sábado, 26 de abril de 2014

O assassinato de Malhães


e o “nunca mais”. Nunca 


mais, mesmo?    

Fernando Brito                                    
fantasmadaditadura
O assassinato do coronel Paulo Malhães, que há um mês confessou uma série da assassinatos cometidos por ele e por outros durante a ditadura, embora possa ter sido simples coincidência, não parece ser apenas uma terrível casualidade.
Há vários elementos que permitem pensar nesta linha, mas este não é um blog policial, para entrar nesse debate, mesmo que a permanência de assaltantes numa simples casa de sítio por longas nove horas tenha o significado óbvio de que estavam procurando algo que ia além de jóias, dinheiro, armas ou eletrodomésticos.
Mais importante é uma reflexão sobre o lado político tenebroso que esta possibilidade abre.
Não é algo que se possa deixar, exclusivamente, nas mãos de um delegado de polícia. Não se pode correr o risco de uma insuficiência, ou de cumplicidades ou mesmo de incompreensão da gravidade do que isso pode, no limite, representar.
Que as associações criminosas formadas no mundo da repressão política ainda sobrevivam, com conexões que lhes permitam “agir” quando se vêem ameaçadas de serem reveladas.
Lembremo-nos que se trata de pessoas que, mais de uma vez, não hesitaram em matar e ainda forjar cenas e situações que encobrissem as responsabilidades pelos assassinatos.
A recusa do Supremo Tribunal Federal em permitir a abertura das investigações sobre os crimes da ditadura estendeu um manto de impunidade sobre os que a praticaram.
É inacreditável que a mais alta Corte deste país, indiretamente, possa ser cúmplice deste tipo de “eliminação” da memória nacional.
O desejo de que nunca mais vivamos assassinatos políticos passa, necessariamente, pelo fato de que assassinatos políticos – que dizem respeito a toda a sociedade – jamais possam ficar ocultos, como têm permitido as decisões do Supremo.
Porque é nas sombras que este tipo de fantasma sobrevive.


Dirceu, homem-teste

Esforço de Joaquim Barbosa para impedir Dirceu de exercer um direito saiu do plano racional -- e isso é mais perigoso do que parece

