quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A turma da Millenium está colérica


Altamiro Borges
Altamiro Borges

arnaldo-jabor (1)Os frequentadores do Instituto Millenium, o bordel dos barões da mídia, estão coléricos. Eles não aceitam o resultado das eleições de domingo, não toleram a democracia e desprezam o voto popular. Rodrigo Constantino, já apelidado de “moleque maluquinho”, postou em seu blog hospedado na criminosa "Veja" que houve fraude nas urnas eletrônicas e que Dilma Rousseff “ainda corre risco de impeachment”. Outro mais velhaco, o patético Arnaldo Jabor, escreveu em sua coluna no golpista "O Globo" que “a burrice tem avançado muito” no Brasil. Talvez ele tenha se olhado no espelho! Já William Waack, Merval Pereira e outros “globais” nem escondem a sua decepção com o resultado!

Para a turma do Instituto Millenium, que prega diuturnamente contra a democracia e recebe fortunas dos impérios midiáticos e das corporações empresariais, a reeleição de Dilma é um catástrofe. “É o triunfo das toupeiras”, afirma Jabor. Para ele, a votação da petista evidenciaria que “a sociedade está faminta de algum tipo de autoritarismo”. Num tom meio doentio, o colunista da Rede Globo decreta que o “nosso futuro será pautado pelos burros espertos, manipulando os pobres ignorantes. Nosso futuro está sendo determinado pelos burros da elite intelectual numa fervorosa aliança com os analfabetos”. Mantida esta toada, em breve este senhor poderá ser internado em alguma clínica!

Já o “jovem” Rodrigo Constantino, com suas velhas ideias golpistas e elitistas, nem demanda maiores preocupações. É, mesmo, um “moleque maluquinho”. Formado na escola de Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, ele adora adjetivos e holofotes da mídia. Não tem consistência. Para ele, o problema do país é “o câncer populista e demagogo chamado PT”. É com esta visão tacanha que ele afirma que o Brasil está dividido “entre brasileiros mais produtivos e aqueles que vivem das benesses estatais, ou seja, os pagadores e consumidores de impostos”. Nem os donos do Instituto Millenium levam o rapaz muito a sério. Ele é tratado mais como um jovem serviçal!

Suposta Denúncia de Youssef


foi plantada no depoimento


através de 'retificação'

 Fernando Brito                       
golpe
Carta(AQUI) Capital percebeu e publicou em seu site as informações de uma pequena matéria de O(aqui) Globo.
Seu conteúdo é estarrecedor e seu tamanho é escandalosamente minúsculo.
Diz que “investigadores da Operação Lava-Jato suspeitam que Youssef foi estimulado a fazer declarações sobre Dilma e Lula, numa manobra que teria, como objetivo, influenciar o resultado das eleições presidenciais”.
Youssef prestou depoimento terça-feira aos policiais. A partir daí, narra a matéria, passou-se o seguinte.
No dia seguinte, um de seus advogados pediu para fazer uma retificação no depoimento anterior. No interrogatório, perguntou quem mais, além das pessoas já citadas pelo doleiro, sabia das fraude na Petrobras. Youssef disse, então, acreditar que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a “retificação” do depoimento.
Na quinta, como se sabe, a Veja publicou as fotos de Lula e Dilma e a manchete:
Eles sabiam de tudo”.
Só isso, independente de se provar que o advogado e o bandido receberam vantagens econômicas para produzir tamanha monstruosidade, já é o suficiente para abrir uma investigação criminal sobre a formação de uma quadrilha de estelionatários políticos, composta por representantes da revista e pelos que porventura tenham participado de sua armação para “plantar”  esta suposição que viraria afirmação na capa-panfleto fartamente distribuída pela campanha tucana.
Alberto Youssef, ao que tudo indica, não é o único bandido nesta história que, agora fica evidente, foi, na linguagem dos advogados, “adrede preparada”.
O juiz Sérgio Moro, que defende a ideia de que o conteúdo dos depoimentos deve ser divulgado, certamente não vai se opor à exibição desta “retificação” nele consignada.
Será que vamos ter um novo caso “Cachoeira”, onde o aquadrilhamento da Veja com criminosos será preservado?
Não é possível que o “sigilo” de Justiça seja invocado para encobrir uma mutreta criminosa destas.
O   preconceito  contr a liberdade do Bolsa Família

                                      Luis Nassif Online  imagem de Hpires

 
Jornal GGN - Já em maio de 2013, Walquiria Domingues e Alessandro Pinzani, professores de Filosofia da Unicamp e da UFSC, respectivamente, e autores do livro "Vozes do Bolsa Família: autonomia, dinheiro e cidadania", adiantaram-se: "seguem circulando na sociedade e na própria academia muitas visões negativas sobre ele [o programa] e até uma série de estereótipos e preconceitos que variavam da visão de que se trataria de nefasto assistencialismo, de esmola eleitoreira", em artigo(AQUI)ao  GGN.
 
