segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Botem água no feijão, 
que estou voltando...
Por oportuno (e por justiça), tomo a liberdade de reproduzir aqui no blog a mensagem que postei no 'www.facebook.com/amggoes' e remeti à caixa postal de centenas de outros contatos, face às suas  manifestações por um breve restabelecimento, após a emergência hospitalar que me possibilitou,  a menos de uma semana do evento, retornar ao salutar convívio de tantos quantos acessam esta página, na certeza de, malgrado eventuais acidentes de percurso, a vida continuar bela como antes.                                                        
"Já em casa, trocando figurinhas com meu novo 'amigo do peito', um marcapasso implantado na última terça-feira, 5, sob o desvelo solidário e profissional da Cardiologia do Hospital Copa D'OR-Rio de Janeiro, cuja equipe, de apoio básico, samaritana enfermagem, clínicos e cirurgiões, foi decisiva no sucesso da providencial emergência, corrigindo perniciosa baixa frequência a que foram relegadas as operações cotidianas aqui do 'encrenqueiro' miocárdio velho de guerra.                                                                                                                     
Por hora atrelado a óbvios preceitos de moderação, tô me coçando pra cair em campo e voltar à luta, que o tempo urge. De resto, meu reconhecimento à presença fundamental de minha(grande) família e o inestimável afeto de tantos amigos/irmãos que me desejaram boa sorte. Valeu e botem água no feijão, que tô voltando!!!(rsrsrsrs)                                                         
EM TEMPO - Obrigado pelas efusivas manifestações na passagem de meu 71º aniversário, justo no sábado 26 de outubro em que o departamento médico vetou(provisoriamente) minha 'escalação' para o jogo diário e frenético da vida.                                                                                   
EM TEMPO 2 - De repente, nesta sexta, 8, à saída do 'estaleiro', deparo-me com a fulgurante chegada de LARISSA, 7ª de meus netos, filha do André e da Cristiana. Foi aí que o marcapasso segurou o tranco...(rsrsrs)                                                                                                                          
Com o afeto do Antônio Manoel Góes - Rio de Janeiro. "                                                                                             

domingo, 10 de novembro de 2013

HADDAD PEITA O PIG DE SÃO PAULO


Prefeito petista avisa ao Otavinho da Folha que o eleito pelos paulistanos foi ele...

CONVERSA AFIADA


 Finalmente, um líder do PT se dá conta de que ou ele governa ou governa o PIG (*)!
Prefeito afirma que ‘império’ tenta difundir desinformação e avalia que oposição a reajuste do IPTU chegou até a quem terá isenção. ‘Não podemos ter uma sociedade monolítica em que só alguns falam’

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou o que ele chamou de “monopólio da comunicação no país” no último fim de semana, ao defender seu governo e, especialmente, o projeto de revisão da Planta Genérica de Valores, que reajusta o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

Segundo Haddad, graças a “desinformação” e“terrorismo” até pessoas que serão beneficiadas pela mudança na cobrança do imposto se sentiram injustiçadas – pelo projeto aprovado na Câmara, 33% ficarão isentos de pagar IPTU e 8% terão redução no tributo.
Com as mudanças, os imóveis na região central terão os maiores reajustes médios, enquanto distritos na periferia terão aumento menor e redução do imposto. Aposentados que ganham até três salários mínimo terão isenção total de IPTU.


Diante de uma plateia que se autodenominou “aqueles que o elegeram”, durante cerimônia de sanção da lei que amplia o Programa VAI – voltado à promoção cultural para jovens da periferia –, o prefeito disse que falta liberdade de expressão no país. “Nós não podemos ter uma sociedade monolítica em que só alguns falam. E esses alguns têm o pensamento único e só o pensamento deles que vale. Tudo que difere do que eles pensam está errado”, disse. “É o império da comunicação, querendo ditar a política pública em São Paulo. Mas comigo isso não vai funcionar.”
(…)
Clique aqui para ler “De quem é o rosto que a Folha não mostra ?”

