terça-feira, 29 de julho de 2014

"Policiais   deveriam   ser gestores de segurança e não operadores de guerra"
Entrevista com o delegado Orlando Zaconne, da Polícia Civil do Rio de Janeiro
Isabela Palhares                
Carlos Magno/GERJ (23/05/2014)
De acordo com o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), “a entrada da polícia nas favelas é sinônimo de paz”. Disse isso se referindo à ocupação da Polícia Militar nas favelas do Complexo da Maré, ocorrida em abril. De acordo com a avaliação que a mídia corporativa faz do governo peemedebista, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) são o maior legado de Cabral. Não à toa, de acordo com o Datafolha, o governador tinha a inédita marca de 77% de rejeição antes de renunciar. 
O que Cabral e agora Pezão, atual governador pelo PMDB, não querem entender, pelo que se depreende, é que a entrada das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas não soluciona o problema da violência. Quem tem o poder, trata a favela como território inimigo a ser gerido, leva o tanque e o caveirão para combater o tráfico, ao invés de tratar a região com respeito e cumplicidade.  
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, ligado à própria Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, quase 40 mil pessoas desapareceram desde o início do governo Cabral. Especialistas enxergam relação clara entre queda de homicídios praticados por agentes do Estado e os desaparecimentos.
SER JOVEM
Com a Copa do Mundo, a preocupação com a violência foi maior – aumentou o número de estrangeiros passeando de jipe pelas favelas, como num safari. Passeio carioca, infelizmente, já tradicional. Ao contrário do que apontam aqueles que reverenciam o fluxo de capitais que acompanhou o mundial, a população das favelas saiu prejudicada. Sem mandados de busca ou qualquer senso de respeito, a polícia revista indivíduos, invade casas e rouba celulares dos moradores que acharem suspeitos. 

