quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Marina Silva anuncia amanhã se disputará eleições por outro partido                                         

Na noite desta quinta-feira, por votos a 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou registro ao partido Rede Sustentabilidade, fundado por Marina.
André Richter, da Agência Brasil 
                              Carta Capital
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                                          Marina Silva durante a sessão do TSE que negou a criação da Rede                                                    
A ex-senadora Marina Silva disse na noite desta quinta-feira 3 que vai anunciar nesta sexta 4, em entrevista coletiva à imprensa, se vai concorrer às eleições do ano que vem por outra legenda. Na noite desta quinta-feira, por votos a 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou registro ao partido Rede Sustentabilidade, fundado por Marina. Os ministros entenderam que a legenda não conseguiu o mínimo de 492 mil assinaturas de apoiadores exigido pela Justiça Eleitoral.
Após o julgamento, Marina Silva disse que não está decepcionada com a decisão do TSE, porque entende que a corte reconheceu que a Rede preencheu os demais requisitos da Justiça Eleitoral. "O mais importante é que nós obtivemos nesta corte, a declaração de todos os ministros de que nos temos os requisitos mais importantes para ser um partido político. Eles disseram que nós temos um programa e representação social. O registro é só uma questão de tempo˜, declarou.
Perguntada sobre a possibilidade de concorrer às eleições por outro partido. Marina disse que não discutiu um plano alternativo para disputar o pleito, porém, a decisão será anunciada amanhã. "Eu tenho um plano A e continuo no plano A. O plano A é a Rede Sustentabilidade e ela continua como projeto político", concluiu
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Marina Silva não criou seu partido porque preferiu fazer uma ong


Antônio Lassance                                                    


Brasília - No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as favas já estão contadas, e a sorte da Rede, selada. O partido ficará para depois. A decisão do TSE irá confirmar ao final que Marina tem, de fato, não um partido, e sim, ainda, uma ong.

A única dúvida que resta é se a Rede conquistará pelo menos um voto. Uma das esperanças, talvez a única, é o ministro Gilmar Mendes. Dias Toffoli, o ministro “caixinha de surpresas”, viajou e cedeu a vez, providencialmente, para Mendes, defensor explícito da Rede. Mesmo assim, no TSE e no STF, o que se diz é que Mendes seguirá o voto da relatora, ministra Laurita Vaz, mas fará um veemente protesto sobre a rejeição supostamente exagerada de assinaturas por cartórios. Mendes pode assim proporcionar à Rede mais um vídeo no Youtube.

O iminente tropeço na criação da Rede mostra o quanto Marina Silva se divide entre dois mundos: o dos partidos e o das ongs. Um dos problemas no processo de constituição da Rede foi exatamente o de que sua organização se comportou, o tempo todo, mais como ong do que como partido.

PEN: Plano B ou filme B?


Mais cedo ou mais tarde, a Rede será criada e Marina Silva terá sua sigla ou, melhor dizendo, sua marca de fantasia, ao gosto de sua “sonhática”. A questão agora é saber o que prevalecerá na discussão de seu plano “B”: seu lado ongueiro ou os apelos partidários.

O resultado dirá se Marina é carta fora do baralho em 2014 ou se estará na disputa. A alternativa posta a seus pés é a de ingressar em um partido pré-existente, como Partido Ecológico Nacional (PEN), nanico (de seus dois deputados, pelo menos um já estava de saída), inexpressivo e cuja executiva nacional é formada por vários membros de uma mesma família. De todas as opções possíveis, seria a mais inofensiva.

A sigla foi oferecida a Marina para dela fazer o que achar melhor, se tornando presidente do partido e candidata à Presidência da República. É tudo o que o PEN precisa para escapar da extinção. Aliás, até a extinção é aceita de bom grado, pois o presidente nacional do PEN já sinalizou que, quando a Rede estiver criada, as duas siglas poderão ser fundidas em uma só. Por Marina, o PEN faz qualquer negócio. A recíproca não é verdadeira. Com a reputação que conquistou a duras penas, Marina tem receio de queimar seu filme, mesmo que no papel de protagonista.

O PEN pode recolocar Marina no jogo para 2014. Mas, de novo, o dilema entre ser ou não ser é a questão. Melhor aguardar 2018 e cumprir o figurino do marketing armado em torno da Rede, ou cumprir as formalidades e pegar uma sigla que está à mão? Melhor mostrar desprendimento e prioridade ao projeto? Ou reafirmar o que a Rede de fato é: o partido dos marineiros, da Marina, pela Marina e para a Marina? O que melhor define a Rede ainda é a biografia de sua pré-candidata, e não o seu programa.