Paulo Moreira Leite            
É inacreditável que, no Brasil de 2014, se tente levar a sério – por um minuto – o pedido de investigar todas as ligações telefônicas entre o Planalto, o Supremo, o Congresso e a Papuda entre 6 e 16 de janeiro.
A rigor, o pedido de investigação telefônica tem um aspecto terrorista, como já disse aqui. 
Implica em invadir poderes -- monitorar ligações telefonicas é saber quem conversou com quem mesmo sem acessar o conteúdo da conversa  -- e isso o ministério público não tem condições de fazer antes que o STF autorize  a abertura de um processo contra a presidente da República. 
O que queremos? Brincar de golpe?
Criar o clima para uma afronta aos poderes que emanam do povo? 
Quem leva a sério o pedido de monitorar telefones do Planalto, com base numa denúncia anonima, sem data, nem hora nem lugar conhecido -- o que permite perguntar até se tenha ocorrido -- nos ajuda a  pensar numa hipótese de ficção cientica. Estão querendo um atalho atingir a presidente? Assim, com a desculpa de que é preciso apurar um depoimento secreto? 
Nem é possível fingir que é possível levar a sério um pedido desses. 
Por isso não é tão preocupante que uma procuradora do DF tenha feito tenha assinado um pedido desses. É folclórico, digno dos anais da anti-democracia e da judicialização.
O preocupante é a demora de Joaquim Barbosa em repelir o pedido. Rodrigo Janot, o PGR, já descartou a solicitação. Mas Joaquim permanece mudo.
O que ele pretende? 
O que acha que falta esclarecer? 
Honestamente, cabe perguntar: qual é a dúvida? 
Indo para o terreno prático. Estamos falando de uma área por onde circulam milhares de pessoas, que mantém conversas telefônicas longas, curtas, instantâneas ou intermináveis com chefes, assessores, amigos, maridos, motoristas, namoradas, amantes...sem falar na frota de taxi, no entregador de pizza e no passeador de cachorro...
Monitorar quem ligou para quem?
Imagine. Num dia qualquer entre 6 e 16 de janeiro de 2016 uma jovem assessora do Senado, que trabalha de minissaia e namora um musculoso agente penitenciário na Papuda, resolve encontrá-lo para tomar um sorvete. Mas o rapaz não aparece. Ela liga para o celular do amor de sua vida. O namorado atende  dentro de um ônibus que, naquele momento, se encontra parado no sinal vermelho em frente ao Planalto. 
Três meses depois, aparece o grampo:
-- Alô, Zé Dirceu na linha? Onde você está? Aqui é a Maça Dourada. Aquela, de 68. Lembra, na Maria Antônia....A gente não tinha marcado um encontro, 50 anos depois? Nossa turma tinha essa mania, lembra?
Está na cara que nada se pretende descobrir com uma investigação desse tipo. O que se pretende é ganhar tempo, como se faz desde 16 de novembro, quando Dirceu e outros prisioneiros chegaram a Papuda. Com ajuda dos meios de comunicação mais reacionários, os comentaristas mais inescrupulosos, pretende-se criar uma ambiente de reação contra o exercício de um direito típico dos regimes democráticos. Aguarda-se por uma comoção que impeça a saída de Dirceu. Você entendeu, né...
No plano essencial, temos o seguinte: Dirceu nunca deveria ter passado um único dia em regime fechado, pois  jamais recebeu uma sentença que implicasse em pena desse porte após o trânsito em julgado.
 Suas condições de detenção na Papuda se tornaram inaceitáveis a partir do momento em que ele – cumprindo as determinações legais à risca – conseguiu uma oferta de emprego para trabalhar em Brasília, obtendo a aprovação do Ministério Público e da área psicossocial.
No plano da investigação policial, temos o seguinte: nenhuma das possíveis alegações para impedir o exercício desse direito foi provada. Nenhuma.
 O que mantém Dirceu na prisão?
 Apenas  a vontade política de negar um direito que a lei assegura a todos. Um pedido de monitoramento de milhares (ou centenas de milhares? Milhões?) de telefonemas expressa o tamanho dessa vontade delirante de  castigar, de punir. Já se ultrapassou qualquer limite civilizado. E aqui entramos em nova área de risco.
 Depois de passar por um campo de concentração do nazismo, e, mais tarde, conduzido a um campo soviético  porque fazia oposição política a Josef Stalin, o militante David Roussett fez uma afirmação essencial:
“As pessoas normais não sabem que tudo é possível.



Ele se referia à câmara de gás, aos trens infectos, ao gelo, a fome, o frio – a todo sofrimento imposto a seres humanos em nome do preconceito de raça, de classe, da insanidade política, do ódio, da insanidade que dispõe de armas poderosas para cumprir suas vontades.
Não temos câmaras de gás no Brasil de 2014. Mas temos anormalidade selvagem.  Já tivemos um julgamento onde os réus não tiveram direito a presunção da inocência. Quem não tinha foro privilegiado não teve direito a um segundo grau de jurisdição. As penas foram agravadas artificialmente.  
Dirceu está sendo desumanizado, como se fosse uma cobaia de laboratório, mantida sob vigilância num cubo de vidro, 24 horas por dia.
Foi transformado num caso-teste.  
O direito que hoje se nega a Dirceu amanhã poderá ser negado a todos.
 Será tão difícil captar a mensagem? 

Reflexos  da   ditadura
na educação impedem
país de avançar                           

Em audiência na Câmara, especialistas pontuaram as heranças do período autoritário que impactam na má qualidade do ensino público e no acesso à educação.

