sábado, 28 de junho de 2014

O tamanho do PT

O partido perdeu apoio nos últimos anos, mas continua a ser de longe a principal, quando não a única, legenda reconhecida pela maioria da população
Marcos Coimbra  
                  
Na mais recente pesquisa CartaCapital/Vox Populi, realizada no início de junho, a identificação partidária com o PT ficou em 16%. Número modesto para um partido que, não faz muito tempo, chegou a alcançar o dobro.
O resultado é semelhante àquele de outras pesquisas das últimas semanas, amplamente festejado pelos “analistas” da mídia conservadora. Parecem estar contentes com o sucesso da estratégia de desconstrução da imagem do PT, à qual os veículos de comunicação têm se dedicado, com afinco, há tempos.
Ninguém duvide. Sempre foi essa a intenção subjacente à campanha para transformar
 o escândalo do “mensalão” no maior de nossa história e a caracterizar como criminosas algumas das mais importantes lideranças do partido. Queriam enfraquecê-lo eleitoralmente, já na eleição de 2012 e, em especial, nesta sucessão presidencial. Quem acreditou na cantilena de que desejavam a “regeneração moral” da política brasileira deve também imaginar que as cegonhas trazem os bebês. No intuito de atingir a imagem do PT, é verdade, acabaram por instituir um cenário de terra arrasada. Não apenas o PT perdeu eleitores, mas todos os demais partidos. Quando se compara a pesquisa de agora com aquelas de antes do carnaval midiático em torno do julgamento do “mensalão”, verifica-se que a soma de quem dizia identificar-se com qualquer outra legenda passou de 21%, em abril de 2012, para 13%, uma redução para perto da metade. Há dois anos, 48% dos entrevistados tinham alguma identidade partidária. Hoje, caíram para 26%. 
Quem mais perdeu foi o PT, por ser aquele que mais tinha a perder. O PMDB e o PSDB eram pequenos e assim permaneceram. Os restantes 30 e tantos partidos dividiam 10% do eleitorado e agora se contentam com 6%. O tamanho efetivo do PT não é, porém, adequadamente estimado pela proporção da população que se diz identificada com ele. Quando se pergunta aos eleitores se têm “simpatia” ou “antipatia” pelo PT, verifica-se que a base social do partido é maior.
São “simpatizantes” 32% dos entrevistados na pesquisa mais recente. Inversamente,
 21% seriam antagonistas (ou “antipatizantes”). Os 47% restantes não são nem uma coisa nem outra. Nem a favor do PT nem contrários. É uma demonstração da força da sua imagem. Manter contingentes tão expressivos de eleitores identificados ou simpáticos, depois de passar pelo que passou de 2012 para cá, é sinal de enraizamento e solidez.
Em resumo: ainda que tenha perdido tamanho, o PT continua a ser, de longe, o maior e, provavelmente, o único partido reconhecido pela maioria da população. Com um terço de simpatizantes e somente um quinto de antagonistas, sua base de apoio na sociedade é superior à de qualquer adversário ou combinação de legendas oposicionistas. Assim, ao contrário do que afirmam os “analistas” da mídia conservadora, o PT não é um problema para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff, mas uma sustentação.
Note-se: os números atuais da identificação com o PT não são muito diferentes daqueles que a legenda tinha nas suas três eleições vitoriosas. Em junho de 2002, diziam-se identificados com o partido 15% dos entrevistados. Em julho de 2006, o porcentual era de 17%. Somente em junho de 2010, quando Lula batia todos os recordes de popularidade, a identificação foi a 21% (dados sempre do Vox Populi). O que estava em alta há quatro anos era a “simpatia” pelo partido, que alcançava a marca de 60%. Número significativo, mas de impacto eleitoral discutível, pois não levou Dilma Rousseff a obter votação nesse patamar.
O que tivemos em 2010 e até cresceu em 2011 foi uma ilusória generalização do petismo, como se uma vasta maioria do País houvesse se rendido ao sucesso de Lula e ao bom começo do governo Dilma, provocando o quase desaparecimento das oposições. Mas se revelou uma percepção enganosa na eleição de 2010 e ficou ainda mais evidente de 2012 em diante.
Uma parcela da sociedade brasileira sempre rejeitou o PT, com maior ou menor intensidade. A novidade, nesta eleição, é o fato de uma parte hoje se expressar com desembaraço e violência, ecoando o que ouve dos porta-vozes do reacionarismo na mídia conservadora, no Judiciário e no empresariado.Isso não muda, contudo, o tamanho real do partido, o contingente de quem pode criticá-lo, mas se sente adequadamente representado por ele. Para Dilma Rousseff, é um ponto de partida fundamental, algo que nenhum de seus oponentes possui e adoraria ter.

