segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sobre os grandes safados 
que nos assolam                   

                                                                                                           Antônio Manoel Góes

(Aproprio-me, no título acima,  de um termo digitado por interlocutor de Facebook e amigo de longa data, Arnaldo Barros,  residente em Maceió, que questiona, como a maioria indignada, a fenomenal impunidade dos 'grandes safados', protagonistas da contumaz malversação do dinheiro público no país, em prejuízo de notórias demandas sociais.)

"Os grandes safados que nos assolam",  são uma 'instituição nacional' originária 

na desenfreada ganância do poder econômico, com base na famigerada tese da 

'vantagem'(lucro) a qualquer preço, preferentemente a custo 'zero'. 


Ou será que somente agora tantos males endêmicos, como a corrupção no setor 

público, foram descobertos? As 'facilidades' reivindicadas pelos corruptores de 

qualquer naipe - da gorjeta para o cafezinho ao servidor'mequetrefe', que nos 

atende à porta da repartição, à grana preta de milhões para privilegiar negócios de 

elevada monta nas esferas corruptoras , são promovidas por pessoas tidas como  'do 

bem', na consecução de seus objetivos, dos superficialmente 'inofensivos' aos 

concretamente 'cabeludos'. 


A sutil diferença, nos últimos dez anos, é que, com o aparato  repressor 

do Estado(Polícia Federal à frente), historicamente aplicado com radicalidade 


contra opiniões diversas do ideário do poder instituído(ou constituído), os desvios 


de conduta agora vêm à tona e seus autores remetidos às barras dos tribunais. 


Se há, por  outro lado, uma infinidade de filigranas jurídicas capazes  de livrar a cara  
dos (comprovadamente) apanhados com a mão na massa, debitemos à representação

congressual eleita país afora, responsável pela inserção desses 'beneplácitos' 

atenuantes em nossa legislação. 


Via de regra, os atuais paladinos da moralidade e dos bons costumes, atuantes na 

mídia conservadora e 'tietados' como salvadores da pátria por legiões de ingênuos 

'adoradores', são os mesmos que fecharam os olhos a colossais falcatruas tempos

atrás, com certeza beneficiários do 'por fora' para reverberarem  crônica do 

paraíso de mentira que os financiava.


E os grandes safados que(sempre) nos assolaram(particularmente no caso de nossa 

destroçada Alagoas, onde fazem a festa sem receio de retaliação) continuam dando 

as cartas, embora insistamos na falaciosa censura aos malfeitos do vizinho,

escondendo os 'nossos'.
 