E completaram: "ou até mesmo de um desserviço cívico, pois estimularia a presumida atávica preguiça dos pobres que, tradicionalmente, são considerados como uma espécie de subumanidade, como crianças grandes, que não possuem aquela razão prudencial que é função humana decisiva na vida em sociedade. De maneira nenhuma o Estado deveria lhes garantir uma renda monetária, pois não saberiam usá-la racionalmente. Podem ser objetos de política públicas, mas são considerados incapazes de ser sujeitos políticos em sentido próprio".
 
E é com essa visão distorcida, bastante repercutida com a vitória de Dilma Rousseff sobretudo nos estados com populações mais cadastradas no programa, que se questionam a dependência das famílias a essa renda mensal. 
 
Ao longo de cinco anos, os autores do livro foram a fundo nos efeitos de autonomia dos cadastrados, seja em seus mais diferentes níveis - moral, econômico, político.
 
"O sociólogo alemão Georg Simmel, autor de uma Filosofia do dinheiro (1900), mostrou que o dinheiro possui dimensões liberatórias, porque introduz, mesmo em níveis mínimos, a capacidade de escolha e de desejos das pessoas. É dotado de fortes funções simbólicas, pois torna seus portadores “pessoas mais determinadas”, mais respeitáveis e respeitadas em um mundo dominado pelas relações mercantis; torna-as mais capazes de decidir sobre suas vidas, e, por isto, mais iguais as outras. Finalmente, libera os indivíduos dos vínculos pessoais de dependência econômica (da família ou de outras pessoas)", explicaram.
 
O resultado desse longo período de pesquisa foi que a constatação de que, principalmente as mulheres, demonstraram que "a forma monetária do benefício lhes abriu fendas de liberdade pessoal que não conheciam antes. A miséria em que viviam lhes tolhia qualquer possibilidade de fruir alguma centelha daquela prerrogativa fundamental que é a liberdade mínima de projetar a própria vida". "A miséria é uma tirania absoluta, neste sentido", completaram.
 
De todas as entrevistas para o livro, uma afirmação em comum, presente sem exceção: "ao contrário do que um preconceito comum afirma, gostariam muito de ter trabalho regular e carteira assinada". "As mulheres entrevistadas querem muito mais".
 
Outras constatações da pesquisa surgiram. "Do mesmo modo que em algumas regiões brasileiras se pode observar em alguns casos atitudes novas diante da vida e da família (maior independência das mulheres perante pais, irmãos, maridos), também se pode notar que há certas atitudes que unificam comportamentos, em especial, diante dos filhos. Por exemplo, o dinheiro da bolsa tem prioridades, como comprar alimentos para suas crianças".
 
Walquiria e Alessandro ressaltaram, contudo, que "toda a cautela e prudência são indispensáveis antes de qualquer assertiva categórica". "Impactos morais e políticos de um determinado programa estatal sobre as pessoas constituem processos lentos, às vezes contraditórios e paradoxais (ao mesmo tempo que libera, o dinheiro traz consigo responsabilidade e, portanto, restrições à própria liberdade)", defenderam.
 
Em entrevista(AQUI) ao Sul 21, em junho do ano passado, a pesquisadora mostrou sua postura de indignação com a reação negativa de brasileiros contra o programa. “Estas pessoas saíram da miséria absoluta, os índices de mortalidade infantil ficaram mais baixos e isto tem impacto fundamental para um país que se diz minimamente democrático. Conviver com a miséria como o Brasil conviveu por tantos séculos, mesmo depois do fim do regime militar, deveria ser um processo que mexe com todos os brasileiros”, afirmou.
 
E o reflexo do Bolsa Família se estende para a saúde. “A qualidade de vida destas pessoas melhorou e elas não estão mais adoecendo. Esta afirmação é algo constatada não só na minha pesquisa, que não é quantitativa, mas pelo IPEA (Instituto de Pequisa Econômica e Aplicada), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ONU (Organização das Nações Unidas), PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)”, contou.
 
