domingo, 2 de março de 2014

Analista alemã confirma: EUA 

manipulam “protestos”               

em todo mundo                                


                                       

                                 Sara Burke é analista política e trabalha na Fundacao Friedrich Ebert em Nova York

Entrevista com Sara Burke, feita(AQUI) pela Folha, traz algumas afirmações bombásticas que o próprio jornal preferiu abafar, dando destaque a trechos mornos.A analista política da fundação Friedrich Ebert, ligada à centro-esquerda alemã, com sede em Nova York, é uma das maiores pesquisadores de protestos e manifestações populares do mundo, tendo já escrito diversos livros sobre o assunto.
Burke não tem papas na língua. Separei dois trechos que ilustram o que ela pensa de alguns assuntos mais quentes. Alguém poderia sugerir a FHC que lesse com lupa essa entrevista. Talvez aprendesse a ser menos colonizado.
A analista explica que a razão pela qual o presidente da Ucrânia não assinou os acordos políticos e comerciais com a Europa, em novembro último (o que motivou os protestos), era que eles exigiriam, como contrapartida do governo, uma série de reformas e medidas dolorosas para a população, em troca de empréstimos que o FMI se dispunha a dar.
Engraçado, nunca li isso em nossa imprensa!
Em outra parte da entrevista, Burke é bem direta sobre o patrocínio externo aos protestos: “Isso fica mais complicado – na Ucrânia e na Venezuela, como a Síria – com o fato de as potências externas usarem o confronto local para praticarem suas guerras por procuração.”
Em seguida, a analista lembra uma conversa da Secretária de Estado, Victoria Nuland, com o embaixador americano na Ucrânia, e sugere que isso revela que o governo dos EUA estava tentando “direcionar os protestos para seus próprios objetivos, para aquilo que alguns alegam ser um golpe de Estado contra um presidente eleito e não uma solução democrática.”
Ora, aqui no Brasil, até mesmo setores da ultra-esquerda, como vimos na declaração recente de Luciana Genro, candidata a vice-presidente pelo PSOL, festejaram o golpe na Ucrânia como uma “revolução popular”…
Burke poderia ter acrescentado ainda que o golpe na Ucrânia se deu com financiamento a grupos neonazistas, conforme se pode ver em centenas de fotos e denúncias de dezenas de blogs e sites.
Abaixo, um trecho (já citado) da entrevista:
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Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda.
Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda.

FHC quer ser o guru de todos os golpes

 Miguel do Rosário                               
chavez
“Chegou a hora de corrigir o rumo. Que a crise venezuelana nos desperte da letargia.”
A frase não foi dita por nenhum golpista de Caracas, após sacar uns dólares no guichê do consulado americano. Quem a pronunciou, em (AQUI) artigo publicado nos principais jornais do país, foi Fernando Henrique Cardoso, nosso ex-presidente.
Em seu estilo altamente engordurado, FHC não faz outra coisa senão dizer que o Brasil deveria se aproximar mais dos EUA e assumir posições antibolivarianas, sobretudo na Venezuela.
É uma posição ideologicamente ultraconservadora. E burra economicamente, porque a Venezuela tem sido, nos últimos anos, nosso melhor parceiro comercial, o que paga mais caro pelos produtos brasileiros. Não porque os venezuelanos gostem de pagar caro, mas é que os importadores do país preferem comprar no Brasil aqueles produtos que outrora só se comprava na Europa e EUA.
Diz FHC:
O Brasil, timidamente, se encolhe enquanto o partido da presidente apoia o governo venezuelano, sem qualquer ressalva às mortes, aprisionamento de oposicionistas e cortinas de fumaça que querem fazer crer que o perigo vem de fora e não das péssimas condições em que vive o povo venezuelano.                                                                                          
Ora, FHC poderia muito bem se distanciar do golpismo doentio da máfia midiática do continente. Poderia falar dos problemas atuais, fazer críticas políticas à Maduro, mas deveria, se fosse honesto, admitir que o chavismo zerou o analfabetismo na Venezuela e melhorou profundamente a vida das camadas mais pobres do país. Não, ele prefere chancelar a mentira.
O seu artigo é uma prova de que a volta do PSDB ao poder constituiria um elemento de perigosa instabilidade para o continente, porque insuflaria confiança ao golpismo de oposição em todos os países latino-americanos.
FHC manda um recado até para Honduras, sempre apoiando o golpe: “[o Brasil] interfere contra o sentimento popular em Honduras (…)”
Os governos Lula/Dilma têm sido, até então, um dos principais anteparos contra os golpes de Estado, antes tão comuns, em nosso continente. E mesmo assim, eles aconteceram: em Honduras e Paraguai, por exemplo, vimos a estreia de um novo tipo de golpe, disfarçado de legalidade.
Em Honduras, a suprema corte, presidida por algum joaquim barbosa, aliada aos barões da mídia, não apenas destitutiu sumariamente o presidente, sem direito à defesa, como mandou o exército prendê-lo em sua casa, de madrugada, e ainda o expulsou do país. Para FHC, no entanto, isso foi fruto do “sentimento popular”, mesmo que a maioria das manifestações populares nas ruas fossem em favor de Manuel Zelaya.
E agora FHC apoia o golpe contra a Venezuela.
A qualidade dos tucanos é que eles são previsíveis. Onde houver golpe patrocinado pelos EUA, eles darão suporte.
Mais uma vez, as eleições presidenciais no Brasil definirão não apenas a nossa soberania, mas de todo o continente. Uma vitória do partido de FHC seria automaticamente entendida como autorização para todo o tipo de atentado contra governos eleitos democraticamente. Supremas cortes, mídia, consulados americanos, partidos de direita, todos os núcleos golpistas, corruptos e corruptores sentiriam-se estimulados a tomar o poder sem passar pelo crivo do povo.