As dúvidas sobre a reforma política

 Coluna Econômica - 05/8/2013

Participei na sexta-feira de um Seminário sobre reforma política, promovido pelo PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais) junto com o XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Participaram da mesa a ex-prefeita Luiz Erundina e o jornalista Fernão Mesquita.
O debate serviu para realçar a complexidade da reforma política.
Erundina criticou o caráter pouco democrático dos partidos políticos atuais. Não apenas entre os partidos políticos, mas em todas as instâncias sociais e políticas brasileiras há uma tendência à oligarquização – a perpetuação dos dirigentes.
Fernão defendeu o voto distrital e o “recall” – a possibilidade dos eleitores destituírem o eleito a qualquer momento – como saída mágica para todos os problemas.
***
De minha parte, tenho muito mais dúvidas que certezas.
No modelo democrático brasileiro, as eleições parlamentares são decididas por um conjunto de atores. Em um plano maior, a TV aberta. Depois, organizações da sociedade – partidos políticos, igrejas, sindicatos e associações. Parte central é a estrutura de prefeitos atuando nas respectivas regiões. Depois, estados e União, os estados mais próximos dos seus municípios, a União mais dispersa, mas com maior fôlego econômico.
Em tese, a grande política nacional – temas e políticos – deveria ser pautada pela imprensa de opinião – jornais e programas formadores de opinião.
Na prática, não é isso o que ocorre. O coronelismo eletrônico – forças políticas donas de concessões públicas e associadas às redes de TV nacionais – ainda é força dominante na maioria dos menores estados ajudando a perpetuar o atraso.
O parlamento não tem mais figuras referenciais. A base das bancadas é de vereadores que ascenderam em suas regiões. Ou seja, fizeram carreira dentro da lógica distrital, trazendo para o Parlamento a visão paroquial de deputado-despachante para representar a região na capital..
***
Outro problema sério é o “recall”. Em tese obrigaria o parlamentar a atender permanentemente a base.
Especialmente nas menores cidades ou na periferia das grandes cidades, o que a base exigirá dos seus representantes? Acesso a recursos federais, nomeações políticas, verbas para a cidade. Ou espera-se que o voto distrital produza grandes discussões sobre temas nacionais? É evidente que não.
Além disso, há muito a velha mídia pratica uma política ilimitada de escandalização e de assassinatos de reputação que não perdoa nenhum partido.
Sem leis mais rígidas, sem regulamentar direito de resposta, sem responsabilizar os veículos por injustiças cometidas, o “recall” servirá unicamente para aumentar o poder de chantagem de parte da  mídia.
***
Outro ponto relevante é que o advento do ativismo nas redes sociais exige um arcabouço político muito mais imediato do que a democracia formal está preparada para atender.
O buraco é muito mais profundo do que meras mudanças eleitorais.

As manifestações de junho significaram um corte no modelo representativo. E não serão gambiarras eleitorais que o tornarão mais funcional.
  

domingo, 4 de agosto de 2013

COM LULA, DESIGUALDADE CAI EM 80% 

DO BRASIL. CHORA, FHC !                              

Emprego com carteira assinada, Bolsa Família … o FHC vai cortar os pulsos...
               
Paulo Henrique Amorim                                      CONVERSA AFIADA                           

Saiu no Estadão, em comatoso estado. (Como a Veja, LEIA AQUI, cuja batata assa também.)
Em estado tão comatoso, que o Estadão não ousa identificar quem governou o Brasil quando os pobres melhoraram, nem quando os pobres pioraram.
Não é à toa que está desse jeito …

Entre 2000 e 2010 (Lula – PHA), rendimento dos 20% mais pobres cresceu mais rapidamente do que o dos 10% mais ricos em quatro de cada cinco cidades do País; nos dez anos anteriores (FHC – PHA), a desigualdade medida pelo índice de Gini havia crescido em 58% das cidades

José Roberto de Toledo e Amanda Rossi – O Estado de S. Paulo

(…)

De 2000 a 2010, o rendimento domiciliar per capita cresceu 63% acima da inflação, na média dos 5.565 municípios. Foi um enriquecimento mais intenso do que nos dez anos anteriores, quando o ganho havia sido de 51%.

Isso é importante porque uma forma perversa de reduzir a desigualdade é via empobrecimento geral. Se os ricos perdem mais do que os pobres, a desigualdade também cai. Foi o que aconteceu em grande parte do Brasil nos anos 1980, por causa da recessão.

Nos dez anos seguintes, o alto desemprego comprometeu o salário dos trabalhadores e a renda voltou a se concentrar no topo da pirâmide. O índice de Gini do País cresceu, e a desigualdade aumentou em 58% dos municípios brasileiros.

É o oposto do que aconteceu em 80% dos municípios do Brasil na década passada. Nos anos 2000, houve redistribuição da renda simultânea ao crescimento. O bolo aumentou para todos, mas a fatia dos pobres cresceu mais, em comparação à dos ricos.

Em quase todo lugar, os ricos não ficaram mais pobres. Ao contrário. Mesmo descontando-se a inflação, o rendimento médio dos 10% mais ricos de cada município cresceu 60%, na média de todos os municípios ao longo da década passada.

