quarta-feira, 27 de agosto de 2014


Há um crime no ar nestas


eleições. Ocultá-lo é outro 


crime, muito maior

Fernando Brito    
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Nem a metade dos negócios sombrios que envolveram a compra do jatinho  que matou Eduardo Campos e mudou o rumo da eleição presidencial já chegou ao  conhecimento público e já há, de sobra, elementos para dizer que houve a formação de uma quadrilha para a aquisição do aparelho, senão por ordem, ao menos em visando a beneficiar o  ex-governador de Pernambuco, elevado com a morte a herói da nova e ética  política.
Os fatos evidenciam isso e os organizo de forma cartesiana, para o demonstrar.
Não se trata de um avião adquirido, tempos atrás, por dois ou três empresários inescrupulosos e aventureiros, que resolveram emprestá-lo a um candidato, de olho em vantagens.
O avião foi comprado, inequivocamente, para atender às necessidades de Eduardo Campos em sua campanha, com Marina Silva, à Presidência.
Era o mesmo grupo que fornecia, até o dia 15 de maio, na pré-campanha, o transporte aéreo para o senhor Eduardo Campos: o avião Learjet 45/40, matrícula PP-ASV(AQUI), da Bandeirantes Pneus, o que está provado, inclusive, por fotos do candidato neste aparelho e fica mais evidente quando se rastreia seu uso.
Os mesmos empresários foram em busca de outro jato executivo, maior e mais confortável, com a finalidade específica de servi-lo na fase mais intensa da campanha. Se o fizeram por ordem de Campos, é impossível afirmar, a menos que um deles ou outra pessoa próxima o confesse.
Mas, mesmo que se admita que o fizeram por iniciativa própria, é certo que Eduardo Campos aprovou a aquisição pessoalmente, num vôo experimental, candidamente confessado pelo ex-copiloto do aparelho, Fabiano de Camargo Peixoto, em entrevista(AQUI) à Folha/SP, no dia seguinte ao acidente.
Não foi um “presente” dado ao candidato, como quem dá uma caneta bonita. Foi um ato partilhado entre todos, com um objeto que a ele e sua candidatura , acima de tudo, seria importantíssimo.
Há uma vantagem pessoal claramente estabelecida na transação e foi para obtê-la que se praticaram os atos fraudulentos.
Sim, fraudulentos.
Porque agora sabe-se que – além dos antecedentes de pelo menos dois dos compradores, o processado por contrabando Apolo Vieira e o operador de factoring e usineiro João Lyra Pessoa de Mello, já condenado e multado por não registrar operações de câmbio – a compra está povoada de laranjas e fantasmas, como mostrou a reportagem(AQUI) do Jornal Nacional com base nos procedimentos da Polícia Federal, que infelizmente só são acessíveis, como sempre, à Globo.
Os valores não são “uma bobagem”, uma tapioca: só na “entrada” da transação foram mais de R$ 1,7 milhão.
Há, na compra e no uso do avião fatal, materialidade e autoria já bem delineada de crime.
Mas não há, incompreensivelmente, nenhuma ação pública do Ministério Público, tão ativo no Brasil e – lembram da aprovação da PEC 39? – absolutamente autônomo para investigar e geralmente ansioso por opinar até sobre o voo dos pássaros.
Não se pode confundir respeito aos mortos com encobrimento de crimes, cumplicidades e responsabilidades, inclusive as político-eleitorais, até porque disto se aproveitam os vivos, muito vivos.
Porque este encobrimento significa a negação do mais fundamental direito da sociedade: o direito à verdade.
Mais grave ainda quando a sonegação desta verdade por comprometer decisões que o povo brasileiro irá tomar.

Debate entre os presidenciáveis:

Dilma é o alvo

Márcia Xavier                           

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na noite desta terça-feira (26) na TV Bandeirantes, com o aumento do número de participantes,  se estendeu por mais de três horas, entrando pela madrugada da quarta-feira (27). A presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) foi o alvo preferido, inclusive dos jornalistas da Band, que se valiam do candidato tucano, Aécio Neves, para atacar as iniciativas do governo de regulamentação da mídia e participação popular. 


band.uol.com.br
O programa, que reuniu sete dos 11 presidenciáveis, foi dividido em seis blocos e conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. 
O programa, que reuniu sete dos 11 presidenciáveis, foi dividido em seis blocos e conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. 

