quinta-feira, 3 de abril de 2014

O fim inglório de 

Joaquim Barbosa 
Fernando Brito                                           

joaquim_barbosa
Poucas pessoas são tão exemplares do poder corrosivo do ódio quanto Joaquim Barbosa.
Reduz a figura de um ministro do Supremo – e seu presidente! – a um mero carcereiro doentio, destes que se comprazem em provocar sofrimento.
Pior; subverte e usurpa funções autônomas do Judiciário, como faz agora, “tomando as dores” do pupilo que fez ascender à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, afastado pelo Tribunal Distrital por ter atropelado as regras e interpelado direta – e grosseiramente – o governador, o que é legalmente atribuição do Tribunal.
Produziu um despacho que reproduz, quase que ipsis literis, o ato ilegal.
Quer que o governador explique suposições que não estão mencionadas em lugar algum, a não ser em reportagens sensacionalistas e, pior ainda, se é capaz de cumprir suas funções.
Janio de Freitas, hoje, na Folha, descreve bem:
“No despacho em que acusa o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, de não investigar as denúncias contra os presos do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa ora lhes atribui “irregularidades”, como certeza consumada; ora “fatos narrados”, o que nada assegura sobre fatos reais; “aparentes regalias”, ou meros aspectos; e, de repente, seguro e definitivo, ‘ilegalidades’.”
Mas é mais grave o que se passa.
Barbosa, segundo o Estadão, “também quer saber quais medidas serão tomadas a curto prazo para a retomada do comando do sistema prisional.”
O sistema prisional está desgovernado? Com que base o Dr. Joaquim faz essa afirmação?
Mesmo que tudo o que os jornais dizem, com base em informações vagas e anônimas, fosse verdade, um telefonema e um sanduíche do McDonald’s, por acaso, não são sintomas de um sistema prisional “descontrolado”, quando se sabe que tráfico, assassinatos e esquemas mafiosos são comandados de dentro das cadeias, sem que isso jamais tenha comovido o Dr. Joaquim.
Só uma coisa o move, aliás, o ódio.
E esse ódio o faz desrespeitar, com chicanas e pretextos, uma decisão judicial: a de que José Dirceu foi condenado a um regime semiaberto.
Decisão que Barbosa não aceita e sobre a qual, usando seu poder de Presidente do Supremo,  despeja sua “sanha reformadora” para transformar, se puder, em prisão fechada, de preferência em solitária e perpétua.
Talvez não perceba, mas acabou o tempo em que a imprensa lhe dava a cobertura necessária para ser um atrabiliário.
O poder de Joaquim Barbosa chegou ao fim.
O novo golpe de
Gilmar Mendes
Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho Altamiro Borges
O modelo legal vigente alimenta a promiscuidade entre agentes econômicos e a política, contribuindo para a captura dos representantes do povo por interesses econômicos dos financiadores, disseminando com isso a corrupção em detrimento dos valores republicanos (Ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Superior Tribunal Eleitoral).
A gente não pode nem comemorar uma notícia boa, que já vem outra ruim junto.

Em votação histórica, e por goleada (6 a 1), o Supremo Tribunal Federal aprovou nesta quarta-feira (2) uma das medidas mais importantes para o saneamento da política brasileira, ao proibir a doação de recursos de empresas para campanhas eleitorais, principal causa da corrupção endêmica que assola as nossas instituições.

Graças, porém, ao pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, sempre ele, o País vai 
ter que esperar o meritíssimo devolver o processo para que o resultado possa ser proclamado e entrar em vigor já para as eleições deste ano.

O grande problema é que, como não há prazo para Mendes fazer esta gentileza com a democracia brasileira, vamos ficar na dependência da boa vontade dele para cortar pela raiz a influência do poder econômico no processo eleitoral (em 2010, como lembra a Folha, 98% das receitas das campanhas de Dilma e Serra vieram de empresas).

