quarta-feira, 3 de setembro de 2014


Dr. Rigueira, advogado da família 


Campos, de Apolo Vieira, do PSB.


E de Genivaldo e Lindalva,


laranjas do avião-fantasma


Fernando Brito                                                  
rigueira
Ademar Rigueira Neto é um advogado criminalista muito talentoso e eclético.
Eduardo Campos o indicou para  nomeação como desembargador no TRE de Pernambuco, na cota dos advogados, ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, junto com o primo João Carneiro Campos, este depois transformado em conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Rigueira, que voltou à advocacia,  tem vasta e eclética clientela na área criminal.
É advogado da família Campos e o foi (AQUI) do próprio Eduardo.
É advogado de Apolo Santana Vieira, o suposto sócio de João Paulo Lyra na compra do jatinho acidentado, apontado como fraudador (AQUI) de importações e dono do avião que servia Eduardo Campos antes que fosse comprado este que caiu.
E agora é advogado (ou pelo menos porta-voz, segundo O Globo) do Genivaldo (AQUI) e da Lindalva, donos da “grande empresa”  de fundo de quintal que pagou a operação do jato em que Eduardo Campos e Marina Silva faziam campanha.
O doutor Rigueira certamente é um grande advogado.
E tem, é claro, o direito de advogar para quem bem entender.
E de dizer que não sabe porque Genivaldo o procurou:
-Ele pode ter lido meu nome em jornais, sou um profissional conhecido em Recife
Ah, bom…
Além da coincidência, o Dr. Regueira vai precisar de todo o seu talento para explicar o inexplicável.
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Mais laranjas na pista do


avião-fantasma     


Fernando Brito   |  2 de setembro de 2014 | 11:33 
lopesegalvao
A casinha aí de cima, a de número 32 da pobre Rua Santelmo, no bairro pobre de Tiúma, em Santo Lourenço da Mata(PE),  periferia do Recife, é a sede da “poderosa” Lopes & Galvão, empresa que está sendo apontada pelo PSB como mantenedora, ao custo de R$ 50 mil mensais, dos custos de operação do Cessna usado por Eduardo Campos e Marina Silva na campanha eleitoral.
Ótima apuração da repórter(AQUI) Marcela Balbino – com a colaboração de Thiago Herdy e Antonio Werneck  - mostra a conversa e as risadas do casal Genivaldo e Luciene Lindalva, proprietários da empresa, ao saber que pagavam as despesas de vôo do moderno jatinho.
Está gravado, incontestável.
E a filha do casal, Sylney, resume o despropósito.
— Você acha que, se tivéssemos esse dinheiro todo, eu moraria aqui em Tiúma? Longe de tudo, nessa rua… — afirmou, mencionando o bairro onde mora com a família, na periferia de São Lourenço da Mata.
Mais curioso ainda: depois de descoberto pela reportagem, e após ouvir o PSB sobre o assunto, Genivaldo disse que só fala por meio de um advogado.
O mesmo que atende a família de Eduardo Campos, o criminalista Ademar Rigueira.
Por quê?
O advogado explicou que é muito conhecido, e que Genival pode ter lido o nome dele no jornal, e procurado por seu escritório.
Realmente, Genivaldo e Lindalva, este casal com dinheiro para pagar despesas de um jatinho, agora vai se consultar espontaneamente com um dos advogados mais caros de Recife, e que, por coincidência, serve à família Campos no caso.
Está ficando claro de quem era o avião ou é preciso mais um laranjal aparecer?


Por que a direita teme


que Marina seja


um novo Jânio

Paulo Nogueira                              

  