 A variedade de temas abordados e o número de candidatos impediram o aprofundamento da abordagem dos assuntos. Os candidatos também procuraram falar mais sobre a mensagem que queriam levar ao eleitor do que responder as perguntas que, na maioria das vezes, chegavam à provocação. As polêmicas maiores envolveram principalmente os três candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto. Além de Dilma Rousseff e Aécio Neves, Marina Silva (PSB) foi cobrada sobre suas posições.

As regras do debate impediam que um mesmo candidato fosse questionado mais de duas vezes em um mesmo bloco, para garantir que todos os demais candidatos participassem. O pastor Everaldo (PSC) defendeu o Estado mínimo, enquanto a candidata da Psol, Luciana Genro, anunciou que, se eleita, iria enfrentar o capital financeiro, acusando todos os demais candidatos de produzirem o mesmo modelo macroeconômico, que beneficia o capital e penaliza o trabalhador.

A presidenta Dilma foi a única que fugiu aos discursos subjetivos e às frases feitas de defesa da saúde, educação, segurança e infraestrutura. Ela apresentou os programas e ações que estão sendo realizados por seu governo, dando continuidade aos projetos do ex-presidente Lula, e apontou para avanços e aprofundamentos nas mudanças até aqui implementadas.

Ela citou por diversas vezes o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) para defender a educação como a base para o novo ciclo de desenvolvimento do país.

Novo ciclo de crescimento

                     
No bloco em que os jornalistas perguntavam aos candidatos, o jornalista Boris Casoy perguntou a Dilma, com réplica de Aécio, sobre a economia. Dilma disse que o Brasil enfrenta uma crise internacional e que ela refez a velha receita que desemprega, arrocha salários e aumenta impostos e tarifas para o enfrentamento da crise. “Nos recusamos a fazer isso, mantemos o nível de emprego e a inflação sob controle. Ela está na mesma situação do que ocorreu nos últimos nove anos”, afirmou.

“Criamos as condições para um novo ciclo de crescimento, investindo em infraestrutura e educação, como o governo está fazendo. É inequívoco que as pessoas hoje têm mais oportunidades. O filho do trabalhador pode virar doutor”, disse, enfatizando que a educação é o caminho para o nosso futuro. E citou programas como Ciências sem Fronteiras, Pronatec, entre outros, que pretende ampliar em seu segundo mandato.

Aécio tentou ironizar e insistiu em falar sobre o aumento da inflação. Dilma acusou-o de ignorar a crise econômica mundial e indagou: “Hoje, tem ou não tem mais empregos? Tem ou não tem mais comida? Tem ou não tem mais proteção? Tem ou não tem mais moradia? Eu peço ao eleitor para comparar com o que ocorria no Brasil a 12 anos atrás”.

Os jornalistas da Band criticaram a proposta de regulamentação dos meios de comunicação, usando o argumento de que representa ameaça à liberdade de imprensa. A presidenta Dilma explicou que a liberdade integral dos meios de comunicação é básico, mas como todos os setores, (a mídia) tem que ter regulação econômica, não pode ter monopólio e precisa cumprir o seu papel. Ela lembrou que as agências reguladoras, a exemplo do que ocorre para energia elétrica, telecomunicação, petróleo, servem para mídia e para todos os demais setores. 

Acusação leviana

Aécio tentou mais uma vez provocar a presidenta Dilma, pedindo que ela se desculpasse pela gestão da Petrobras, que ele considerou como temerária. Dilma classificou a acusação dele como “leviandade” e disse que ele desconhecia a Petrobras. 

Dilma lembrou que foi durante os governos Lula e dela que a Petrobras descobriu e explorou o pré-sal, o que aumentou seu valor e transformou-a em uma das maiores empresas do mundo. E ironizou: “Não fomos nós que tentamos mudar o nome para Petrobrax e nem afundamos uma plataforma e nem investigamos sobre a troca de ativos da Petrobras com uma empresa argentina”, citando os casos suspeitos que envolvem a administração da Petrobras pelo governo tucano. 

