito, ou seja, fazer a lição de casa. Os fortes lucros gerados na intermediação financeira terminam contaminando o conjunto dos agentes econômicos.
Assim entende-se que os lucros dos intermediários financeiros avancem de 10% quando o PIB permanece em torno de 1%, e o desemprego seja tão pequeno: o país trabalha, mas os resultados são drenados pelos crediários, pelos juros bancários para pessoa física, pelos juros para pessoa jurídica e pela alta taxa Selic. É a dimensão brasileira da financeirização mundial.



Fechando a ciranda, temos a evasão fiscal. Com a crise mundial surgem os dados dos paraísos fiscais, na faixa de 20 trilhões de dólares segundo o Economist, para um PIB mundial de 70 trilhões. O Brasil participa com um estoque da ordem de 520 bilhões de dólares, cerca de 25% do nosso PIB. Ou seja, estes recursos que deveriam ser reinvestidos no fomento da economia, não só são desviados para a especulação financeira, como sequer pagam os impostos no nível devido. 



Já saíram, por exemplo, os dados do Itaú e do Bradesco no Luxemburgo, bem como domispricing (fraude nas notas fiscais) que nos custa 100 bi/ano, enviados ilegalmente para o exterior, segundo pesquisa do Global Financial Integrity, além dos fluxos canalizados pelos HSBC e outros bancos. 
Junte-se a isto o fato dos nossos impostos serem centrados nos tributos indiretos, com os pobres pagando proporcionalmente mais tributos do que os ricos, e temos o tamanho do desajuste. De certa forma, temos aqui o espelho do que o Piketty analisa para os países desenvolvidos. O artigo completo abaixo constitui uma sistematização do mecanismo, apresentado de uma forma que qualquer não economista possa entender. E se trata do bolso de todos nós. As contas batem. Os dados são conhecidos, aqui se mostra como se articulam.
O texto(AQUI) anexo não é um “artigo” de opinião acadêmica, e sim um relatório sobre como a engrenagem foi montada. Uma ferramenta que espero seja útil para nos direcionarmos, pois precisamos de muito mais gente que se dê conta de como funciona o nosso principal entrave. 

Não há PIB que possa avançar com tantos recursos desviados.  

O problema não é só de um “ajuste fiscal”, e sim de um ajuste fiscal-financeiro mais amplo. 

Tanto o consumidor, como o empresário-produtor e o Estado na sua qualidade de provedor de infraestruturas e de políticas sociais têm tudo a ganhar com isto. Um empresário com quem discuti este texto me disse que estava gastando mais com juros do que com a folha de pagamento. Aqui temos até interesses comuns entre empresários efetivamente produtivos, situados na economia real, e os trabalhadores que querem se tornar mais produtivos e ganhar melhor. 

Não é mais possível não vermos o papel dos atravessadores que travam a economia. 

Protesto  pró-'impeachment'  de Dilma   reúne 'multidão' 70 pessoas em São Paulo(incluídos os 'fantasmas'  nas cadeiras brancas da foto)    

                                                 Portal Metrópole
Imagens do MASP duas horas antes do protesto, não havia grande movimentação no museu paulista Foto: Facebook  Fora Dilma / Reprodução

A 'militância'(???) dos 'coxinhas' defende o 'impeachment' da presidente reeleita, como uma ação que seria uma forma de tirar do poder “um monstro chamado Partido dos Trabalhadores”

O protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff não chegou a 100 manifestantes em São Paulo.

De acordo com dados da Polícia Militar, apenas 70 pessoas participaram do ato no vão livre do MASP, região da Avenida Paulista. 

A chuva que cai na Zona Sul de SP na tarde do último sábado (28 de fevereiro), pode ter espantado os manifestantes da página “Fora Dilma”, que possui 46 mil seguidores no Facebook, legavam os organizadores, diante das centenas de cadeiras vazias.

O grupo defende o impeachment da presidente reeleita, como uma ação que seria uma forma de tirar do poder “um monstro chamado Partido dos Trabalhadores” e garantir que outros supostos escândalos envolvendo Dilma e o partido venham à tona.

No entanto, a PM paulista aponta que outro movimento conseguiu levar mais participantes às ruas de São Paulo. O movimento “Aula Unificada Pública da Rede Emancipa” conseguiu atrair juma 'multidão' de 250 pessoas para o MASP. Esse segmento pretende congregar estudantes de cursinhos pré-vestibulares, oriundos de movimentos sociais.

As duas atividades estavam marcadas para o mesmo horário, 14h.