Najla Passos                      

Do AMgóes - Abaixo, você conhecerá a lógica obtusa e excludente dos militares em     1964: a ditadura detonou o método revolucionário de Paulo Freire porque, para ela, estudante tinha 'apenas' que 'estudar' e ponto final. Quanta estupidez!                    
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Brasília - Os reflexos da ditadura civil-militar sobre a educação foram tão nocivos e profundos que até hoje, 30 anos após o início da redemocratização, impedem o país de alavancar a qualidade e democratizar o acesso a este que deveria ser um direito fundamental de todo brasileiro.  Em audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara, na  última 
quinta (24), especialistas foram unânimes em apontar as heranças do regime como principais responsáveis pela má qualidade da educação pública e pela vergonhosa falta de acesso a ela para os pelo menos 14 milhões de analfabetos, além de número maior ainda de analfabetos funcionais.


Presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti lembrou que a ditadura pôs fim ao ambiente de otimismo pedagógico dos educadores brasileiros com o avanço da educação popular e emancipatória já nos primeiros dias após o golpe. Em 14 de abril de 1964, um dia antes do general Castelo Branco assumir o posto de ditador, foi extinto o Programa Nacional de Alfabetização, que vinha sendo implantado no país pelo educador Paulo Freire e seria inaugurado oficialmente em maio. Segundo ele, não foi nenhum rompante do regime. A decisão já havia sido tomada um ano antes, quando Castelo Branco ouvira Paulo Freire em um evento no interior paulista. “Vocês estão engordando cobras”, teria diagnosticado o futuro ditador.

Na sequência, vieram as reformas educacionais que arrasaram com o modelo de educação brasileira. O presidente do Instituto narrou que, em 10 de junho de 64, na primeira reunião com secretários de educação, Castelo disse textualmente: o objetivo do meu governo é estabelecer a ordem entre trabalhadores, estudantes e militar.  E seu ministro Suplicy completou: estudante deve estudar, professor deve ensinar, e não fazer política. “Aí está o programa da ditadura: uma visão autoritária da educação e uma visão tecnicista que ainda permanece, suavizada, sem a ostentação e arrogância daquele período”, avaliou.     

Gardotti ressaltou também a introdução do caráter mercantilista da educação, trazido dos Estados Unidos, que a transforma em negócio, ao invés de direito. “Havia uma lógica de privatizar”, denuncia. Ele criticou a reforma universitária, que promoveu a “departamentalização”, apontada como estratégia para fragmentar o conhecimento. E também a forma autoritária como eram impostos os diretores, selecionados não pelo desempenho acadêmico, mas pelo perfil gerencial. “A reforma universitária obtetivava 

reformar para desmobilizar”, resumiu.


Sobraram críticas também à reforma do ensino básico, feita de modo a impedir o crescimento intelectual dos alunos. “A reforma da educação básica tem coisas hilárias, como dizer que todo mundo tem que se profissionalizar porque Jesus Cristo foi carpinteiro”, exemplificou. Segundo ele, em uma época que até o Banco Mundial preconizava que os trabalhadores tinham que ter uma formação generalista, a ditadura obrigou todas as escolas de ensino médio a introduzir a formação técnica compulsório, sem nenhum preparo para isso, e o resultado foi um fracasso.    

Outro fracasso registrado foi o do Mobral, criado para alfabetizar jovens e adultos e extinto no governo Sarney. Em quase 20 anos, o programa, que prometia acabar com o analfabetismo em 10, conseguir reduzir a taxa apenas de 33% para 25%. “O Mobral alfabetizou muito pouco. E era muito mais fácil do que hoje, porque esses 8% residual que temos agora está no campo e em locais de difícil acesso”, analisou.

No inventário dos prejuízos causados pela ditadura à educação brasileira, ele incluiu também o desmantelamento dos vários movimentos sociais e populares, a eliminação da representação estudantil e a perda da capacidade dos educadores de influir nos rumos da educação. Para ele, é preciso mudar a concepção da educação. “Nós temos que formar professores a partir de uma outra ótica, de uma outra concepção de educação que respeite o saber das pessoas, que introduza o diálogo, o respeito, e vença aquilo que é o mais duro do que foi herdado da ditadura: a falta de democracia”, diagnosticou.