“É uma leviandade tratar a empresa dessa forma”, disse a presidenta, destacando que “quem investiga a Petrobras é a Polícia Federal porque o compromisso do meu governo é a luta contra a corrupção. Nós não escondemos debaixo do tapete e ser acusado de ter uma relação com o procurador-geral da República que era chamado de engavetador-geral da República”, afirmou a presidenta.

Para ter oportunidade de falar sobre os projetos para a produção de energia, Dilma perguntou ao Pastor Everaldo sobre o assunto. Ao exemplo do que dizia para tudo, o candidato do PSC defendeu o Estado mínimo e a transferência para a iniciativa privada de todos os setores econômicos. “Vamos liberar o mercado”, repetia.

Dilma defendeu o planejamento e a gestão da energia elétrica, lembrando que “a última vez que não houve planejamento tivemos racionamento de proporções gigantescas”, em referência ao apagão ocorrido no governo de Fernando Henrique Cardoso. Para atender à demanda dos próximos anos, ela defendeu a energia eólica como uma das alternativas que está sendo implantada pelo governo. 

O Pastor Everaldo perguntou a Dilma sobre a reforma tributária. Ele disse que defende a reforma tributária, mas que é preciso construir maioria parlamentar e dialogar com os governadores para fazer a reforma, mas que o seu governo tomou iniciativas como desonerar a cesta básica e, para garantir os empregos, diminuir impostos das empresas sobre o trabalhador. E destacou a importância da universalização do Simples, reduzindo a tributação do microempreendedor individual. 

O programa, que reuniu sete dos 11 presidenciáveis, foi dividido em seis blocos e conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. Estiveram presentes nos estúdios da Band, no Morumbi, em São Paulo: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB-Rede), Aécio Neves (PSDB), Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (Psol), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

Ao chegar ao evento, Dilma disse que esperava um debate proativo e propositivo. E anunciou que havia se preparado de forma intensa “porque temos muitos programas a apresentar”, acrescentando que “mas ainda temos muito o que fazer.”

Tudo deu certo

No primeiro bloco, todos os candidatos responderam a uma pergunta única, sobre a segurança pública, considerada uma das principais demandas da sociedade brasileira atualmente. As respostas dos candidatos se resumiam a uma generalização enquanto eles procuravam se apresentar.

Marina Silva falou sobre a morte de Eduardo Campos. O microfone muito baixo não favoreceu a candidata, que abaixou a cabeça, sem olhar para o eleitor. Aécio Neves defendeu a mudança do Código Penal para, segundo ele, “acabar com a impunidade”, reproduzindo o discurso dos tucanos que querem reduzir a maioridade penal.

Dilma Rousseff disse que embora a competência constitucional da segurança pública seja dos estados, ela deve ser compartilhada com a União para responder à população. E usou o exemplo do que foi feito na área de segurança durante a Copa do Mundo. Segundo ela, a integração entre todos os órgãos da segurança resultou em grande vitória na segurança da Copa.

No segundo bloco, quando os candidatos perguntavam uns aos outros, a dinâmica foi maior. Marina Silva perguntou à candidata Dilma Rousseff porque não deram certo os pactos anunciados pelo governo após as manifestações de rua em junho do ano passado.

Ao contrário de Marina, Dilma disse que tudo deu certo. Na educação, conseguiu aprovar mais recursos para o setor oriundos da exploração do pré-sal; fez o Mais Médicos, com mais profissionais de saúde no interior e teve o compromisso com a estabilidade econômica, com redução da inflação.

Sobre a reforma política, a presidenta disse que enviou proposta para o Congresso, que não foi aprovada, o que a levou a defender a participação popular e um plebiscito para definição do assunto. 