Eis o dilema: a intrépida troupe da Rede sairá pela tangente ou refugará solenemente o mundo partidário atual, que, mesmo com 32 partidos, seria pequeno demais para caber Marina Silva?

Quem Marina ouve para tomar sua decisão?


A pré-candidata, talvez ex-candidata, decidirá o seu destino ouvindo dois campos bem distintos de pessoas ao seu redor, com cabeças muito diferentes. Vencerá quem fizer mais pressão e quem ganhou mais proximidade na trajetória trilhada por Marina desde que ela saiu do Governo Lula, em 2008.

De um lado, está a turma que acompanha Marina desde o Acre e que veio acompanhá-la em seu mandato de senadora. A esse grupo juntaram-se políticos desgarrados de outros partidos, mas que dela se aproximaram, uns desde 2010, alguns há poucos meses. De outro lado, a tropa de ongueiros que vem da militância ambientalista e que aos poucos se assenhorou da carreira de Marina Silva.

Na primeira presidência Lula (2003 a 2010), Marina levou ambos os lados para o Ministério. O grupo partidário da ex-senadora aos poucos se enfraqueceu e foi isolado na definição da política de meio ambiente implementada pelo Ministério. O campo petista ligado a Marina perdeu a batalha para o grupo das ongs, ligado principalmente à WWF (World Wide Fund for Nature). Os ongueiros passaram a prevalecer na política, na ocupação dos cargos, na ascendência sobre a ministra e, mais importante, no enfrentamento à política de desenvolvimento do País. O ambientalismo conservacionista, que sempre foi muito próximo à ex-ministra, desgastou-a por completo no Governo Lula e levou a própria política ambiental ao isolamento, dentro e fora do governo.

Marina perdeu espaço em sua própria região. Basta ver o mapa dos votos de 2010, que mostra o quanto sua votação, inclusive proporcionalmente, foi maior quanto mais distante esteve da Região Amazônica. O viés conservacionista, contrário a algumas políticas de desenvolvimento para a Região Amazônica; a tônica repressiva (emblemática na operação Arco de Fogo); a indisposição do MMA com vários outros ministérios e com o próprio presidente Lula; até mesmo a criação do Instituto Chico Mendes, que revoltou os servidores do Ibama, que viram seu órgão enfraquecido e esvaziado, formaram um rosário de problemas que redundaram na saída de Marina do cargo de ministra e, depois, do PT.

Essa experiência foi um divisor de águas na trajetória da ex-senadora e contribuiu para jogá-la no campo de oposição ao PT, a Lula e a Dilma. Dramática, no início, a linha agressiva dos ongueiros aos poucos pareceu render frutos. O PV a abrigou. A velha mídia a colocou debaixo do braço, como a um neném na incubadora.

Setores empresariais se aproximaram, financiaram sua campanha, pagaram seus marqueteiros. Vieram os consultores para escrever seu programa (como Eduardo Giannetti da Fonseca, autor do best-seller “Auto-engano”, que costuma ser encontrado em livrarias na seção de auto-ajuda). Os partidos de oposição têm uma grande dívida com os marineiros por terem provocado o segundo turno nas eleições presidenciais de 2010.

A candidata surpreendeu, alcançando uma votação expressiva. Depois daquelas eleições, surgiu outra Marina Silva. Ela mudou de tamanho e, aos poucos, ganhou uma nova “entourage”.

As pressões para se manter a candidatura, custe o que custar


Para a Rede, esta quinta-feira (3) tem tudo para ser dia de choro e ranger de dentes. O sistema eleitoral deve ser amaldiçoado por eles que lutaram até o último momento para serem reconhecidos (e o serão, em breve) por esse sistema injusto e viciado.

O dia seguinte deve ser dedicado a ouvir “as bases”. Essas bases, no caso dos marineiros, são os políticos, os ongueiros e, agora, com força, o setor empresarial e midiático.