Jânio com Guevara
Jânio com Guevara. Presidente acenou para a direita que era   'mais ele'.  Não era.
A direita teme Marina.
Entre os candidatos fortes, os conservadores ficam, é claro, com Aécio.
Mas entre Marina e Dilma a opção tende a ser por Dilma. Por uma razão básica: eles conhecem Dilma. Sabem o que ela pode fazer e o que não pode fazer. Ela é previsível.
Marina, não.
A direita teme o que ela possa fazer uma vez no Planalto.
E se ela, por exemplo, decide cortar drasticamente as verbas publicitárias do governo federal?
Isso significaria um alto risco para os 600 milhões de reais que, todos os anos, a Globo recebe em verbas publicitárias governamentais.
Num momento em que a internet assola as grandes companhias de mídia, fechar a milionária torneira publicitária de Brasília – ou mesmo reduzir o jorro – seria uma pancada fortíssima. Talvez letal.
Dilma não fará isso. Marina pode fazer. Quer dizer, pelo menos na fantasia paranóica conservadora.
Não à toa, nos últimos dias, a mídia começou a publicar seu medo de Marina.
“Marina presidente é prenúncio de uma crise depois da outra”, disse o Estadão num editorial.
O Globo comparou-a a Jânio Quadros. Jânio, um campeão de votos como Marina, era ele, ele e mais ele. Não se submetia à disciplina de partido nenhum.
A direita, reunida na UDN, que jamais ganhara uma eleição presidencial, achou que o tinha conquistado na sucessão de JK. Apoiou-o e venceu com ele.
Pouco depois, Jânio já estava condecorando Guevara e se indispondo com os cardeais da direita, a começar pelo mais poderoso deles, Carlos Lacerda.
Num episódio de extrema simbologia, Lacerda, então governador do Rio, foi a Brasília para se encontrar com Jânio.
Uma das questões que Lacerda queria discutir era a situação financeira de seu jornal, Tribuna da Imprensa, dirigido pelo filho Sérgio. O jornal estava à beira da quebra, e Lacerda queria uma ajuda do governo.
Lacerda imaginava ficar hospedado no Palácio da Alvorada, com a devida deferência. Deixou lá sua mala, ao chegar a Brasília, e saiu para um compromisso.
Ao voltar, o mordomo do Alvorada o esperava na guarita, com a mala na mão. Foi uma bofetada moral em Lacerda, que jamais perdoaria Jânio.
Este era Jânio, inadministrável.
Os conservadores temem que a história se repita com Marina.
Ao contrário do que muitos possam imaginar, num segundo turno entra Dilma e Marina, a direita torcerá muito provavelmente por Dilma.
É uma boa notícia para Dilma – com a ressalva de que a direita tem dinheiro, mas não tem voto.
Paulo Nogueira
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Citigroup:   programa  de  Marina atende  aos banqueiros,  mas prejudica setores estratégicos
da indústria brasileira
[Do AMgóes - Não se trata de blablablá de blogueiros 'esquerdopatas'. A análise abaixo é do maior conglomerado financeiro do mundo, o CITIGROUP(*), teoricamente um dos grandes beneficiários do programa da 'nova política'  de Marina Silva, cuja candidatura 'messiânica' foi adotada pelo desfigurado e 'ex-PSB'. Os donos da poderosa banca internacional sabem, todavia,  que, para ganhar mais e mais dinheiro, dependem de garantir volumosos financiamentos a estratégicos setores da indústria, em qualquer país onde operam, sem o que terão dado  estrondoso tiro no pé.  Os banqueiros tupiniquins, entretanto, Itaú à frente, jogam com o lucro fácil do rentismo(da vida fácil, à base de juros)que enche o bolso dos parasitas de toda ordem.                                                                                                                                           

Priscila Jordão             Reuters Brasil

Marina e Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú e coordenadora de seu programa de governo