De Brasília
Márcia Xavier

Marina diz em debate da Band que Chico Mendes era 'elite' como Guilherme Leal


1)Chico Mendes, à porta do sindicato da 'elite' de Xapuri, no Acre; 2) cartaz  das eleições de 1986(Marina e Chico Mendes, candidatos pelo PT, derrotados no pleito)
Ninguém ganhou e ninguém perdeu.
Aécio, Dilma e Marina Silva defenderam seus programas e suas histórias políticas.
E ninguém se atacou de maneira mais grosseira ou rude.
Foi um debate de bom nível.
A grande escorregadela da noite acabou sendo de Marina Silva, exatamente ela que estava indo bem e entrou no estúdio como a estrela da noite, embalada pela pesquisa Ibope. Ela  se embananou toda numa pergunta de Levy Fidelix, o homem do 'Aerotrem', que a atropelou falando de Neca Setúbal, do Itaú, e Guilherme Leal, da Natura.
Marina ficou visivelmente irritada e saiu em defesa dos aliados, dizendo que a primeira era educadora o que segundo tem compromisso histórico com a 'sustentabilidade' e o 'meio ambiente'. E que ela não tem problema nenhum com quem é de elite. Que o problema do Brasil não é a sua elite. E ao final, cravou a pior das suas frases. Disse que Chico Mendes também era de elite tanto quanto Guilherme Leal(Do AMgóes - Os ossos do líder seringueiro devem ter chacoalhado em fúria na sepultura de Xapuri/AC).
Esse foi um dos temas mais debatidos no twitter. Muita gente se indignou com a frase de Marina. No twitter, quem também fez muito sucesso foi Eduardo Jorge, do PV. Ele defendeu a legalização do aborto e das drogas. E ainda deu uma provocada em Marina, pedindo-lhe para parar de apertar sua bíblia, que provavelmente estava em cima do púlpito  onde ela estava, porque senão a bíblia iria ficar tão magrinha quanto ela.
Outro momento quente do debate foi quando Aécio e Dilma debateram a Petrobrás. Dilma atacou de Petrobrax e da plataforma que afundou no mar no governo do PSDB e disse que o discurso do tucano era uma leviandade. Aécio devolveu a leviandade pra Dilma, falando que a empresa nunca se viu envolta em tanta corrupção.
O debate serviu para testar hipóteses. Os marqueteiros certamente estavam fazendo pesquisas 'qualis' para verificar em que momento os argumentos dos seus candidatos fizeram mais estrago na campanha dos adversários.
Ninguém ganhou e ninguém perdeu, mas alguém pode ter passado o recibo que a outra campanha vai usar daqui pra frente.
Marina piscou quando confrontada com a influência que Neca Setúbal e Guilherme Leal exercem ou podem exercer sobre ela.
No final do debate, Boris Casoy fez a pergunta mais estapafúrdia. Quis saber o que Eduardo Jorge achava do projeto do controle da mídia E Dilma avançou no tema. Disse que defende a regulação econômica do setor, porque é contra o monopólio. Os irmãos Marinho devem ter se ligado neste momento. E acertado que vale qualquer um para derrotar Dilma.
Na sua fala final, Aécio diz que não dá pra o país nem continuar como está e nem entrar numa aventura, dando a entender que falava da candidatura de Marina. E anunciou(bomba! bomba!) que seu ministro da Economia será Armínio Fraga.
Na verdade, Aécio deixou para o final dois anúncios. O nome do ministro da Economia e a forma como vai atacar Marina. Vai dizer que ela é uma aventura.

