sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Qual o custo social da 

austeridade para cada

ganho financeiro?

Quantas empresas terão de fechar as portas com a austeridade de agora no País? Quantas relações industriais e comerciais serão desfeitas?

José Carlos Peliano (*)                
Arquivo
Por mais que o secretário - geral da Presidência da República afirme que os direitos sociais são intocáveis, eles já estão tocados e acabarão sendo tocados mais a fundo pela guinada na política econômica do governo federal.


Houve, sim, mudança de propósitos a despeito das “correções de rumo” levadas a termo nas áreas fiscal e tributária. De boas intenções o inferno está cheio e quem acaba pagando o pato são os mais pobres, os menos protegidos pelo sistema.

Não há compatibilidade técnica ou política do ajuste com a política social. Não há o jeitinho brasileiro no desenho e aplicação de correções entre a estratégia da austeridade e a estratégia social (qual?) do governo federal. A de Mantega foi descorada pela de Levy.

Se a manteiga azeitava pontualmente a economia nos últimos anos na busca de um ajuste entre os interesses industriais e os dos rentistas, na atual administração federal a economia “levyta” acima dos ajustes anteriores em direção a um corte de gastos públicos e aumentos de tributos, incluindo as chamadas correções de rumo.

Vamos procurar entender o que aconteceu. A austeridade seguida por mais um “Chicago boy” vai segurar com certeza as asas curtas da economia brasileira que voava sim, mas não conseguia voar mais alto nos últimos anos. Receita conhecida dos manuais de economia e das experiências nefastas mundo afora.

O resultado de corte de gastos, aumento de tributos, completando com câmbio sem administração, ao sabor dos ventos, reduz a produção nacional, trava novos investimentos. O PIB recua e com ele a atividade econômica. Resultado: desemprego e expansão dos bolsões de pobreza.

Como o governo federal quer combater o desemprego? Com o seguro-desemprego, daí afirmar que os direitos sociais são intocáveis. Só que os efeitos do remédio austero pode fugir do controle e o aumento do número de desempregados ser muito maior e ameaçar os recursos disponíveis do seguro.

Pior, as próprias medidas econômicas de ajuste fiscal e tributário podem afetar a arrecadação do PIS/Pasep, de onde saem os recursos para comporem o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Uma vez que esses recursos advém de contribuições das empresas sobre seus faturamentos. Ou seja, sobre suas vendas a um mercado encolhido.

Se a economia resolver melhorar no curto-prazo, como?, o governo federal sai chamuscado dessa, mas ileso, quando as empresas vierem a recuperar as vendas e os faturamentos. Caso contrário, o aumento do desemprego pode pesar no bolso e na barriga dos trabalhadores, aportar nos levantamentos do IBGE e chegar aos ministérios ameaçando a permanência dos responsáveis. Ou não, como diria o “filósofo” baiano Caetano, o Veloso.

Ou não. Porque em economia a política conta muito mais do que imagina a vã filosofia. De fato, se houver um consenso tático e estratégico entre os grupos industriais poderosos, os grupos rentistas, incluindo o sistema bancário e financeiro, e o governo, é possível que uma retomada, mesmo que frágil e tímida, venha a ocorrer. 

E se a oposição e a mídia resolverem não sabotar o tanto que vêm fazendo. Quando perceberem que o remédio pode matar o doente e ameaça-las de uma forma ou de outra/

O que conta no frigir dos ovos das contas econômicas é o balanço entre as taxas de retorno dos investimentos e os ganhos obtidos no mercado financeiro. A conta de chegar mais importante nos cálculos do vai-e-vem do dinheiro. 

Caso a crise internacional continue, os mercados externo e interno não reagirem positivamente, os industriais deverão continuar aplicando seus lucros em papeis pré e pós fixados em detrimento da expansão de projetos antigos de investimento ou do lançamento de novos.

Mas uma concertação entre todos esses atores pode amenizar a compulsão ao rentismo em benefício da retomada industrial, desde que o governo ceda em benefícios, incentivos e coisas do gênero. Enquanto a indústria não se voltar ao fortalecimento e à consolidação do parque dos bens de capital, nada feito.