A desigualdade caiu porque a renda dos 20% mais pobres de cada município cresceu quase quatro vezes mais rápido do que a dos 10% mais ricos: 217%, na média. A distância que separava o topo da base da pirâmide caiu quase um terço. Ainda é absurdamente grande, mas o movimento está no sentido correto na imensa maioria dos municípios: o da diminuição.

Em 2000, a renda dos 20% mais pobres de cada um dos municípios era, na média, de R$ 58 por pessoa. Os 10% mais ricos ganhavam, também na média municipal, R$ 1.484. A diferença era, portanto, de 26 vezes. Em 2010, a renda dos 20% de baixo chegou a R$ 103, enquanto a dos 10% de cima ia a R$ 1.894. Ou seja, os mais ricos ganham, em média, 18 vezes mais.

(…)

O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Os números foram calculados em pesquisa da instituição.

Em outras palavras, o Bolsa Família leva o “Oscar de coadjuvante”, brinca o pesquisador. Mas é um coadjuvante de peso. Sem as políticas de transferência de renda, “a desigualdade teria caído 36% menos”, afirma o estudo. No figurino do protagonista, estão aumentos reais do salário mínimo e formalização do emprego.
/ COLABOROU DIEGO RABATONE OLIVEIRA



                N A V A L H A 
Navalha
Chora, FHC, chora !
Não deixe de ler sobre a surra que o Lula dá no FHC no último estudo do PNUD/IPEA.
aqui para ler a entrevista do Marcelo Neri sobre a supra-citada surra.

Paulo Henrique Amorim

Imperdível! Para ler com calma e refletir...
Roberto Messias X Henrique Pizzolato: Uma visita aos bastidores dos governos Lula-Dilma      
Como tucanos infiltrados no BB davam(e dão ainda) as cartas nas gestões petistas
Conceição Lemos                                                             VIOMUNDO                            
                              
Roberto Messias(esq.), secretário-executivo da Secom-PR, que quer a prisão de Henrique Pizzolato(dir.), ex-diretor de Marketing do BB