O interesse em focar as mulheres no livro é direto: elas são mais de 90% das titulares do Bolsa Família. A liberdade tão(AQUI) enfatizada por Walquiria pode ser resumida no seu testemunho de mulheres comprando batons para si mesmas pela primeira vez na vida.
 
E a independência, com relatos como: “este dinheiro é meu, o Lula deu pra mim (sic) cuidar dos meus filhos e netos. Pra que eu vou dar pra marido agora? Dou não!”, exclamou Maria das Mercês Pinheiro Dias, de 60 anos, mãe de seis filhos, moradora de São Luís, à pesquisadora em 2009.
 
Os efeitos foram tão fortes, enquanto acompanhou essas mulheres por cinco anos, que a socióloga chegou a confirmar o enfraquecimento(AQUI) do coronelismo e o rompimento da cultura da resignação.
 
"É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. A fraude é quase zero, o cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro", respondeu em entrevista à Folha de S. Paulo.
 
E em uma pergunta do repórter sobre por que é preconceito dizer que as pessoas recorrem ao programa para não trabalhar, a pesquisadora objetiva: "nessas regiões não há emprego". 
 
"Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Depois de dez anos, (...) não tem mais o 'Fabiano' [personagem de Graciliano Ramos], a vida não é tão seca mais", concluiu. 
 
Em outra entrevista(AQUI) à Carta Capital, a socióloga defendeu que o Bolsa Família não deveria ser um programa de governo, "mas uma política de Estado, assim como o salário mínimo”.
 
Essa foi a primeira vez que a minha pessoa foi enxergada”, contou(AQUI) a ela uma jovem do sertão do Piauí.


A épica vitória de Dilma e o
insípido ‘feijão-com-arroz'  
do PT na última década      

Do AMgóes

                                            

Fragmentos de uma ficção de 'alcova'  eleitoral(sem duplo sentido, pode crer):

"Não tô sentindo... VAI MAIS! MAIS! Com força! Assim! Isso! Isso! ISSO! UAAAU! VALEEEEEEUU...
(Ufa! Agora reconheço que você é
mesmo ‘fera’ nisso...)"             

Moral da história:
Os empedernidos direitistas ou conservadores, como queiramos - de todos os matizes, inclusive os enclausurados no armário de sua tibieza - são incorrigivelmente masoquistas :  SÓ SE SATISFARÃO SE FORMOS COM  TUDO, DE GOLEADA, PRA CIMA DELES.

Derrotados no 2º turno do pleito presidencial por reduzida margem, engendram, através da imprensa que os patrocinou, uma tentativa infame de golpe institucional, visando a exaurir nossas forças vitoriosas no domingo-26. 

Definitivamente, o trivial  ‘feijão-com-arroz ‘ das regras do jogo não lhes ‘sossega  o facho’.

Pelo visto, adoram mesmo é pancada grossa. 
Sem essa de sumirem do retrovisor de quem os 
ultrapassa. Caso contrário, invocam o 'direito divino' de a vitória 'ainda' ser deles.

Daí  apelarem para um surreal ‘terceiro turno’, quando, passada a selvageria da refrega,  já relaxamos deliciosamente, só pensando  nas ‘mudanças’ que o governo Dilma implementará a partir de 2015.

E como fica, PT ? Valeu levar na valsa,  no curso desses 12 anos, oferecendo diariamente a jugular
aos afiados caninos neonazifascistas, por
acreditar em ‘temperança’, ‘civilidade’ e 'convivência democrática' com a mídia golpista?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014


“Parece que o Papa é


 comunista”, diz


 Francisco


 Fernando Brito                  
papa2
Definitivamente – e apesar da Cúria Romana – o Papa Francisco entrou na disputa por corações e mentes da qual a Igreja Católica havia se afastado.
É obvio – a gente anda precisando dizer o obvio, do jeito que as coisas andam – que o papa não é comunista. E não é também de nenhuma “esquerda católica” militante.
Mas seu líder, hoje,  além de humanidade, tem a percepção de que o catolicismo se enfraqueceu.
Primeiro, na Europa, e nos últimos 20 anos, também no Terceiro Mundo.
Vai enfrentar inúmeras dificuldades e resistências, mas sabe que, sem isso, continuará o afastamento das grandes massas populares da fé católica.
Sabe, também, que o espaço conservador, em grande parte, foi ocupada pelo protestantismo e suas fortes raízes – e canais de financiamento – norte-americanas.
Seu discurso, nos dias de hoje, provocaria tremores e esgares de ódio em qualquer reunião de madames, no Brasil.
É bem provável, mesmo, que o achassem comunista. Ou argentino, ou nordestino, ou “bovino”, como diz Diogo Mainardi.
Eu, apesar das minhas desavenças com Deus, estou achando é divino.
Leiam a reportagem da Agência Ecclesia, de Portugal.