Como exemplo, ele citou o quanto ainda é difícil implantar um conselho de escola ou mesmo difícil discutir política na escola, o que considera salutar para o país.
Estamos formando gerações sem discutir que país queremos”, afirmou. Gardotti lembrou que Paulo Freire já dizia que educar é politizar sim. “Não podemos formar estudantes na velha teoria do capital humano: estude, trabalhe e ganhe dinheiro. Paulo Freire respondeu claramente a esta teoria na época: a educação que não é emancipadora faz com que o oprimido queira se transformar em opressor”, concluiu.

O sociólogo e colunista da Carta Maior, Emir Sader, lembrou que o arrocho salarial foi tão importante para a sustentação da ditadura quanto a repressão sistemática, o que acabou comprometendo a qualidade dos serviços públicos, inclusive a educação. “O santo do chamado “milagre econômico” foi o arrocho salarial”, afirmou. Segundo ele, até então, a escola pública era um espaço de convivência entre a classe pobre e a classe média, um espaço de socialização. “A classe média, a partir daquele momento, passou a se bandear para escola particular, fazendo um esforço enorme, colocando no orçamento os gastos de escola e deixando a escola pública como um fenômeno social de pobre”, observou.

O sociólogo avalia que a ruptura causada foi tão significativa que a escola pública, até hoje, não recuperou seu vigor. “A democratização não significou a democratização do sistema educacional, não significou a recuperação da educação pública, da saúde pública. Isso está sendo feita a duras penas na última década, mas com uma herança acumulada brutal. Já tem reflexos no ensino universitário, mas não em toda a educação: a escola pública nós perdemos”, ressaltou.

Para ele, os investimentos em educação superior são importantes, mas é a reconquista da qualidade da educação primária e média que deve ser tema fundamental e urgente à democracia brasileira. “Estamos muito atrasados. Até a saúde pública, apesar do viés duríssimo da perda da CPMF, nós conseguimos melhorar agora com o programa Mais Médicos. Mas a educação, não. A estrutura de poder herdada da ditadura só se consolidou, inclusive a da educação privada”, observou Sader, lembrando que os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso aprofundaram ainda mais o processo de privatização deflagrado pelos militares.

Sadir Dal Rosso, professor da Universidade de Brasília (UnB), uma das mais afetadas pelo golpe civil militar, submetida a três intervenções, abordou o impacto da ditadura na universidade e na construção do pensamento brasileiro. Segundo ele, o controle das administrações universitárias, a demissão e expurgos de professores que não concordavam com o regime, os assassinatos de estudantes, o controle das organizações estudantis e a implantação de serviços de informação no meio acadêmico causaram prejuízos imensuráveis ao país, que ainda precisam ser investigados e punidos. “É necessário esclarecer a verdade e, neste sentido, é necessário rever a Lei da Anistia”, defendeu.

Ex-preso político considera morte de coronel no RJ
 'queima de arquivo'


Paulo Malhães foi assassinado dentro de casa, na Baixada Fluminense. Para Vitória Grabois, Comissão da Verdade fica ameaçada com o crime.

Lilian Quaino  G1/Rio                                                                                 
Cid Benjamin diz que o assassinato de Malhães foi uma "queima de arquivo" (Foto: Reprodução/GloboNews)Cid Benjamin diz que morte de Malhães foi
queima de arquivo (Foto: Reprodução/GloboNews)
morte do coronel reformado do Exército Paulo Malhães, conhecido por sua atuação na ditadura, gerou tensão entre quem luta para revelar a verdade do período de repressão política. O crime ocorre um mês depois de o militar ter admitido à Comissão Nacional da Verdade que participou de torturas e desaparecimentos, inclusive o do ex-deputado Rubens Paiva. Para o jornalista Cid Benjamin, ex-preso político, exilado e autor do livro “Gracias a la vida – Memórias de um militante”, o assassinato foi uma "queima de arquivo".
“Evidentemente estamos diante de uma queima de arquivo. Esse assassinato só reforça a necessidade de que os arquivos da repressão política sejam abertos e de que se passe a limpo tudo o que aconteceu nos porões da ditadura. Sem que isso aconteça estaremos sempre diante de novas ameaças à democracia”, disse Cid.