No julgamento do chamado mensalão, o STF julgou irregular, crime, o BV (Bonificação por Volume) da Visanet. Embora já esteja demonstrado que o dinheiro é privado e não público, Henrique Pizzolato corre o risco de ir para a cadeia. Em função dessa decisão, a Secom vai buscar de volta o dinheiro do BV da Globo?
Mal acabara de dizer Pizzolato corre o risco de ir para a cadeia, Roberto Messias, também presente, me cortou:
Roberto Messias — Demorou.
Viomundo – Por quê?
Roberto Messias – Sou o cidadão agora falando. Eu trabalhava com ele…
Viomundo – Por que demorou para ele ir pra cadeia?
Roberto Messias – Ué, porque eu acho que tem um…
Messias é o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Cuida da publicidade do governo federal: ministérios, órgãos relacionados e estatais. Onde e quanto investir estão principalmente em suas mãos.
Para não desviar o foco, não insisti naquele momento. Testemunharam-no Helena Chagas, que se manteve em silêncio, assim como Fabrício Costa, secretário de Comunicação Integrada da Secom.
Após a entrevista, já fora do gabinete da ministra, voltei a falar com Messias:
-- Você acha mesmo que o Pizzolato tem que ser preso? 
– Acho.
– Por quê?
– Porque sim.
– Vocês trabalharam no Banco do Brasil (BB)?
Movimenta a cabeça afirmativamente.
– Mas por que ele tem de ser preso?
– Porque sim…
Como o segundo da Secom-PR do governo Dilma, de forma intempestiva, comete essa indiscrição?!
“Declaração gratuita, só pode ser rivalidade partidária”, avaliou o próprio Henrique Pizzolato, após ler a reportagem do Viomundo. “Mais do que tudo, ele conhece os documentos, sabe que a utilização do dinheiro do Fundo Visanet não era de minha área de responsabilidade e que estou sendo condenado injustamente.”
PIZZOLATO, AS NOTAS TÉCNICAS CONDENATÓRIAS  E O LAUDO DO PF
Até aqui, nunca havíamos entrevistado Pizzolato. A reação disparatada de Messias nos levou a ir além da repercussão da sua fala, em busca de algum nexo que a justificasse.
De saída, foi necessário pesquisar a Ação Penal 470, o chamado mensalão.  Aí, ficou claro que para se entender a indiscrição de Messias seria indispensável mergulhar um pouco no inquérito.
Henrique Pizzolato, funcionário de carreira do Banco do Brasil (BB), é um dos condenados. De 2003 a 2005, foi seu diretor de Marketing. Atualmente, está aposentado.
Essa denúncia, relembramos, surgiu em 2005 na CPI dos Correios, que teve dois relatórios.
O preliminar, divulgado em 20 de março de 2006, pedia o indiciamento de 126 pessoas, sendo sete executivos do Banco do Brasil. E o relatório final, publicizado em 6 de abril de 2006, que recomendava investigar quatro desses sete executivos:
* O próprio Henrique Pizzolato
* Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing
* Fernando Barbosa de Oliveira, diretor de Varejo; concomitantemente, fazia parte do Conselho de Administração da Visanet
* Douglas Macedo, gerente-executivo da Diretoria de Varejo, que também integrava o Conselho de Administração da Visanet
O então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não esperou o relatório final ficar pronto para fazer a denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 30 de março — portanto, dez dias após a divulgação do relatório preliminar –, Antonio Fernando concluiu que 40 indiciados eram culpados – número provavelmente escolhido para associar o “mensalão” à  fábula de Ali Babá — , e denunciou-os ao STF, entre os quais Pizzolato.
O procurador-geral deixou de fora os executivos Cláudio Vasconcelos, Fernando Barbosa e Douglas Macedo, que também assinaram as notas técnicas usadas para incriminar Pizzolato. Além disso, Macedo e Barbosa integravam o Conselho da Visanet, empresa que era  alvo das acusações.
Explico. A denúncia e condenação de Pizzolato basearam-se em quatro “notas técnicas” (três da quais ele assinou), que propunham campanhas publicitárias dos cartões Visa/BB a serem feitas pela DNA, uma das agências de propaganda que, desde 1994, prestavam serviços ao BB.
No banco, como em outras grandes empresas, para levar adiante ou dar continuidade a ações envolvendo mais de uma gerência ou diretoria, é preciso que elas atuem em conjunto. Nessas horas, frequentemente é feito um documento entre essas áreas.
No BB, esses documentos chamam-se notas técnicas. São de uso interno. Têm o objetivo de formalizar acordos de trabalho entre diversos setores do banco. Não são uma ordem de serviço para a empresa a ouexecutar o serviço x ou y.
Mas, como tinham valores referentes ao Fundo Visanet e à DNA, elas se transformaram na peça de acusação contra Pizzolato. O ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470 no STF, classificou as notas técnicas de “antecipações fraudulentas”, “valor desviado”, “autorização de pagamento ilícito”, entre outros delitos.
O exame das notas técnicas condenatórias revela, no entanto, que Pizzolato não era o único signatário.
Por norma do BB, dois diretores e dois gerentes têm de chancelá-las. No caso em questão,  assinaram também Cláudio Vasconcelos, Fernando Barbosa e Douglas Macedo. Cláudio é o único que assina as quatro notas. Guarde bem o nome dele. Mais adiante vai entender por quê.

Abaixo, as quatro notas, num único documento. Levam os números: 1141/2003; 3281/2003; 0251/2004; 1410/2004. Ao final de cada uma, os signatários. Confira você mesmo.
Outros documentos, aos quais o Viomundo teve acesso, revelam:
1. Apenas Pizzolato era novo no cargo. Assumiu a diretoria de Marketing em 17 fevereiro de 2003, primeiro ano do mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cláudio Vasconcelos, Fernando Barbosa e Douglas Macedo foram nomeados para esses postos no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e permaneceram durante o de Lula.
2. O destino de Vasconcelos, Barbosa e Macedo está na nota de rodapé 99 (veja abaixo), página 60, da denúncia que o procurador-geral da República fez ao STF.