“Nenhuma família  sem casa,  nenhum  camponês  sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”, apela o Papa

O Papa Francisco apelou hoje à defesa dos direitos dos trabalhadores e das suas famílias, durante um encontro com os participantes no primeiro encontro mundial de Movimentos Populares.
“Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”, declarou, perante trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e pessoas que perderam a sua habitação.
O encontro é promovido até quarta-feira pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (Santa Sé), em colaboração com a Academia Pontifícia das Ciências Sociais.
“Não existe pior pobreza material do que aquela que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos laborais não são inevitáveis, são o resultado de opção social prévia, de um sistema económico que coloca os lucros acima do homem”, defendeu o Papa.
A intervenção alertou para o “escândalo da fome” e as consequências da “cultura do descartável”, condenando os “eufemismos” que se utilizam para falar do “mundo das injustiças”.
“Este sistema já não se consegue aguentar. Temos de mudá-lo, temos de voltar a levar a dignidade humana para o centro: que sobre esse pilar se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos”, explicou.
Francisco criticou o “império do dinheiro” que exige a “guerra”, o comércio de armamentos, para a sobrevivência de “sistemas económicos”.
O Papa agradeceu aos participantes pela sua presença no Vaticano para “debater tantos graves problemas sociais que afetam o mundo de hoje” desde a perspetiva de quem sofre a desigualdade e a exclusão “na sua própria carne”.
“Terra, teto e trabalho. É estranho, mas se falar disto, para alguns parece que o Papa é comunista”, começou por referir, antes de recordar que “o amor pelos pobres está no centro do Evangelho”.
“Terra, teto e trabalho, aquilo por que lutam, são direitos sagrados. Reclamar isso não é nada de estranho, é a Doutrina Social da Igreja”, assinalou.
O Papa pediu que se mantenha viva a vontade de construir um mundo melhor, “porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai, ficou órfão porque deixou Deus de lado”.
Num discurso de cerca de meia hora, Francisco referiu que a presença dos Movimentos Populares é um “grande sinal”, porque estão no Vaticano para “pôr na presença de Deus, da Igreja, uma realidade muitas vezes silenciada”.
“Os pobres não só sofrem a injustiça mas também lutam contra ela”, precisou.
Jesus, acrescentou, chamaria “hipócritas” aos que abordam o “escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção” para procurar fazer dos pobres “seres domesticados e inofensivos”.
O discurso papal abordou ainda os temas da paz e da ecologia, para além das questões centrais do emprego e da habitação.
“São respostas a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos. Um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza que está cada vez mais longe da maioria”, sublinhou Francisco.
O Papa convidou os participantes a prosseguirem com a sua luta, “que faz bem a todos”, e deu-lhes como presente uns terços fabricados por artesãos, ‘cartoneros’ e trabalhadores da economia popular na América Latina.


Até quando jornalistas como        


Merval Pereira serão financiados 


com dinheiro público?                 