E aqui para ver “Garotinho rasga o Globo, imprensa marrom’”

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Para derrotar Dilma em 2014, oposições planejam impor o caos no país                 

                                                 Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães
 Há um fato com o qual praticamente todos os analistas políticos concordam: em uma disputa limpa haverá poucas chances de candidatos da oposição derrotarem a presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial do ano que vem. Essa chance só se materializará se a sensação de bem-estar gerada por emprego e renda em alta for anulada.
Mas como anular uma realidade que se faz sentir na veia da maioria dos cidadãos brasileiros, uma maioria hoje inserida na classe média baixa e que, agora, vê filhos se tornando os primeiros universitários da família, que está comprando o primeiro automóvel, que está reformando ou comprando imóveis, que vem tendo sucessivos aumentos de salários?
Em primeiro lugar, os que pretendem tirar o PT do poder após dez longos anos de hegemonia política desse partido sonham com uma ampla frente das oposições de esquerda e direita ao governo Dilma. PSDB, DEM, PSB, PSOL e PSTU vêm mantendo diálogo por meio de interpostas pessoas, acertando pontos mínimos de convergência e uma estratégia comum.
Uma frente formal que reúna partidos aparentemente tão diferentes não é viável. Pegaria mal tanto para o lado esquerdo quanto para o direito. Mas a aliança pode se dar no discurso e nas táticas que serão usadas para tentar anular o bom e velho “feel good factor”, ou “fator sentir-se bem”, em tradução livre.
Mas como fazer o cidadão esquecer que hoje qualquer um consegue emprego em um país em que a escassez de emprego sempre foi tão grande que as empresas pagavam salários de fome até para engenheiros formados? Como fazer o cidadão esquecer do automóvel que agora tem na garagem ou do filho que será o primeiro membro da família a se formar?
Durante as manifestações de rua que se abateram sobre o país ao longo do mês de junho ficou provado que é possível hipnotizar um país inteiro. Diante de um mundo perplexo, o país que mais tem avançado na distribuição de renda, na redução da pobreza, na geração de empregos, no aumento do poder de compra dos salários e que tem resistido à maior crise econômica em cerca de um século parecia um dos países árabes em que ditaduras cruéis foram derrubadas por grandes protestos daqueles povos famintos e sem perspectivas.
A espantosa queda de aprovação de Dilma em um espaço de míseros 30 dias mostrou ser possível, sim, fazer um país esquecer tudo o que conquistou graças aos que o governaram nos últimos dez anos.
Em tese, portanto, bastaria reeditar as tais “jornadas de junho” para derrotar a atual presidente. Os partidos que detêm “tecnologia” para colocar massas nas ruas – PSOL e PSTU, que se valem de todo tipo de gente para inflar protestos, inclusive de neonazistas, punks, skinheads e assemelhados – fariam todo o trabalho e aos partidos de direita bastaria apontar a “insatisfação do país” com “esse governo”.
Enquanto a oposição de esquerda enche as ruas com militantes de esquerda e psicopatas de direita para forjar “insatisfação generalizada”, a de direita usaria os grupos de mídia que a apoiam para desacreditar o Brasil no exterior com olhos na possibilidade (real) de uma reviravolta na crise internacional que tiraria os países ricos da linha de tiro e colocaria países em desenvolvimento.
Recentemente, o colunista da Folha de São Paulo Demétrio Magnoli citou uma “tempestade perfeita” que despencaria sobre o Brasil no ano que vem e que anularia o “feel good factor”.
Em tese, a “tempestade perfeita” de Magnoli consistiria em os Estados Unidos subirem as taxas de juros, hoje praticamente zeradas com vistas a estimular o crescimento de uma economia doente. Com esse aumento de remuneração do capital nos EUA, haveria uma fuga de dólares do Brasil e, com menos dólares na praça, o real se desvalorizaria, gerando inflação.