Quando o placar já estava 4 a 1 pela proibição destas "doações desinteressadas" dos grandes grupos econômicos, o ministro alegou que como o tema era complexo precisava de mais tempo para estudar o processo e tomar sua decisão, que já é conhecida, a favor da participação das empresas nas campanhas. Mesmo assim, os ministros Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (ver matéria de Carolina Martins, do R7 em Brasília) e Ricardo Lewandowski adiantaram seus votos e garantiram a maioria pela proibição de doações empresariais nas campanhas.

Pergunta-se: 1) se não há mais como reverter este resultado, qual é o sentido de pedido de vistas de Gilmar Mendes, já que seu voto só vale um voto? 2) Por que os demais ministros tiveram tempo suficiente para estudar o processo e dar seus votos sobre este "tema complexo" e só um deles precisa de mais prazo para tomar sua decisão? Em situações semelhantes, ministros do STF chamam de "chicanas jurídicas" recursos de advogados que só servem para atrasar os processos e a promulgação dos seus resultados.

Por isso, solicita-se encarecidamente ao ministro Mendes devolver este processo o mais rápido possível, já que o presidente do TSE assegurou ontem que, caso isto aconteça, as novas regras de financiamento estarão valendo nas eleições marcadas para daqui a seis meses.

Qual a opinião do caro leitor do 'Balaio' sobre o financiamento de campanhas eleitorais, a decisão do STF e a atitude do ministro Gilmar Mendes?

O revelador jantar oferecido

a Aécio pelo 1%                           

Paulo Nogueira                     
Aécio com o casal Dória
Aécio com o casal Dória
Não poderia ser mais revelador o jantar oferecido pelo relações públicas João Dória a Aécio em sua casa em São Paulo.
(Aqui, você tem o vídeo da fala de Aécio.)
Foi um jantar do 1%, pelo 1% e para o 1%. Para a sentença se completar, só falta Aécio obter 1% dos votos em outubro.
No caminho para isso ele está.
O que chama a atenção é a desconexão entre o mundo reunido em torno de Aécio por Dória, um ex-Cansei, e a realidade ululante das ruas.
Gosto da palavra alemã zeitgeist (zaitegáiste), que significa o espírito do tempo. O jantar era o oposto disso. O antizeitgeist.
Não surpreende que o melhor relato do encontro esteja numa coluna (AQUI) social, a de Mônica Bergamo, da Folha/SP.
Aécio prometeu a um dos empresários participantes não aumentar os impostos. (Para o 1%, naturalmente.)
Há um consenso universal de que um dos dramas do mundo contemporâneo é a evasão de impostos do 1%(sonegador). Mas Aécio se compromete a facilitar ainda mais a vida fiscal da plutocracia nacional.
Ele também disse que está disposto a tomar “medidas impopulares” desde a “primeira hora” caso se eleja.
O lado ruim é o fato em si. Sabemos bem o que querem dizer “medidas impopulares”: a conta é dos 99%.
O lado bom é que isso não vai acontecer porque são zero as chances de Aécio.
No encontro, FHC foi, segundo Bergamo, intensamente aplaudido. Disse que reformadores só são reconhecidos muito depois.
É uma forma de autoconsolo, aparentemente. FHC está dizendo para si mesmo que, se hoje é vaiado fora dos círculos refrigerados, no futuro será reconhecido.
Teria Thatcher dito para si mesma coisa parecida enquanto os ingleses se preparavam para comemorar seu passamento com festas em praça pública?
Acho que não. Ela era mais realista que FHC. E muito mais original. FHC, basicamente, copiou o que Thatcher fez: privatizar, desregular e criar as condições, como o tempo mostraria, para um brutal processo de concentração de renda.
Com o correr dos anos, o PSDB foi se transformando de Partido da Social Democracia Brasileira para Partido da Capital Democracia Brasileira. O “social” no nome é apenas uma tradição a resguardar.
Em sua desconexão formidável com as ruas, FHC, Aécio, Serra e demais líderes tucanos simplesmente ignoram o exemplo portentoso transmitido pelo Papa Francisco.
Francisco reinventou um gigante esclerosado conectando-o com as ruas. O ponto central disso foi identificar, claramente, a desigualdade social como o mal maior a combater.
Para fazer algo parecido, o PSDB teria que mudar seu discurso – o que é relativamente simples – e sua prática, e aí as coisas realmente se complicam.
Você tem que falar com a gente simples do povo, com os favelados e os excluídos. Seus sapatos podem se sujar de barro nessa empreitada, e você pode ser obrigado a comer carne de terceira. Dificilmente você vai aparecer em colunas sociais, com programas assim.
Alguém imagina Aécio e FHC neste tipo de ação?
Mais fácil continuar do jeito que está.
O único problema é que o partido marcha, então, para uma magnífica obsolescência. Ou, em linguagem mais popular, para o caixão.