A turma da política que tem mandato parlamentar terá sérias dificuldades para usar a grife Marina Silva, mesmo que ela vá para o PEN. Pela jurisprudência do TSE, só se admite que um parlamentar deixe um partido por situações que configurem uma justa causa. Uma delas é a de ingressar em um partido novo. Um partido é considerado novo apenas durante trinta dias, contados a partir do registro de seu estatuto. O PEN já não é mais um partido novo. Os parlamentares que nele ingressarem deverão justificar outras razões, e rápido, para trocar de legenda e não sofrerem o risco de terem o atual mandato cassado.

Heloísa Helena não teria tantos problemas. Eleita pelo PSOL, adoraria perder seu mandato de vereadora em Maceió e voltar à cena nacional, como senadora. Domingos Dutra tem razões suficientes para justificar sua saída, em função de sua persistente e extenuante guerra de Davi contra Golias contra a família Sarney, no Maranhão. Miro Teixeira talvez seja o em situação mais complicada, pois apenas recentemente resolveu soltar o verbo para se livrar do PDT. Reguffe, do DF, fez algumas sinalizações para a Rede, mas assim como Miro, está de olho em tempo de TV (que no PEN seria diminuto). Para os que sairão candidatos a deputado, se estiverem soltos, sem alianças, há o problema extra dos coeficientes eleitorais.

A opção para preservar o nome Marina Silva tem prevalecido entre os ongueiros da Rede. Os políticos pressionam para que ela saia candidata, custe o que custar. Pela primeira vez, a turma dos políticos próximos a Marina tem chance de prevalecer, pois contam com dois pesos pesados em favor de disputar 2014: a mídia conservadora e alguns setores do empresariado ávidos por derrotar o PT, ou, pelo menos, levar a disputa para o segundo turno.

A decisão final será da própria Marina. Para encarar 2014, ela precisará deixar de lado a preocupação de sair da campanha menor do que entrou, que é um grande risco; terá que simular uma espécie de candidatura avulsa, como se corresse na raia de fora do sistema eleitoral tradicional, arcando com o ônus que isso acarreta, pela dificuldade de estrutura, mas com o bônus de imagem de estar por baixo em um sistema eleitoral que a candidata reputará, como dizem, injusto e viciado.

Na Rede, o jogo está empatado. O que pode fazer Marina pender para um ou outro lado será a pressão que sofrerá de fora, por parte daqueles que têm condição de recompensar sua campanha com maciço apoio empresarial e o peso da mídia tradicional.


Exército reforçará investimentos em tecnologia com Polo de Guaratiba/RJ

Aporte visa a  garantir defesa estratégica de recursos naturais. Cerca de R$ 1,2 bilhão serão aplicados na próxima década para criar polo de pesquisa
Ivana Ebel                                                     portal da Deutsche Welle                       
                                                                                                                                      Divulgação / Exército

O Exército brasileiro quer investir em pesquisa, especialmente no desenvolvimento de novas tecnologias de defesa. Até 2025, cerca de 1,2 bilhão de reais vão construir o Polo de Ciência e Tecnologia do Exército em Guaratiba (Pcteg), Rio de Janeiro. Uma das razões para o investimento é a defesa estratégica dos recursos naturais do país.

O general Sinclair Mayer, Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, destaca que o espaço não vai servir apenas para a formação e pesquisa militar. Assim como ocorre na Escola Superior de Guerra, por exemplo, civis poderão estudar e pesquisar no complexo. "Temos hoje poucos peritos na área de defesa e temos o interesse de formar mais gente", adianta Mayer.

Os benefícios da pesquisa militar se aplicariam a outros campos. "Não se pode fazer um carro de guerra sem antes testar combustíveis", compara. Mas a preocupação com tecnologia não está restrita à produção de material bélico – também está relacionada à posição estratégica do país.

O modelo se assemelha ao usado pelo exército norte-americano, que além do desenvolvimento de armas, investe em áreas como logística, química e saúde.

Defesa de recursos

Para o pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, Expedito Bastos, o Brasil precisa de investimentos na área de defesa, já que concentra recursos estratégicos privilegiados como grandes reservas minerais, petróleo e água doce. "O mundo tem por hábito buscar essas coisas quando precisa", argumenta o especialista. O general do exército reconhece a possibilidade, mas minimiza os riscos. "Existe preocupação com o futuro, mas a própria estratégia nacional de defesa prevê isso", afirma.

Para Bastos, uma melhora na defesa brasileira ainda não seria o bastante para fazer frente ao poderio militar de grandes potências, mas ajudaria a "diminuir a ânsia de que tentassem fazer alguma coisa contra nós". Outra preocupação é a situação fronteiriça, uma vez que alianças importantes de países vizinhos poderiam oferecer riscos ao Brasil.