Victória teme que as investigações da Comissão da Verdade sejam prejudicadas devido ao assassinato. “A morte do coronel é uma ameaça, porque outros torturadores podem ficar acuados para prestar depoimentos e esclarecimentos sobre o que aconteceu na época da ditadura militar. Temos que abrir os arquivos da ditadura o quanto antes”, disse Victória.Presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Victória Grabois considera que o crime demonstra “perigo” para quem investiga a ditadura. “É estarrecedor o que aconteceu. Espero que o Estado brasileiro tome as medidas cabíveis, acione as policiais estadual e Federal para apurarem o que realmente aconteceu. Nós, dos direitos humanos, temos que ficar atentos. Se isso aconteceu com um militar, nós estamos passando por muito perigo”, declarou Victória, que ainda se reuniria com outros representantes do grupo Tortura Nunca Mais para emitir um comunicado oficial.

A Comissão da Verdade de São Paulo manifestou "surpresa e preocupação" com o assassinato e pediu "uma apuração rigorosa e célere dos fatos para que se desvende, o mais rápido possível, a motivação desse crime". Representantes da Comissão Estadual da Verdade do Rio se reúnem à tarde para discutir o fato. Uma nota deve ser enviada à noite.
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em contato telefônico mantido no início da tarde, que a Polícia Federal acompanhe as investigações da Polícia Civil do Rio.
Morto em casa
Malhães foi morto dentro de casa, no bairro Ipiranga, na área rural de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Segundo a Divisão de Homicídios da Baixada, a casa do coronel de 76 anos foi invadida por volta das 13h desta quinta (24) e, segundo sua mulher, Cristina Batista Malhães, ela e o caseiro teriam sido feitos reféns até as 22h.

Ainda segunda a viúva, que já prestou depoimento, pelo menos três homens participaram da ação, um deles com o rosto coberto. Os criminosos mantiveram as vítimas em cômodos separados e fugiram levando armas que o oficial colecionava. Segundo policiais, os peritos não encontraram marcas de tiros no local, mas a hipótese de que ele tenha sido baleado não foi descartada.
O local não tem câmeras de segurança, de acordo com o delegado Fábio Salvadoretti, que investiga o caso. A mulher e o caseiro não conseguiram reconhecer os criminosos, mas afirmam não ter sofrido violência física. O corpo de Paulo Malhães foi levado para o Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu.
O Clube Militar, associação que reúne militares da reserva do Exército, informou que não se pronunciará sobre o caso por não conhecer as circunstâncias da morte do coronel. O chefe de gabinete da presidência da instituição, coronel Figueira Santos, disse que o Clube Militar só irá se manifestar se surgir algum "fato novo". O Comando Militar do Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.
Comissão da Verdade
Em março, em dois depoimentos diferentes, um à Comissão Estadual da Verdade do Rio, no dia 21, e outro na Comissão Nacional da Verdade, dia 25, Paulo Malhães deu detalhes sobre torturas e desaparecimento de corpos durante a ditadura. Primeiro, declarou terdesaparecido com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva, morto em 1971. No segundo momento, voltou atrás e afirmou não lembrar se foi ele que executou a ação (no vídeo, veja depoimento de Malhães em reportagem do Jornal Nacional).

“Eu só disse [à imprensa] que fui eu porque eu acho uma história muito triste, quando a família leva 38 anos dizendo que quer saber o paradeiro. Eu não sou sentimental, não, mas tenho as minhas crises”, justificou, na época.
O quarto onde Malhães foi assassinado (Foto:  Luiz Roberto Lima/Extra)
O quarto onde Malhães foi assassinado (Foto: Luiz Roberto Lima/Extra
)