SÃO PAULO (Reuters) - O programa de governo da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, divulgado na semana passada, caso implantado traria benefícios a bancos privados e a concessionárias de infraestrutura, mas poderia ser negativo para importantes empresas do setor industrial, apontaram analistas do Citi em relatório nesta terça-feira-2.
Os analistas Stephen Graham e Fernando Siqueira afirmaram que o programa da candidata é economicamente conservador e socialmente liberal(entendido: sem pripridade para programas sociais), mesclando sustentabilidade social e ambiental com políticas fiscal e monetária ordotoxas.
"As propostas macro são uma resposta direta às críticas do mercado à política vigente", disseram os analistas, acrescentando que políticas fiscal e monetária com credibilidade podem exigir medidas duras no próximo ano.
"Provavelmente envolvem movimentos iniciais dolorosos nas taxas de juros, impostos, gastos públicos e nos empréstimos dos bancos públicos que podem manter a economia crescendo em marcha lenta em 2015."
Para eles, a proposta de Marina de desconcentrar o crédito corporativo, com redução do papel dos bancos públicos, traria mais espaço para os bancos privados crescerem.
No setor de infraestrutura, concessionárias como CCR, Ecorodovias, Arteris, Cosan e ALL são potenciais beneficiárias, uma vez que o programa prevê "recorrer mais fortemente a parcerias público-privadas (PPPs) e a licitações de concessões".
A Cosan e a São Martinho também poderiam ser favorecidas pelo foco do programa em biocombustíveis, afirmaram os analistas.
Citi destacou que o programa do PSB para o comércio exterior prevê a revisão das políticas de conteúdo local para as indústrias automotiva e de petróleo, e o estabelecimento de datas claras para o término e revisão periódicas das barreiras à importação.
Essas propostas poderiam ser negativas para indústrias estratégicas, como as
 siderúrgicas Gerdau, Usiminas e CSN, a petroquímica Braskem, a empresa de materiais de construção Duratex e a empresa de produtos farmacêuticos Hypermarcas, entre outras.
A Petrobras, por sua vez, poderia tirar proveito de uma eventual redução de regras para conteúdo local que atualmente elevam seus custos de investimento.
A promessa de construir 4 milhões de moradias até 2018 no programa 'Minha Casa, Minha Vida'(da presidenta Dilma) é positiva para MRV, Direcional Engenharia, Cyrela e Gafisa. No entanto, a proposta "entra em conflito com a intenção(de Marina) de reduzir o déficit federal e tirar a ênfase do crédito via bancos públicos", escreveram os analistas do Citi.
(*) Citigroup Inc. é a maior empresa do ramo de serviços financeiros do mundo de acordo com a Forbes. Tem sede na cidade de Nova Iorque. A formação da empresa foi anunciada em 7 de abril de 1998, a partir da fusão do Citicorp com oTravelers Group. Foi a primeira empresa americana a unir seguros com serviços bancários desde a Grande Depressão. A empresa possui cerca de 300.000 funcionários e mais de 200 milhões de clientes em mais de 100 países, com seus ativos valendo algo em torno de 1.6 trilhão de dólares. É o principal negociador do Tesouro dos EUA e suas ações fazem parte do índice Dow Jones.

Empresários, de barriga cheia (como
nunca),  reclamam  de Dilma porque
querem  sempre  mais  sem  retorno

