quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Normalização dos reservatórios reequilibra modelo de tarifas de energia mais baixas                          


Fernando Brito  - 1º de janeiro de 2014                  
reser
Há muito noticiário – e é certo que haja – sobre os estragos materiais e sofrimentos  humanos causados pelas chuvas no litoral brasileiro.
De fato, Rio de Janeiro e Espírito Santo, bem como a região mineira do Vale do Rio Doce, contígua aos capixabas, sofreram com os temporais.
Mas a chuva em outras regiões do país está produzindo um efeito que, ao contrário, é muito positivo para os brasileiros e que não sai nos jornais.
Os reservatórios das hidrelétricas viraram o ano em situação melhor que a de 2013 e devem nos próximos dois meses, atingir níveis suficientemente confortáveis para a geração de energia durante o período mais seco do ano, embora previsões sobre chuva sejam sempre sujeitas a erros.
As usinas do Sul e do Sudeste já haviam chegado a níveis melhores no segundo semestre do ano, depois de um primeiro semestre muito abaixo do normal para a época do ano. Hoje, quase todas trabalham para ajustar a acumulação entre eles, com volumes de defluência (saída de água), maiores que os de afluência, deliberadamente.
O que mais preocupava era o Nordeste, onde os reservatórios do Rio São Francisco estavam perigosamente baixos até o final do mês de novembro. Três Marias e Sobradinho, que respondem juntas por 90% da água represada no Nordeste (embora Três Marias seja em Minas, é considerada integrante da bacia nordestina), andavam na faixa de 20% de sua capacidade.
O problema nem é a geração que essas represas têm em suas usinas, que não chega a representar nem 20% de toda eletricidade produzida pelas águas do São Francisco (cerca de 1450 megawatts), mas seu papel em regularizar a vazão e permitir a operação plena  do parque gerador situado rio abaixo ( Itaparica, Moxotó, as quatro unidades de Paulo Afonso e Xingó, que produzem juntas perto de 9 mil MW).
Em um mês, o nível das águas subiu 50% – o que representa 10% do volume total dos reservatórios, permitindo o mesmo também em Itaparica, que tem uma capacidade de reservação significativa, mas não pode operar mais que 30% dela, por conta das características topológicas. Outras, como Paulo Afonso 4 e Xingó, as mais potentes, operam a fio d´água, ou seja, sem capacidade significativa de armazenamento de água além da que move as turbinas.
Para você ter uma ideia concreta do que é isso: são mais 4,5 bilhões de litros  d´água, ou duas vezes o volume da Baía da Guanabara.
Sobradinho está, .nos últimos dias, conseguindo acumular três quartos da água que recebe sem prejudicar a operação das usinas a jusante. Três Marias está acumulando 40% da água que lhe aflui e isso deve aumentar ao longo da semana, com as chuvas previstas para o centro-sul de Minas, onde se formam as cabeceiras do “Velho Chico”.
Com isso, a geração térmica, mais cara – e cuja conta o Governo compensa para equiparar o preço, o que consumiu R$ 7 bilhões este ano – deve voltar ao que normalmente é nesta época: menos de 10% do total da energia do Sistema Integrado Nacional. Ela chegou perto de 30%, nos momentos mais críticos.
A situação ainda não é sólida, mas a tendência é que evolua para perto da normalidade, depois de dois anos nos quais sempre esteve em níveis preocupantes.
E aí, toda a discurseira sobre “os erros” do modelo que barateou as tarifas – calcada em argumentos que não se sustentam fora de uma situação emergencial –  vai por terra.
Ou por água abaixo.
Aí, os “gênios do apagão” voltam para a obscuridade que merecem.