Enquanto os black blocs estivessem apavorando e espantando turistas e fazendo o Brasil passar vexame em plena Copa do Mundo, possivelmente afetando a moral da Seleção, que completaria a tragédia jogando mal e perdendo a Copa “em casa”, os preços estariam explodindo, os empresários entrariam em pânico e, nesse momento, a mídia ainda trataria de expor algum dos escândalos de última hora que sempre explodem contra governos petistas em períodos eleitorais.
Contudo, o que o novo colunista da Folha e os que endossam sua teoria da “tempestade perfeita” não avaliam é que o Brasil resistiu aos solavancos da economia internacional ao longo de toda a década passada. Devido às imensas possibilidades de investimento em nosso país, pode não haver fuga relevante de dólares mesmo que os EUA aumentem os juros.
Além disso, mesmo que diminua o fluxo de dólares para o Brasil, os níveis de investimento irão aumentar ao longo do ano que vem, sobretudo por conta dos investimentos no campo de petróleo de Libra, recém-leiloado.
O que preocupa é que no próprio PT há gente disposta a se unir à oposição pela esquerda. Recentemente, um dos candidatos a presidente do partido propôs que seja “sacrificada” a reeleição de Dilma em troca de se “fazer a reforma agrária”, provavelmente achando que é possível reverter 500 anos de concentração de propriedade da terra ao longo de 2014. E ignorando que a volta da direita ao poder reverteria qualquer conquista.
Contudo, apesar de até o próprio PT abrigar uma oposição de esquerda ao governo federal em seus quadros, de a oposição em outros partidos de esquerda só pensar em vingança contra os grupos de centro-esquerda que hoje dominam o partido do governo e que expulsaram os que fundaram PSOL, PSTU etc, e de haver risco, sim, de os EUA aumentarem os juros, o governo ainda tem bala na agulha.
Apesar da estrondosa queda de popularidade de Dilma advinda das “jornadas de junho”, a continuidade da instalação de programas sociais e de medidas econômicas que beneficiam a maioria reverteu aquela queda.
Assim como o Minha Casa, Minha Vida, como a redução das contas de Luz ou como a queda dos juros liderada pelos bancos oficiais, o governo continuou implantando programas que beneficiam as massas, sendo o Mais Médicos o último programa dessa série. Com isso, reverteu-se a queda de popularidade de Dilma, que já desponta como favorita em 2014.
Está posto, então, o quadro político para o ano que vem. Mais uma vez, haverá disputa entre a razão e a emoção, como em 2002, 2006 e 2010.
Em 2002, Lula venceu graças à racionalidade: após FHC se reeleger em 1998 prometendo não desvalorizar o real, no primeiro mês de seu segundo governo ele violou a promessa. O povo foi racional tirando do poder um partido que o enganou, o PSDB.
Em 2006, Lula se reelegeu contra a comoção que tentaram instalar no país contra a “corrupção” do PT no âmbito do escândalo do mensalão. Mais uma vez prevaleceu a racionalidade. A sociedade preferiu os avanços que já sentia no cotidiano ao discurso moralista que tentava transformar Lula em um corrupto mesmo sem nenhuma prova contra ele.
Em 2010, Lula elegeu Dilma com base no imenso bem-estar social que seu governo gerou ao país. Salários crescendo, empregos surgindo em toda parte, pobreza e desigualdade despencando e o protagonismo internacional do Brasil derrotaram o fundamentalismo religioso e a rede de intrigas aos quais José Serra se agarrou para tentar derrotar a adversária
A racionalidade vem derrotando a catarse há mais de uma década, portanto. Mas essa racionalidade foi rompida em junho graças a um espetáculo pirotécnico que os oposicionistas da situação e da oposição conseguiram montar – uns por falta de visão e outros por má fé mesmo.
O que resta saber, portanto, é se após a sociedade despertar da catarse junina ela poderá ser drogada de novo. Será que o povo aprendeu alguma coisa após ver toda aquela pantomima não resultar em absolutamente nada? Será que a desmoralização da tática de quebra-quebra fará o povo resistir à droga político-ideológica que tentarão lhe inocular?
Façam suas apostas.