Luis Nassif

(Do AMgóes - No rodapé desta postagem, comentário sobre este texto do Nassif,  remetido pelo internauta 'Francisco' (*),   no Jornal GGN), é didático ao demonstrar que Marina,  autodeclarada 'escolhida por Deus',  não  resiste  aos números  sobre  os incontestáveis avanços dos governos do PT(que integrou até 2008), bem assim à inconsistência de sua 'nova política',  como demonstrado na  sequência de 'saias justas'(ou 'xales justos'?) ocorrida no debate desta última segunda-1º, no SBT/UOL)                   
Converso com duas lideranças empresariais, uma da indústria outro do agronegócio, ambas inclinadas a apoiar Marina Silva.
O da indústria sustenta que o tripé que ameaça o setor são  juros altos,  câmbio baixo e  carga fiscal elevada.
O modelo econômico proposto pelos economistas de Marina é claro: independência do Banco Central para fixar a taxa de juros que julgar adequada, como única forma de combater a inflação; e ajuste fiscal severo para dar espaço para a conta juros.
Dentro dessa lógica, eleita Marina Silva, acaba a era dos subsídios do Tesouro ao BNDES para financiamento à indústria. Em pouco tempo haverá a elevação da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para equipará-la à Selic, reduzindo o subsídio implícito. Haverá redução drástica no volume de financiamentos. Não haverá essa política de privilegiar os "campeões nacionais", é verdade. Mas não haverá mais oferta abundante de financiamento para os demais.
Além disso, a política industrial do pré-sal será interrompida. Em pouco tempo, não haverá mais a política de conteúdo local na construção de plataformas, já que não faz parte das prioridades de Marina..
Não são hipóteses terroristas, são conclusões óbvias a partir das declarações de Marina, de seus economistas e do plano de governo.
Mesmo assim, o líder industrial manifesta entusiasmo com sua candidatura.
Entende-se seu desconforto com a situação atual e com o câmbio. A vida média do maquinário da indústria é de 16 anos. São literalmente carroças. Apesar do BNDES, do financiamento subsidiado, não houve renovação do parque por falta de previsibilidade na política econômica de Dilma e do câmbio, tirando o mercado da indústria.
Que a política econômica de Dilma exige ajustes, não se discute. Esses ajustes dependem exclusivamente da própria Presidente, de sua capacidade de superar o estilo centralizador.
Do lado de Marina, o fim das políticas industriais e do apoio à indústria estão no centro do pensamento de seus economistas.
Você que teme juros altos: não o assusta a proposta de independência do Banco Central, indago? Se soltar o câmbio, reajustar as tarifas e tentar segurar o aumento de preços exclusivamente com juros e aperto fiscal, se terá um mundo complicado, com aumento do custo financeiro em uma ponta, e redução da demanda na outra.
Ele não acha.
Na sua opinião em pouco tempo haverá melhoria no ambiente econômico, previsibilidade, políticas horizontais de redução da carga fiscal, devolvendo a vitalidade à economia.
Indago se conhece o temperamento de Marina, sua capacidade de decisão. Duvidavam de Lula também, argumenta ele, e no entanto deu certo.
É uma ilusão evidente. Mas mostra até onde foi levado o desencanto com a incapacidade de Dilma de apontar o futuro - que está sendo construído.
O caso do agronegócios
Do lado do líder do agronegócio, o quadro é similar.
Em relação ao etanol nenhuma discussão: Dilma provocou um desastre no setor contendo as tarifas de energia. 
Mas a conversa sobre os demais aspectos do agronegócio é curiosa. Seu maior problema é o custo da infraestrutura. Nada foi feito para melhorar, me diz ele.
Pergunto do Plano Nacional Agrícola, elogiado até por Delfim Netto. Ah é, o PNA é bom, aumentou os recursos para armazenagem, crédito agrícola. Pelo menos algo se salva, penso eu.
E os portos, qual a razão das filas enormes no ano passado e nenhuma fila este ano? Bem, no ano passado a safra foi maior. Mas este ano, de fato, as obras do PAC deram certo e permitiram melhoria nos portos. Pelo menos duas coisas se salvam.
E quanto à infraestrutura, as obras ferroviárias que deveriam interligar o país? Nada foi entregue, uma desgraça. Aliás, há um novo porto no Pará que facilitou bastante o escoamento da safra, mas é investimento privado. Penso eu: é óbvio. Mas e a ferrovia norte-sul? Quando entregue, resolverá um grande problema da agricultura do centro-oeste, mas nada foi entregue até agora, me responde. E, na sua previsão, quando ficará pronta? Não ficará antes de dezembro. Quer dizer que a partir de dezembro um grande problema logístico estará resolvido? Sim.  E a leste-oeste? Também está para ser entregue.
Recentemente, Delfim Netto publicou um artigo mostrando os avanços ocorridos nas políticas para o setor e o mínimo que se necessitava para conseguir o apoio da classe. Muito mais gestos políticos do que ampliação de recursos.
Nada foi feito. Hoje em dia, o principal apoio do governo Lula no setor - o ex-Ministro Roberto Rodrigues - é um crítico intransigente do governo Dilma.
Tudo isso demonstra algumas coisas:
O grau de exacerbação que toma conta de toda campanha eleitoral.
O desgaste produzido por políticas de gabinete, mesmo entre os beneficiados por elas.
(*) Comentário do internauta Francisco, no Jornal GGN: "Mais importante que a conversa com dois empresários é observar que a estranha divulgação de pesquisa para presidente à moda 'ack, o estripador'(por partes), no caso São Paulo e Rio,divulgada nesta terça-2, mostrando o crescimento de Marina em relação a pesquisa de 26/08 (no Brasil, Dilma 34 x 29 Marina), na realidade, projetados os números dos dois estados divulgados, em relação à pesquisa geral anterior, mostra que em todo o Brasil o Ibope deve apresentar, Dilma com 34/33 e Marina com 33/32,  explicitando que Marina começa a empacar, levando-se em conta o Datafolha de 29/08 que apresentou empate em 34%. A divulgação parcial de São Paulo e Rio foi feita(claro!) para dar a impressão que Marina continua a crescer, o que os números gerais devem desmentir."                                                                                           