Paulo Nogueira
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Não penso, logo...

relincho

Um glossário com a lista dos principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão. 
Matheus Pichonelli                  Carta Capital

            
Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade.  Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado,    é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História.   Nem sempre é resultado da má-fé.     Por estranho que pareça, é na maioria  das vezes frut o da  indigência  mental  –   uma indigência mental  que  assola  as escolas,    a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar  sobre  qualquer  assunto  e  o  exercício de  moderação  de  comentários  nos  levam a reconhecer um  clichê  pelo  cheiro.    Listamos  alguns  deles abaixo com um apelo humanitário:   ao replicar,  você  não está  sendo  original;  está apenas  repetindo  uma fórmula  pronta  sem  precisar pensar sobre tema algum. E um  clichê  repetido  à exaustão, vale  lembrar, não é debate.   É apenas relincho*. 
“Negros têm preconceitos contra eles mesmos”
Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país. 

“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana”
Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?

“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis”
É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.

“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio”
Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios. 
“A mulher deve se dar o valor”
Repetida tanto por homens como por mulheres, é a confissão do recalque, em um caso, e da incompetência, no outro: o homem recorre ao mantra para terceirizar a culpa de não controlar seus próprios instintos; a mulher, por pura assimilação dos mandamentos do pai, do marido e dos irmãos. Nos dois casos o interlocutor acredita que, ao não se dar o valor, a menina assume por sua conta e risco toda e qualquer violência contra sua pretensão. Para se vestir como quer, andar como quer, dizer e fazer o que quer com quem bem quiser, ouvirá, na melhor das hipóteses, que não é a moça certa para casar; na pior, que foi ela quem provocou a agressão.

“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina”
Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.

“Se ela se deixou ser filmada, é porque quis se exibir”

Verdade. Mas não leva em conta um detalhe: existe alguém do outro lado da tela, ou da câmera. Este alguém tem um colchão de conforto a seu favor. Se um dia o vídeo vazar, será carregado nos braços como comedor. Ela, enquanto isso, vai ser sempre a exibida. A puta. A idiota que deixou ser flagrada. A vergonha da família. A piada na escola. Parece uma relação bastante equilibrada, não? 
“O humor politicamente correto é sacal”
É a mais pura verdade em um mundo no qual o politicamente incorreto serve para manter as posições originais: ricos rindo de pobres, paulistas ridicularizando nordestinos, brancos ricos fazendo troça de mulatos pobres, machões buscando graça na vulnerabilidade de gays e mulheres. As provocações são brincadeiras saudáveis à medida que a plateia não se identifica com elas: a graça de uma piada sobre português é proporcional à distância do primeiro português daquele salão. Via de regra, a frase é usada por quem jura se ofender quando chamado de girafa branca tanto quanto um negro ao ser chamado de macaco. Só não vale perguntar se o interlocutor já foi chamado de “elemento suspeito”, com tapas e humilhações, pelo simples fato de ser alto como o artiodátilo.

“Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer”
Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho. 
“Na ditadura as coisas funcionavam”
Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).

“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família”
É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis. 
“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil”
Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.

“Político deveria ser tratado por médico cubano”
Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governava na canetada.

“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”
Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco. 
“Por que você não vai para Cuba?”
Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Rubens Paiva foi maior homenageado nos 50 anos do golpe militar                     


Na programação rememorativa de 50 anos da resistência ao golpe militar de 1964 na Câmara dos Deputados, o ex-deputado Rubens Paiva - cassado, preso e morto pela Ditadura Militar - foi o grande homenageado. A Câmara inaugurou um busto do ex-deputado no Hall da Taquigrafia e lançou a biografia do parlamentar.