Então é esse o “herói do mensalão”?

Fernando Brito                                  
dupla
Não é nenhum site esquerdista, ressentido com o aprisionamento de Dirceu, Genoíno e outros petistas.
É o vetusto Estadão que, com base nas investigações que levaram a Justiça a proibir, por cinco anos, a multinacional alemã Siemens de contratar com o poder público no Brasil, publica:
Diz o jornal que os documentos recolhidos durante a sindicância feita na empresa – que foi a base da decisão judicial – mostram que um contrato no valor de R$ 5,3 milhões (R$ 8,7 milhões, atualizado) para fornecimento de sistemas eletrônicos de movimentação e triagem de carga, teria gerado uma comissão de R$ 150 mil (ou R$ 250 mil, em dinheiro de hoje) para os integrantes do grupo de Roberto Jefferson que controlava a Diretoria de Administração e a  de Recursos Humanos  dos Correios.
Pois muita gente se esqueceu que Roberto Jefferson não foi “apenas” um recebedor de dinheiro do suposto mensalão.
Está denunciado por, ele próprio, comandar um esquema de corrupção com seus indicados dentro dos Correios. A denúncia do MP – fora do Supremo – está aqui.
E este é o ponto, tão esquecido, que o Estadão hoje lembra:
Jefferson denunciou o mensalão depois que a revista Veja publicou, em maio de 2005, reportagem que abordava o esquema na estatal. A reportagem citava vídeo em que Maurício Marinho recebia R$ 3 mil de propina de um empresário – até hoje, este empresário nunca foi identificado. Na gravação divulgada, Marinho também revelava ser apadrinhado por Roberto Jefferson.
Três semanas depois, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Jefferson revelou o mensalão. O então deputado alegou ter visto digitais do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, também preso atualmente, no vazamento do vídeo. Jefferson acreditava que o PT desejava ocupar o espaço do PTB nos Correios. Daí porque, no seu entender, tentava incriminar Marinho, seu apadrinhado.
É aí que estão “os instintos mais  primitivos” do “herói do mensalão”.
O de vingança de quem lhe desmontou o maná.
Esta é a fonte contaminada deste processo político, no qual certamente que há irregularidades.
Nenhuma maior, porém, que o endeusamento de um delator movido pela vindita a quem  achava que havia lhe tirados os doces e a tentativa de politizar, a seu favor, um caso onde estava comprometido até a medula.
E que de vingativo foi transformado em vingador pela mídia, ao ponto de um leitor da Folha sugerir que se lhe fizesse uma estátua “como herói nacional”.
Sobre estes moralistas – dos quais honradez passa longe – este  Carnaval é bom para recordar a piadinha:
- Você sabe por que gringo samba sacudindo os dedinhos levantados?
- Não, por quê?
- Para que não lhe olhem os pés…