As 13 previsões mais catastróficas - e furadas - sobre a Copa no Brasil  

É hora de relembrar, com algumas boas gargalhadas, as previsões mais pessimistas e catastróficas feitas por cartomantes de plantão que previram o caos

Najla Passos

Arquivo
A Copa do Mundo não resolveu e não irá resolver todos os problemas do país. Aliás, nem é esta a função de um evento esportivo privado. Mas que o mundial atrai turismo e investimentos externos, não há mais dúvidas. Como também não há nenhuma de que ele mexe com autoestima de um país incentivado durante séculos a cultivar um inapropriado “complexo de vira-latas”! 

Por isso, agora que o sucesso do evento já é reconhecido em todo o mundo, que o país já provou que pode ser organizar uma bela copa e que os turistas e os investimentos estrangeiros continuam chegando, é hora de dar boas gargalhadas com previsões mais pessimistas  feitas pelas cartomantes de plantão que tanto torceram contra a realização do mundial.

Das adivinhações às avessas do mago Paulo Coelho à mudança de planos da cineasta que fez sucesso afirmando que não viria ao Brasil, dos prejuízos contabilizados pelo tucanato ao delírio do protesto do chuveiro no “modo quentão”, do mau-humor da imprensa estrangeira à campanha permanente da Veja, confira as 13 previsões mais catastróficas – e furadas – sobre a Copa do Mundo no Brasil!

1 – O mago Paulo Coelho: “A barra vai pesar na Copa do Mundo”


Em entrevista à revista Época, publicada em 5/4/2014, o mago, guru e escritor Paulo Coelho, que mora na Suíça, disse que não viria ao Brasil assistir aos jogos da Copa do Mundo nos estádios, apesar de ter sido presenteado com os ingressos pela FIFA. “A barra vai pesar na Copa. A Copa será um foco de manifestações justas por um Brasil melhor. Os protestos vão explodir durante os jogos porque vai haver mais gente fora do que dentro dos estádios”, afirmou.

O Mago, que “previra” que o Brasil ia ganhar a Copa das Confederações, evita arriscar o resultado para o mundial. E apresenta certezas já desconstruídas pela realidade, como a de que o Brasil deveria disputar a final com a Espanha, eliminada na 1ª fase: “Agora não sei. Certamente o Brasil irá à final com a Alemanha ou a Espanha, duas seleções fortíssimas nesta Copa. A Argentina não. A Suíça vai surpreender. Eu ousaria dizer que a Suíça vai para as quartas. No futebol, você tem que ser otimista, não tem outra escolha. O Brasil tem chances de não ganhar”.

2 – Arnaldo Jabor: “A Copa vai revelar ao mundo a nossa incompetência” 

No dia 6/6/2014, às vésperas da abertura da Copa, o cineasta Arnaldo Jabour, emcomentário para a Rádio CBN, ainda insistia no pessimismo em relação à Copa, com o objetivo claro de influir no processo eleitoral de outubro. “Nós estamos jogando fora a imensa sorte que temos, por causa de dogmas vergonhosos que não existem mais. Estamos antes do Muro de Berlim e a Copa do Mundo vai revelar ao mundo a nossa incompetência”, afirmou.

3 – Veja: “Por critérios matemáticos, os estádios da Copa não ficarão prontos a tempo”

Em 25/5/2011, a Veja previu o fracasso da Copa do Mundo no Brasil. E com a ajuda da matemática, uma ciência que se diz exata desde tempos imemoriais. Na capa, a data da logo do mundial era substituída por 2038. O intertítulo explicava: “Por critérios matemáticos, os estádios da Copa não ficarão prontos a tempo”.

De lá para cá, foram muitas outras matérias, reportagens e artigos anunciando o fracasso do mundial. E mesmo com o início dos jogos, com estádios prontos e infraestrutura à altura do desafio, a revista estampou, na edição desta semana, uma nova catástrofe iminente: “Só alegria até agora - Um festival de gols no gramado, menos pessimismo nas pesquisas, mais consumo, visitantes em festa e o melhor é aproveitar, pois legado duradouro, esqueça”.