O fato e o boato da economia

O terrorismo fiscal entrou na batalha e seria bom que o governo Dilma o tratasse com o devido respeito
Carta CapitalLuis Nassif      

Na política econômica, muitas vezes a palavra é mais eficiente do que a caneta. Como o mercado se move por expectativas e há defasagens entre as medidas econômicas e seus resultados, é o discurso que mantém as expectativas coesas, antes que as mudanças apareçam.
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O mercado financeiro desenvolveu mecanismos de operações futuras capazes de radicalizar qualquer movimento de expectativas - para cima ou para baixo. A esse quadro some-se o ativismo da mídia, radicalizando cada movimento negativo. Tudo isso aumenta a importância da interlocução competente com o mercado.
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No primeiro semestre, grandes investidores brasileiros tiraram dinheiro do país com receio de hipotéticas crises futuras.
1. O medo da chamada "tempestade perfeita": contas externas se deteriorando, a crise da China derrubando as commodities; o FED (Banco Central norte-americano) reduzindo os estímulos monetários e o capital financeiro não mais financiando o déficit externo brasileiro.
2. Os movimentos confusos do Ministro da Fazenda e do Secretário do Tesouro.
3. Alta da inflação.
4. Receio de que o fator Cristina Kirchner contaminasse o Brasil.
5. A supina tolice de confrontar o The Financial Times, bíblia maior dos mercados internacionais.
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De lá para cá, muita coisa mudou.
A economia chinesa não está despencando; o FED adiou o fim dos estímulos monetários e não mais se acredita que a transição será trágica; a inflação refluiu; caiu a ficha da Fazenda e do Tesouro.
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Permanecem os seguintes fatores de stress:
1. O receio de que as agências de risco rebaixem as avaliações sobre a economia brasileira, dificultando ainda mais o financiamento das contas correntes. Fato: a Standard & Poors diz: é baixa a probabilidade de rebaixamento nos próximos dois anos. Boato: se muitos investidores embarcarem no efeito manada e tirarem dinheiro do país, não haverá como evitar o rebaixamento.
2. Fato: a melhoria relativa nas expectativas fiscais. O Itaú elevou de 1,3% para 1,5% do PIB a expectativa de superávit primário em 2014 e se acalmou. Boato: os terroristas comparam com as metas de 3,5% e aterrorizam.
3. Fato: a falta de confiança geral nos principais gestores econômicos, especialmente Guido Mantega, da Fazenda, e Arno Agustin, do Tesouro.
4. O fator Argentino, especialmente o voluntarismo de Cristina Kirchner.
Como uniformizar o entendimento e impedir que as expectativas conduzam os fatos? Com um discurso claro e com credibilidade e com metas claras e objetivas.
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Aí o governo resolve encarar a discussão no campo da racionalidade. E coloca dois neófitos em mercado – a Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann e o Secretário do Tesouro Arno Agustin – para tornar o debate público.
Mesmo armados de bons argumentos, falta-lhes o chamado poder da autoridade. Gleise é tão convincente falando sobre questão fiscal quanto Marina Silva defendendo o “tripé econômico”.
O mercado nem vai reparar nos argumentos de ambos. Sua leitura é a de que a discussão é parte da política de confronto.
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O terrorismo fiscal entrou na batalha e seria bom que o governo Dilma o tratasse com o devido respeito. Daqui para frente, mais do que antes, a velha mídia tratará cada espirro como indício de tuberculose
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Aécio quer de volta o “homem dos 

juros” da Era FHC                                 


Fernando Brito                                                                                 

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Miguel do Rosário esteve  de folga neste último final de semana. De folga só do Tijolaço, porque continua mostrando porque irrita tanto a Globo e seus “manda-chuvas” lá em seu blog O Cafezinho.