Os reféns da casa-grande

Presos a uma agenda moralista, o PT e o PSDB evitam o debate maduro de ideias e consomem-se em acusações mútuas de corrupção, como o escândalo dos trens em São Paulo e o "mensalão"

Do AMgóes - Grosso modo, o projeto petista, de exitosa quão inusitada inserção socioeconômica de amplas camadas da sociedade, seria, por si só,  expressivo(e respeitabilíssimo) condimento do PT no embate eleitoral. O texto abaixo ressalta, entretanto, a tibieza dos petistas, no governo há três mandatos consecutivos,  para serena autocrítica sobre eventuais 'derrapadas'  e enfrentamento ideológico aos tucanos, seu já histórico e principal oponente desde 2002. Para os articulistas, tem prevalecido a embolorada tática 'udenista'  de quem formula mais denúncias sobre potenciais escândalos do adversário.  Por oportuno: a despolitização do debate sempre foi a carta na manga dos 'sem-programa', enraizados no mais recalcitrante conservadorismo, desde os idos de Carlos Lacerda & cia, 60 anos atrás.                           
Miguel Martins / Rodrigo Martins      Carta Capital                
                                                      Marcelo Camargo / Agência Brasil
Lula e Dilma
O PT de Lula e Dilma tem dificuldade de admitir erros e enfrentar a oposição
A História repete-se como farsa. A frase de Karl Marx, bastante desbotada pelo uso, nunca fez tanto sentido no Brasil. Nas últimas semanas, influenciada pelas prisões dos condenados no “mensalão” e pelas trocas de acusações entre petistas e tucanos por conta do escândalo dos trens em São Paulo, a política nacional parece mergulhada em um “mar de lama”. O termo aqui não é gratuito. “Mar de lama” foi uma expressão bastante explorada no auge da até então mais ferrenha disputa pelo poder no País em tempos de eleições livres, protagonizada pelo PTB de Getúlio Vargas e a UDN de Carlos Lacerda. O resultado, ninguém há de duvidar, não poderia ter sido pior: duas décadas de uma ditadura que nos tirou dos trilhos da modernidade.
Em 2014, ano de eleição presidencial, a polarização PT-PSDB completará 20 anos. Embora o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva se apresentem como uma 'terceira via', nada indica, por ora, mudanças no embate nas urnas. Se assim for, a dicotomia petista-tucana terá perdurado mais do que a velha rinha PTB-UDN do século passado.
Como ontem, o atual duelo escora-se em um pilar que fez, faz e sempre fará mal à democracia, a criminalização da política. Com cada vez menos diferenças ideológicas e, em grande medida, trancafiados em uma armadilha montada pelo poder real, permanente, entre eles a mídia, as duas legendas têm aceitado a pauta. O PSDB, por falta de um programa de governo e uma vã esperança de voltar ao poder por meio do discurso moralista. O PT, pela incapacidade de exorcizar seus fantasmas internos, admitir eventuais erros e enfrentar as forças que procuraram fazer seus escândalos parecerem maiores e mais graves do que realmente são, ainda que merecedores de punições dentro das regras republicanas.
O pugilato moral é ruim para as duas forças. Uma vitória por pontos não acrescenta muito se, no fim das contas, a plateia vaia os contendores no ringue. E é o que tem ocorrido, relata o cientista político Marcos Coimbra na página 49: “Quem lida com pesquisas de opinião, particularmente as qualitativas, vê avolumar-se o contingente de eleitores que mostram odiar alguma coisa ou tudo na política. Não a simples desaprovação ou rejeição, o desgostar de alguém ou de um partido. Mas o ódio”.
A desilusão atinge até mesmo habituados ao jogo político. “Não vejo diferença na proposta político-econômica dos presidenciáveis. Nenhum deles discute mudanças estruturais”, lamenta o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES. “A corrupção está enraizada no País, mas o problema é a inexistência de diferenças significativas entre os partidos. O eleitorado percebe que a sucessão presidencial não vai colocar o Brasil em pauta.


O novo cavalo de batalha é a investigação do cartel do Metrô e dos trens em São Paulo, delatado pela Siemens. Além da empresa alemã, gigantes do setor de transportes, como a francesa Alstom, a canadense Bombardier e a espanhola CAF são suspeitas de manipular licitações do governo paulista, sob o comando dos tucanos há 19 anos. São sólidos os indícios de pagamento de propina a agentes públicos, além de uma denúncia anônima sobre supostos repasses para o caixa 2 do PSDB.