Conhecimento centralizado
Os planos do Pcteg são de concentrar órgãos já existentes, como o Instituto Militar de Engenharia (IME) e outros braços técnicos, em um mesmo espaço, no estado do Rio de Janeiro, que já conta com cerca de 20% de toda a estrutura planejada.

O Exército tem parceiros no governo, mas planeja garantir o dinheiro por meio de parcerias público-privadas (PPP). O primeiro investidor é o Ministério da Educação. O órgão não confirma o montante, mas diz que o investimento vai triplicar o número de vagas do IME.

A concepção do projeto é da década de 1980, quando a área militar de 25 quilômetros quadrados recebeu as primeiras instalações. Por lá já funcionam o Centro Tecnológico e o Centro de Avaliações do Exército. Além do IME, o espaço deve receber ainda o Instituto Militar de Tecnologia (IMT), o Centro de Avaliações do Exército (CAEx), o Centro de Desenvolvimento Industrial (CDI), a Agência de Gestão da Inovação (AGI), o Instituto de Pesquisa Tecnológica Avançada (IPTA), uma Incubadora de Empresas de Defesa (IED), o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), uma base administrativa e um batalhão de comando.

Conhecimento desperdiçado

Apesar de aprovar a iniciativa do Exército de investir em tecnologia, o estudioso de assuntos militares não acredita em uma mudança da situação. Ele cita que o Brasil passou por ciclos de investimento e sucateamento dessa força. Em cada uma dessas oportunidades, a descontinuação das pesquisas provocou a perda do conhecimento gerado e anos de trabalho foram perdidos, aponta Bastos. A culpa disso seria o planejamento em curto prazo – a visão para um governo ou dois – e não a montagem de uma estratégia mantida ao longo dos anos.

Outra crítica de Bastos é quanto às parcerias internacionais, que trazem tecnologia externa, mas não fazem a transferência do conhecimento prevista nos contratos. Para ele, essa tentativa de troca é inválida se as duas partes não estiverem no mesmo patamar de desenvolvimento. Em casos assim, uma das partes vai ser meramente usuária do recurso. "É o que está acontecendo conosco", avalia.

Para o especialista, a virada depende não apenas de investimentos militares, mas da solução de problemas básicos do país, com educação de qualidade desde a base. Além disso, ele vê com ceticismo a garantia de recursos para a conclusão do projeto, uma vez que o Ministério da Defesa costuma ser historicamente penalizado,  em cada ajuste do orçamento da União. Este ano, a pasta foi a que mais perdeu no ajuste de contas. Dos 18,7 bilhões de reais inicialmente previstos, foram mantidos 14,2 bilhões no orçamento deste ano, incluindo a folha de pagamentos, previdência e a própria manutenção das estruturas já existentes.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AÉCIO ENTREGA O OURO:   

'CERRA' É O CANDIDATO      

Nota de Aécio é a confissão da derrota
Paulo Henrique Amorim                       CONVERSA AFIADA                                          
 Basta ler a nota oficial do Aécio, ao saber que o 'Padim Pade Cerra' tinha mandado o ex-comunista Roberto Freire para a Sibéria:

PRESIDENTE NACIONAL DO PSDB, AÉCIO NEVES, ANUNCIA A PERMANÊNCIA DE JOSÉ SERRA NO PARTIDO

“José Serra é uma figura indispensável ao PSDB, de tal forma que sempre foi difícil para mim conceber nosso partido sem ele.

Sua história de vida, seu papel na luta pela liberdade e na construção da democracia no Brasil, a exemplaridade com que exerceu seus mandatos, tudo isso faz dele credor da nossa estima e detentor de justo prestígio político e eleitoral.

Assim, o protagonismo de José Serra no processo político, agora e nas eleições presidenciais que se avizinham, é um fato absolutamente natural e desejável não apenas aos meus olhos, como aos daqueles que buscam uma alternativa ao governo petista.

Tenho me dedicado no exercício da presidência do PSDB, ao lado dos companheiros da direção do partido, a percorrer o país dialogando com os brasileiros, a reforçar nossa organização, a estreitar laços com aliados, a formular propostas concretas para superar os problemas que afetam a vida do nosso povo e comprometem seu futuro.