Seu olho de lince foi achar, no blog do Kennedy Alencar a revelação – dois dias depois de ter conversado com Fernando Henrique Cardoso, que Aécio Neves já “escolheu” – pretensão e água benta…. – o seu “Ministro da Fazenda”: Armínio Fraga, o “dono” da quadra final do governo FHC.
E, num trabalho primoroso de reconstituição da memória, vai buscar o “recordar é viver” para passagem de Fraga pelo cargo de Cardeal Richelieu, na época o equivalente a presidente do Banco Central, do declinante Fernando Henrique.
Cadente governo talvez seja nome melhor para o governo que acabou poucos dias depois de eleito, logo após a explosão que seguiu à reeleição presidencial, em 1998, quando a farsa do “real que vale mais que o dólar” ruiu estrepitosamente.
Leia o texto de Miguel e veja como o Brasil precisa exorcizar a volta dos zumbis do passado.

Presença de Arminio

Miguel do Rosário
Leio no blog do Kennedy Alencar, que Arminio Fraga é o ministro da Fazenda dos sonhos de Aécio Neves. Eles já conversaram a respeito e acertaram tudo. Segundo Aécio, “uma indicação antecipada de um ministro da Fazenda com esse perfil ajudaria a campanha tucana a atrair simpatia de investidores internacionais e de boa parte do empresariado brasileiro, sobretudo do grande capital financeiro.”
Pois bem, então eu lembrei dos “bons tempos” e fui pesquisar os jornais de 1999, mais especificamente, de março daquele ano, quando Fraga assumiu a presidência do Banco Central.
Sua primeira medida foi aumentar os juros de 25% para 45%. Foi talvez a maior paulada nos juros que já se deu, em qualquer civilização, nos últimos cinco mil anos.
ScreenHunter_2920 Nov. 10 11.07A grande imprensa comemorou. Em editorial, o Globo afirmou que “as medidas anunciadas pelo novo presidente do Banco Central, Arminio Fraga, vão na direção certa”.
Fraga falou à imprensa que, para o futuro, a tendência dos juros era cair. Ah, bom.
O que ninguém falou é que a medida de Fraga significava dezenas, quiçá centenas de bilhões de dólares, na conta dos grandes credores nacionais e internacionais, ao longo dos meses seguintes. Dinheiro fácil, líquido e certo.
No mesmo dia, o Globo anunciava que os combustíveis iriam subir e que uma comissão da Câmara havia aprovado a nova CPMF (imposto criado para aplicação em saúde, mas que no governo FHC era usado para superávit primário). O acordo político entre governo e legislativo era quase cínico. O imposto não iria para a Saúde. Tanto que os jornais afirmava, sem pejo, que o FMI aguardava, com ansiedade, a aprovação do novo imposto. Ou seja, o FMI queria a CPMF, porque esse dinheiro ia para os credores internacionais.
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 Não pára por aí. Aquela sexta-feira, 5 de março de 1999, prometia muitas emoções. O colunista político do Globo, Marcio Moreira Alves, um digno jornalista que havia crescido dentro do Globo durante os esforços do jornal para se redimir com a opinião pública no pós-ditadura, comentava sobre uma certa “indiscrição” do ministro da fazenda, Pedro Malan. Malan havia encomendado estudos para a venda do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, o que provocou fortes contestações no Congresso. É aí que grande parte do PMDB, inclusive caciques conservadores, como Sarney e seus companheiros, rompem com os tucanos.
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 A tentativa de privatização da Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa produz a grande fenda na elite política que iria sorver o PSDB e abrir espaço para uma nova coalização governamental, uma aliança entre PT e a centro-direita, representada pelo PMDB, cujo nacionalismo repetindo surpreendeu a mídia.
Mesmo com inflação estourada, juros a 45%, governo articulando não apenas para prorrogar a CPMF, mas para aumentar a alíquota, estudos para venda das últimas grandes estatais brasileiras, ministérios anunciando grandes cortes de servidores, nenhuma obra de infra-estrutura em curso, a grande mídia tentava afastar o “baixo astral”.
ScreenHunter_2917 Nov. 10 11.02Teresa Cruvinel, outra colunista estrategicamente posicionada para amansar os ânimos esquerdistas do pós-ditadura, abria sua coluna daquela fatídica sexta-feira com um título solar e feliz: Apesar do baixo astral.
Os jornais simplesmente omitivam acintosamente informações sobre as consequências terríveis para as finanças públicas daquele “choque” nos juros. A dívida brasileira, já complicada, se tornaria quase impagável.
Em resumo, o governo FHC aumentava pesadamente a carga tributária e criava novos impostos, asfixiando a classe média, não para aprimorar os serviços públicos ou fazer obras de infra-estrutura, mas para transferir mais dinheiro aos credores internacionais. A grande imprensa, sócia nessa empreitada, tinha missão de enganar a sociedade, afirmando que o remédio era necessário, e que tudo ia bem, “apesar do baixo astral”.
Enquanto isso, a Polícia Federal continuava sendo sucateada, e não havia nenhuma investigação séria, por parte do governo, contra os grandes problemas de corrupção no país. Nem na imprensa. O escândalo da compra de votos para a reeleição já havia sido devidamente abafado, a mídia preparava o terreno para as últimas grandes privatizações, entre elas a da Vale do Rio Doce.
Quem falasse em “concessão”, à época, seria considerado socialista. O governo não queria conceder nada. O objetivo era alienar completamente o patrimônio público, o mais rápido possível, entregando-o nas mãos de empresários politicamente afinados com o Planalto.
Bons tempos! A Globo não era incomodada por nenhum blogueiro sujo e podia continuar ganhando seu dinheiro, tranquilamente, no mercado financeiro, enganando os trouxas da classe média a quem vendia o discurso do “Estado mínimo”. Ou  seja, o governo aumentava a transferência de recursos do indivíduo para as grandes instituições controladoras do capital, Estado e bancos, através do aumento da carga tributária e juros, com auxílio luxuoso de uma imprensa sócia no butim. Não havia nenhum programas de “desoneração”, como faz Dilma.
Não havia nenhuma obra de infra-estrutura. Era só pau, pau, pau. E, no entanto, a classe média leitora do Globo, com ajuda de Marina Silva e Eduardo Campos, ainda acredita no “tripé econômico” e na maravilhosa gestão de Fernando Henrique.
PS. Aquela, completo eu, que nossa desmemoriada Marina Silva diz que foi de “grandes conquistas” para o Brasil. Sim, de fato, fomos definitivamente conquistados e nos tornamos uma colônia do capital financeiro.