Melhor mesmo é torcer para que, quem sabe até 2038, a Veja aprenda a fazer jornalismo!

            
4 – Cineasta brasileira radicada nos EUA: “Não, eu não vou para a Copa do Mundo”

Em junho de 2013, a cineasta brasileira Carla Dauden, radicada em Los Angeles, nos Estados Unidos, fez sucesso na internet com o vídeo “No, I’m Not Going (AQUI) to the World Cup” (“Não, eu não vou para a Copa do Mundo”), que alcançou quatro milhões de curtidas. Mas antes mesmo da bola começar a rolar nos gramados brasileiros, a ativista já era vista circulando pelo país.

No Twitter, ela justificou a abrupta mudança de planos: “Não vim para ver a Copa, vim para falar dela. A Copa nunca vai ser a mesma para os brasileiros. As pessoas não vão se esquecer do que acontecerá por aqui”, diagnosticou, antes da abertura. A frase, de fato, parece fazer sentido. Mas por motivos opostos do que aqueles que a ativista advoga!

5 - Protesto do chuveiro no “modo quentão” vai causar apagão!

Até bem pouco tempo antes do início da Copa, eram muitos os setores que insistiam no risco iminente de blackout no país, da oposição à imprensa monopolista. Um grupo de internautas, porém, levou as ameaças infundadas a sério e decidiu criar uma página no Facebook destinada a acelerar o caos: usar os jogos da Copa para provocar um apagão generalizado no Brasil e, assim, boicotar a realização do evento.

A estratégia definida foi a utilização sincronizada dos chuveiros no “modo quentão”. “Chuveiros devem ser ligados na hora dos hinos nos jogos. A carga elétrica anormal derrubará a energia em bairros, cidades, regiões, estados e o país inteiro, em efeito dominó. Acompanhem os hinos por rádio, para maior garantia de sincronização”, diz a descrição do evento que conquistou pouco mais de 4,5 mil curtidas.

Dado o fracasso do evento, a página agora é utilizada para a troca de memes contra o PT, a esquerda e as pautas sociais e progressistas!

6 – Marília Ruiz: “Vai ser um vexame. Um vexame!”

No dia 26/1/2014, a TerraTV publicou um comentário (AQUI) da jornalista esportiva Marília Ruiz em que ela previa que, se o Brasil conseguisse realizar a Copa, já seria uma grande vitória. A antenada comentarista até admitia que os estádios ficariam prontos. Mas sem qualidade: "Se eu sentaria o meu corpinho numa cadeira recém colocada, com um parafuso a menos? Eu não sei”.

Do alto de sua experiência em cobertura de outras copas e de um etnocentrismo latente, ela também alertava que, mesmo fazendo sua Copa após a da África, o país passaria vergonha. “Eu achei que a gente ia passar vergonha, que nós, brasileiros, que o país ia passar vergonha. Aí eu pensei, é até um alento porque a Copa do Brasil vai ser depois da Copa da África: ninguém vai lembrar muito como foi na Alemanha. Muito menos as pessoas vão lembrar como foi no Japão e na Coreia. E eu posso dizer porque estive lá. É uma vergonha ao cubo!”

Confira o comentário completo e saiba quem é que está passando vergonha!

7 -  Álvaro Dias: “O país ficará com mais prejuízo do que lucro”


De todas as aves de mau agouro que bravatearam contra a realização da Copa no Brasil, o tucano Álvaro Dias, senador pelo PSDB do Paraná, foi uma das mais barulhentas. Previu que o governo amargaria um prejuízo de mais de R$ 10 bilhões com a realização do evento, que os turistas não apareceriam, que os aeroportos não ficariam prontos e não dariam conta do fluxo de passageiros. 

“O legado da copa do mundo me parece ser um grande fracasso. O país ficará com mais prejuízo do que lucro”, disse ele em entrevista (AQUI) à TV Senado, publicada no Youtube em 7/8/2013. Agora que os turistas chegaram, os investimentos estrangeiros entraram e o país tá fazendo bonito em mobilidade e infraestrutura, o senador desapareceu por completo do noticiário. Não se sabe se está esperando o evento acabar para profetizar outro apocalipse ou aproveitando as férias para curtir os jogos, como fez durante a Copa das Confederações!
 