Ainda não é o momento de definir a candidatura presidencial do PSDB e do conjunto de forças que se dispuserem a marchar conosco. A presença de José Serra em nossas fileiras fornece a nós, tucanos, e aos partidos aliados uma opção de grande dimensão política a ser avaliada no momento e segundo critérios adequados para o sucesso da luta comum.

O que é certo é que estamos e estaremos juntos.”

Senador Aécio Neves
​Presidente Nacional do PSDB
Navalha

Ainda não é o momento de definir a candidatura presidencial do PSDB e do conjunto de forças que se dispuserem a marchar conosco. A presença de José Serra em nossas fileiras fornece a nós, tucanos, e aos partidos aliados uma opção de grande dimensão política a ser avaliada no momento e segundo critérios adequados para o sucesso da luta comum.”
O que significa isso ?
O Cerra já levou.
O Aécio, se tudo correr bem, será candidato ao Governo de Minas.
Agora, vai ser interessante ver mineiro votar em quem foge da raia.
Do bafômetro e de  uma campanha presidencial.
O melhor mesmo é continuar a exercer o cargo de Senador pelo Rio.
Dá menos trabalho.
Como diz o ansioso blogueiro, o Cerra tem mais dinheiro – de que vive ele ? – e PiG (*) que o Aécio.
Clique aqui para votar na enquete “O que o Cerra vai fazer com o Aécio”.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

O ativismo político faz bem ao mundo e a quem se mexe                                   

Não é só consciência, é alto-astral. Uma pesquisa mostra que a participação política e social está entre os fatores que trazem felicidade às pessoas
Adriana Cardoso                                                               
MAURÍCIO MORAIS/RBA
Sofia
“É importante que as pessoas comecem a se interessar por política”

A gente não sabemos escolher presidente/ A gente não sabemos tomar conta da gente/ A gente não sabemos nem escovar os dentes/ Tem gringo pensando que nóis é indigente/ Inútil/ A gente somos inútil. O rock irreverente da banda Ultraje a Rigor fez tanto sucesso, há quase três décadas, que acabou animando uma geração de adolescentes que mal sabia o que era canção de protesto – dada a ausência de então – a ir às ruas com a mesma irreverência. Uma camiseta com os dizeres “Já sei escovar os dentes, quero votar pra presidente” foi vista pela primeira vez num comício das Diretas em Belo Horizonte e tornou-se hit nas manifestações que tomaram o país. Na ocasião, não era incomum os jovens fazerem a própria arte das camisetas com silkscreen ou pintá-las a mão para dar seu recado.
Também não é incomum, nas imagens de pessoas em movimento, identificar uma aura de energia e de alto-astral. Como que dizendo: “Se mexer para mudar o estado das coisas faz bem”. O engajamento político não é somente um vetor importante na promoção de mudanças sociais, mas também um dos fatores que podem fazer as pessoas mais felizes. É o que mostram os dados do World Happiness Database, em Roterdã, na Holanda, que coletou informações de estudos de diversos países para mensurar o que traz felicidade às pessoas ou, melhor ainda, quais mudanças podemos fazer em nossa vida para nos tornarmos mais felizes.
O estudo, divulgado em julho passado pela BBC Magazine, coloca o engajamento social numa posição tão importante para a satisfação pessoal como ter uma relação amorosa longa e estável, ser ativo nas horas vagas, sair para jantar de vez em quando e tomar um chopinho com os amigos. Ah, aos machistas de plantão, o levantamento também revela que os homens tendem a ser mais felizes em um ambiente no qual as mulheres estão em pé de igualdade.
O diretor do Database e professor da Erasmus University de Roterdã Ruut Veenhoven diz à BBC Magazine que os dados coletados ao redor do mundo mostram que ter uma vida socialmente ativa e participativa é mais eficiente para trazer felicidade do que traçar metas. Segundo o professor, estabelecer  objetivos e segui-los de maneira obsessiva pode levar o indivíduo a ser mais angustiado.
Três países latino-americanos estão na lista dos dez mais felizes, em termos de satisfação geral com a vida: Costa Rica (o primeiro), México (o sétimo) e Panamá (o último). As demais posições são distribuídas entre países europeus (todos os nórdicos, onde as pessoas são muito ativas socialmente) e o Canadá.
A pesquisa ajuda a explicar o que move diferentes gerações de ativistas. Como a recepcionista Bruna de Souza Lopes, de 27 anos, que tinha acabado de voltar para São Paulo, após quatro anos morando em Minas Gerais, quando os protestos começavam a pipocar. Frequentadora das redes sociais, juntou um grupo de amigos e foi. A mãe de Bruna, a esteticista Liliane Aparecida de Souza Lopes, de 46 anos, foi da geração cara-pintada. Levada pela sogra, Margarida, participara dos protestos pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.
À época, Liliane tinha quase a idade da filha hoje. Ela, a filha, a sogra e o marido Clodoal­do moram no Jardim Fraternidade, entre o Capão Redondo e o Jardim Ângela, no extremo sul da capital paulista. E, a despeito da vida difícil na periferia, consideram-se felizes, o que dá para notar na empolgação com que falam de política – assunto, aliás, sempre discutido em casa. Era a primeira vez que Bruna participava de uma manifestação. Nem foi a redução da passagem de ônibus que a motivou. Foi “pelas outras coisas” e, especialmente, porque aquele momento lhe dava uma sensação de pertencimento. “Gostei de participar, me senti importante. Vivemos numa democracia e devemos lutar por nossos ideais”, assinala. Faz tempo que Liliane marchou pela saída de Collor, e ainda lembra muito bem. “Estava um dia muito chuvoso, mas havia um mar de gente nas ruas. Ficou marcado.”
Embora nunca tivesse ido às ruas, o ativismo de Bruna começou quando ela trabalhou como recepcionista num hospital em Minas. “Comprei muita briga com médico que fazia corpo mole para atender pacientes.”
A psicóloga Ana Lúcia da Silva pondera que a ida às ruas é importante por ser impulsionada “por um desejo de mudança”, mas a sensação de felicidade vai depender das respostas. “A experiência de se sentir fazendo parte de algo maior pode trazer uma satisfação duradoura ou não, dependendo da resposta efetiva às necessidades individuais e coletivas”, diz a terapeuta do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Sensação de presença