Jango: mídia falsificou a autópsia política

Jango foi assassinado uma primeira vez 12 anos e oito meses antes de sua morte bológica. A autópsia política da agenda dos anos 60 foi falsificada pela mídia.

Saul Leblon 
                                                                                                  
                                         
Arquivo 

Trinta e sete anos após ter sido atribuída a um ataque cardíaco, a morte do ex-presidente João Goulart, ocorrida no exílio, em 6 de dezembro de 1976, volta ao noticiário.

Antigas suspeitas em torno do seu desaparecimento devem ser esclarecidas agora com o exame que o regime militar que o derrubou nunca permitiu (leia a reportagem de Dario Pignotti; nesta pág)

A ditadura só autorizou o sepultamento do ex-presidente, em São Borja, em túmulo a 40 metros do de Getúlio Vargas, com féretro blindado.

Mesmo assim, na última hora, o então ministro do Exército, Sylvio Frota, da extrema direita militar, tentou anular a autorização expedida pela cúpula do governo Geisel.

Era tarde. Morto, Jango retornava ao Brasil 13 anos depois de expulso pelas baionetas e pelas manchetes do jornalismo conservador.

O caixão lacrado, conduzido em carro a alta velocidade, cruzaria a fronteira de Uruguaiana a 120 km por hora, vindo de Mercedes, na Argentina, onde ficava a estância dos Goulart.

Ladeava-o um aparato militar com ordens expressas de não permitir manifestações populares no trajeto.

Inútil.

Quando chegou a São Borja, a população em peso nas ruas cercou o cortejo; o caixão foi conduzido à catedral, de onde cruzaria a cidade em marcha solene até o cemitério.

'Jango, Jango, Jango!'

Gritos guardados no fundo do peito desafiaram a presença das tropas e o aviltamento da memória do ex-presidente, alimentado pela mídia antes, durante e depois de 1964.