A ligação perigosa de

Padilha fica no alto da 

Cantareira. É a água…

Fernando Brito                                        
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Ninguém será mais atacado nesta campanha eleitoral que Alexandre Padilha.
O “vazamento” coordenado para toda a imprensa de uma suposta ligação entre ele e um cidadão que teria negócios com a tal Labogen – que afinal só fez convênios com a União no tempo de José Serra – é uma reação a ele ter ido à TV falar da  seca ” mata-chuchu” de São Paulo.
É isso o que, agora, desespera os tucanos.
Eles estavam certos que as dificuldades no campo da geração de energia elétrica iriam diluir a crise hídrica em São Paulo.
Embora a mídia ainda insista quase todo dia que o país está à beira de um apagão nas hidrelétricas, o armazenamento de água melhorou e atingiu 38% na regiões Sudeste ontem, contra uma previsão de 36,8% para o final do mês. E na madrugada de ontem voltaram a funcionar as três primeiras das 17  turbinas operacionais da Usina de Santo Antonio, no Rio Madeira, que estava paralisada desde meados de fevereiro, por conta das enchentes em Rondônia.
Também no Nordeste e no Sul – que está sendo usado em sua capacidade máxima para ajudar o Sudeste, porque as chuvas por lá estão fartas – os níveis superam folgadamente as previsões.
Já em São Paulo, existe uma verdadeira corrida – que não sai na mídia – para tornar operacionais as bombas que vão “chupar” o volume morto do fundo dos reservatórios da Cantareira.
O principal conjunto de reservatórios – o Jaguari-Jacareí, com 82% da capacidade total do sistema – teve seu nível rebaixado para meros 3,5% do total. Resta 1,3 m de água acima da última “boca” de captação. Acima dela, 23 metros de reservatório vazio.
O conjunto de represas tem apenas 10,9% de água ou 11,2% (a Sabesp aumenta 0,1%  com arredondamentos) , menos da metade do que na grande seca de 2004, quando chegou a ser cogitado racionar a água de São Paulo.
O pior é que esse volume voltou a cair num ritmo constante de cerca de 0,15% ao dia e não é preciso ser um gênio para ver que isso, no início da estação seca, não é dramático, é desesperador.
E aí é que entra o que Padilha fez e o Governo Federal e o PT não fazem: partir para cima do governo tucano, como a mídia e os tucanos partiram para cima do Governo Federal por conta de um “apagão” que não existe e, mantida a situação atual, não acontecerá.
Já em São Paulo, mesmo com a normalização das chuvas, será preciso, em média, bombear todo dia quase  um bilhão de litros do chamado volume morto dos reservatórios, em média, por dia, durante 150 dias, até novembro deixando um “saldo negativo” diário médio de 700 milhões de litros, descontada a água que entra. E esse bombeamento vai ter de continuar  durante os meses de novembro e dezembro, mesmo com chuvas torrenciais, porque a água ficará ainda muito abaixo das saídas dos reservatórios.
Isso, mesmo com toda a “boa vontade” da imprensa com Alckmin, não poderá ser escondido, como se fez ontem com a manifestação, no fundo seco de uma represa, em Piracaia,  dos integrantes do consórcio dos municípios que são (a esta altura quase se pode dizer que “eram”) abastecidos pela água que “sobra” da que os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí deixam nos reservatórios.
Os tucanos tremem só em pensar nos efeitos das imagens dos reservatórios da Sabesp secos como um Nordeste árido, mostradas todos os dias no horário eleitoral.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Imprensa distorce informações sobre relação de Padilha com Youssef             