Nem mesmo a austeridade, que é a maneira mais dura e burra para o povo enfrentar um ajuste ortodoxo, mas é a mais fácil para destruir a economia desfazendo circuitos industriais e comerciais entre pequenas, médias e grandes empresas. A Zona do Euro está repleta de exemplos nos últimos anos.

Alternativas mais saudáveis existem e muitos já as apontaram para o Brasil vencer o remanso em que a economia se encontra. Lições de casa abundam em nossa história econômica. Insucessos no caminho da austeridade não faltam. Estiveram na fila dos austeros Simonsen, Roberto Campos, Armínio Fraga, entre outros. Períodos em que a economia brasileira catou cavaco.

Onde estão as trilhas promissoras dos BRICS, do Mercosul e de uma política industrial integrada, mas diferenciada? Uma diferença importante seria a concepção de ações de fomento e incentivo às pequenas e médias empresas industriais voltadas mais para o mercado interno.

A armação de um complexo industrial voltado preponderantemente para o fornecimento de bens de capital à parcela da indústria nacional de produtos e serviços de menor valor agregado é uma opção  duradoura. Enquanto as grandes batalham também por espaços no setor externo, as demais cuidam de garantir o emprego, a renda e a arrecadação no front interno.

E não seria necessário o retrocesso traído com a austeridade. Nem a invenção recente da austeridade seletiva, que é a ilusão que toma conta do governo federal. Não existe meia cirurgia para curar um doente, ou opera-se o que se deve operar ou fecha-se e nada se faz.

Aliás destruir é muito fácil, nisto a austeridade é campeã imbatível. Mais sensato, trabalhoso, mas socialmente justo, é construir ou reconstruir com sapiência, perspicácia, conhecimento e justiça. Sem acabar com expectativas, sem frustrar projetos ou derrubar sonhos. Quantas empresas terão de fechar as portas com a austeridade de agora no País? Quantas relações industriais e comerciais serão desfeitas? Quanto se vai perder de iniciativas promissoras? Quando se perderá em arrecadação? Quantos trabalhadores na rua ou em posições piores?

Enquanto isto quanto dos serviços da dívida pública estarão sendo carreados aos bolsos dos rentistas industriais, da banca, dos proprietários? Quanto as ações terão suas cotações elevadas nos pregões com o enxugamento da dívida pública concomitante ao desemprego gerado? Qual o custo social para cada ganho financeiro?



(*) Economista, colaborador da Carta Maior

A Globo não ataca o Governo. Ela ataca o Estado nacional      

O Jornal da Globo ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras, puro charlatanismo e economia de botequim...

J. Carlos de Assis (*)             
Montagem feita com fotografia da Agência Senado
O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo através dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passou a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.
 
O Jornal da Globo da última terça-feira(27), ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.
 
Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.
 
Evidentemente que os dois comentaristas da Globo torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso. É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, tem um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.
 
É claro que o preço baixo do petróleo tem um forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.
 
Os ataques dos dois comentaristas da Globo à Petrobras têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.
 
Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da Globo sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da Lava Jato, que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.


P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa,  e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável.
 
(*) J. Carlos de Assis é economista, doutor pela Coppe/UFRJ e professor de Economia Internacional da UEPB.

Sonho de garoto da direita brasileira: o modelo Globo de novelas visto da       Argentina                          

                             
Hugo Muleiro (*),original do
UNISINOS                                                             
  
flor do caribe
O canal Telefe encerrou, nos primeiros dias de 2015, a transmissão de “Flor do Caribe”, telenovela em que a Rede Globo, emissora dominante no Brasil e que costuma perturbar os governos do Partido dos Trabalhadores com operações diversas e sofisticadas, propõe um singular modelo de organização social, em que os brancos, militares e a fé são os únicos capazes de resolver conflitos complexos e dramáticos.

A Globo é uma das maiores produtoras de telenovelas do mundo. Suas transmissões chegam a 90 países e na nossa região possui alianças com a Telefe, Canal 13 do Chile e Azteca do México, entre muitos outros. Dezenas de milhões de brasileiros podem receber, em algum momento do dia, ainda que não procurem e nem desejem, um conteúdo multimídia, por meio de seu canal central, os regionais, rádios, jornais, revistas e a grande presença na internet.