Wesley Mendes Souza, de 17 anos, foi a dois protestos – um no Capão Redondo, próximo de onde mora, e outro na Avenida Paulista, na companhia da prima Bruna. Embora consuma quatro horas do seu dia dentro de ônibus, trem e metrô, ele viu uma ocasião de expressar insatisfação. “Além do transporte público, precisamos de melhorias na saúde, mais vagas em creches e mais oportunidades para os jovens.”
Estudante do 1º ano do ensino médio numa escola pública, Wesley sente na pele os efeitos do abismo de oportunidades. Ele mora com a mãe e a irmã numa casa de quatro cômodos na região do Jardim Ângela, onde pagam R$ 750 de aluguel. Filho de pais separados, passou muito de sua adolescência em casa e sozinho. Há pouco mais de três meses, por meio do programa Jovem Aprendiz, conseguiu uma vaga na área de contabilidade de um hospital no bairro da Barra Funda, na zona oeste. Ganha menos de um salário mínimo por mês e ajuda em casa. A rotina começa às 6h e termina por volta da meia-noite. Mas não reclama – abraça a oportunidade. Não foi à toa que os protestos trouxeram a Wesley, como ele afirma, “maior consciência política” e o fizeram sentir-se parte mais ativa da sociedade.
O advogado Aylton dos Santos Lira, de 36 anos, conta que nunca viu algo parecido durante quatro anos em que morou na Alemanha. “Há anos eu sonhava com isso”, diz ele, que não participou das manifestações de 20 anos atrás por achar que havia uma manipulação de parte da mídia. Na ocasião, em vez do verde-amarelo, adotou o preto para protestar.
Lira esteve na manifestação de 13 de junho, quando a polícia militar do estado de São Paulo “desceu o sarrafo” em quem era manifestante e em quem não era. Morador das imediações da Rua Maria Antônia, na região central, ele foi um dos que ajudaram a socorrer a repórter do jornal Folha de S.Paulo Giuliana Vallone, ferida num olho com um tiro de bala de borracha disparado por um dos policiais da Tropa de Choque. “Eu sonhava com isso, sem partido, sem sindicato (liderando as marchas). Quando vi a multidão, fiquei tão emocionado que comecei a chorar.” Desde que retornou, observa o brasileiro mais engajado, participativo e consciente.
O professor Edson Passetti, do Departamento de Política e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP, coordena o Núcleo de Sociabilidade Libertária (NU-Sol) na universidade. Para ele, quem acredita que essa é a geração do tédio terá de rever seus conceitos. “O brasileiro não é tonto, não é só cordial e, como qualquer pessoa, pode se manifestar de maneiras surpreendentes”, avalia, enfatizando que o que vem ocorrendo está tirando muita gente de sua zona de conforto.