8 - Ex-presidente FHC: “A Copa do Mundo como símbolo de desperdício”


Em artigo publicado no norte-americano The Wold Post, em 21/1/2014, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso se referiu à Copa como símbolo do desperdício de dinheiro público. Tal como seu companheiro Álvaro Dias, perdeu a chance de ficar calado.  Segundo a Fipe, só a Copa das Confederações rendeu R$ 9,7 bilhões ao PIB brasileiro. A projeção de retorno da Copa é de R$ 30 bilhões. A Apex-Brasil, aproveitando a Copa do Mundo, trouxe ao Braisil mais de 2,3 mil empresários estrangeiros, de 104 países. A agência estima trazer US$ 6 bilhões em negócios para o Brasil.

9 - Redação Sport TV: do fracasso ao espírito de porco!


No Programa Redação Sport TV de 22/1/2014, o apresentador deu sonoras gargalhadas ao exibir a foto de um estádio da copa ainda sem gramado e fazer previsões catastróficas sobre o evento. Na edição de 26/6/2014, o tom mudou completamente: um outro apresentador mostrou como a imprensa internacional elogiava o evento e ouviu do entrevistado Ruy Castro: “A nossa imprensa foi rigorosamente espírito de porco antes do evento começar”.




10 – Governo alemão: “O Brasil é um país de alto risco”

Há seis semanas do início da Copa, o Ministério de Assuntos Exteriores da Alemanha divulgou um relatório pintando uma imagem desoladora do Brasil, descrito como um país ode as leis não são respeitadas e o turista corre o risco de ser roubado, sequestrado e se envolver em conflitos entre policiais e criminosos. O documento listava uma série de cuidados que os gringos deveriam tomar, incluindo atenção redobrada com as prostitutas, apontadas como membros e organizações criminosas, e vigilância contínua com os copos, para não serem vítimas de um “Boa noite, Cinderela”.

Pelo documento, até mesmo a seleção alemã estaria em perigo em terras tupiniquins. E não apenas dentro de campo. “Arrastões e delitos violentos não estão descartados, lamentavelmente, em nenhuma parte do Brasil. Grandes cidades como Belém, Recife, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo oferecem altas taxas de criminalidade”, ressaltava.

O Ministério ainda não divulgou relatórios sobre o número de alemães que vieram ao Brasil e o que estão achando da experiência. Mas quem circula pelas ruas brasileiras, repletas de gringos felizes e sorridentes, já sabe!

11 - Der Spiegel:  “Justamente no país do futebol, a copa poderá ser um fracasso”

 Um dos principais semanários da Europa, a revista alemã estampou, um mês antes do início da Copa, a manchete “Morte e Jogos”, destacando que, justamente no país do futebol, a Copa poderia ser um fiasco, por causa dos protestos, da violência nas ruas, dos problemas do transporte coletivo, dos aeroportos e dos estádios. Praticamente um alerta vermelho recomendando que os europeus não viessem ao Brasil.

Mas os turistas vieram e estão adorando. A imprensa estrangeira também: o jornal norte-americano The New York Times, fala em “imenso sucesso”. O francês Le Monde, em “milagre brasileiro”. O espanhol El País diz “não era pra tanto” para as previsões catastróficas.  A revista inglesa The Economist,  remenda que “as expectativas, que eram baixas, foram superadas”. A própria Der Espiegel, na edição desta semana, dá destaque para a animação da torcida e admite que os protestos em massa ainda não aconteceram. 
 
12 – Ronaldo, o fenômeno: “Da vergonha à constatação de que a Copa é um sonho”

Na véspera do início do mundial, o ex-atacante Ronaldo se disse envergonhado com os atrasos das obras da Copa. Mas, membro do Comitê Organizador Local da FIFA que é, defendeu a entidade e culpou o governo Dilma por todos os problemas. “É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando essa imagem”, disse à Agência Reuters o cabo eleitoral e amigo do senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência.

Agora, consolidado o sucesso do evento, tenta mudar o discurso. Em coletiva nesta quinta (26), procurou se justificar. "Não critiquei a organização da Copa, até porque eu faço parte dela. Disse que poderia ser muito melhor se todas as obras de mobilidade urbana tivessem sido entregues”, remendou. ”Vivíamos um clima muito tenso, com a população muito descontente. Começou a Copa, e agora estamos vivendo um sonho", concluiu.
 