Flor do Caribe transcorre na Vila dos Ventos, balneário paradisíaco sobre o Atlântico, próximo a Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, nordeste, que teve um protagonismo modesto na Segunda Guerra, quando os Estados Unidos montaram ali uma base aérea pela localização estratégica da cidade, o ponto mais próximo do continente africano. Com autoria de Walter Negrão e direção de Jaime Monjardim, a telenovela transcorre pelos caminhos conhecidos do sujeito mau que trai o amigo bom e quer ficar com sua mulher, em um ir e vir incessante de traições e ciladas.

Porém, o produto é mais complexo já que, de acordo com a sua tendência, a Globo se preocupa em apimentar os assuntos amorosos e o desfile de corpos bronzeados nas praias e águas azuis com toques de realismo político: o avô do mau, por exemplo, é um criminoso de guerra holandês ativo no Holocausto e que, com identidade falsa, construiu um império econômico no Brasil. O politicamente correto é que termina na prisão, julgado na Alemanha.

O modelo que a Globo propõe para a história de óbvio final feliz é uma espécie de “sonho de garoto” da direita brasileira. Em Vila dos Ventos só se conquista a justiça com a ação dos “tenentes”, oficiais da base da força aérea na região.

Lateralmente, a polícia faz alguma intervenção, mas não se veem autoridades civis em nenhuma ocasião, jamais aparecem, porque a organização social que a Globo propõe não os quer.

“Os tenentes” capturam o criminoso nazista, impedem assassinatos, dão uma mão ao bom – ex-aviador militar – todas as vezes que tem um problema, e até ajudam a pintar sua casa.

O comandante, além disso, tem tempo para construir com um jovem do povo uma reprodução de um “disco voador”, que acredita ter visto na infância. Sendo que os militares são assim bons e nos garantem o que precisamos, para que iríamos querer política, eleições e funcionários públicos?

A complexidade da mensagem está dada, por sua vez, por um olhar bem humorado, liberal no bom sentido, diante de vicissitudes incontroláveis como a gravidez que chega antes do casamento ou do jovem garoto musculoso que se apaixona por uma mulher madura. Enfim, gente moderna, mas não mais do que isso, porque deslizam por sua vez em cenas de conservadorismo recalcitrante sobre a mulher.

Por exemplo, o casal principal vai procurar uma casa para viver e, no momento de discutir preço e condições, ela se retira e ele fica sozinho com o vendedor. Na cena seguinte, aparece anunciando a compra, enquanto ela toma um chá e cuida das crianças. Quando dois irmãos, dois amigos, precisam discutir um assunto importante, a mulher da casa se retira prontamente, para lhes preparar um sanduíche ou um refresco.
Não se discute a riqueza e a pobreza na Vila dos Ventos: os vulneráveis recebem a ajuda de uma ONG formada pelos ricos e com isso já estamos bem. Em momentos dramáticos, quando uma tragédia está para se abater sobre os protagonistas, não falta um personagem que encomenda para que Deus resolva o assunto. E a ele se atribui toda a felicidade. Quando o casal principal se casa, durante a comemoração alguém exclama: “Graças ao Santíssimo”. Alguns segundos antes, eles saíram do templo e os primeiros a apresentar honras são os militares, baionetas ao alto.
E algo infalível em grande parte da televisão brasileira: ainda que 52,2% dos 3,1 milhões de habitantes do Rio Grande do Norte vêm da mistura de raças, os três personagens principais são brancos, de máxima brancura, assim como os advogados, a maioria dos tenentes, o delegado policial. Mestiços e negros podem se ver, sim, trabalhando nas minas ou na pesca.

(*) Hugo Muleiro é jornalista e escritor argentino.