Jornal GGN - A Polícia Federal interceptou mensagens do doleiro Alberto Youssef, em sequência às investigações da Operação Lava Jato, e enviou um relatório à Justiça com as conclusões e suspeitas. O documento indica uma possível relação do ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, além do deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), ao doleiro. As mensagens vazaram para a imprensa, que fez de uma suspeita decreto de crime.
Do ato ao fato. Assim que as mensagens vazaram, os meios de comunicação alardearam com manchetes que ligavam a ação do doleiro a Padilha e, ato contínuo, deputado de oposição ao governo entra com pedido para que Padilha seja convidado a se explicar na Comissão de Fiscalização e Controle. Tudo bem orquestrado conforme demonstra o desenrolar dos fatos. Acompanhe.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, uma mensagem foi enviada pelo deputado André Vargas (PT-PR) a Youssef por telefone celular, no dia 28 de novembro do ano passado, passando o nome e o número de alguém para dirigir o laboratório farmacêutico Labogen, informando que quem indicou o contato “foi Padilha, referindo-se possivelmente a Alexandre Padilha, então Ministro da Saúde” – é a descrição do relatório da PF.
A conversa de Vargas com Youssef era sobre a contratação de um executivo para o laboratório, que, segundo denúncias, funcionava como empresa fantasma para lavagem de dinheiro. Esse executivo foi identificado pela Polícia Federal, por meio de dados fornecidos pela operadora TIM, como Marcus Cezar Ferreira da Silva, ex-coordenador de promoção de eventos da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde.
Em outra conversa, em 26 de novembro, a interceptação das mensagens de telefone celular apresentam que André Vargas disse ao doleiro: “falei com Pad agora e ele vai marcar uma agenda comigo”. A Polícia novamente relaciona o “Pad” a Padilha.
A partir do vazamento da investigação da Polícia Federal, as manchetes dos jornais tornaram o denunciado réu julgado: “Alexandre Padilha indicou diretor de laboratório fantasma”, estampou a Veja; “PF diz em relatório que ex-ministro indicou executivo para doleiro preso”, publicou o G1.
O relatório da Polícia Federal também menciona: “existem indícios de que os envolvidos tinham uma grande preocupação em colocar à frente da Labogen alguém que não levantasse suspeitas das Autoridades Fiscalizadoras”.
Depois da onda de publicações dos jornais, Alexandre Padilha disse em nota pública, na sua página pessoal do Facebook:
Pessoal, venho aqui para dizer que repudio o envolvimento do meu nome e esclarecer que NÃO INDIQUEI nenhuma pessoa para a Labogen. Se como diz a Polícia Federal, os envolvidos tinham preocupação com as autoridades fiscalizadoras, eles só poderiam se referir aos filtros e mecanismos de CONTROLE CRIADOS POR MIM no Ministério da Saúde justamente para evitar ações deste tipo. A prova maior disso é que NUNCA EXISTIU CONTRATO com a Labogen e NUNCA HOUVE DESEMBOLSO por parte do Ministério da Saúde.”
O Jornal Nacional divulgou o oposto, que o laboratório “chegou a firmar uma parceria com o Ministério da Saúde, mas não recebeu recursos”, ao contrário do que informou Alexandre Padilha.
O relatório de 80 páginas da PF, que analisa 270 mensagens trocadas por Youssef e Vargas, ainda associa que o doleiro mantinha contatos com outros parlamentares. Em uma das mensagens, a Polícia suspeita que Youssef encontrou-se com Vargas no apartamento do ex-líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), em Brasília.
Na mensagem do dia 25 de setembro de 2013, Youssef disse a Vargas que havia acabado de chegar ao apartamento: “achei que você estivesse aqui na casa do Vacareza”, e André Vargas responde: “tô indo”.
Os indícios apontam que o alvo Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Candido Vaccarezza, inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado federal Vaccarezza, reunião esta entre Alberto Youssef, deputado federal André Vargas e Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos”, diz o relatório da PF.
Pedro Paulo Leoni Ramos foi ministro do governo Collor, e já havia aparecido na investigação da PF como sócio oculto no laboratório Labogen.
A Folha de S. Paulo contatou o deputado federal que, segundo o jornal, afirmou que não pode "negar peremptoriamente" que Alberto Youssef tenha passado em frente à sua casa, pois Vargas é seu vizinho em Brasília, mas que não se reuniu com Youssef.
A sequência orquestrada para colocar o pré-candidato a governadorde São Paulo na mira de escândalos teve desmanche com o anúncio oficial do líder da bancada do PPS na Câmara, Rubens Bueno, nesta sexta-feira (25) de que irá protocolar requerimento para Alexandre Padilha prestar esclarecimentos na Comissão de Fiscalização e Controle.