Na página do Fora Dilma, apenas uma alusão duas horas antes do protesto é mostrada (foto acima). Além de uma postagem a favor dos movimentos dos caminhoneiros, que reclamam contra o aumento de combustíveis.



Lava Jato: começa
a quebradeira            

Carlos Drummond              


"Fomos surpreendidos. Pensávamos viver um ciclo de desenvolvimento, mas a interrupção abrupta do crescimento recente da economia foi um tiro num pássaro em pleno voo”, compara Magno Lavigne, presidente da central sindical União Geral dos Trabalhadores na Bahia, ao comentar as demissões em massa no estaleiro Enseada, um investimento de 2,6 bilhões de reais, o maior do estado, no município de São Roque do Paraguaçu. Dos 7,2 mil trabalhadores, 5,7 mil foram dispensados e 600 entraram em férias compulsórias em consequência do atraso de dois meses nos pagamentos da Sete Brasil às construtoras Odebrecht e Queiroz Galvão.

A normalização ficou mais distante com a alusão feita a um suposto pagamento de propina pela companhia, no depoimento de delação premiada de Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de engenharia da Petrobras e ex-diretor da Sete Brasil, na quinta-feira 5. A denúncia de Barusco sobre um esquema de contratação de obras mediante propina, montado em 1998 (a Sete Brasil foi criada em 2011), fez o BNDES adiar a decisão sobre o financiamento para a próxima gestão do banco. “Não há dinheiro. As subcontratadas pediram aos sindicatos o parcelamento dos pagamentos exigidos nas homologações das dispensas. Isso não acontecia desde a crise de 1998. O sindicato teve de ajudar alguns companheiros ainda empregados no estaleiro. Eles estão sem receber e não tinham os 3,50 reais da passagem do ferry boat para voltar às suas casas em Salvador”, diz o dirigente.

Os problemas extrapolam o estaleiro e a crise da Petrobras. O diretor da Federação Metalúrgica da Bahia, Aurino Pedreira, dirigente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, registrou 300 demissões em empresas de manutenção e montagem por problemas de renovação de aditivos de contratos com fornecedoras da Petrobras denunciadas na Lava Jato. Pedreira anotou ainda 140 demissões com o fechamento da aciaria do Grupo Gerdau em novembro, 200 dispensas na Bosch no ano passado e 70 em outras metalúrgicas do estado. O caso baiano é uma amostra dos problemas da cadeia de petróleo e gás, acentuados pela estagnação da economia no Brasil e no mundo, por uma crise de suprimento de água e energia no País, o pacote fiscal recessivo e a elevação dos juros reais, enquanto nas principais economias do mundo as taxas continuam negativas para estimular a recuperação.

A redução da atividade econômica desde 2013 diminuiu a arrecadação dos estados e os novos governadores anunciaram cortes de 13 bilhões de reais neste ano, dispensas de funcionários incluídas. A desaceleração tende a se agravar com o novo aperto no crédito do BNDES, a redução dos estímulos à exportação e a revisão da desoneração da folha de pagamento planejados pelo governo. As projeções de crescimento do PIB passaram de um crescimento pífio para zero ou negativo.

O ambiente complicado na economia tem sido agravado pelos desdobramentos das investigações da Lava Jato. Ao atingir as maiores empreiteiras do País, a operação provocou um efeito dominó de paralisia das grandes obras Brasil afora. A mais recente vítima foi a construção do Rodoanel, em São Paulo. As empreiteiras se preparam para diminuir de tamanho, talvez recuar para as dimensões de dez ou 15 anos atrás, e já colocaram vários ativos à venda. Os financiamentos minguaram, pois nenhum banco quer se comprometer com empresas sob investigação.

Em janeiro, a Sete Brasil pediu autorização do governo para arrendar sondas e plataformas no mercado internacional e substituir as empreiteiras envolvidas na Lava Jato. “Punir responsáveis com culpa provada está certo, mas há empresas brasileiras de notável capacidade técnica demitindo. Isso terá uma repercussão social enorme”, avalia o presidente do Clube de Engenharia do Brasil, Francis Bogossian.

“Se há uma falha de origem nesse processo é fazer licitação especialmente com recursos públicos, na administração direta ou indireta, sem definição do que está sendo comprado. No caso da Petrobras, uma lei própria, do tempo de FHC, dispensa diversos passos e ritos da Lei nº 8.666, para permitir uma maior rapidez na contratação e execução das obras. Mas na hora em que você afrouxa, abre as porteiras, pode acontecer tudo. Defendemos a nova lei em discussão no Congresso, com subordinação das obras de licitação feitas com dinheiro público à apresentação de projeto completo”, diz o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia, José Roberto Bernasconi.