Edson Aparecido, secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, e o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), sempre na órbita dos tucanos, são apontados no documento entre os receptores de propina. O texto cita ainda o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e os parlamentares tucanos José Aníbal e Aloysio Nunes como partícipes na trama, devido ao “estreito relacionamento” com o consultor Arthur Teixeira, suposto operador do esquema.
A denúncia é atribuída a Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens. Embora não assuma a autoria, sobretudo após assinar um acordo de delação premiada, fontes ligadas à investigação confirmaram a CartaCapital ser ele o autor do documento apócrifo.
Todos os políticos citados negam qualquer ilegalidade, e acusam o PT de forjar a denúncia na tentativa de incriminá-los. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu ter recebido em maio o documento das mãos do petista Simão Pedro, secretário de Serviços do prefeito Fernando Haddad, e repassado o material à Polícia Federal. “Não há nada sendo investigado a partir de denúncia anônima. Já existia o inquérito”, afirmou o ministro.

A inclusão do documento nos autos do inquérito gerou, porém, uma virulenta reação dos caciques tucanos. Os políticos citados chamaram o ministro de “farsante”, “aloprado” e “irresponsável”. O senador Aécio Neves, presidenciável tucano, assumiu a linha de frente na defesa dos colegas: “Acho que ele perdeu as condições de ser o coordenador dessas investigações como ministro da Justiça, pelo açodamento nesse processo”. Uma representação pede à Procuradoria-Geral da República que apure eventual prática de improbidade administrativa de Cardozo.
Há muito em jogo. Ao delatar o cartel, a Siemens escancarou os meandros de um esquema que pode ter superfaturado em até 30% vários contratos com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de 570 milhões de reais. O valor é quase oito vezes superior ao total de recursos supostamente desviados do Banco do Brasil (73,8 milhões) para abastecer o “mensalão” petista, fonte de dinheiro público identificada no esquema, segundo a versão consagrada na condenação do Supremo Tribunal Federal. Além do acerto ilícito entre empresas do cartel, a PF deparou-se com provas de pagamento de propina a agentes públicos.
É o caso de João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM nos governos de Mario Covas e Geraldo Alckmin. No início de novembro, a Justiça da Suíça comunicou às autoridades brasileiras sua condenação, naquele país, por lavagem de dinheiro. Entre os bens confiscados, há 836 mil dólares em uma conta no Credit Suisse de Zurique. Parte dessa soma, 255,8 mil dólares, foi transferida por Arthur Teixeira. Os suíços acreditam que o dinheiro era fruto de propina paga pela Alstom, mas chegaram a desistir do caso por falta de colaboração das autoridades brasileiras. Dormitava no gabinete do procurador Rodrigo De Grandis, desde 2011, um pedido para a tomada de depoimento de suspeitos. Por conta de “uma falha administrativa”, o pedido foi arquivado em uma pasta errada.
Após a quebra do sigilo fiscal da Focco Tecnologia e Engenharia, empresa da qual Zaniboni foi sócio, a PF identificou depósitos da Alstom que somam 2 milhões de reais, além de 8,5 milhões pagos pelo governo paulista por serviços de consultoria. A empresa pertence a outro ex-diretor da CPTM: Ademir de Araújo.


As suspeitas de formação de cartel tampouco são novas. Conforme CartaCapital revelou em 2009, as combinações ilícitas foram denunciadas por um ex-diretor da Siemens naquele mesmo ano. Um documento com o modus operandi do esquema foi apresentado ao Ministério Público Federal pelo deputado estadual petista Roberto Felício, que tomou conhecimento do relato do executivo. Para lavar o dinheiro ilícito, as empresas do cartel usariam os serviços de Arthur Teixeira e Sergio Meira Teixeira, donos das empresas Procint Projetos e Consultoria Internacional e Constech Assessoria e Consultoria Internacional, apontadas pelo informante como responsáveis por duas offshore no Uruguai.