Dez coisas sobre o debate   da   Band 

Paulo Nogueira   

Marina, Dilma e Aécio
Marina, Dilma e Aécio
Dez coisas sobre o debate da Band:
1) Dilma apanhou de todos os lados. Bateu em Aécio e poupou Marina, que não a poupou.
De uma maneira geral, se defendeu bem, o que mostra que se preparou para a pancadaria generalizada.
2) Aécio foi Aécio e mais três: os jornalistas da Band, José Paulo de Andrade, Boris Casoy e Fabio Panuzio.
As perguntas deles continham invariavelmente críticas a Dilma e oportunidades para Aécio vender seu peixe. Foram torcedores muito mais que jornalistas.
3) Aécio escolheu por onde vai tentar brecar Marina: dizendo que ela é uma “aventura”, um “improviso”.
A verdadeira mudança, segundo ele, é ele mesmo.
4) Aécio vê um Armínio Fraga que só ele vê. Nas  suas considerações finais, Aécio anunciou Fraga como ministro da Economia com o ar triunfal de um técnico que estaria comunicando a aquisição de Messi.
5) Marina mostrou quanto respeita Neca. Os óculos vermelhos com os quais se apresentou no debate chamaram a atenção de todos.
Neca não parece ter apreciado muito. Da plateia, acenou para que Marina os tirasse, e foi obedecida.
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6) Marina, como se diz no futebol, está de salto alto, mascarada, por conta das pesquisas.
Parecia pairar acima do bem e do mal, ou pelo menos acima de Dilma e Aécio, ao renegar a polarização PT X PSDB.
7) O Pastor Everaldo não tem noção das coisas. Numa pergunta sobre o futuro da energia, parecia aquele aluno que ao ver uma questão numa prova percebe que não estudou nada. Respondeu com seu repetido bordão sobre o Estado Mínimo, que lhe valeu o apelido de Pastor Neoliberal entre os internautas.
8) Eduardo Jorge, do PV, foi o Rei da Zoeira, com seu vozeirão, seu traje de cantor sertanejo e suas críticas “a tudo isso que está aí”.
“Aquele tio que fuma maconha e pede dinheiro emprestado pra tua avó”, na definição de um internauta no Twitter.
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9) Levy Fidelix frustrou os internautas ao deixar de falar no mítico “aerotrem”.
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Comparado ao baixinho da Kaiser e ao Senhor Spacely, parecia, como o Pastor Everaldo, perdido no tempo e no espaço.
10) Luciana Genro pode se tornar um bom quadro da esquerda, se for mais pragmática. Sublinhou a semelhança entre o programa econômico de Aécio e de Marina, falou na necessidade de taxar as grandes fortunas e, em seu melhor momento, notou que o jornalista José Paulo de Andrade não entendeu nada dos protestos de junho passado.
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Paulo Nogueira
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Ibope tem olho de jacaré,


couro de jacaré…


Será que não é jacaré?

Fernando Brito                                        
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Pedi emprestada a frase aí de cima ao velho Leonel Brizola para falar da pesquisa Ibope, agora que tomamos conhecimento da parte relativa à aprovação/reprovação do Governo e ao desempenho pessoal de Dilma Rousseff.
Repare que, na mesma linha do Datafolha, que elevou em seis pontos a aprovação ao Governo (de 32 para 38%), também o Ibope registrou isso, de forma mais modesta (32% para 34%).
Os dois institutos – não seria melhor chamá-los de empresas? – também coincidem na queda forte dos níveis de ruim/péssimo como avaliação da administração: o Datafolha derruba este índice de 29 para 23%, enquanto o Ibope mostra queda de 31% para 27%.
Registrando movimentos iguais de opinião, o Datafolha não dá nem tira de Dilma. Mas o Ibope toma-lhe quatro pontos.
Por mais que não se possa fazer a transposição mecânica destes índices, é estranho que a avaliação  do Governo suba e a intenção de voto na chefe deste Governo caia.
Principalmente, como já frisei aqui, quando é o próprio governante o candidato.
Dilma teria, segundo as pesquisas, apenas os votos dos que a acham boa ou ótima presidente, ou nem isso.
Entre os que acham seu governo regular, precisaria não ter um voto para exibir os percentuais que as pesquisas de opinião lhe dão.
Convenhamos, é pouco crível, para dizer o menos e ser gentil.
O jacaré tem olho, couro e rabo.
Mas tem, sobretudo, dentes.