Paulo Nogueira                

Bancado com dinheiro público
Bancado com dinheiro público
Uma das coisas essenciais que você aprende como executivo é a chamada “base zero” para elaborar orçamentos.
Na inércia, nas empresas, cada departamento vai simplesmente acrescentando no planejamento de seus gastos  5% ou 10%, a cada ano.
A base zero evita isso. Você mergulha em cada investimento e verifica se ele ainda faz sentido. Às vezes, em vez de mantê-lo ou aumentá-lo, você percebe que o melhor mesmo é eliminá-lo.
A quem interessar: foi uma das coisas que aprendi em meus anos de editor da Exame e, depois, de diretor superintendente de uma unidade de negócios da Abril.
Minha introdução se destina a falar da regulação da mídia – um assunto que vai provocar fortes emoções nos próximos meses.
Um passo vital – e este independe de qualquer outra coisa que não seja a vontade do governo – é fazer um orçamento a partir da base zero nos gastos com publicidade do governo federal.
Por exemplo: faz sentido colocar 600  milhões de reais por ano na Globo? Citei a Globo porque, de longe, é ela quem mais recebe dinheiro federal na forma de anúncios.
Do ponto de vista técnico, o carro-chefe da Globo é a televisão aberta – uma mídia que vai se tornando mais e mais obsoleta à medida que avança a Era Digital.
Veja as audiências da Globo. Nos últimos meses, ou até anos, é comum você ver que foi batido o recorde de pior Ibope de virtualmente toda a grade da Globo.
Jornal Nacional? Antes, 60% ou coisa parecida. Agora, um esforço para ficar na casa dos 20%.
Novelas? Para quem chegou a ter 100% em capítulos finais, é uma tragédia regredir, hoje, a 30%, e isto na novela principal, a das 9.
Faustão, Fantástico? Em breve, estarão com um dígito de audiência, pelo trote atual.
Não vou entrar aqui na questão da qualidade. Se um gênio assumisse o Jornal Nacional, o conteúdo melhoraria, mas a audiência não: é a Era Digital em ação.
Pois bem.
Tudo aquilo considerado, 600 milhões por ano fazem sentido tecnicamente?
É claro que não.
Quanto faz sentido: metade? Um terço? Não sei: é aí que entra o estudo com base zero.
É curioso notar que um efeito colateral desse dinheiro colossal que entra todos os anos na Globo – seu Anualão – é o pelotão de jornalistas como Jabor, Merval, Sardenberg, Waack, Noblat e tantos outros dedicados à manutenção dos privilégios de seus patrões e, claro, deles próprios.
Não  é exagero dizer que eles são financiados pelo dinheiro do contribuinte.
Digamos que para 2015 fosse mantida metade do Anualão da Globo. Haveria, aí, 300 milhões de reais ou para ajudar a equilibrar as contas públicas ou, no melhor cenário, para ampliar programas sociais.
Cito a Globo apenas pelo tamanho de seu caso.
Alguns meses atrás, a sociedade subitamente se perguntou se era certo o governo federal colocar 150 milhões por ano no SBT, em publicidade, para que, no final, aparecesse em seu principal telejornal com enorme destaque uma comentarista que apoiava justiceiros, Raquel Sheherazade.
Esqueçamos, no caso do SBT, Sheherazade e tantos outros comentaristas de emissoras afiliadas iguais a ela, como Paulo Martins, do SBT de Curitiba.
“O PT é um tumor maligno”, escreveu ele em sua conta no Twitter perto das eleições. “Essa eleição é o ponto limite para o Brasil desse mal com tratamento convencional. Depois dessa, é muita dor ou morte.”
Em português: ele estava pregando um golpe na democracia em caso de fracasso no “tratamento convencional” – a vontade da maioria expressa nas urnas.
Também ele – aliás numa concessão pública – é bancado pelo dinheiro público. A sociedade aprovaria esse emprego de dinheiro?
É irônico, mas o que a mídia tem que enfrentar é um choque de capitalismo: andar pelas próprias pernas, sem o Estado-babá. (Até hoje vigora uma reserva de mercado na imprensa, por absurdo que pareça em pleno 2014.)
Os bilhões que ano após ano o sucessivos governos – na Era FHC as somas eram ainda maiores – colocam nas grandes corporações de mídia têm ainda uma consequência pouco discutida.
Dependentes do governo – nenhuma sobreviveria se as verbas fossem extirpadas –, elas entram em pânico a cada eleição presidencial. E fazem o que todos sabemos que fazem, pela manutenção de seus privilégios.
Aécio, agora, era a garantia de vida boa para todas elas. O modus operandi de Aécio é conhecido: como governador de Minas, ele triplicou os gastos com publicidade.
Ele não teve o pudor de deixar de colocar dinheiro público nem nas rádios de sua própria família.
Na Minas de Aécio, a imprensa amiga foi bem recompensada com anúncios´, incluída a Globo local.
E aqui um acréscimo importante: fora o dinheiro federal, as grandes corporações de mídia são abençoadas também com anúncios de governos estaduais e municipais.
Em São Paulo, os governos do PSDB têm contribuído na medida de suas possibilidades com empresas como Abril, Estado e Folha.
E não só com publicidade. Todo ano, o governo paulista renova um grande lote de assinaturas da Veja para distribuir as revistas em escolas públicas.
Felizmente para a cabeça dos jovens, as revistas sequer são tiradas do plástico que as embala.
Que jovem lê revista, hoje? Mesmo assim, as assinaturas são sempre renovadas.
Mas um passo por vez.
Fazer um orçamento de marketing  com base zero nos gastos com publicidade seria uma das atividades mais nobres nestes meses finais de 2014 para a equipe do governo.