Que tal um rumo?

Mas um pouco de “rumo” para sair da acomodação não faz mal a ninguém, na opinião da argentina Sofia Rosseaux, de 25 anos. Tinha 13 no começo dos anos 2000, quando sua família veio para o Brasil para fugir do “coice” do então ministro da Economia do governo de Carlos Menem, Domingo Felipe Cavallo, que afundou o país numa crise brutal. Filha de mãe brasileira e pai argentino, a arte-educadora já participou de várias manifestações na vida, mas afirma que só quando há organização e propostas claras pelos movimentos. Tomou parte das jornadas de junho por concordar com o mote do Movimento Passe Livre e avaliar como “ruim e absurdamente caro” o transporte público.
“Fiquei preocupada com a proporção que tomou, porque havia ali pessoas que, claramente, estavam entendendo aquela situação de maneira equivocada”, comenta. Mas não acha que seja de todo ruim, “pois é importante que as pessoas comecem a se interessar por política”. E, nesse aspecto, ela observa que na Argentina discute-se política o tempo inteiro, que as pessoas acompanham o que acontece.
O recente fenômeno agitante não foi exclusividade paulistana. Surpreendeu dezenas de cidades em todo o país, com momentos de ebulição em grandes regiões metropolitanas, como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. Aos 34 anos, a médica Luciana Villela nunca havia participado de protestos quando decidiu engrossar o coro dos descontentes na Praça Sete de Setembro, na capital mineira. Achou “legal”, mas ficou preocupada, pois acredita que a ignorância de alguns pode transformá-los em “massa de manobra”.
Na opinião do professor Edson Passetti, os protestos evidenciaram quem é quem dentro das expressões políticas brasileiras. Para ele há fascistas, sim, como sempre houve em atividades desse tipo. Mas há de se ter cuidado ao classificar determinados atos como vandalismo puro e solto. “Aquela farra do ‘casamento da dona Baratinha’ foi surpreendente!”, diz, lembrando um protesto do dia 13 de julho em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A festa de casamento de Francisco Feitosa e Beatriz Barata, para mil convidados e a um custo estimado em R$ 3 milhões, ficou conhecida nas redes como o “Casamento de dona Baratinha”. O avô da noiva, Jacob Barata, é conhecido como “rei do ônibus”.
Lembrada pela beleza, pela alegria e também pela violência, agora a capital fluminense ficará marcada pelas jornadas que continuam a todo o vapor. É o que acredita o estudante Raphael Godói, de 16 anos. Ele é um dos fundadores do Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem dos transportes públicos e ativista social há muito tempo. Participou do Dia do Basta à Corrupção e do Ocupa Cabral, entre outras ações, e lembra que, no começo, enfrentou dificuldades para atrair colegas às suas causas. Por isso, acreditava ter nascido em época errada.
Morador da Barra da Tijuca, área nobre na zona sul carioca, estuda em escola particular onde a mãe trabalha e anda menos de ônibus porque dá pra ir a pé. Mesmo assim, o fórum não esfria os protestos. “Não tinham esperança de que poderiam provocar mudanças. Hoje, essa esperança reapareceu”, avalia. Talvez por acreditar que essa geração fosse marcada por “desesperança” e apatia, muita gente foi pega de calças curtas.
Até o papa Francisco, durante a visita ao Brasil, disse que jovem que não protesta não lhe agrada. Sua patrícia Sofia, portanto, está aprovada. Para ela, manifestações desse tipo ajudam “a reconstruir um sentimento coletivo”, e a sensação de felicidade, como apontada na pesquisa da universidade holandesa, está no potencial de mudança não só, ou não exatamente, no país, mas em cada indivíduo. Pelo menos Raphael Godói, que quis tanto ter nascido em outra época, já se sente bem melhor exatamente onde está. “Está tudo lindo!”, suspira.
Para amenizar o estresse cotidiano:
Com uma senha dessa, nenhum 'hacker' invadiria seu computador...(rsrsrsrs)                                             
                          