Conversei com alguns grupos de mídia alternativa – que preferiram o anonimato – das favelas do Complexo da Maré e do Complexo do Alemão. Confirmaram que a truculência da polícia não tem limites e que os moradores vivem assustados. “Morre gente toda semana. A palavra pacificação é só uma fachada, eles militarizam e contam com o medo dos moradores. É a lógica de dominação”, disse um dos integrantes de um grupo de mídia do Complexo do Alemão. 
Delegado Orlando Zaconne
A Carta Maior entrevistou Orlando Zaccone, Delegado da Polícia Civil no Rio de Janeiro, 49 anos, sobre a questão da desmilitarização da polícia, da ocupação da PM nas favelas cariocas e das UPPs. Formado em jornalismo e direito, Zaccone está há 14 anos neste posto. É conhecido nos movimentos de direitos humanos e antiproibicionistas por ser contra a militarização da polícia, mesmo tendo o cargo que tem.
Carta Maior: Qual seria uma alternativa governamental para as UPPs? Sai UPP e entra o quê?
Delegado Orlando Zaccone: Tem que entrar tudo que não entrou antes, tem que entrar a Prefeitura. Dei uma entrevista recentemente sobre o que anda acontecendo nas UPPs e me perguntaram se teria havido ‘um fracasso do projeto’. Eu disse que o projeto já revela o próprio fracasso. Quando se transfere a governabilidade de um espaço da cidade para a polícia, o governo da favela passa a ser do comandante da Polícia Militar – essa é uma grande crítica que sempre exponho. 
A polícia passa a operar o policiamento no aspecto amplo. O cotidiano dos moradores – festas, transporte alternativo – passa a ser objeto de gestão policial e isso indica um marco bem autoritário. Em comparação, é engraçado isso, na Barra da Tijuca, no Leblon e em Ipanema temos subprefeituras. Já nas favelas temos as UPPs. 
A prefeitura tem que adequar um projeto político no qual ela possa fazer uma gestão governamental do espaço das favelas. Antes das UPPs quem governava eram os traficantes e milicianos, agora é a polícia. Nenhuma dessas maneiras está correta. Quem tem que agir é a prefeitura e o poder público. 
CM - A desmilitarização da polícia é necessária para acabar com a repressão?
OZ - A repressão sempre ocorreu. Antes da entrada das UPPs a polícia também era violenta. A UPP só faz isso se tornar rotina diária. Na verdade, não existe polícia que seja militar, é um oxímoro, ou é polícia ou é militar. A responsável pela segurança interna deve ter um marco civil dentro dos parâmetros do Estado de Direito Democrático.
A inclusão da PM entre os órgãos responsáveis pela segurança pública é uma consequência da continuidade do estado de exceção da ditadura militar, que a Constituição de 1988 manteve. Isso até ofende a existência de um Estado de Direito Democrático.
Agora, o fim da PM não significa o fim da militarização da segurança pública. As polícias civis e estaduais podem ser muito mais militarizadas que a PM. Temos o Core da Policia Civil, por exemplo, que se equipara ao Bope.
É preciso desmilitarizar a cultura policial no brasil e investir em áreas como a formação policial, que claramente não ganha atenção, tendo em vista que as academias estão sucateadas e o ensino é voltado para o combate, sem foco na segurança pública. Os policiais deveriam ser formados para atuar como gestores de segurança e não como operadores de guerra.
CM - Fale sobre o PAC/Programa de Aceleração de Crescimento e os investimentos nas Favelas.
OZ - Existem esses projetos de segurança pública desde 2000 que tentam fazer o vínculo entre a redução de violência e criminalidade e a redução de vulnerabilidade em regiões. Só que essa construção se mostra equivocada. É uma estratégia para circunscrever o crime nas favelas mais pobres, o que não se realiza. Recentemente estive em um evento de segurança pública no estado de Sergipe, alguns intelectuais observaram o aumento significativo de homicídios no interior do estado e concluíram que este se deu pelo grande fluxo de capital para essas áreas. 
Por quê? Bom, é na desigualdade social que esses investimentos são realizados, mas não beneficiam a todos. O contraste no fluxo de capital é que evidencia o problema maior da violência no que diz respeito ao índice de crimes violentos. Na realidade, esses investimentos são correlatos com a presença da polícia. Para que o PAC chegue nas regiões é necessária a presença da polícia e, com isso, é inevitavel que a violência transborde. 
Percebe-se, no Rio de Janeiro, o aumento nas taxas de roubo e homicídio, e a causa principal é a pior distribuição de renda entre o povo, mesmo em regiões que circulam bastante capital. Todo discurso é voltado para dizer que a criminalidade só se encontra nas áreas pobres, assim há uma vigilância da vida dessas pessoas. 
Mas o que muitos não pensam é que existem problemas nessas regiões que não são solucionados por meio de teleféricos. Recentemente, alguns moradores da Favela da Rocinha, zona sul do Rio, estavam protestando pois queriam investimento em saneamento e não queriam a mobilidade do teleférico. A ida e a volta ao trabalho dos proletarizados fica garantida com o teleférico, mas isso só mostra o interesse do patrão de o trabalhador chegar na hora da labuta. Existem questões mais importantes que a mobilidade. Tem o teleférico mas não tem sistema de esgoto, por exemplo. O estado ‘investe’ nessas áreas e mesmo assim não há redução das taxas de violência, esse paradoxo mostra uma forma de planejamento que não tem retorno.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Intenção velada de a Alemanha integrar os BRICS assusta os EUA 