Ou seja, o procurador-geral decidiu que Pizzolato tinha foro privilegiado, portanto seria julgado pelo STF. Os demais, não; iriam para instância inferior. Juridicamente, porém, nenhum tinha – nem tem – direito a foro privilegiado.
3. Pizzolato não tomou parte da decisão que deliberou a prorrogação do contrato com a DNA, de Marcos Valério.
Por uma simples razão: a reunião foi no dia 4 de fevereiro de 2003; em 11 de fevereiro o Conselho Diretor do BB deu o “de acordo”; e Pizzolato só assumiu a diretoria de Marketing do banco em 17 de fevereiro de 2003.
Atente aos signatários da decisão. Cláudio Vasconcelos assina duas vezes.
 
4. Todos os signatários da prorrogação ocorrida em 4 de fevereiro de 2003  eram remanescentes do governo do PSDB.
5. A prorrogação de  4 de fevereiro de 2003 foi a terceira  entre o Banco do Brasil e as agências DNA, Grotterra e Lowe.  Em 20 de março de 2000, como pode-se comprovar no documento abaixo, foi firmado contrato entre as partes e já previa a possibilidade de três renovações, o que acabou acontecendo. O orçamento de publicidade do BB previsto para 2003: R$ 162.998.000,00.

6. Para embasar a prorrogação do contrato, o Banco do Brasil fez em 2002 fez uma análise das três agências. O avaliador: Cláudio Vasconcelos. E a DNA, de Marcos Valério, foi a que recebeu a maior nota.
7. Em agosto de 2012, a Procuradoria Geral encaminhou à primeira instância da Justiça de Brasília o caso do gerente Cláudio Vasconcelos, determinando segredo de Justiça.
O inquérito, desconhecido até dos advogados dos réus do “mensalão”, só veio a público em 31 de outubro de 2012, em matéria dos repórteres Matheus Leitão e Flávio Ferreira, da Folha de S. Paulo.
8. Em outubro de 2006, o ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, pediu à Polícia Federal uma avaliação das relações comerciais e procedimentos contábeis envolvendo a DNA, o Fundo Visanet e o Banco do Brasil.
O laudo, feito pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal e concluído em 20 de dezembro de 2006 (a investigação teve início em dezembro de 2005), recebeu o número 2828/2006.
Essa e outras provas colhidas depois de 30 de março de 2006, quando foi feita a denúncia ao STF, foram colocadas por Antônio Fernando e Joaquim Barbosa num inquérito paralelo, o 2474, sob segredo de Justiça,revelou a jornalista Maria Inês Nassif, em reportagem publicada no GGN e em Carta Maior e que reproduzimos. “Pelo menos uma delas, o laudo de número 2828, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, teria o poder de inocentar Pizzolato”, observa Maria Inês.
MIGRAÇÃO:  PARTIDA DO  CCBB-RJ, ESCALA NO BB-BSB,  POUSO NA  SECOM-PR
Antes que alguém pergunte, antecipamos.  Messias não tem nada a ver com o mensalão.
Ao se pesquisar na denúncia do procurador-geral da República ao ministro Joaquim Barbosa, Messias não é mencionado uma vez sequer.
A essa altura muitos devem estar perguntando: Por que Messias quer a prisão de Pizzolato? E por que pedimos lá atrás para guardar o nome de Cláudio de Castro Vasconcelos?
Juntando os dados mostrados acima sobre o inquérito do mensalão com as informações  fornecidas por colegas e ex-colegas de trabalho de Messias, as razões para a reação inoportuna do secretário-executivo da Secom-PR aparecem:
* Assim como Pizzolato, Roberto Messias e Fabrício Costa são funcionários de carreira do Banco do Brasil.
* Pizzolato sempre foi estimado pelos colegas. Tanto que, em 1998, os servidores do BB o elegeram para o cargo de diretor de Seguridade da Previ, a Caixa de Previdência dos Funcionários do banco.