Dilma subindo, os outros caindo e Freire espumando com inexpressivo rancor


Ricardo Kotscho                   JORNAL DO BRASIL online                                              

kotscho1 É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de FreireA presidente petista Dilma Rousseff subiu mais 8 degraus no Ibope, foi a 38% das intenções de voto, e abriu 22 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), que caiu de 22 para 16%. Na nova pesquisa Ibope divulgada na quinta-feira,29/9,  só a presidente subiu, enquanto todos os outros (pré) candidatos caíram. Aécio Neves (PSDB) foi de 13 para 11% e, Eduardo Campos, caiu de 5 para 4%.
No mesmo dia, Dilma recebeu outras duas boas notícias, que devem se refletir positivamente nas próximas pesquisas: a taxa de desemprego caiu para 5,3%, a menor do ano, e a renda média dos trabalhadores subiu 1,7% em agosto.
Enquanto isso, a rede nacional de televisão foi ocupada durante 10 minutos pelo PPS de Roberto Freire para denunciar, mais uma vez, que os governos petistas estão acabando com o país. Carregado de rancor, o programa parecia uma novela de época dos tempos da Guerra Fria, que fez lembrar a imagem assustadora das viúvas globais fantasiadas de negros fantasmas após o voto do ministro Celso de Mello a favor dos embargos infringentes na semana anterior.
kotscho2 É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de Freire
A impressão que me deu é que o programa foi gravado há mais tempo e estava na gaveta aguardando o momento oportuno para ir ao ar. O proprietário do PPS, velha linha auxiliar do PSDB, caminhando para a irrelevância, certamente não poderia ter escolhido dia melhor. Pena que os fatos não o tenham ajudado.
Após as manifestações de protesto de junho e o julgamento do mensalão, Freire deve ter avaliado com o seu estado-maior que Dilma e o PT estavam no chão, e chegara a hora de soltar os seus canhões, já um tanto desgastados pelo tempo. Sem noção do seu tamanho, acreditando no espaço que a mídia sempre lhe deu, na proporção inversa da sua importância política, Roberto Freire chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989, quando foi contemplado com 1,06% dos votos.
Com seu conhecido senso de oportunidade, carisma, simpatia e sofisticada estratégia política, o dono do PPS, partido que ele fundou em 1992 para substituir o antigo Partido Comunista Brasileiro, e preside até hoje, deputado federal eleito por José Serra em São Paulo, em 2010, Freire escolheu como assistente de palco Stepan Nercessian, ator reserva do segundo time da Globo. Até Soninha Francine (lembram-se dela?), agora sem mandato e sem uma boquinha, deu uma aparecida. O resto nem sei quem é.
Freire entoou o discurso "ético", bufando contra a inflação, os desmandos administrativos e a corrupção, mas só se esqueceu que o artista convidado para ser o âncora do programa, também deputado federal, foi acusado no ano passado de ter pedido e recebido R$ 175 mil do notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que não o impediu de caprichar no sorriso sarcástico para atacar Dilma e o PT. Na época, o ator deputado garantiu que devolveu o dinheiro, o caso foi arquivado e não se falou mais no assunto.
Memória e coerência não são o forte desse pessoal. Ainda esta semana, o jornalista Sebastião Nery lembrou em sua coluna que o "comunista de carteirinha" Roberto Freire fora nomeado para seu primeiro cargo público, o de procurador do Incra, no Recife, pelo general Médici, no auge da repressão dos anos 1970.
Este ano, Freire ensaiou, primeiro, uma aliança com Eduardo Campos. Depois, tentou fazer a fusão do seu partido com o PMN para criar o MD (Movimento Democrático) com o objetivo de  abrigar uma nova candidatura presidencial do parceiro José Serra, que até hoje não decidiu o que pretende fazer da vida. Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para Freire, qualquer candidato serve.
Na salada de siglas da política brasileira, que ganhou mais duas esta semana, chegando a 32, o PPS ocupa atualmente o 13º lugar no ranking, atrás do PCdoB, com 12 deputados e R$ 8 milhões do Fundo Partidário para gastar este ano, sem falar nos seus valorizados minutos na televisão, que Freire pode destinar a quem quiser, dependendo da conversa. Na próxima semana, quando se encerra o prazo para filiações e criação de novos partidos, saberemos finalmente  em qual onda o PPS vai surfar desta vez.
Já escrevi aqui outro dia e repito: com estes candidatos e esta oposição, Dilma corre o risco de ganhar as eleições do próximo ano por WO.