Coisa da ‘Lava Jato’: banco  emite (errado?)  cheque  de  meio bilhão  para filha do delator da Petrobras 

Diz o ditado popular que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Mas nem sempre, como mostra a reação da filha de Paulo Roberto Costa ao receber um cheque do Bradesco com três zeros a mais...
Helena Stephanowitz                          
REPRODUZIDO DO 'TIJOLAÇO'
Cheque errado
O Bradesco atribuiu a um funcionário o preenchimento de um cheque administrativo no valor errado de R$ 500 milhões, emitido pelo banco em 30 de dezembro de 2014 para Arianna Azevedo Costa Bachmann, filha do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, flagrado em negócios com Alberto Youssef e que confessou ter recebido propinas milionárias de grandes empreiteiras. O cheque só foi devolvido após o Bradesco exigir a devolução na Justiça.
Arianna já foi denunciada pelo Ministério Público Federal pelo crime de sumiço e ocultação de provas do escritório do pai. Filhas e genros de Costa também são investigados pela participação em empresas e contas no exterior que teriam recebido dinheiro da propina, segundo o MPF. Ela consta como sócia com participação de 40% na empresa de consultoria Costa Global do pai, e teve bens bloqueados.
Segundo explica seu advogado, em 30 de dezembro de 2014, último dia de expediente bancário do ano, ela resgatou R$ 650 mil de um de um plano de previdência privada na agência Bradesco do Largo da Carioca, Rio de Janeiro. O advogado diz que esses recursos não estariam bloqueados pela Justiça.
Outro ex-diretor da Petrobras investigado na mesma operação, Nestor Cerveró, teve pedido de prisão motivado, entre outras coisas, devido a um resgate de quase meio milhão de reais do plano de previdência privada dele. Novamente o banco atribuiu o erro a um funcionário.
Voltando a Arianna. Para  sacar os valores, ela pediu dois cheques administrativos (cheque emitido pelo próprio banco), um de R$ 150 mil e outro de R$ 500 mil. O segundo foi emitido em um valor mil vezes maior, de R$ 500 milhões.
Porém, o erro passou pelo menos por dois outros funcionários que checaram e assinaram o cheque. Não é impossível, dada a pressão a que bancários são submetidos em seu trabalho, mas é raríssimo, senão inédito, que um cheque com erro tão grande saia da agência sem que desperte a atenção de pelo menos um dos três funcionários, dois deles graduados, com poderes para assinar cheques de valores elevados.
Por outro lado, também seria inédito se este cheque fosse descontado com sucesso, pois além de ser grande a chance de recusa no processo de compensação, um rombo de meio bilhão desequilibra qualquer balanço de um fundo de previdência privado. Arianna também diz não ter percebido o erro na hora, só notando no dia 3 de janeiro, sempre segundo seus advogados.
Em vez de ela devolver o cheque errado tão logo percebeu, e pedir outro no valor correto, seu advogado Raphael Montenegro disse ter pedido uma reunião com o Bradesco para tratar da devolução, enquanto o banco fazia uma auditoria no caso. Segundo ele, o medo de Arianna era de que o cheque fosse interpretado pelo Ministério Público como movimentação de recursos ocultados da Justiça, com anulação da delação premiada de Paulo Roberto Costa e perda de benefícios na redução da pena.
Porém, ela não explicou porque simplesmente não comunicou o ocorrido ao Ministério Público Federal tão logo percebeu, pedindo até que os procuradores da República acompanhassem a devolução do cheque na agência para não restar mal-entendidos, em vez de pedir reunião a portas fechadas com o Banco.
Na segunda-feira (26), houve a reunião. Ainda na segunda, o Bradesco acionou a Justiça para apreensão do cheque na casa de Arianna, alegando que a cliente se recusara a substituir o cheque. O banco pediu sigilo de justiça, mas não foi atendido neste ponto. O mandado de busca foi autorizado no dia seguinte (27), em caráter de urgência.
O cheque foi devolvido na quinta-feira (28), em juízo. Outro advogado de defesa, João Mestieri, afirmou que Arianna procurou o banco para devolver, mas a divergência foi não concordar em fazê-lo de maneira informal, exigindo que a troca fosse documentada. De novo, faltou explicar sobre o porque de pedir reunião com o banco em vez de recorrer ao Ministério Público para acompanhar oficialmente a troca.
É o segundo erro do Bradesco que aparece no contexto da operação Lava Jato. Outro investigado, o ex-diretor Cerveró, anunciou por meio de seu advogado, que processará o banco por ter informado errado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf, subordinado ao Ministério da Fazenda com encarregado de combater operações suspeitas) um saque de R$ 200 mil em espécie de uma usina de etanol em 2011, mas que nada tinha a ver com ele. O Bradesco reconheceu que trocou o nome do titular do saque. Apesar de Cerveró ter contra si outras evidências, esta foi uma das movimentações financeiras que lhe trouxeram complicações.
Pode ser tudo um erro burocrático do banco e de condução dos advogados, mas diz o ditado popular que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Pois se o erro é demais, também. Principalmente em se tratando de pessoas envolvidas em uma investigação como a da Operação Lava Jato, que mexe com grandes interesses, afetando até cotações nas Bolsas de Valores.