13 –  O vira-vira lobisomem de Ney Matogrosso

De passagem por Lisboa, em 11/5, Ney Matogrosso (AQUI) resolveu usar a Copa para criticar duramente a política brasileira na TV ATP. Só esqueceu de estudar, primeiro, os argumentos. “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar com a Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”, disse ele, desconhecendo que, desde 2010, quando começaram os preparativos para a Copa, o governo já investiu R$ 850 bilhões em saúde e educação, enquanto os investimentos totais no mundial – incluindo federais, locais e privados – atingem R$ 25,6 bilhões.


Foi ácido quanto à construção dos estádios que, segundo ele, irão virar “elefantes brancos” e não serão usados para mais nada. Embolou dados, números e fatos em vários argumentos. Acabou sustentando uma visão preconceituosa sobre as classes populares. Questionado se há uma maior consciência dos pobres em exigir seus direitos, concordou: “O escândalo é tamanho que até essas pessoas param para refletir”.

      
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pesquisador da UFRJ diz que legado da Copa é estrutural

Jornal GGN – Pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Marcos Dantas foi entrevistado pela revista mexicana Zócalo sobre vários aspectos da Copa do Mundo de 2014, em especial na lida com aspectos políticos – como as manifestações – e do ponto de vista gerencial.

Para Dantas, a organização da Copa mostrou  falhas  na preparação, embora não tenham comprometido o bom andamento do mundial, estavam muito mais relacionadas aos Estados e municípios que em relação ao governo federal.

É deles (Estados e municípios) a responsabilidade maior pela contratação e execução das obras de mobilidade urbana, assim como pela segurança pública. Por problemas políticos e de gestão, melhor dizendo, falta de competência, não conseguiram fazer as obras a tempo e até cancelaram alguns projetos importantes. Os estados e municípios estavam desaparelhados para realizar as obras que lhe foram exigidas. Não raro faltam tanto burocracia pública, quanto empresa privada de engenharia com capacidade suficiente para sequer elaborar bons projetos”, avalia.

Por outro lado, o pesquisador destaca o que acredita ser o verdadeiro legado da Copa: o fator organização entre as esferas, que devem permanecer em função do andamento de obras importantes que, apesar de não terem sido concluídas para a Copa, serão finalizadas. Dantas avalia o resultado do esforço conjunto como “fundamental para a reconstrução do Estado brasileiro”. Confira a seguir, na íntegra, a entrevista do pesquisador à revista mexicana, concedida quatro dias antes da abertura do mundial, quando ainda pairavam incertezas em relação à segurança do evento.

Zócalo – O Brasil é conhecido como o país do futebol, como você acha que hoje em dia se constitui essa identidade através da mídia?

Marcos Dantas – Você me fez pensar sobre algo que não frequenta as minhas preocupações profissionais, embora eu adore futebol como entretenimento e, nessas horas, me comporte como qualquer outro torcedor. O futebol, realmente, tornou-se parte integrante da identidade nacional. Somos cinco vezes campeões do mundo, somos o país do Pelé, etc. Quase todo brasileiro joga ou já jogou futebol em algum momento de lazer, fins de semana etc. Mas o que é o futebol brasileiro, hoje? Nossos melhores jogadores estão no exterior, quase todos na Europa. O futebol que se joga aqui é muito ruim, o melhor futebol brasileiro a gente vê na Espanha, na Inglaterra, na Alemanha, com as camisas do Barcelona, do Chelsea, do Bayern... E a mídia, sem dúvida, ajuda nisso, seja promovendo uma ideia de sucesso relacionada a "ir para o exterior", seja nos fornecendo as imagens desse sucesso ao nos mostrar, pela televisão, os jogos de times com jogadores brasileiros, no exterior. Nossas crianças começam a crescer torcendo por esses times, pois neles estão (com razão) os seus ídolos: nos dias atuais, Neymar, David Luiz... A mídia, em suma, constitui um processo de produção de uma identidade "globalizada", na qual o lugar do Brasil é o de exportador de talentos, o sucesso só é sucesso se você consegue um lugar lá fora. E essa imagem passa a valer para todos os setores. Observo a você que talvez eu possa pensar assim porque, pela minha idade, sou de uma geração que, realmente, tinha um certo desprezo por fazer carreira no exterior (e todos os nossos grandes craques raramente saíam do país). No máximo, íamos para Estados Unidos ou Europa visando concluir a formação acadêmica e logo voltar para o Brasil, aqui buscando construir tanto a vida, como o próprio País.