 
De Brasília, Márcia Xavier, c
om agências 
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Agência Câmara
Rubens Paiva é um mártir da liberdade e da democracia no Brasil, diz o busto, o livro e os discursos nos 50 anos do golpe militar. 
Rubens Paiva é um mártir da liberdade e da democracia no Brasil, diz o busto, o livro e os discursos nos 50 anos do golpe militar
O presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), ressaltou a importância desses atos para lembrar os que foram cassados, torturados e mortos pela ditadura. “Estamos honrando suas historias, suas ideias e suas famílias”, disse Alves durante a cerimônia que contou com familiares de Rubens Paiva.


Ele disse também que é importante para que os jovens conheçam o passado recente da nossa historia. “Ele defendeu com vigor os ideais da democracia, mas todo esse processo deixou marcas. Eu sei o que nós sofremos. Que fique como lição do orgulho do trabalho que ele desenvolveu.”

A filha de Rubens Paiva, Maria Beatriz Paiva, afirmou que a família ainda espera ouvir um pedido de perdão pela injustiça cometida contra seu pai e tantos outros que lutaram contra a ditadura militar. "Acredito que sociedade brasileira só conseguirá fazer as pazes com esse passado sombrio e por fim se libertar dele quando puder dizer de peito aberto que no seu país, no nosso país a dignidade humana está sendo resgatada e o respeito aos direitos humanos está sendo cumprido."

A iniciativa de homenagem ao ex-deputado Rubens Paiva foi do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que não escondeu a emoção durante o seu pronunciamento e ressaltou “a enorme contribuição para a democracia brasileira” dada por Rubens Paiva e, posteriormente, pela sua família, que se engajou na luta pela redemocratização. 

“Rubens Paiva orientou sua trajetória política na luta pela democracia, e esse é o grande legado que ele deixará para as futuras gerações. Quando veio o golpe civil-militar, apoiado por parte do empresariado e da grande imprensa, ele resistiu e denunciou a articulação para desestabilizar e derrubar o governo João Goulart. Sua reação combativa em defesa da democracia o colocou na primeira lista de parlamentares cassados”, lembrou Teixeira.

Perfil parlamentar

“Rubens Paiva é um mártir da liberdade e da democracia no Brasil”. Essa é a história contada no livro sobre o parlamentar que, na condição de militante do PTB, partido do então presidente João Goulart, foi eleito deputado federal nas últimas eleições democráticas realizadas antes do golpe militar de 1964. Era engenheiro civil formado pela Universidade Mackenzie, foi presidente do Centro Acadêmico de sua faculdade e vice-presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes).

Na condição de militante do movimento estudantil da época, Paiva participou das grandes mobilizações populares da campanha o “Petróleo é Nosso”, que comoveram a nação e criaram as condições para o estabelecimento do monopólio estatal da exploração do petróleo e para a criação da Petrobras. 

Como deputado, participou das investigações levadas a efeito pela CPI destinada a investigar as atividades do Ipes (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), duas instituições financiadas pela CIA, e que estiveram na raiz da preparação e do financiamento do golpe de estado que seria desfechado em 31 de março de 1964.

Foi por este passado democrático que o deputado Rubens Paiva tornou-se objeto da ira dos golpistas desde o primeiro momento do estabelecimento do regime. Não foi, portanto, uma surpresa que seu nome aparecesse na primeira lista de parlamentares cassados pelo regime de exceção, divulgada em 10 de abril de 1964. Logo depois do golpe, compelido pelo ambiente de caça às bruxas instalado no país, ficou exilado na antiga Iugoslávia e na França.

Em menos de um ano voltou ao Brasil e se reintegrou na resistência pacífica ao regime de exceção. Em 20 de janeiro de 1971, quando retornava do Chile, então governado pelo presidente Salvador Allende, socialista que liderava o governo de Unidade Popular, Paiva teve sua casa invadida e foi sequestrado, desde então é considerado desaparecido, mas existem testemunhos de sobreviventes das masmorras do regime que dão conta de que ele foi barbaramente torturado e assassinado.