Alckmin admite que Sabesp 

não dá conta da crise e pede 

socorro à iniciativa privada

Jornal GGN - Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (30) não abre espaço para outra interpretação: o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reconheceu que a Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado) não dá conta da crise hídrica provocada pelo colapso dos sistemas Cantareira e Alto Tietê e recorreu à iniciativa privada.
"O governo Geraldo Alckmin decidiu convocar empresas especializadas em recursos hídricos para apresentar propostas de curtíssimo prazo para a maior crise de abastecimento já vivida pela Grande São Paulo. Em reunião esperada para a próxima semana, a administração paulista espera que a iniciativa privada ofereça serviços e tecnologia que aumentem já neste ano a capacidade da Sabesp para tratamento de água dos reservatórios, entre eles o da Billings", publicou o jornal dos Frias.
Uma outra passagem do texto chama atenção e desperta dúvidas sobre as prioridades da Sabesp nos últimos anos. Segundo cravou a Folha, "empresários têm ouvido o seguinte recado: não faltará dinheiro para projetos com soluções imediatas, como de tratamento de água e de ligações entre represas." Se não falta dinheiro para os projetos necessários à potencialização da Billings como alternativa aos outros dois grandes mananciais, o que faltou então?
Reportagem do GGN - de maio de 2014, quando Alckmin falou pela primeira vez sobre usar a Billings para abastecer uma franja maior de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo - mostrou que a represa artificial sempre foi deixada à margem pela gestão estadual, embora especialistas venham apontando seu potencial como produtora de água há anos (leia mais aqui).
Hoje, a Billings tem capacidade de produção de água limitada à estrutura atual, que já dá conta da parcela de água relativamente limpa na bacia. A outra parcela, corrompida por esgoto e outros detritos, precisa de investimentos para ser tratada. Se o governo do Estado tivesse construído mais estações de tratamento nos últimos anos, ou pensado em formas de transferir águas desse manancial para outras bacias, haveria necessidade de planos emergenciais? 
Especialistas ouvidos pelo GGN também questionaram a lógica financeira da Sabesp, que parece ter priorizado muito mais os investimentos na ampliação da rede de distribuição de água (afinal, vender água é o que rende lucros à companhia que vende ações na Bovespa e em Nova York) do que na despoluição de rios e tratamento de esgoto (mais aqui).
Enquanto isso, a população da Grande São Paulo se prepara para enfrentar o que um diretor da Sabesp classificou como "racionamento drástico", de cinco dias sem água por semana.
A edição desta sexta-feira da Folha também reportou a história do advogado Marco Antônio Silva, morador da Vila Medeiros (zona norte). Ele ganhou na Justiça o direito ao fornecimento ininterrupto de água em sua residência. Se a Sabesp descumprir a ordem, paga multa diária de R$ 200. Para entrar com a ação, o advogado argumentou que "não poderia sofrer cortes sem aviso enquanto a Sabesp não decretasse oficialmente um racionamento". 
Desde o início de 2014 a companhia estuda um modelo de racionamento de água para a grande São Paulo. Mas em ano eleitoral, outras soluções foram adotadas no lugar do corte sistemático de água. Claro, sob a justificativa de que racionamento seria um desafio às estruturas da Sabesp, além de ser possivelmente prejudicial à saúde dos consumidores (leia mais aqui). 
A mesma Folha de S. Paulo publicou esta semana que o racionamento deve sair do papel em dois meses. 