“Boa parte da engenharia hoje é comprada fora. Um exemplo é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, que adquiriu engenharia na Índia. Outro é o da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Conta-se nos dedos as empresas de engenharia brasileiras incluídas nos grandes projetos”, aponta José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

No estratégico setor de bens de capital, a situação é grave, relata o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq, Carlos Pastoriza. “Há 400 fornecedoras habituais do setor de óleo e gás, com mais de 200 milhões de reais a receber. A Lava Jato atende a uma necessidade de limpar a casa, mas desqualificar as empresas brasileiras e contratar lá fora é a pá de cal na indústria nacional. Isso dará adiante numa crise do setor externo.”

Os aplausos justificáveis às investigações deixam em segundo plano aspectos importantes da lei anticorrupção, que imputa responsabilidade à pessoa jurídica e aos seus dirigentes por ato contra a administração pública. “Toda vez que houver a pessoa jurídica e seus dirigentes envolvidos em atos de corrupção, há sua responsabilização objetiva, portanto independentemente da culpa, no sentido estrito ou de dolo. Outro problema tem a ver com a palavra dirigente, inexistente no vocabulário do Direito Societário. Neste, todo o arcabouço técnico de imputação de responsabilidade refere-se a administradores ou acionistas e é preciso sempre investigar o nexo de causa entre a conduta e a consequência. Isso aqui revoga a lei de S.A., de certa forma. Quem é dirigente? Não sei, porque esse termo não existe no Direito Societário, então é qualquer pessoa que estiver ali”, diz Walfrido Jorge Warde Júnior, sócio da Lehmann, Warde & Monteiro de Castro Advogados. “O Brasil precisa de uma lei anticorrupção. Mas não uma lei imprecisa e frouxa, que atira para todos os lados, causa insegurança e no fim do dia é aplicada do jeito que a mediocridade predominante a compreende. Não se sabe o que vai acontecer.”

Para a indústria, a recessão começou faz tempo. Em 2014, a atividade do setor recuou 3,2%. Em São Paulo, maior parque industrial, a queda atingiu 6,2%, próximo da redução histórica de 7,4% em 2009, no auge da crise global.

A diminuição do número de postos de trabalho em todos os setores econômicos em dezembro chegou a 1,34%, equivalente à eliminação de 555,5 mil empregos, em um retrocesso inferior apenas àquele de 1,87% ocorrido em dezembro de 2008, correspondente ao corte de 655 mil vagas, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

A preocupante situação do emprego mostra que está em jogo, além do futuro da economia, o principal capital político dos governos do PT desde 2002, uma sustentação popular em um grau só atingido há mais de 60 anos, no governo de Getúlio Vargas.

Se   não  aparecer   no  ‘listão’  de  políticos  da

‘Lava Jato’, Eduardo Cunha  perde reputação de

‘operador-geral’(de mutretas) da República       

(Luis Nassif
              imagem de vera lucia venturiniLuis Nassif Online  

Se o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não estiver na Lava Jato, arrisca-se a se desmoralizar perante os seus.
Ao longo das últimas três décadas, Cunha tornou-se o maior operador da República. Operou para PC Farias. Depois, operou o fundo de pensão da CEDAE, a companhia estadual de águas do Rio de Janeiro. No governo Garotinho, operou a CEHAB, a companhia habitacional. Quando Francisco Dornelles foi Ministro da Previdência, levou Cunha junto com ele para operar. Operou venda fictícia de casa com o traficante Abadia. No Congresso, operou para as empresas de mineração e também para operadores portuários. Fora do governo, operou a indústria de ICMS da refinaria Manguinhos, no golpe das liminares contra a cobrança antecipada dos impostos.
Como supor que esteja fora do maior esquema de financiamento da moderna história política do país, tendo por epicentro o Rio de Janeiro e por principal ator político o PMDB fluminense?
Se Cunha não estiver na 'Lava Jato', sua reputação de 'operador' será gravemente afetada.

domingo, 1 de março de 2015

Bresser Pereira, ex-ministro

de FHC:   “Nunca  tinha visto

esse ódio  coletivo  dos  ricos

contra um partido”


Postado em 1º de março de 2015, às 8:50 am              override-if-required
Do economista e ex-ministro(do governo FHC) Luiz Carlos Bresser-Pereira, que está lançando “A Construção Política do Brasil”, em entrevista à Folha/SP:
(…)
"Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio.
Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas..."
(…)