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dilma zangada é garantia de bom desempenho em debates

                             Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães
Dilma é, tão-somente, caloura na política. Jogá-la em um debate com raposas como Aécio Neves ou Marina Silva chega a ser covardia. A inexperiência e o quadro político adverso dificultam ainda mais a vida de quem não está habituado com a cara-de-pau que a política exige.
Políticos, antes de tudo, têm que ser frios. Ser cara-de-pau ajuda muito. Permite a estratégia de Marina Silva, por exemplo, que não diz nada e consegue ser entendida devido às expressões faciais, que anunciam que está dizendo alguma coisa sem que diga absolutamente nada.
A inexperiência em debates e o momento político difícil constituem-se em enorme problema para Dilma; ela sempre começa os debates nervosa. Desta vez, no debate do SBT/UOL, inclusive, reconheceu o nervosismo ao errar nomes daqueles aos quais perguntaria.
Dilma sempre começa os debates gaguejando. Faz pausas intermináveis durante as frases, dando a impressão de que esqueceu o que iria dizer. Mas ela tem um botão anti-pânico e os marqueteiros precisam encontrar uma forma de acioná-lo para que ela se saia bem na oratória tanto em comícios quanto em debates.
Aliás, quem conhece um pouco melhor a história recente de Dilma se lembra da sova que ela deu no demo Agripino Maia no Congresso ao responder a ele sobre por que disse, em uma entrevista, que mentia “muito” aos torturadores da ditadura militar, ponderando que mentir sob tortura é quase uma obrigação.
Dilma, quando indignada, se supera. Não foi diferente no debate do SBT/UOL.
Marina, por exemplo, após fazer uma interpretação escandalosamente pessimista da situação do país, pergunta a Dilma: “O que deu errado em seu governo?”. Dilma, visivelmente indignada, faz aquele ar de impaciência – que chega a ser engraçado – e dispara: “O que deu errado é que tiramos 30 milhões de brasileiros da miséria”.
Bingo! Só os trejeitos da presidente, ao indignar-se, já deixam o adversário constrangido. É a linguagem corporal instintiva.
Mas não é só. Zangada, Dilma não gagueja. As palavras fluem, ganham naturalidade. É outra pessoa, quando provocada.
Com Aécio Neves foi a mesma coisa. Ele disse que o governo federal não manda dinheiro para seu Estado – Minas Gerais, não o Rio de Janeiro, como muitos podem pensar – e Dilma, indignada com a mais do que comprovável mentira, fez o mesmo ar de impaciência e disse que ele, além de ter “memória fraca”, é “desinformado”.
É mais como ela disse do que o que ela disse. Foi engraçado e soou verdadeiro. Zangada, Dilma passa a quem a vê que aquilo é indignação diante de uma mentira.
De resto, foi divertido. Levy Fidelix xingando a mídia e fazendo um discurso inflamado e panfletário como qualquer estudante universitário devido a seu partido ter sido chamado de “legenda de aluguel” pelo jornalista Kennedy Alencar, foi impagável.
Eduardo Jorge dizendo que não tinha nada que ver com a briga dos dois, foi antológico.
O “pastor” Everaldo citando várias vezes “estrupo”, apesar de patético também foi engraçado.
Não dá para esperar mais do que isso em debates nesses moldes, com tantos debatedores. Não será aprofundado tema algum. Nesses debates, a mise-em-scène vale mais do que as palavras. Ninguém presta atenção no que é dito, mas em COMO é dito.
Não se pode afirmar, mas é mais provável que o debate desta segunda-feira não tenha sido vencido por ninguém. Na verdade, entre o primeiro pelotão, talvez Dilma tenha marcado alguns pontos devido às respostas atravessadas a Marina e a Aécio.
Dar respostas atravessadas dificilmente é uma boa tática. A menos que seja na situação particular em que Dilma as deu nesse debate, ou seja, após sofrer o bombardeio de quase todos os candidatos e de ter sido agredida por aqueles aos quais respondeu.
Se os marqueteiros encontrarem uma fórmula para que Dilma já chegue zangada aos debates e comícios, não vai ter para ninguém. E se o que as lendas tucano-midiáticas dizem for mais do que isso, não será preciso muito para zangar a presidente. Tomara que seja verdade.