As companhias são suspeitas de intermediar o pagamento de propina. À época, dois contratos firmados pela Siemens com asoffshore uruguaias, e apresentados ao procurador De Grandis, comprovavam a relação entre as empresas. Com a quebra dos sigilos fiscal e bancário, hoje a PF sabe que apenas a Procint movimentou mais de 37,5 milhões de reais entre 2002 e 2011. Ao menos 14,5 milhões são recursos depositados por empresas do suposto cartel, como Alstom, Bombardier, CAF, Siemens e MGE.
Arthur Teixeira não atendeu aos pedidos de entrevista de CartaCapital. Seu sócio faleceu em 2011. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o dono da Procint negou que os depósitos de clientes seriam decorrentes de pagamento de propina ou de serviços fictícios. A transferência feita para a conta de Zaniboni na Suíça seria a remuneração de uma consultoria “informal” feita por ele.

Em 2011, dois anos após as primeiras denúncias, o então deputado estadual Simão Pedro encaminhou ao MP paulista novas informações repassadas pelo informante da Siemens. Entre elas, uma carta anônima enviada ao ombudsman da empresa alemã, na qual é relatado o pagamento de propina a agentes públicos no Brasil. Tanto a cópia do e-mail original, em inglês, como uma tradução em português foram repassadas aos promotores paulistas.


Novas cópias foram anexadas recentemente ao inquérito da PF. Os tucanos acusam Simão Pedro de ter acrescentado trechos inexistentes na tradução, para envolver o PSDB nas denúncias. “As duas versões dessa carta endereçada ao ombudsman da Siemens estão com o Ministério Público há anos”, defende-se o petista.

O documento que cita nominalmente políticos tucanos é outro, mais recente. Não tem assinatura, mas foi datado: “17/04/2013”. Nesta peça, o denunciante anônimo diz ter se reunido anteriormente com os promotores Valter Santin, Silvio Marques e Beatriz de Oliveira para dar mais detalhes do cartel.
Simão Pedro acompanhou o informante para essa conversa no Ministério Público de São Paulo em 2012, versão confirmada pelos promotores paulistas. “O denunciante estava com medo de depor. Queria garantias”, lembra Marques. “Não havia indícios suficientes para justificar quebras de sigilo ou interceptação telefônica”, emenda Beatriz de Oliveira.
O petista alega que as informações repassadas a Cardozo não diferem muito do exposto aos promotores anteriormente. “Procurei colaborar de todas as formas possíveis. Na Assembleia Legislativa, tentei diversas vezes emplacar uma CPI.”
Com a identidade exposta pela mídia, Rheinheimer evita jornalistas. Divulgou apenas uma nota oficial na sexta-feira 22, na qual informa que o documento atribuído a ele “é, na verdade, anônimo.” Segundo o executivo, o material devassado e as informações publicadas foram distorcidos e “não condizem com a realidade”. Foi a senha para a cúpula tucana partir para a ofensiva e classificar a denúncia como uma fraude de “aloprados petistas”.
A nota não confirma nem desmente a autoria do documento, alertam fontes ligadas a Rheinheimer. O documento continua a ser, como sempre foi, uma peça sem assinatura. Quanto às “distorções”, o denunciante queixou-se a interlocutores do uso de trechos fora do contexto em meio à intestina disputa política entre PT e PSDB.
Citado na denúncia e considerado um dos principais articuladores políticos do governador paulista, Edson Aparecido nega ter relações com Arthur Teixeira e insiste na tese da fraude. “Esse ex-diretor da Siemens já desmentiu tudo”, afirma. “Isso vai ao encontro da delação premiada feita em São Paulo e Brasília, na qual ele não cita nenhum nome”, emenda, sem explicar como pôde consultar o acordo sigiloso. Segundo a Lei nº 12.850, de 2013, um colaborador da Justiça não pode ter a identidade revelada. O acesso aos autos é restrito ao juiz, ao MP e ao delegado de polícia. O acordo de delação premiada, por sinal, está apartado do inquérito. Só deve ser revelado após a apresentação da denúncia à Justiça.
Um dos mais exaltados com a denúncia anônima é o senador Aloysio Nunes. Ele admite relações profissionais com a Procint, mas nega qualquer ilegalidade. Seu nome acabou, porém, atrelado a outro investigado. Desta vez, por uma testemunha identificada: Edna Flores, ex-secretária do consultor Jorge Fagali Neto.
Em 2009, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Fagali Neto, sob suspeita de receber recursos ilegais da Alstom. Os depósitos somaram mais de 10,5 milhões de dólares no Banque Safdié de Genebra até setembro de 2003, segundo o Ministério Público da Suíça.
Secretário de Transportes Metropo- litanos do governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) e irmão de José Jorge Fagali, ex-presidente do Metrô, o consultor recebia informações privilegiadas do engenheiro Pedro Benvenuto, secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas. Após a secretária Edna Flores apresentar os registros da troca de e-mails entre eles sobre investimentos do Metrô, Benvenuto pediu afastamento do cargo no fim de setembro de 2013. Duas semanas depois, daria mais detalhes sobre os negócios de Fagali Neto à PF.
A cada três meses o ex-patrão viajava para a Suíça, registra a secretária em seu depoimento, de 9 de outubro. Ainda de acordo com o relato, o consultor mantinha contato quase diário com o lobista Arthur Teixeira. Ele usava dinheiro em espécie, inclusive em malas, para pagar despesas. Antes das licitações, reunia-se com representantes de empresas como Tejofran, Bombardier e Mitsui “para ajustar previamente os valores”. A secretária diz ainda que as planilhas a ser apresentadas nos certames eram elaboradas e modificadas pelo grupo. De acordo com ela, “Fagali Neto trocava e-mails com Aloysio Nunes acerca das licitações no metrô”.
Nunes não respondeu aos pedidos de entrevista de CartaCapital. Na quarta-feira 27, conseguiu aprovar na Comissão de Ética do Senado um convite para Cardozo explicar suas “intervenções” no inquérito. O ministro da Justiça reagiu: “Acho lamentável que queiram transformar quem cumpre a lei em réu apenas pelo fato de que há uma investigação, obviamente existente desde 2008. A maior parte dos países atingidos por esse escândalo investigou e puniu os envolvidos. O Brasil caminha lentamente.
A escalada de denúncias contra o PSDB é uma tentativa do PT de se proteger do impacto negativo do “mensalão”, acusam os tucanos. O deputado Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, garante que seu partido evitará a exploração de casos de corrupção na campanha. “Não temos que eleitoralizar um assunto tratado no âmbito jurídico, seu fórum adequado.”
Parece uma posição sensata, avaliam cientistas políticos. “Nas eleições municipais de 2012, mesmo com o julgamento em evidência, o PT não perdeu votos. Os partidos não sofrem grandes abalos por conta de escândalos. Tampouco os casos de corrupção do PSDB devem alterar seu desempenho eleitoral”, garante Marcus Figueiredo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.