A Veja “estimula o reacionarismo ressentido, paranoico e feroz”        

Paulo Nogueira                  
 
Sílvia (esq) e a revista para a qual não quis falar
Sílvia (esq) e a revista para a qual não quis falar
Algum tempo atrás, meu amigo Sérgio Berezovski, então diretor da 4 Rodas, me contou uma história.
A revista procurara o jornalista Flávio Gomes para ouvi-lo numa determinada reportagem.
Flávio, polidamente, avisou que não falaria com uma empresa cujo carro-chefe é a Veja. Deixou claro não ter nada, especificamente, contra a 4 Rodas.
Nesta semana, um episódio da mesma natureza – mas que ganhou ampla repercussão na internet – mostrou a deterioração da imagem da Veja como uma publicação séria.
A socióloga Sílvia Viana, procurada para uma reportagem sobre o BBB 14, produziu uma resposta que a posteridade vai poder usar como medida do repúdio despertado pela Veja depois que se transformou num panfleto de baixo jornalismo, nos últimos dez anos.
Disse Sílvia a quem pedira a entrevista:
“Respondo seu e-mail pelo respeito que tenho por sua profissão, bem como pela compreensão das condições precárias às quais o trabalho do jornalista está submetido. Contudo, considero a ‘Veja’ uma revista muito mais que tendenciosa, considero-a torpe. Trata-se de uma publicação que estimula o reacionarismo ressentido, paranoico e feroz que temos visto se alastrar pela sociedade; uma revista que aplaude o estado de exceção permanente, cada vez mais escancarado em nossa “democracia”; uma revista que mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não compartilha de suas infâmias – e faz tudo isso descaradamente; por fim, uma revista que desestimula o próprio pensamento ao ignorar a argumentação, baseando suas suposições delirantes em meras ofensas.
Sendo assim, qualquer forma de participação nessa publicação significa a eliminação do debate (nesse caso, nem se poderia falar em empobrecimento do debate, pois na ‘Veja’ a linguagem nasce morta) – e isso ainda que a revista respeitasse a integridade das palavras de seus entrevistados e opositores, coisa que não faz, exceto quando tais palavras já tem a forma do vírus.
Dito isso, minha resposta é: Preferiria não.”
Clap, clap, clap. De pé.
Tal sentimento está amplamente espalhado pela sociedade. Descontados fanáticos conservadores, ou simplesmente analfabetos políticos cujos heróis são Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo, a Veja é objeto de uma mistura de desprezo e ódio.
O mérito da resposta de Sílvia é expressar um sentimento comum a tantos e tantos brasileiros.
Em meus tempos de Abril, fazíamos às vezes um exercício. Se determinada revista fosse uma pessoa, qual seria?
A Veja, hoje, por esse sistema, seria uma mistura de Olavo de Carvalho e Marco Feliciano.
Olavo de Carvalho ocupou, por seus discípulos, a revista. E Marco Feliciano é alma gêmea de OC: conforme demos na seção Essencial, o pastor fez na Câmara dos Deputados, esta semana, uma defesa apaixonada do astrólogo que hoje é um ídolo dos reacionários do Brasil.
A Veja teria já problemas extraordinários de sobrevivência caso fizesse bom jornalismo. Revista, na era digital, é um objeto de obsolescência espectral.
São cada vez menos os leitores e os anunciantes.
Fazendo o que faz, uma panfletagem abjeta, a Veja apenas apressará sua marcha rumo ao cemitério. E deixará não memórias agradáveis, mas a sensação de alívio por o horror que ela representa ter enfim acabado.
Quem chorará a morte de uma revista que, para usar as palavras de Sílvia Viana, “mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não compartilha de suas infâmias”?
Paulo Nogueira
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Golpe no sistema elétrico vai aumentar 

conta da luz, denuncia MAB                       

Os prováveis aumentos estão sendo ocasionados pela especulação articulada pelas empresas privadas e estatais governadas pelo PSDB de MG, SP e PR.

                                                   
Movimento dos Atingidos por Barragens
João Zinclar
Os aumentos nas contas de luz da população brasileira podem chegar até 30% no próximo ano.