Nova   delação  da Petrobrás


coloca Rede Globo na parede


                                   Portal Metrópole
barusco

Depois de ter causado espanto ao declarar que devolveria uma fortuna de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 252 milhões), obtidos irregularmente, aos cofres públicos, o ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco admitiu que recebe propina há 18 anos, desde o início da era FHC, por meio de contratos da estatal. Esse é o motivo, segundo ele, para ter conseguido acumular tamanha fortuna.

Na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse sentir “vergonha” do que está acontecendo na Petrobras. “Tenho vergonha como brasileiro, tenho vergonha de dizer o que está acontecendo na Petrobrás”, afirmou.

Barusco admitiu, em delação premiada, que desviava verbas por meio de contratos na estatal do petróleo desde 1996, segundo ano do governo do ex-presidente tucano. Ele também confirmou ter recebido US$ 22 milhões em propina apenas da holandesa SBM Offshore, que trabalha com afretamento de navios-plataforma.

O ex-gerente da Petrobras negou, durante depoimento, que parte do dinheiro desviado por ele era destinado a algum partido ou políticos. “Esta era a parte da casa”, afirmou. Apontado como um dos supostos cúmplices do ex-diretor da estatal Renato Duque, preso na sexta-feira 14, ele conta também ter contratado empresas sem licitação, prática que foi permitida por meio de uma lei do governo FHC.

Também uma das emissoras que estão abafando o caso é a Rede Globo, afinal Paulo Roberto Costa, o delator, disse que vendeu ilhas para a Rede Globo,  da família marinho, que colaborou com a maioria dos esquemas dentro da estatal, segundo acrescentou. 

Barusco teve participação em todos os grandes projetos da Petrobras na última década, entre eles a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Em 2006, logo após a compra pela Petrobras de 50% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, ele tentou favorecer a Odebrecht, contratando a empresa para a ampliação da refinaria sem processo de licitação. A alegação: a companhia seria a única 'brasileira' com experiência para o trabalho, daí ter obtido o apoio dos diretores. A obra, no valor de US$ 2,5 bilhões, foi, porém, rejeitada pelos sócios belgas.

O volume de dinheiro a ser devolvido pelo engenheiro aos cofres públicos é o maior já obtido por um criminoso na história do País. O acordo de delação premiada foi firmado por ele antes de a 'Operação Lava Jato', da Polícia Federal, vir à tona. Barusco decidiu colaborar com a polícia tão logo foi avisado de que seria denunciado, livrando-se, dessa forma, da cadeia.

Fonte: Pocos10



Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2014/11/nova-delacao-da-petrobras-coloca-rede.html#ixzz3QIX4mQDk

BRICS vão discutir em março 

criação  de  agência própria 

para   classificação  de  risco 



"Um grupo de contato sobre assuntos econômicos e comerciais está trabalhando em nível de especialização. A proposta de estabelecer uma agência de rating dentro dos Brics já existe há muito tempo", disse o embaixador brasileiro, em entrevista à agência de notícias russa RIA nessa última quarta-feira (28).
Agência Efe

Putin, Modi, Rousseff, Jinping e Zuma: banco é "alternativa" à hegemonia financeira do ocidente

A sinalização para criar uma agência própria de classificação de risco constitui outro passo no sentido de buscar alternativas a organismos e entidades com interesses econômicos distintos dos países em desenvolvimento. Há alguns meses, na cúpula do bloco em Fortaleza, já havia sido formalizada a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, cujo objetivo é funcionar como uma alternativa ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao Banco Mundial.


O ponto central é se esses procedimentos incluirão todos os fatores relevantes. Podemos precisar procurar por indicadores alternativos e abordagens amplas para avaliar a 'saúde' das economias”, ressaltou o diplomata.
Desde o surgimento da crise financeira norte-americana em 2008, os Brics reivindicam uma maior transparência das agências classificadoras de risco, criticadas por ter supostamente manipulado dados para esconder o estado real dos investimentos frágeis originados nas potências ocidentais.