Para o eleitorado, a corrupção não está associada a partidos específicos, mas ao sistema político brasileiro, observa Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais. “Os eleitores não percebem a existência de um partido mais corrupto do que o outro. Entre os menos informados, há a tendência de criticar toda a classe política. Os mais informados sabem que é uma questão complexa, ligada ao financiamento das campanhas políticas.

Poucos duvidam, no entanto, que os escândalos devem ocupar um lugar privilegiado nos debates de 2014. Com a filiação de Marina Silva ao PSB, fala-se  da(por enquanto improvável) possibilidade de a candidatura de Eduardo Campos representar uma terceira via, capaz de desmontar a previsibilidade dos ataques mútuos entre petistas e tucanos.
Para Avritzer, eventual crescimento do PSB poderia levar ao deslocamento do espectro político para o interior do campo das esquerdas, caso o partido conseguisse superar o PSDB como principal força de oposição.  “Campos tem críticas ao governo federal, mas reconhece o legado de Lula.” Figueiredo discorda: “Ele disputa no campo da direita. Esforça-se por ter apoio da elite do Nordeste e busca aliados na Avenida Paulista”. Com uma virtude: distancia-se do denuncismo.
Apesar das promessas dos partidos e das análises dos especialistas, as duas últimas eleições presidenciais indicaram o contrário. Nelas, o discurso moralista, vazio, eclipsou qualquer debate sério de ideias. O udenismo venceu. Não nas urnas, mas no controle da agenda.