* Pizzolato é PT de carteirinha, não esconde isso de ninguém.
* Messias e Fabrício são originários do governo do PSDB. E PT e PSDB, todos nós sabemos, são adversários ferrenhos.
“Messias nunca trabalhou diretamente com Pizzolato, apenas indiretamente”, abriu o jogo a esta repórter um veteraníssimo do Banco do Brasil, ainda na ativa. “Na época em que Pizzolato ocupou a diretoria de Marketing, o Cláudio Vasconcelos era o gerente-executivo de Propaganda e Marketing e o Messias, gerente de Mídia, subordinado a Cláudio. Foi o Cláudio quem trouxe o Messias do Rio para Brasília. Os dois são amigos e oriundos do Centro Cultural Banco do Brasil — Rio de Janeiro.”
O Centro Cultural Banco do Brasil — Rio de Janeiro (CCBB-RJ) é um dos postos muito cobiçados da máquina pública federal, uma das joias da coroa.
Cláudio de Castro Vasconcelos, Roberto Messias e Fabrício Costa trabalharam juntos lá em fins da década de 1990. Cláudio era o gerente do CCBB-RJ.
Em 1999, Cláudio foi para Brasília ser o gerente-executivo de Propaganda e Marketing do BB, então presidido por Paolo Zaghen, muito ligado a José Serra, do PSDB. O ministro da Fazenda era Pedro Malan. Messias e Fabrício Costa permaneceram no CCBB-RJ.
Para o lugar de Cláudio foi a jornalista Yole de Mendonça, até então gerente de Comunicação da Previ na gestão Jair Bilaqui – envolvido com as privatizações.
Em 2003, mudaram os presidentes do Brasil e do Banco do Brasil, mas Cláudio continuou firme e forte no cargo.
Foi nessa época que Cláudio levou Messias para ser o gerente de mídia do Banco do Brasil, em Brasília. Messias passou a cuidar das verbas de publicidade do banco para TVs e rádios, com os quais mantinha contato permanente.
Algum tempo depois Messias carregou para lá Fabrício Costa.
Em 2005, após as denúncias do mensalão, Cláudio Vasconcelos saiu do BB, para montar a Pax Consultoria em Marketing e Promoções de Eventos Ltda.
Yole  de Mendonça mais uma vez foi para o lugar de Cláudio. Deixou a gerência do CCBB-RJ e foi para Brasília, assumindo o cargo de gerente-executiva de Propaganda e Marketing do BB.
Em 2007, Yole foi para a Secom-PR. O ministro era o jornalista Franklin Martins. Ela assumiu o cargo de secretária de Comunicação Integrada, atualmente ocupado por Fabrício Costa.
Com mudança de Yole para a Secom-PR, Messias ocupou o lugar dela no BB.  Ou seja, tornou-se o gerente-executivo de Propaganda e Marketing.
Algum tempo depois, Yole levou Messias para a Secom. Em seguida, Fabrício foi também.
“Desde o primeiro governo de Fernando Henrique, quando foi recriada a área de Marketing, a Secom sempre teve vários funcionários cedidos do Banco do Brasil”, observa o veteraníssimo do BB. “É um reduto histórico.”
Em 2011, com a posse da presidenta Dilma Rousseff, houve nova dança de cadeiras na Secretaria de Comunicação Social da Presidência República.
Helena Chagas assumiu o posto de ministra-chefe em substituição a Franklin Martins.
Yole de Mendonça, até então secretária de Comunicação Integrada, tornou-se secretária-executiva, no lugar de Ottoni Fernandes Filho, que deixou a Secom junto com Franklin, no final do governo Lula.
Roberto Messias passou a ser secretário de Comunicação Integrada.
Em julho de 2012, Yole aposentou-se, deixando a Secom-PR. Desde abril de 2013, é diretora vice-presidente de Gestão e Relacionamento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A EBC é a gestora dos canais TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Radioagência Nacional e do sistema público de Rádio – composto por oito emissoras.