Os prováveis aumentos estão sendo ocasionados pela especulação articulada pelas empresas privadas e estatais governadas pelo PSDB de MG, SP e PR. Enquanto usinas hidrelétricas da estatal federal Eletrobrás estão vendendo energia a R$ 32,89/1.000 kW, as empresas privadas e as tucanas estão vendendo os mesmos 1.000 kW pelo absurdo de R$ 822,83. Uma verdadeira rapinagem. O custo alto da energia será transferido em forma de futuros aumentos nas contas de luz da população nos próximos reajustes tarifários.

A decisão de empresas privadas e das estatais do PSDB (Cemig, Copel Cesp) de não renovar suas concessões fez com que as empresas distribuidoras ficassem sem contratos de compra de energia de longo prazo em cerca de 7% de suas necessidades. Isto obriga as distribuidoras a comprar esta eletricidade no chamado “mercado de curto prazo”. São cerca de 3.500 MW que são comprados pelas distribuidoras ao preço R$ 822,83 por MW.

Este golpe sobre a população brasileira está custando cerca de R$ 70 milhões por dia. Se esta política de preços seguir o ano todo, o custo ao povo brasileiro poderá chegar a R$ 25 bilhões. Fato que pode levar ao aumento médio de 31% na tarifa de eletricidade para consumidores cativos, onde estão as residências e a pequena e média indústria. Caso a tarifa desta fatia de energia fique um pouco abaixo, em cerca de R$ 500,00/1.000 kWh, o aumento médio nas contas seria de 18%. Portanto, os futuros aumentos poderão ficar entre 18 e 31%.

Para garantir o recebimento dessa dinheirama, as empresas reivindicam novos aumentos ou dinheiro do tesouro nacional para cobrir o rombo.

Para chantagear o governo federal, as empresas estão criando um clima de caos no setor que vem sendo propagado pela grande imprensa e “especialistas” de plantão, dizendo que há risco de racionamento e, como 2014 é um ano eleitoral, estas práticas tendem a se intensificar.

Não podemos esquecer que as altas tarifas, baixa qualidade do serviço e o cenário de novos aumentos é resultado de um modelo energético criado nos anos 90 que se mantém até hoje controlado pelas empresas privadas. Estas empresas são as principais responsáveis por esse modelo se sustentar até os dias atuais, já que além de controlar as usinas e as distribuidoras de energia, controlam as instituições políticas de energia criadas no âmbito do modelo privatista, como a Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Operador Nacional do Sistema (ONS).

O MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens - denuncia os governadores do PSDB e as empresas privadas que estão colocando em prática uma ampla articulação para evitar controle de preços e manter as tarifas brasileiras em patamares internacionais para garantir taxas de lucros extraordinárias.  A tentativa de aumentar tarifas e criar um clima de escassez permanente no setor elétrico nacional é parte de uma reação iniciada no final de 2012, quando o governo federal iniciou um processo de controle dos preços e redução das tarifas.

Estas práticas no setor elétrico nacional é uma agressão ao povo brasileiro, que terá que arcar com novos aumentos e ameaças constantes de apagões para justificar a especulação.

Alertamos a população e convocamos a se envolver nas lutas para impedir os novos aumentos nas contas de luz.

Janio coloca Barbosa onde ele merece: fora do Direito e da Justiça                         

Fernando Brito  2 de março de 2014 | 04:15                                  
                   aroeira
Para quem tem de ler mervais e azevedos, um texto de Janio de Freitas é melhor que a chuva que nos falta neste verão.
Lava a alma, fez rebrotar as esperanças, turge o espírito ressequido pela mediocridade geral.
Porque é preciso que alguém diga, em alto e bom som, que aquele que deveria ser o mais equilibrado, desapaixonado e discreto poder da República se tornou palco da pior das políticas: a que manipula a lei com um propósito particular.
Não importa, mesmo, que não seja um propósito pecuniário. Importa tratar-se do direito de cidadãos – quaisquer cidadãos que sejam – na última e mais alta sede de Justiça da Nação.
Joaquim Barbosa é, talvez, o homem mais perigoso para as instituições jurídicas brasileiras.
É o pior dos legados do Governo Lula, não importando que a fonte inspiradora de sua escolha tenha sido generosa, a introdução de um brasileiro negro na Corte Suprema do país.
É o mais perigoso não porque seja o pior.
O partidarismo e a agressividade de um Gilmar Mendes não são tão daninhos, porque sua origem o estigmatiza.
Outros Ministros, de poucas luzes, passaram sem causar danos: apenas apagados, cinzentos.
Barbosa, não.
Ele, até por sua condição, parece encarnar a caricatura do “homem comum”: verdades absolutas, intransigências agressivas, comportamento de botequim.
E assim, inverte a lógica judicial: parte da sentença para o processo e arranja a este em função dela.
É isso que se extrai da sua própria confissão do “foi feito para isso, sim”, com que confessou ter dilatado penas com o único objetivo de que não estivessem prescritas.
Uma vergonha que Janio de Freitas, com sua dignidade, põe a nu, como nu está agora o comportamento do senhor Joaquim Barbosa.