Zócalo – O país realiza seu mais grande evento esportivo dos últimos anos, desde sua perspectiva, quais são os principais desafios para os organizadores?

Dantas – O maior desafio para os organizadores é... organização (rsss..) O Brasil é um país grande, complexo e com muitas diferenças comportamentais e até mesmo culturais entre suas várias regiões. Além disso, nos anos 1980-1990, o Brasil passou por um lamentável processo de desmonte do Estado, da sua capacidade de planejamento, da sua competência gerencial e de engenharia. Nos estados (somos uma federação, como você sabe) e municípios, esses problemas podem ser ainda mais graves do que no Governo Federal. Se você ler com atenção o próprio noticiário jornalístico sobre as obras para a Copa, vai perceber que grande parte dos problemas está nos estados e municípios. É deles a responsabilidade maior pela contratação e execução das obras de mobilidade urbana, assim como pela segurança pública. Por problemas políticos e de gestão, melhor dizendo, falta de competência, não conseguiram fazer as obras a tempo e até cancelaram alguns projetos importantes. Os estados e municípios estavam desaparelhados para realizar as obras que lhe foram exigidas. Não raro faltam tanto burocracia pública, quanto empresa privada de engenharia com capacidade suficiente para sequer elaborar bons projetos. Por outro lado, eu começo a acreditar que este será o grande legado desta Copa: as estruturas sociotécnicas que precisaram ser criadas ou fortalecidas (funcionalismo especializado, empresas de engenharia ou arquitetura, escolas etc.) vão prosseguir trabalhando até porque muitas obras importantes chegaram num estágio que não poderão deixar de serem concluídas. Vão ser concluídas com atraso em relação à Copa, mas vão ser concluídas. A Copa vai acabar se revelando um vetor fundamental de reconstrução do Estado brasileiro.

Zócalo – Esta Copa do Mundo começa com grandes protestos(do AMgóes - a revista aqui embarcou na 'onda' do PiG), qual significado tem esses acontecimentos em termos sociais e políticos para o Brasil? O movimento é legitimo?

Dantas – Publiquei recentemente um artigo no boletim "Carta Maior" que oferece a minha explicação para os acontecimentos: "McMundo vs. Jihad na Copa". Gosto dessa metáfora cunhada pelo cientista político estadunidense Benjamin Barber. A Copa, como todo espetáculo dessas proporções, mobiliza o imaginário social. A FIFA está preocupada tão somente com o lado "McMundo" da sociedade "globalizada": a Copa, hoje em dia, é um espetáculo feito para vender cervejas, automóveis, pacotes turísticos, serviços bancários e, claro, Coca-Cola. O "padrão FIFA" é o padrão MacDonald, é o padrão "shopping center". Durante a Copa das Confederações, qualquer observador um pouco mais atento e minimamente crítico, podia perceber que, nas telas das televisões, quando eram mostradas imagens das arquibancadas das novas "arenas", os rostos que apareciam, os rostos dos torcedores, não eram os do povo brasileiro, mas apenas os de sua parcela de pele clara e renda mais alta. Os mestiços escuros, os mulatos, os negros, os caboclos sumiram das arquibancadas dessas "arenas". E são esses os verdadeiros torcedores! Ficou muito claro que a FIFA expulsou o povo dos estádios. Por outro lado, isso se deu justamente num momento em que, graças a um amplo conjunto de políticas econômicas e sociais, o povo – o povo de verdade - vinha melhorando de vida, a renda subia, milhões de pessoas estavam e estão comprando eletrodomésticos, automóveis, até viajando de avião nas suas férias. Sim, o Brasil viveu um fenômeno socio-cultural muito interessante nestes últimos anos que os analistas definem como "ascensão da classe C". Eu tenho a impressão que essa "classe C", justo no seu momento de consagração, se sentiu excluída da festa. Acho que o Governo Dilma falhou feio ao não perceber a dimensão simbólica envolvida na Copa, ao aceitar as exigências descabidas da FIFA e acreditar que tudo se justificaria pelos investimentos que fez - e fez mesmo! - em obras de infra-estrutura e melhoria urbana.