Por que FHC disse o que disse

de Joaquim Barbosa                P          

aulo Nogueira           

 Acertou, mas pela razão errada
Acertou, mas pela razão errada
Duas coisas.
Primeira: FHC tem toda razão quando diz que Joaquim Barbosa é despreparado para a presidência.
Na verdade, JB é despreparado para quase tudo, a começar pela presidência do STF, onde ele se revelou uma tragédia nacional com sua truculência, mesquinharia e falta de cultura.
Foi, como todos sabem, a pior invenção de Lula. O poste que não deu certo. O poste que trouxe não luz, mas escuridão.
Segunda: FHC está falando isso porque, caso fosse candidato, JB roubaria votos exatamente do PSDB.
Ele é o anti-PT. Petistas o abominam, e, na minha opinião de jornalista apartidário e independente, com justificadas razões.
Imagino que os petistas preferissem votar em Serra a votar em JB, se fossem estas as duas alternativas.
Uma candidatura já cambaleante, como a de Aécio, simplesmente se desfaria caso JB entrasse na disputa.
Espertamente, FHC deixa uma portinha aberta: diz que seria outra história se JB fosse candidato a vice, ou a senador.
Para o PSDB, seria uma boa alternativa ter JB como vice de Aécio. Não que isso possa mudar o desfecho previsivelmente melancólico das eleições de 2014 para os tucanos, mas talvez trouxesse algum alento a uma campanha que parece morta antes de chegar ao berço.
Mas, se é bom para o PSDB ter JB como vice, para ele, JB, é uma lástima. Vice, no Brasil, não é nada. Ainda mais quando você é vice de um candidato miseravelmente derrotado, como deve ser o caso de Aécio.
Para JB, é melhor ficar onde está, pelo menos por enquanto. Sua vaidade será satisfeita por uma mídia que estará ávida por atacar o PT, e nisso ele é útil.
Suas pretensões ficarão deslocadas para o futuro, talvez 2018.
Collor 2, como dizem alguns, ele não é. Collor 1 foi um produto da mídia, é certo, que o transformou no “Caçador de Marajás”.
Mas Collor era desconhecido dos brasileiros. Foi fácil construir uma imagem empolgante, tanto mais porque ele tinha boa aparência e falava fácil até em inglês.
JB é um produto bem mais difícil de enfiar nos eleitores. Acima de tudo, já é amplamente conhecido, e é rejeitado por uma fatia expressiva dos eleitores – os chamados progressistas.
Fora isso, ele se comunica bisonhamente, ao contrário de Collor. Tem uma fala empolada, sofrida, manca.
Faça uma compilação das frases ditas por JB no Mensalão, ao vivo, e você deparará com um monte de asneiras sem sentido e ilógicas.
FHC tem razão.
Mas ele disse o que disse de JB por interesse próprio, e não por interesse público.
Paulo Nogueira
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Aliança Campos-Aécio não é só em Pernambuco, é Brasil afora.              

Marina foi jantada no Fasano            


Fernando Brito                           

prato
 Não é uma aliança de governo, como seria até compreensível pela eventual necessidade de formar maiorias parlamentares , sem as quais administrar é complicadíssimo.
É uma aliança eleitoral, preparatória da esperança da oposição de haver um segundo turno.
Ela vai se repetir em São Paulo, Minas, Paraná e outros estados.
Os “marineiros” vão ficar sem espaço, sem candidatos e sem televisão.
A “nova política” vai ficar debaixo dos velhos acordos.
Foi servida, com porcelana inglesa e guardanapos de linho, num jantar no Fasano.
Marina Silva pode até dizer que não apoia as alianças tucano-campistas.
Mas como se descolar dos pactos conservadores?
Vai convocar as ruas para apoiar Alckmin, Richa, Anastasia?
Ou fingir que não tem nada com isso?
O muro, agora, foi pintado de verde.

A(inadmissível) grosseria

dos militares com Dilma

Há um mal-estar castrense desde a exumação dos restos do ex-presidente João Goulart; além de sua restituição no cargo como fato simbólico e político.          