O livro “Rubens Paiva”, de Jason Tércio, traz informações importantes e inéditas daquele período conturbado da história brasileira e, principalmente, a participação do Congresso na destituição de João Goulart da Presidência da República. 


Ibope: se hoje a eleição presidencial, Dilma mataria a pau em Alagoas         

(sem trocadilho, 'please', que 'ela' é de paz...)

 ERICH DECAT               2 de abril de 2014                           

Do AMgóes - 'Eduardistas' e 'aecistas' alagoanos  bem  que, por previdentes, já poderiam  encomendar o caixão coletivo, pagável em módicas prestações mensais, a fim de morrerem abraçados em minha sofrida Alagoas, desgraçadamente o Estado com os maiores índices de  permissividades (ditas 'oficiais') no país, governado pelo tucano Theo Vilela, representante da mofada e atrabiliária oligarquia açucareira de lá: Dilma, 60% dos votos, se a eleição fosse hoje. Seria normal. Mais de 60% da população local sobrevivem por conta dos programas de assistência social do governo federal e a esmagadora maioria dos servidores  públicos, estaduais e municipais, tratada a pão e água.                                                                               

                             
                                            Com licença do ENIO(Lins)                                                                   

Pesquisa Ibope Inteligência divulgada nesta quarta-feira, 2, aponta o senador Renan Calheiros (PMDB) à frente na disputa pelo governo de Alagoas. O levantamento mostra também que se a eleição fosse hoje, a presidente Dilma Rousseff (PT) teria uma vitória acachapante no Estado sobre os prováveis adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

No primeiro cenário apresentado aos eleitores, o presidente do Senado, Renan Calheiros, aparece com 41% das intenções de votos, seguido pelo senador Benedito de Lira (PP) com 21%; Alexandre Toledo (PSB), com 4%; e Mario Agra (PSOL), com 3%. O número de votos brancos, nulos e que não souberam somam 30%.
(...) 
O levantamento também abordou os eleitores sobre a disputa presidencial. De acordo com a pesquisa, se a eleição fosse hoje, a presidente Dilma teria 60% das intenções de votos, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), 9%, e o senador Aécio Neves (PSDB), 5%. Votos Brancos, nulos e não souberam somam 21%.
A maioria dos entrevistados (55%) classifica a administração da presidente Dilma como ótima e boa. Os índices de aprovação da petista superam a do atual governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que conta com apenas 30% de ótimo e bom. Outros 33% acham a gestão do tucano regular e 31% ruim e péssimo.
(...)

O “novo” Aécio é a volta do Brasil de sempre. O da senzala social                

Fernando Brito                          
ilhafiscal
A “coluna social” de Monica Bérgamo, na Ilustrada da Folha de hoje é um retrato sem retoques do que representa Aécio Neves.
Representa Fernando Henrique Cardoso, nada mais, nada menos.
Leia.
É uma visão dantesca do Brasil que, tomara, tenha ficado sempre para trás.
O Brasil governado para o capital.
Não para o povo.
Não para “os que votam como o estômago”, como diz o banqueiro André Esteves.
Esta gente que tem o estranho desejo de comer todo dia, desatenta ao fato de que sempre foi preciso que passasse fome para que os salões do nosso capitalismo brilhassem.
“Esgotou (-se) a capacidade de crescer pelo consumo (da população).”
É como se dissessem: “chega, você já tiveram o que merecem, acabou o recreio, voltem para a senzala social”.
Sonham com a “reconquista” do Brasil, porque não querem o povo brasileiro como parceiro de seu sucesso, mas como uma massa de servos de seus empreendimentos.
Uma elite que não se emenda, que nem mesmo tendo visto do que este país é capaz quando é um só, não aceita os pobres, os negros, os mestiços, o povão senão ali, nas caras telas de Di Cavalcanti penduradas na parede da mansão.
Eles são lindos assim: imóveis, passivos, decorativos.
Estou preparado para as decisões necessárias, por mais que sejam impopulares”, garante Neves, e um empresário traduz: aumentar as tarifas públicas.
Não o dirá aos que votam com o estômago, mas que importa? Pois se podem ser deixados sem comer, o que é deixá-los sem saber? Eles não estão aqui, senão nos servindo canapés e não entendem o que se diz.
Não vão saber, como não saberão que será vendido o que sobrou do período Fernando Henrique e o petróleo que depois dele se encontrou.
Os negros, os mulatos, os pobres dos quadros de Di Cavalcanti tudo ouvem, porém, nas paredes da mansão.
Fugiriam das telas, se pudessem, para dizer aos seus iguais, de carne e osso o que dizem os “sinhôs”.
Não podem, mas nós podemos.
O que se vai enfrentar nas eleições não é uma decisão sobre o futuro.
É um fantasma do passado.