Se permite estender-me um pouco mais, penso que esta situação de desconforto passou a ser explorada politicamente, ou seja, passou a ser potencializada, por todas as forças de oposição ao atual governo. A começar pela mídia que se declara, oficialmente, oposicionista. Tudo que é ruim é noticiado, nada que é bom é publicado. Os partidos de centro-direita e direita fazem o que podem para estimular a insatisfação. Os partidos de extrema-esquerda, com alguma inserção, como é natural, em segmentos trabalhadores, também, sempre que podem, promovem greves e manifestações. Assim, até porque há um real bloqueio a qualquer notícia "positiva", cria-se um clima de aparente insatisfação majoritariamente generalizada, o que não é verdadeiro. Existe uma "maioria silenciosa" que parece sentir-se inibida de se manifestar. Esta maioria aparece nas pesquisas que continuam colocando Dilma na liderança da corrida eleitoral.

Boa parte desse clima tem a ver com as eleições. Não importa se a Seleção vai ganhar, ou não, isto é do jogo. Mas se a Copa transcorrer sem grandes problemas e acabar revelando-se um razoável (ou estrondoso) sucesso, vai ficar muito difícil derrotar a presidente Dilma em outubro. Eu realmente estou convencido de que a Oposição deseja o fracasso da Copa. É triste, mas é fato.

Zócalo – Outro tema são as greves que estão acontecendo, como é o caso dos metroviários. Isso afeta de alguma forma o andamento da copa do mundo?

Dantas – Certamente, paralisar o metrô em dia de jogo vai criar um grande problema. Acho que tem dois lados oportunistas aí. O sindicato dos metroviários de São Paulo que, se eu não estiver enganado, é comandado pelo PSTU e PSOL, decidiu fazer greve nas vésperas da Copa, acreditando que, assim, pode aumentar o seu poder de barganha e obter um aumento _MUITO ACIMA_ dos indicadores inflacionários. O governador Alckmin, do PSDB, endurece as negociações, até demite grevistas, assim apenas contribuindo para maior radicalização. No ano passado, diante de uma manifestação de pouco mais de 2 mil pessoas, iguais a tantas outras que acontecem toda hora nas principais cidades brasileiras, o mesmo governador comandou violenta e descabida repressão policial que desencadearia toda aquela jornada de protestos de junho. Espero que, até quinta-feira, o bom senso ilumine os dois lados.

Zócalo – O Brasil tem um monopólio da televisão. Como são manejadas as informações sobre os protestos sociais no contexto da Copa? E a imprensa?

Dantas – De fato, no Brasil existe um oligopólio informacional comandado por quatro grandes conglomerados: Globo, Abril, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Essas organizações agendam o que a sociedade brasileira deve saber e sobre o que deve pensar. Definem o que os teóricos do jornalismo chamam de "agendamento" (ou "agenda setting"). A_Veja_ apura uma matéria e, no fim de semana, quando vai para as bancas, o _Globo_ e a _Folha_ também publicam a mesma matéria, citando a _Veja_. Jornalistas da _Folha_ e do _Estado_ trabalham nos noticiários dos canais da Globo, na televisão paga. Há uma total simbiose. Ninguém acha isso escandaloso! Os meios não costumavam dar grande importância para manifestações populares até o ano passado. Em geral, bloqueavam a divulgação desse tipo de informação. Súbito, passaram a dar grande destaque. É parte da estratégia de disseminar a insatisfação. O que acaba, claro, consolidando a idéia de que estamos todos insatisfeitos.

Zócalo – Finalmente está o tema da seguridade. Você acha que está garantida a seguridade dos jogos e dos turistas na Copa?