Carl Edgard, com agências internacionais, 
de Nova York, EUA, Moscou e São Paulo                        

Merkel e Putin, em recente encontro durante reunião de cúpula da União Europeia
Merkel e Putin, em recente encontro durante reunião de cúpula da União Europeia
Os piores pesadelos do presidente Barack Obama têm ganhado forma, em uma velocidade com a qual ele não contava, no front financeiro. Uma análise do doutor em Estatística Jim Willie, PhD na matéria pela Carnegie Mellon University, nos EUA, afirma categoricamente que a Alemanha está prestes a abandonar o sistema unipolar apoiado pela Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) e os EUA, para se unir às nações dos Brics, o grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, razão pela qual a agência norte-americana de espionagem NSA ampliou suas escutas à lider germânica Angela Merkel e terminou flagrada por agentes do serviço secreto alemão, após as denúncias do ex-espião Edward Snoden. Em entrevista ao blogueiro Greg Hunter, editor do USA Watchdog, Willie afirmou que a verdadeira razão por trás do recente escândalo de espionagem da NSA, visando a Alemanha, é o clima de medo que ronda o governo norte-americano de que aspotências financeiras da Europa estejam procurando fugir do inevitável colapso do dólar.
Editor de um boletim financeiro a partir de Pittsburg, no Estado norte-americano da Pensylvania, Jim Willie afirma que o apoio dos EUA à Ucrânia e as consequentes sanções impostas à Rússia integram o esforço dos EUA de tentar segurar o êxodo europeu no campo econômico e político, em nível mundial. “Aqui está a grande consequência. Os EUA, basicamente, estão dizendo à Europa: você tem duas opções aqui. Junte-se a nós na guerra contra a Rússia. Junte-se a nós nas sanções contra a Rússia. Junte-se a nós nas constantes guerras e conflitos, isolamento e destruição à sua economia, na negação do seu fornecimento de energia e na desistência dos contratos. Junte-se a nós nessas guerras e sanções, porque nós realmente queremos que você mantenha o regime do dólar. (Em contrapartida, os europeus) dizem que estão cansados do dólar… Estamos empurrando a Alemanha para fora do nosso círculo. Não se preocupem com a França, nem se preocupem com a Inglaterra, se preocupem com a Alemanha. A Alemanha tem, no momento, 3 mil empresas fazendo negócios reais, e elas não vão se juntar às sanções”.
Willie continua: “É um jogo de guerra e a Europa está enjoada dos jogos de guerra dos EUA. Defender o dólar é praticar guerra contra o mercado. Você está conosco ou está contra nós?”.Quanto à espionagem da NSA sobre a Alemanha, Willie diz: “(Os espiões norte-americanos) estão à procura de detalhes no caso de (os alemães) passarem a apoiar a Rússia sobre o ‘dumping’ ao dólar. Eu penso, também, que estão à procura de detalhes de um possível movimento secreto da Alemanha em relação ao dólar de união aos Brics. Isto é exatamente o que eu penso que a Alemanha fará”.
Willie calcula que, quando os países se afastarem do dólar norte-americano, a impressão de dinheiro (quantitative easing, QE) aumentará e a economia tende a piorar. Willie chama isso de ‘feedback loop’, e acrescenta: “Você fecha o ‘feedback loop’ com as perdas dos rendimentos causados pelos custos mais elevados que vêm da QE. Não é estimulante. É um resgate ilícito de Wall Street que degrada, deteriora e prejudica a economia num sistema vicioso retroalimentado… Você está vendo a queda livre da economia e aceleração dos danos. A QE não aconteceu por acaso. Os estrangeiros não querem mais comprar os nossos títulos. Eles não querem comprar o título de um banco central que imprime o dinheiro para comprar o título de volta! A QE levanta a estrutura de custos e causa o encolhimento e desaparecimento dos lucros. A QE não é um estímulo. É a destruição do capital”.
Na chamada “recuperação” a grande mídia tem batido na mesma tecla durante anos, Willie diz: “Os EUA entraram em uma recessão da qual não sairão até que o dólar tenha desaparecido. Se calcular-mos a inflação corretamente… Veremos uma recessão monstro de 6% ou 7% agora. Não creio que a situação melhore até que o dólar seja descartado. Portanto, estamos entrando na fase final do dólar”.
“Você quer se livrar de obstáculos políticos? Vá direto para o comércio e negócios. Por que é que a Exxon Mobil continua realizando projetos no Ártico e no mar Negro (na Crimeia) com os russos e suas empresas de energia? Nós já temos empresas de energia dos Estados Unidos desafiando nossas próprias sanções, e mesmo assim estamos processando os bancos franceses por fazerem a mesma coisa. Isso é loucura. Estamos perdendo o controle”, aponta.
Um mundo 'não norte-americano'