Do AMgóes - Os militares, pelo visto, 'ainda' não entenderam que são(como sempre foram, apesar dos históricos arreganhos golpistas),'servidores'públicos para a função específica de 'defesa' do Estado brasileiro e não detentores de um 'poder' que ninguém jamais lhes outorgou, daí terem violentado no século passado a ordem constitucional, transformando-nos em republiqueta de 'bananas', a exemplo de outros camaradas de armas mundo afora.                                                                                 

Darío Pignotti                                         
Agência Brasil
Brasília - São incorrigíveis. O general, o almirante e o brigadeiro que comandam as forças armadas do Brasil desafiaram a presidenta Dilma Rousseff e os parlamentares reunidos no Senado ao permanecerem imutáveis, sem aplaudir, como fazia o resto dos presentes, durante a cerimônia na qual foi restituído simbolicamente o cargo ao ex-mandatário João(“Jango”) Goulart, derrubado pelo golpe de Estado de 1964.

Enzo Martins Peri, Julio Soares de Moura Neto e Juniti Saito, chefes do Exército, a Marina e a Aeronáutica, observaram, sem gesticular, o momento em que Rousseff abraçou João Vicente Goulart, filho do presidente destituído, depois de receber a resolução parlamentar, votada por todos os partidos, em que se decretou nula a sessão de 1964 que legitimou o aval à ditadura cívico-militar.

Os três comandantes, que estão em seus cargos desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (contra quem também montaram um gesto de insubordinação quando se tocou a agenda de direitos humanos), repetiram na semana passada na solenidade realizada no palácio semiesférico do Poder Legislativo de Brasília a mesma audácia de 2011, quando permaneceram de braços cruzados enquanto Dilma, dezenas de familiares de desaparecidos e uma delegação argentina encabeçada pelo falecido secretário de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, aplaudiam a criação da Comissão da Verdade.

“Acho que o ocorrido na última quinta-feira no Congresso foi algo mais que um gesto de insolência, me parece que esse comportamento dos comandos militares esteve à beira da insubordinação à presidenta e aos poderes da república”, raciocina o jornalista Luiz Claudio Cunha em entrevista a Página/12.

Cunha é autor do livro mais exaustivo e melhor documentado sobre a Operação Condor no Brasil (O sequestro dos uruguaios), além de contar com informações fidedignas da interna castrense.

“Se diz que há um mal-estar militar, pelo menos entre os altos oficiais. Parece ser que eles não estão nada satisfeitos com a exumação do ex-presidente Goulart, com as honras com que foram recebidos seus restos em Brasília, o estudo dos restos para saber se foi envenenado pela Operação Condor e a restituição no cargo, que é um fato simbólico sem deixar de ser político.”

Ante a suspeita de que a coordenação repressiva da Operação Condor tenha envenenado Goulart, falecido no dia 6 de dezembro de 1976 em Corrientes, Argentina, a Comissão da Verdade motorizou sua exumação no cemitério municipal de São Borja e o transporte de seus restos à Brasília, onde foram recebidos com honras de Estado e lhe extraíram amostras para serem analisadas em laboratórios estrangeiros.

Para Luiz Claudio Cunha, a corporação militar acendeu seus instintos revanchistas depois da chegada ao governo da “ex-guerrilheira e hoje comandante em chefe das forças armadas Dilma”.

“Até algum tempo atrás os generais se mostravam incomodados com algumas tentativas revisionistas da ditadura, mas agora se os vê ostensivamente irritados contra a demanda de verdade e justiça, como revela a atitude do comandante do exército Peri com sua omissão durante os aplausos no Congresso. E antes se viu essa mesma irritação na postura prepotente do general Carlos Bolívar Goellner, quando participou do enterro definitivo do presidente Goulart, neste 6 de dezembro em São Borja.”

Chefe do Comando Militar do Sul, com jurisdição sobre as fronteiras com a Argentina, Uruguai e Paraguai, o general Bolívar Goellner declarou em São Borja sua plena reivindicação da sedição que derrubou Jango Goulart em 1964. “Não há nada de que retratar-se, não há nenhum erro histórico, a história não comete erros, a história é a história”, provocou o general frente à consulta da imprensa no dia em que se realizava o segundo e definitivo enterro de Goulart, há 37 anos de seu falecimento no exílio argentino.