Uma frase imensa

Janio de Freitas - Folha de São Paulo
“Foi feito para isso sim!”
Palavras simples, para uma frase simples. E, no entanto, talvez a mais importante frase dita no Supremo Tribunal Federal nos 29 anos desde a queda da ditadura.
Um ministro considerara importante demonstrar que determinadas penas, aplicadas pelo STF, foram agravadas desproporcionalmente, em até mais 75% do que as aplicadas a crimes de maior gravidade. Valeu-se de percentuais para dar ideia quantitativa dos agravamentos desproporcionais. Diante da reação temperamental de um colega, o ministro suscitou a hipótese de que o abandono da técnica judicial, para agravar mais as penas, visasse um destes dois objetivos: evitar o reconhecimento de que o crime estava prescrito ou impedir que os réus gozassem do direito ao regime semiaberto de prisão, em vez do regime fechado a que foram condenados.
Hipótese de gritante insensatez. Imaginar a mais alta corte do país a fraudar os princípios básicos de aplicação de justiça, com a concordância da maioria de seus integrantes, é admitir a ruína do sistema de Justiça do país. A função do Supremo na democracia é sustentar esse sistema, viga mestra do Estado de Direito.
O ministro mal concluiu a hipótese, porém, quando alguém bradou no Supremo Tribunal Federal: “Foi feito para isso sim!”. Alguém, não. O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal e presidente do Conselho Nacional de Justiça. Ninguém no país, tanto pelos cargos como pela intimidade com o caso discutido, em melhor situação para dar autenticidade ao revelado por sua incontinência agressiva.
Não faz diferença se a manipulação do agravamento de pena se deu em tal ou qual processo, contra tais ou quais réus. O sentido do que “foi feito” não mudaria conforme o processo ou os réus. O que “foi feito” não o foi, com toda a certeza, por motivos materiais. Nem por motivos religiosos. Nem por motivos jurídicos, como evidenciado pela inexistência de justificação, teórica ou prática, pelos autores da manipulação, depois de desnudada pelo presidente do Supremo.
Restam, pois, motivos políticos. E nem isso importa para o sentido essencial do que “foi feito”, que é renegar um valor básico do direito brasileiro –a combinação de prioridade aos direitos do réu e segurança do julgamento– e o de fazê-lo com a violação dos requisitos de equilíbrio e coerência delimitados em leis.
Quaisquer que fossem os seus motivos, o que “foi feito”; só foi possível pela presença de um fator recente no Supremo Tribunal Federal: a truculência. “O Estado de S. Paulo”; reagiu com forte editorial na sexta-feira, mas a tolerância com a truculência tem sido a regra geral, inclusive na maioria do próprio Supremo. A sem-cerimônia com que o presidente excede os seus poderes e interfere, com brutalidade, nas falas de ministros, só se compara à facilidade com que lhes distribui insultos. E, como sempre, a truculência faz adeptos: a adesão do decano da corte, outrora muito zeloso de tal condição, foi agora exibida outra vez com um discurso, a título de voto, tão raivoso e descontrolado que pareceu, até no vocabulário, imitação de Carlos Lacerda nos seus piores momentos.
Nomes? Não fazem hoje e não farão diferença, quando acharmos que teria sido melhor não nos curvarmos tanto à truculência.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Joaquim Barbosa acusou ministros


de serem de 'encomenda'               


Para cientista político Claudio Couto, da Escola de Administração Pública da FGV de São Paulo, presidente do STF fez acusações gravíssimas contra seus colegas, a presidente Dilma e o Senado. Segundo ele, Barbosa não poderia se posicionar desta forma.