No Brasil, a cúpula realizada em Fortaleza, na semana passada, durante a qual foi criado o Novo Banco de Desenvolvimento, chamou a atenção do mundo para o próprio projeto de desenvolvimento do bloco, bem como para o papel da China e da Rússia nesta organização. O vice-diretor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Academia de Ciências da Rússia, Serguei Luzyanin, anda em paralelo à linha traçada por Willie. Leia, adiante, a entrevista que Luzyanin concedeu à agência russa de notícias VdR:
Foi referida a criação do embrião “de um mundo não norte-americano”. Porque é que os BRICS não gostam da América do Norte?
– A cúpula brasileira ficou para a história enquanto o mais fértil encontro do “quinteto” – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A sua fertilidade não ficou apenas patente na criação de instrumentos financeiros – o Banco de Desenvolvimento e Arranjo Contingente de Reservas – mas, sobretudo, no nível de empenho dos líderes dos Brics – no auge da Guerra Fria 2.0, quando os norte-americanos tentam esmagar qualquer um que age à revelia das “recomendações” de Washington – em criarem o seu embrião “de um mundo não norte-americano”. No futuro, outros projetos poderão estar ligados ao desenvolvimento dos Brics, como a Organização de Cooperação de Xangai (RIC). O importante é que, de fato, existe a concepção “de um mundo não norte-americano” que se desenvolve ativamente e de forma concreta. Os Brics parecem prestes a se tornar o epicentro deste novo fenômeno. Não é preciso ser um político habilidoso para sentir que os povos e as civilizações dos países em vias de desenvolvimento estão cansados de “padrões norte-americanos” impostos. Aliás, padrões para tudo, economia, ideologia, forma de pensar, os “valores” propostos, vida interna e externa, etc. O mundo inteiro viu pela TV o aperto-de-mão dos cinco líderes dos Brics, ao qual, passado uns dias, se juntou praticamente toda a América Latina. É discutível se, neste impulso comum, existiu uma maior dose de contas pragmáticas ou de solidariedade emocional, mas, uma coisa é certa, nele não houve qualquer amor pela América do Norte. E isso ainda é uma forma polida de colocar as coisas.
E quanto à adesão da Argentina, quem, no Sul, irá “apoiar” os EUA?
– Para a Índia os Brics são uma oportunidade de reforço na Ásia Austral e de desenvolvimento econômico fora da alçada da Ocidente. A motivação regional é conjugada com expectativas financeiras e tecnológicas que unem a África do Sul e o Brasil. No futuro, o “segmento” latino-americano poderá ser reforçado. Muitos peritos esperam que o “quinteto” seja alargado através da adesão da Argentina ao projeto. Ultimamente tem existido um desenvolvimento fulgurante das relações bilaterais da Rússia e da República Popular da China com países da América Latina, em setores como o tecnológico-militar, comercial, de investimento e energético. Neste quadro, as visitas em Julho de Vladimir Putin e de Xi Jinping marcaram o tendencial círculo de potenciais aliados dos Brics, nomeadamente Cuba, Venezuela, Nicarágua, Argentina, entre outros. Como é sabido, geograficamente, a America Latina “apoia”, a partir do Sul, os EUA. O reforço dos Brics, nessa zona sensível para os norte-americanos, é um trunfo adicional para o mundo em vias de desenvolvimento.
Relativamente à “descoberta” muçulmana dos BRICS. Como será a institucionalização?
– Também se estuda o prolongamento dos Brics da direção do Islã, onde também existe descontentamento face ao domínio norte-americano. Espera-se que, após a entrada da Argentina, a fila de adesão aos Brics seja engrossada pelo maior, em termos de população, país muçulmano do mundo (cerca de 250 milhões), ou seja, a Indonésia. Ela, seja pela sua ideologia, seja pela ambições, nasceu para aderir ao projeto e assim fechar a região do Sudeste Asiático. O novo governo indonésio confirma a sua intenção de desenvolver o relacionamento com os Brics. A entrada da Indonésia encerrará a “corrente regional” que englobará as principais regiões do mundo. Além disso, cada um dos países dos Brics irá representar a “sua” região, tornando-se no seu líder informal. Brasil a América Latina, RAS a África, Rússia a Eurásia, China o Nordeste da Ásia, Indonésia o sudeste asiático. Os futuros cenários de desenvolvimento do projeto poderão ser diversos. Mas um deles já é atualmente equacionado e de forma bastante concreta. Num futuro próximo, os líderes dos BRICS deverão trabalhar no sentido da institucionalização do projeto, nomeadamente através da criação de um fórum de membros permanentes (atualmente são cinco Estados), e um fórum de observadores e de parceiros de diálogo.
Há alguma chance de os EUA dialogarem?
– É possível que, com tempo, os EUA sejam obrigados a dialogar com os BRICS. Porém, não parece ser algo que venha a ter lugar num futuro próximo. Hoje o projeto está em ascensão. Ele combina, organicamente, as vantagens de diversas civilizações, economias e culturas políticas. Aqui não existem imposições nem domínios de um só país. É claro que existem incongruências, algumas “divergências e visões diferentes quanto à concretização de alguns projetos internacionais. Mas não são diferendos estratégicos. Trata-se de questões objectivas, que surgem, normalmente, nas relações internacionais do mundo político. Os Brics acabam por ser o reflexo bastante preciso do nosso mundo multifacetado e bastante complexo.