“Não é um fato menor que ninguém em Brasília tenha enquadrado o verborrágico e rechonchudo general Bolívar Goellner. Houve um silêncio vergonhoso de parte de seu chefe imediato, o comandante do exército Peri, e também do chefe de ambos, o ministro da Defesa, Celso Amorim”, comenta Cunha. E acrescenta um dado inquietante, o sonoro Bolívar Goellner, de 63 anos, “tem uma ficha limpa em matéria de violação dos direitos humanos, já que quando chegou à ditadura ele tinha 14 anos e esta terminou quando havia completado 35” mas, pese a isso, está “entrincheirado na defesa do regime”. Corolário: não há depuração ideológica entre os quadros militares brasileiros unidos na reivindicação do terrorismo de Estado e contra as tentativas de reconstruir a memória.

Procurando as pistas na Argentina

João Vicente Goulart, filho do ex-presidente derrubado, se reuniu com diplomatas argentinos em Brasília, a quem entregou um documento até agora secreto sobre a Operação Condor.

– Viemos à embaixada para deixar este papel, de maio de 1976, com timbre do exército brasileiro, dirigido à ditadura argentina, para pedir vigilância e a detenção do “subversivo” João Goulart; um mês e meio depois o escritório de meu pai em Buenos Aires foi visitado por agentes da repressão e, em dezembro morre em Corrientes de uma forma estranha que nós suspeitamos que tenha sido envenenamento.

– O que se tratou na reunião?

– Propusemos que se pode averiguar, do lado argentino, se esse pedido formal do exército foi respondido através de outro documento, para ir armando o quebra-cabeça. Houve boa receptividade por parte dos diplomatas. Para nós é muito importante o apoio argentino para reconstruir as pegadas deixadas pela Operação Condor quando estava sobre meu pai.

– O documento reforça a hipótese do envenenamento?

–É um indício a mais, já se está fazendo em laboratórios estrangeiros o estudo dos restos de Jango, será possível descobrir se foi envenenado. Enquanto isso, nós continuamos trabalhando porque sabemos que a Operação Condor estava sobre Jango. Vamos seguir todas as pistas. Nós temos suspeitas grandes de que meu pai foi assassinado, ele morreu em dezembro de 76 e em setembro havia sido morto o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em suposto acidente. Ou os dois terão sido assassinados? São muitas coincidências.

–Pensam em recorrer à justiça argentina?

–Não descartamos nada. No Brasil ainda temos a anistia deixada pelos militares, na Argentina a derrogaram, e no juizado de Paso dos Libres se abriu um processo pela morte de Jango. Se for necessário iremos à Justiça argentina e até poderíamos pedir uma audiência com a presidenta Cristina Fernández para que nos ajude a chegar à verdade. Queremos a verdade e a justiça.
Até 31/dezembro/2013
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013


Caros  amigos  da  rede:

Tomo a liberdade de encarecer, neste momento de auspiciosos desejos  para 2014,  o mais elevado espírito de compreensão quanto  aos recalcitrantes pregoeiros do retrocesso socioeconômico do país, estimulados pela mídia do baronato conservador.


Relevemos, franciscanamente, suas eventuais crises de identidade e crônica falta de propostas alternativas (multissecularmente ‘encasquetadas’  no tal     ‘to be or not to be’), concitando-os à reflexão e ao  desapego a conceitos metafísicos impregnados de histórico bolor. 
                                 
Todavia,  se avessos ao amplo debate democrático das ideias(aliás, como vêm procedendo desde sempre), resignemo-nos em promover seu necrológio(só 'político', por favor, porque, apesar das abissais diferenças, todos nos respeitamos), na sequência do inevitável HARAQUIRI  coletivo(rsrsrs) a que se submeterão por falta de perspectiva, depois do próximo confronto eleitoral.

Salvo se os fluidos do novo tempo alterarem os rumos de suas pétreas contradições...

FELIZ ANO NOVO!!!


(AMgóes-Rio/RJ)