Independente do resultado da autópsia, a verdade é que Jango já havia sido assassinado uma primeira vez 12 anos e oito meses antes dessa cena.

A autópsia política das agenda dos anos 60 foi meticulosamente falsificada pela mídia que ajudou a derrubá-lo.

Está em jogo, portanto,  mais que o desagravo a um brasileiro. E isso não deveria ser omitido no discurso oficial da homenagem solene que, com justiça, o governo deve render-lhe nesta 5ª feira, em Brasília.

Desqualificada pela caneta dos vencedores,  a agenda do período pede  exumação serena e afirmativa.

Contra isso atuou por décadas o monopólio das comunicações, hoje mais forte do que aquele existente há 49 anos, quando a ditadura  impôs silêncio sobre o ciclo Jango.

Escribas da confiança do regime, que fariam carreira como confidentes de seus ‘bruxos  -- dos quais herdariam fuxicos e versões palacianas de densidade fascicular --  cuidaram  e cuidam de amesquinhar esse capítulo da luta pelo desenvolvimento brasileiro.

Nada mais sério que  um mal passo de um  país sob a presidência de um político hesitante e mulherengo.

Esse, o epitáfio dos vencedores a Jango e à geração de brasileiros que lutava por um país soberano e justo nos idos de 60.

Importa-lhes, sobretudo, rebaixar o debate em torno daquilo que interliga passado ao presente do país: a  agenda e as instituições de ontem e de hoje.

A mídia, enquanto instituição, foi - é – parte interessada no assalto ao poder que interrompeu um governo democrático, suspendeu as liberdades e garantias individuais, sufocou o debate de reformas estruturais, prendeu, matou, torturou.

Foi conivente com a censura à própria liberdade de expressão.

Foi dela a iniciativa de convocar o medo e a mentira e alimentar o linchamento de reputações.

Agiu, não se sabe ainda com que grau de intimidade, mas é notória a sintonia com que atuou em relação ao  Departamento de Estado norte-americano que  -disso não resta mais dúvida--  coordenava a desestabilização do governo Goulart.

Ontem como hoje, o conjunto foi decisivo para levar a classe média a incorporar um discernimento moralista e  golpista à sua visão do processo brasileiro.

E mesmo assim, apenas uma parte dela.

O acervo do Ibope, catalogado pelo Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, reúne pesquisas de opinião pública feitas às vésperas do golpe.

Os dados cuidadosamente ocultados naqueles dias assumem incontornável atualidade cotejados com a atuação do aparato midiático nas horas  que correm.

Enquetes levadas às ruas entre os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam em sua defesa, mostram que:

a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%). 

b) Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais.

c) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção.

d) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março  (em um comício que reuniu 150 mil pessoas na Central do Brasil  --o país tinha então 72 milhões de habitantes, Jango assinaria decretos que expropriavam as terras às margens das rodovias para fins de reforma agrária, bem como nacionalizavam  refinarias de petróleo).

As pesquisas sigilosas do Ibope formam o contrapelo estatístico de um jornalismo que ocultou elementos da equação política, convocou, exortou, manipulou, incentivou e apoiou a derrubada violenta do Presidente da República, em 31 de março de 1964.

Em editorial escrito com a tintura do cinismo oportunista, um dos centuriões daquelas jornadas, o diário O Globo, fez recentemente a autocrítica esperta de sua participação no episódio. Escusa-se no pontual, lamenta o apoio explícito, mas justifica a violência institucional, como inevitável diante do quadro caótico e extremado vivido então.

Se havia extremismo em bolsões à esquerda, o fato é que a incerteza social e a rejeição ao governo, como se vê pela pesquisa do Ibope, foram exacerbadas deliberadamente pelo aparato midiático para interditar o debate, desmoralizar lideranças, criminalizar bandeiras e vetar as soluções para os desafios do desenvolvimento.

Graus de semelhança com a engrenagem em movimento no país avultam aos olhos menos distraídos.