Eleição presidencial não é


uma futrica, como ocorreu


com 'Sabatina' da Folha


Fernando Brito                     
                                          
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Impressionante o nível da tal “sabatina” da Folha – o nome é uma confissão pretensiosa de como o jornal de considera capaz de “ensinar” os governantes – com a Presidenta Dilma Rousseff.
Os assuntos, em geral, se limitaram a futricas, em relação às quais Dilma até se saiu bem, recusando as provocações.
Mas não se discutiu, senão em rara menções, o papel de um presidente e de seu governo naquilo que o país mais precisa dele.
Na construção de seu desenvolvimento econômico e sua afirmação nacional.
Getúlio Vargas ficou na história por uma taxa de inflação o,2 ou 0,3% maior ou menor, ou por ter criado a siderurgia no Brasil, fundado a Petrobras, estatizado a exploração dos bilhões de toneladas de ferro brasileiros?
JK é lembrado pelas usinas elétricas, pelas estradas, pela mudança da capital, pelas nascentes indústrias naval e automobilísticas ou porque nomeou josé ou joão para um ministério?
Claro que tudo isso tem de estar presente numa entrevista política: a política é feita, também, destas situações.
Mas isso não pode nos privar do debate em torno do essencial: qual é o rumo deste país?
Quem vai cuidar de termos energia, estradas, portos, como o país vai se beneficiar da extraordinária riqueza de petróleo que se descobriu?
A oposição não tem uma ideia, um projeto, um caminho a apresentar.
O discurso é, quase que exclusivamente, o da moralidade que, com espe episódio do Aeoporto de Cláudio, vê-se qual é.
O resto é apenas (e mais) desmonte do Estado.
A iniciativa privada vai responder àquelas questões?
O Itaú vai financiar estradas, o Santander arcará com os investimentos do pré-sal, o Bradesco vai empatar dinheiro em hidrelétricas?
Ou será que o Goldman Sachs ou o BNP Paribas vão financiar metrô, corredores de ônibus, casas populares?
Escaramuças à parte, não se pode perder o foco do que é uma eleição presidencial.
É a escolha de um destino para o país.
Não a de um “amigo do mercado”.