Aécio: estou preparado para decisões impopulares

Mônica Bergamo
No pequeno púlpito montado na sala de jantar de sua casa, tendo como fundo uma parede com quadros de Di Cavalcanti, João Doria Jr. chama Aécio Neves para falar à seleta plateia de empresários que foram ao encontro com o presidenciável tucano. “Um jovem amigo. Um dos mais valorosos nomes da política brasileira. Ele é o novo!”
Os convidados, que já tinham aplaudido os governadores Geraldo Alckmin, de SP, e Antonio Anastasia, de Minas, voltam a bater palmas.
Mas é quando Fernando Henrique Cardoso é anunciado que o público realmente se empolga.
Empresários como José Luiz Cutrale, maior produtor de suco de laranja do mundo, André Esteves, do BTG Pactual, Guilherme Leal, da Natura, e Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, se levantam para aplaudir aquele que, segundo Doria, é um “exemplo de homem público”, “de ser humano”, “de brasilidade”, “de estadista”. E o grande fiador da candidatura de Aécio.
Antes de ceder o microfone, Doria fala dos 50 anos do golpe militar. “Viva a democracia!”, afirma. E todos, em uníssono: “Viva!”.
FHC se diz “sem palavras”. E inicia um breve discurso de apresentação de Aécio.
Lembrando seu próprio governo, acena com a possibilidade de reformas numa eventual gestão do tucano mineiro. “O reformador só é aplaudido depois de muito tempo.” O Brasil precisa de um novo rumo, segundo ele. “E não dá para mudar com as mesmas pessoas. O cachimbo deixa a boca torta.”
Antes de falar, Aécio chama Armínio Fraga, presidente do Banco Central no governo FHC, para ficar ao seu lado, sinalizando que ele terá papel primordial na condução da economia em seu eventual governo. “Ninguém tem o time que nós temos”, diz o mineiro. “Vou anunciar aos poucos quem estará comigo. Esse time dará confiança ao mercado.”
Aécio segue: “Eu conversava com o Armínio e ele me perguntou: Mas é para [num eventual governo] fazer tudo o que precisa ser feito? No primeiro ano?’. E eu disse: Se der, no primeiro dia’”.
“Eu estou preparado para tomar as decisões necessárias”, diz. “Por mais que elas sejam impopulares.” Num outro momento, repete: “Se o preço [das medidas] for ficar quatro anos com [índices de] impopularidade, pagarei esse preço. Que venha outro [presidente] depois de mim”. Sua ambição, diz, não é ser querido. E sim “fazer o maior governo da história do país”.
O tucano não detalhou que medidas seriam essas. Um dos empresários disse à Folha: “Ele está querendo dizer que vai reajustar tarifas. Não dá mais para empurrar com a barriga, como o governo [Dilma Rousseff] está fazendo, por populismo”.
Começam as perguntas. O banqueiro André Esteves diz que o país vive numa “armadilha do baixo crescimento”, em que se “esgotou a capacidade de crescer pelo consumo”. “Temos que investir” e, para isso, o governo tem que despertar “a confiança”.
Horacio Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp, pergunta como o presidenciável fará sua mensagem chegar “aos que votam com o estômago”, referindo-se aos beneficiários de programas sociais do governo. Jorge Gerdau pede que ele se comprometa a não aumentar a carga tributária.
Depois de responder a todas as perguntas, Aécio Neves se despede com uma brincadeira: “Se tudo der errado, eu tenho um craque para entrar em campo”. Ele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.