E esse é o ponto a reter, que faz da exumação dos restos mortais de Jango uma janela importante para enxergar não apenas o passado.
Em que medida a reordenação de um ciclo de desenvolvimento pode ocorrer dentro da democracia quando esta lhe sonega os meios para o debate e a construção das maiorias e do consentimento requeridos ao passo seguinte da história?

O Brasil dos anos 60  vivia, como agora, o esgotamento de um ciclo e o difícil parto do seguinte.

As reformas de base – a agrária, a urbana, a tributária, a política, a educacional — visavam destravar potencialidades e recursos de um sistema exaurido.

O impulso industrializante de Vargas, dos anos 30 a meados dos anos 50, e o do consumo , fomentado por Juscelino, mostravam claros sinais de esgotamento.

Trincas marmorizavam todo tecido social e produtivo.

À vulnerabilidade externa decorrente da frágil capacidade exportadora, adicionava-se um elemento de gravidade inexistente hoje: a seca do crédito internacional, aplaudida pelos que alardeavam a inconsistência macroeconômica do país, a exemplo dos que agora clamam pelo rebaixamento da nota do Brasil junto às agências de risco.

O déficit público pulsava o desequilíbrio entre as urgências do desenvolvimento e as disponibilidades para financiá-lo.

O PIB anêmico e a inflação de 25% no trimestre pré-golpe completavam a encruzilhada de uma sociedade a requerer um aggiornamento estrutural.

O conjunto tinha como arremate a guerra fria, exacerbada na América Latina pela vitória da revolução cubana, que desde 1959 irradiava uma agenda alternativa à luta pelo desenvolvimento.

O efeito na vida cotidiana era enervante. Como o seria no Chile, nove anos depois; como o é hoje, em certa medida, na Venezuela de Maduro; ou na Argentina de Cristina.

O mercado negro de produtos essenciais testava a paciência dos consumidores.
Óleo, trigo, açúcar, carne faltavam ciclicamente nos grandes centros urbanos.

Fruto, em parte, de uma escassez provocada pela sabotagem empresarial.

As reformas progressistas propostas por  Jango estavam longe de caracterizar o alvorecer comunista alardeado diariamente nas manchetes do udenismo midiático.

O que se buscava era  superar entraves --e privilégios--  de uma máquina econômica entrevada em suas próprias contradições.

Jango pretendia associar a isso um salto de cidadania e justiça social, ampliando o acesso à educação e aos direitos no campo para dar um novo estirão no mercado interno.

Diante do salto ensaiado, e convocada a democracia a discutir o passo seguinte da história brasileira, os centuriões da legalidade optaram pelo golpe.

Deram ao escrutínio popular um atestado de incapacidade para formar os grandes  consensos  indispensáveis à estabilidade e duração de um ciclo de desenvolvimento.

Jango foi assassinado aí, pela primeira vez.

De forma  violenta e em praça pública.

Se o fizeram de novo em dezembro de 1976, cabe agora averiguar de uma vez por todas.

Independente desse segundo diagnóstico, o tema das relações entre mídia e ditadura, mídia e desenvolvimento não pode mais se restringir aos bastidores das comissões da verdade.

Ecoa dos idos de 60 uma lição negligenciada por aqueles que ainda encaram o binômio 'mídia e regulação' como barganha  de indulgência, junto a um poder que, em última instância, deseja-lhes a mesma sorte de Jango.

Não há revanchismo nessa constatação.

Pauta-a  a necessidade de dotar a democracia das salvaguardas de memória, pluralidade e participação social, que a preservem de uma recaída da intolerância, como a de 1964, que subtraiu à sociedade a prerrogativa de decidir o seu próprio destino.

Assista aqui trechos do filme de Silvio Tendler, Jango
(*) Esse editorial inclui  nota publicada em 20/03/2013

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prezados, o amigo Antonio Manoel Góes encontra-se em plena recuperação clínica, após bem sucedida intervenção cirúrgica para implante de marcapasso, agora seu fiel companheiro na lida diária da comunicação interativa deste blog! Que quiser contatá-lo, ligar para hospital Copa D'Or (25453600), quarto 408.