Dantas – Moro no Rio de Janeiro. Nada melhor para um carioca, do ponto de vista da tranquilidade e segurança, do que um grande evento... (rsss...) Desde a Rio92 até a recente visita do Papa Francisco, passando pelos Jogos Panamericanos, além de outros eventos, aqui se realizam grandes festas sem que ocorra nenhum problema mais grave. Todo dia de Ano Novo, entre 2 a 3 milhões de pessoas se reúnem na praia de Copacabana e nada acontece, além de muita festa. O Brasil não é uma Síria ou Afeganistão, nem mesmo (me desculpe) um México. Não temos aqui terroristas e grupos armados. Existem bairros violentos, geralmente nas periferias das maiores cidades, distantes até das regiões turísticas. Mas é violência de pequenos bandidos locais, nada tão organizado como Michoacán, Zeta ou Sinaloa... No Rio, havia uma situação mais problemática, devido a uma maior imbricação entre as "favelas" e o "asfalto", os bairros pobres e os bairros de classe média. Nos últimos anos, o governo estadual, com apoio federal, implementou uma razoavelmente bem sucedida política de pacificação dos territórios pobres, deles expulsando os grupos armados. Essa política é conhecida por UPP (iniciais de Unidades de Polícia Pacificadora). Hoje em dia, nas "favelas" vizinhas aos bairros mais ricos da cidade (Zona Sul e Barra da Tijuca), é perfeitamente possível fazermos um bom programa de fim de semana (ir a uma roda de samba, por exemplo), e até mesmo se hospedar em albergues e hostels, sem sentimento de risco ou hostilidade. Tem muito turista jovem fazendo isso e, nesta Copa, já tem muito "favelado" ganhando um bom dinheiro alugando quarto ou servindo almoço para estrangeiros. Como acontece em qualquer grande cidade do mundo, inclusive Paris ou Nova York, problemas como roubo de carteira de dinheiro, passaporte ou máquina fotográfica sempre podem acontecer. Qualquer turista deve estar atento a isso (eu, por exemplo, quando viajo para o exterior, coloco dinheiro e passaporte numa "pochete" interna, dentro das calças, e seguro bem a máquina fotográfica). Estou, realmente, muito tranquilo quanto à segurança, seja no Rio, seja em outras cidades. Evidentemente, estou descartando qualquer hipótese de sermos atacados pelo terrorismo internacional. O Brasil, até onde eu saiba, não é alvo. Mas disto, minha cara, nem a maior potência do mundo está livre... (rsss...)
Dentadas do uruguaio não são mais problema e ele pode voltar à Copa

Do Facebook do Robson Lessa, de Penedo(AL), que compartilhou foto de Duca Tambasco...

Problema resolvido! Pode voltar, Luisito Suárez!
         
a FIFA está estudando uma maneira de resolver o caso de Luis Suárez sem prejudicar o Uruguai. hahaha!
       
A FIFA está estudando uma maneira de resolver o caso 
Luis Suárez sem prejudicar o Uruguai. hahaha!

Surreal! Jornal Nacional


culpa estrangeiros por 


“boatos” pessimistas


sobre a Copa


Fernando Brito     

gringos
Um grande amigo me pergunta:
- Viu o Jornal Nacional?
- Eu não,  estava com um pouco de azia, não quis piorar.
- Que nada, você ia era desopilar o fígado de tanto dar risada…
- Por que?
- O que? Autocrítica dos camaradas William Bonner e Patrícia Poeta?
- Agora é você que tá de brincadeira, né? Desde quando a Globo disse isso, cara? Nem ela, nem a imprensa brasileira, segundo o Bonner.
- Não?
- Não, ele esclarece que a s reportagens não eram negativas, mas eram “ uma preocupação generalizada com as consequências dos atrasos, das obras não-concluídas.”
- Sei…
- E quem estava sendo “especialmente ácida” era a imprensa estrangeira…
- Ah, bom…
- E aí mostraram as revistas e os jornais estrangeiros dando o braço a torcer e confessando que a Copa era um sucesso…
- Malditos gringos, né? Devem ser todos comunistas…
-  Mais ou menos isso, derrubaram um por um com o que diziam antes e o que dizem agora…
- E na mídia brasileira,nada…
- Nada, nem aquela capa da Veja dizendo que os estádios só estariam prontos em 2038.
- Nem é claro, o editorial de O Globo agorinha, em maio, dizendo que “o jogo” da Copa estava “perdido”…
- Isso deve ser ilusão sua rapaz, a Globo sempre disse que a Copa ia ser um sucesso…Até mandou a turma dela, na área VIP, aplaudir a Dilma…
- É?
- Claro que é. Já sei de onde vem sua azia…
- ?
- Você está bebendo pouco, rapaz.  Vê se toma juízo e umas biritas também.
E desligou…