Filiado ao PSB, Adriano Benayon diz que não vota em Marina Silva

          

Adriano Benayon (*)

                     benayon
Enviado por e-mail
Comunicado aos co-filiados do PSB, amigos e leitores:
Há alguns anos, sou filiado ao PSB, em que ingressei, tendo tido a honra de ter tido minha ficha assinada pelo competente e digno Carlos Siqueira.
Sem solidariedade social e sem aspiração de independência nacional, socialismo é apenas uma palavra falsa.
Assim, diante do fato de que o PSB adotou a candidatura da sra. Marina Silva à presidência da República, declaro que não votarei na candidata do partido.
Não estamos, senão formalmente, em regime democrático, haja vista a urna eletrônica absolutamente inconfiável, e  a influência nas eleições do poder econômico concentrado e da desinformação em massa, a cargo da grande mídia, a serviço dos interesses imperiais. Meu voto, pois, tem peso ínfimo.
Mas para mim é importante declará-lo.
No 2º turno, entre Dilma e Marina, sua provável concorrente, já que Aécio é fraco eleitoralmente e deverá ser preterido pelos imperiais, GAFE, PIG etc., penso que o PSB deveria apoiar a atual presidente, mediante compromissos de eliminação das políticas de juros altos, subsídios às montadoras estrangeiras e a outros concentradores, abandonar o tripé do FMI, intensificar as relações com os BRICS e com o MERCOSUL.
Devo concitar outros membros do PSB a pedir às lideranças do partido não persistirem no grave erro de se terem associado a uma certa rede ou teia, comprometida com interesses contrários aos de nosso País.
Errou o falecido Eduardo Campos ao entrar nessa associação, como erraram os que o acompanharam nesse passo.
Pior ainda foi, após a morte dele, apoiar a candidatura da Sra. Marina, sob pressão dos elementos mais entreguistas da coligação, como os Srs. Roberto Freire, Jarbas Vasconcellos et alli.
Mas o importante e recomendável é reconhecer os erros e fazer o possível para desfazê-los e/ou reduzir-lhes as consequências.
A prioridade então é dissociar-se da Rede e de D. Marina, pois essa aliança significa o fim do PSB como partido e sua identificação como mais uma sigla de aluguel.
Muitos estão ironizando, ao dizerem em relação a D. Marina: “Basta de intermediários. Neca Setúbal para presidente”.
Esses estão alienados da dura realidade, que é pior, pois a oligarquia dos grandes bancos locais é apenas subalterna dos interesses imperiais, tal como seus economistas, da mesma laia que os dos tucanos e ligados ao mega-entreguista FHC. Os críticos, se mais inteirados dos fatos e mais corajosos, deveriam dizer:
“Basta de intermediários. George Soros (ou o príncipe Charles, da família real britânica,  Reino Unido) para Pró-Cônsul do império.”
Saudações a todos e todas,
Adriano Benayon

(*) Adriano Benayon é doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México.

Por que Ibope e Datafolha     não pesquisaram 2º turno entre Aécio e Marina?      
             Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães

Desde o dia 18 último que uma pergunta ficou rondando a mente do blogueiro. Para não sentir-se obcecado, porém, este que vos escreve não deu muita atenção ao fato. Agora, porém, com a repetição do fenômeno a dúvida ganhou significação.
O que aconteceu no dia 18 de agosto passado? Saiu uma pesquisa Datafolha que, tal qual a de terça-feira, do Ibope, inexplicavelmente não pesquisou o embate em segundo turno entre Marina Silva e Aécio Neves.
E daí? Eu é que pergunto: por que, diabos, os dois maiores institutos de pesquisa do país não pesquisaram a possibilidade de, por exemplo, Aécio ultrapassar Dilma Rousseff e disputar o segundo turno com Marina?
Impossibilidade estatística? Alguma lei da natureza ou dos homens impede que tal confronto possa ocorrer?
Na noite de terça, logo após noticiar a sondagem do Ibope, o Jornal Nacional deu a informação, porém sem qualquer explicação: assim como o Datafolha, o Ibope não pesquisou esse cenário.
Logo vem à mente uma dúvida: a lei permite que uma mesma pesquisa eleitoral não submeta um ou mais candidatos a escrutínios aos quais submete outros?
É só para saber…
Mesmo que a lei permita, ainda seria de bom alvitre que os que encomendaram a pesquisa Ibope – bem como o próprio instituto – explicassem por que não foi pesquisado um cenário que pode até ter pouca chance de ocorrer, mas que de maneira alguma seria impossível de ocorrer.
Hoje, é pouco provável que Aécio passe para o segundo turno com Dilma, mas isso não impediu que o Ibope pesquisasse um eventual segundo turno entre os dois. Por que não Marina e Aécio?
Se houvesse uma explicação, ela deveria ser dada. Fica parecendo não ser do interesse de quem encomendou as pesquisas, Ibope e Datafolha, expor a possibilidade maior de Aécio eventualmente massacrado em confronto direto com Marina.
Mas Aécio poderia vencer, dirão. Tudo pode acontecer, mas se ele perde de Dilma por boa margem no segundo turno, o mais lógico é supor que sua derrota para Marina seria acachapante em  eventual segundo turno.
Esse parece ser o problema de quem encomendou as pesquisas Ibope e Datafolha: não querer expor mais  um péssimo resultado de Aécio numa mesma pesquisa. Queriam um mau resultado para ele (cair para terceiro lugar) e outro para Dilma (perder de Marina no segundo turno).
Pergunta: quanto mais de manipulação têm essas pesquisas?
Mas é claro que se o dileto leitor tiver uma teoria melhor para explicar esse troço tão esquisito,  fique à vontade para fazê-lo.
Debate na Band
O debate na Band começou tarde (22 horas) e terminou já no rastro da segunda hora da madrugada desta quarta.
De certa forma, foi surpreendente ver Dilma alvo de todos os adversários, inclusive de Aécio e  Marina. A lógica era a de que Marina fosse a mais atacada, mas nem o principal interessado em desgastá-la – Aécio – fez dela seu alvo principal, preferindo focar em Dilma.
Menos surpreendente foi Marina ir para o ataque contra Dilma e Aécio, repisando, vez após outra, o papo da “polarização” entre PT e PSDB.
Dilma se defendeu como pôde. Particularmente, o Blog julga que passou bem pelo corredor polonês dos adversários. Manteve postura digna, apesar do nervosismo que não a abandona nunca.
Marina parecia serena. Certamente  segura de seu bom momento. Contudo, enrolou o tempo todo. Fugiu dos problemas que os correligionários banqueiros e megaempresários têm com o fisco, fugiu de quase todos os temas polêmicos.
Aécio fala bem, mas abusa do caradurismo. Continua fazendo acusações éticas ao PT e ao governo Dilma apesar da montanha de problemas que ele mesmo e seu partido têm nessa seara. E acha que ninguém questiona tal contradição. Por isso está tão mal nas pesquisas.
O mais interessante, entretanto,  é que Aécio só logrando  crescer, a esta altura, se tirar votos de Marina, preferiu atacar Dilma. Pode-se especular que ele acredita  estar no segundo turno com a petista, embotra seja outra a hipótese mais provável.
Será que Aécio não tentou simular que acredita poder voltar ao  segundo lugar na disputa? Parece mais provável.
Seja como for, esse debate não deverá ter maiores desdobramentos por si mesmo. Só quem viu foram os convertidos de cada lado. O povo não viu. O que for dito na mídia, portanto, é que terá influência. E, aí, todo mundo sabe o que acontecerá.
Não existe, porém, nenhum naufrágio disponível. Mesmo Dilma, alvo de todos os adversários, manteve-se firme, digna. E à versão antipetista da mídia é óbvio que blogs e redes sociais farão o contraponto.
De uma coisa, porém, pode-se ter certeza: enquanto Marina não for questionada com severidade,  estará consolidando a posição de segunda colocada no primeiro turno, acumulando forças para o segundo.
Nesse aspecto, parece que Aécio já está jogando a toalha. Intimidou-se diante da concorrente ao segundo lugar no primeiro turno. É óbvio que pretende apoiá-la quando ela passar à fase final. Afinal, o contrário é uma possibilidade cada vez mais distante.
As escolhas de Aécio, porém, não escondem outro fato que este blog vaticina e  ainda está por confirmar-se: se o PSDB apoiar Marina oficialmente no segundo turno, com direito a Aécio aparecer em seu programa de tevê e tudo, irá fazê-la perder muito(e decisivo)  apoio à esquerda. Era isso.