Os humoristas de Israel: anões fora-da-lei              


A goleada israelense

A cultura judaica já produziu bons comediantes. Alguns associam o humor a reflexões existenciais, sendo capazes de rir de si próprios - como Woody Allen.
O porta-voz do Estado israelense parece ser herdeiro de um outro tipo de humor. Em vez de rir de si próprio, prefere transformar em piada o assassinato de milhares de mulheres e crianças palestinas na faixa de Gaza.

Palmor: quem é o anão fora-da-lei?
A nota do governo brasileiro, que condenou de forma veemente o ataque brutal a Gaza e apontou o uso “desproporcional” da força por parte do governo israelense, fez com que o porta-voz Yigal Palmor manifestasse toda sua veia humorística: “desproporcional é perder de 7 a 1″, disse.

Israel já havia chamado o Brasil de “anão diplomático” e“politicamente irrelevante”, recebendo a justa resposta de  Marco Aurelio Garcia (que você pode ler aqui, na íntegra):
“É evidente que o governo brasileiro não busca a “relevância” que a chancelaria israelense tem ganhado nos últimos anos. Menos ainda a “relevância” militar que está sendo exibida vis-à-vis populações indefesas.  Como temos posições claras sobre a situação do Oriente Médio – reconhecimento do direito de Israel e Palestina a viverem em paz e segurança – temos sido igualmente claros na condenação de toda ação terrorista, parta ela de grupos fundamentalistas ou de organizações estatais.”
Freud (assim como Marx e Darwin, outros gênios que ajudaram a Humanidade a compreender melhor sua aventura – e suas desventuras – nesse Planeta) era judeu. Freud foi pioneiro em apontar atos falhos e piadas ditas assim, de forma “impensada”, como indicadores do que anda pelo inconsciente das pessoas. Quem tiver curiosidade sobre o tema pode consultar “Os chistes e sua relação com o inconsciente”, um clássico publicado pela primeira vez em 1905 (Freud, diga-se de passagem,  não era entusiasta do projeto de um Estado judeu, que àquela época começava a ganhar apoio na Viena onde vivia).

Ao comparar a morte de milhares de inocentes em Gaza com a goleada sofrida pelo Brasil na Copa, o lamentável porta-voz faz o mundo compreender: para o Estado de Israel, a guerra é um jogo. É isso o que o senhor Yigal Palmor deixou escapar. Fez uma piada e com ela revelou-se ao mundo. Ótimo!

O porta-voz aplicou uma goleada mental em si mesmo. E fez Israel levar uma outra surra na batalha de comunicação.

No cálculo do número de mortos, claro, não há dúvida de que os palestinos estão perdendo de goleada.  Mas isso não é um jogo. É uma tragédia humanitária e política – tão grave quanto quanto os “pogroms” contra judeus no século XIX, ou o apartheid sul-africano no século XX.

Aos olhos do mundo, é Israel quem se transforma em anão. Um anão moral. E que tem entre seus altos funcionários, além de tudo, péssimos humoristas.

Isolado, acostumado a ser o amigo preferido do menino fortão da rua (EUA), o Estado de Israel vê sua imagem se desmanchar perante o mundo.

No Brasil, setores da imprensa e jornalistas/apresentadores/comentaristas que costumam se reunir às escondidas com representantes da diplomacia dos Estados Unidos, alinham-se agora com os piadistas israelenses. Também são anões. Usam globos, cbns e outras concessões públicas para defender um estado fora-da-lei, o Estado de Isarel.

Pode demorar um ano, cinco anos, cinco décadas. Mas os anões fora-da-lei serão derrotados. No Brasil e no Oriente Médio.