Messias foi escolhido pela presidenta Dilma Rousseff como o novo secretário-executivo. Fabrício virou secretário de Comunicação Integrada.
“Eu chamo essas pessoas de ‘aves migratórias’”, observa outro profundo conhecedor do serviço público brasiliense, leitor contumaz de Diário Oficial. “Pulando de galho em galho, elas estão sempre muito bem empregadas, em cargos de poder.”
“As aves migratórias têm uma cartilha bem mastigada de argumentos técnicos”, prossegue. “Como a pessoa que assume um cargo político, normalmente não tem conhecimento da máquina, ela se encanta. No início, as aves fazem de conta que entram na da chefia. Mas dois ou três meses depois passam a dar as cartas.”
[Gostou? Garanta outras pautas exclusivas como esta assinando o Viomundo]
“É COMO SE INSTALASSEM UMA CÉLULA DA KGB NO ESCRITÓRIO DA CIA, OU VICE-VERSA” 
“Na verdade, isso é um modelo de negócio, para beneficiar uma ação entre amigos”, afirma a blogueira NaMaria, do NaMaria News. “Esse sistema, que funciona como uma teia, começou a ser implantado no primeiro ano do governo Fernando Henrique pelo então ministro Paulo Renato de Souza no Ministério da Educação. E, aí, virou praga no serviço público federal, alastrando-se por estados, municípios, secretarias, fundações, órgãos, etc., administrados pelo PSDB.”
Messias era o preferido da ministra Helena Chagas para o posto de Yole. Concorreu com um petista, que teria sido preterido por “ser petista demais”.
Prevaleceu a solução técnica, tão a gosto de Dilma. Só que essa função, vendida como técnica, é, na verdade, política.
Assim, possivelmente sem saber, a presidenta colocou em mãos de gente “herdada” do governo do PSDB a distribuição de R$ 1,8 bilhão de verbas publicitárias do governo federal.
“É como se instalassem uma célula da KGB no escritório da CIA, ou vice-versa”, dispara um atento observador palaciano.
E PSDB e Globo, sabemos, têm tudo a ver.
Será por isso que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República se recusou a fornecer ao Viomundo o total das verbas publicitárias que  as Organizações Globo, incluindo todos os meios de comunicação, recebeu do governo federal em 2012?
Será por isso que até hoje a Secom-PR não conseguiu implementar uma política de comunicação competente para atingir realmente a população brasileira?
Mas, afinal de contas, por que  mesmo Roberto Messias quer ver Henrique Pizzolato preso?
Na primeira conversa que tivemos, Pizzolato disse que a razão era político-partidária.  Hoje, depois de conhecer um pouco mais os bastidores dessa história, diria que vai bem além. É ideológica. Questão de DNA, está no sangue.
A ascensão de Messias foi por meio de indicações. A de Pizzolato  foi sempre pelo voto direto dos funcionários do BB. Em 1993, Pizzolato foi eleito o primeiro diretor por votação direta. Recebeu mais de 60 mil votos. Depois, foi também eleito o primeiro diretor da Previ. De modo que, durante os governos FHC,  Pizzolato era oposição dentro da diretoria do banco e questionava várias de suas políticas.
“Nos centros culturais do BB, nós criamos programas para as populações de baixa renda. No Rio de Janeiro, nós abrimos as segundas-feiras para os quilombolas e a população de favelas, como a da Rocinha. Foi um escândalo. Assim como foi um escândalo quando levei o João Pedro Stedile e outros dirigentes do MST para almoçar no banco”, exemplificou-me há pouco um Pizzolato mais descontraído do que na nossa primeira conversa. “Para a elite do banco era um absurdo completo eu levar gente não cheirosinha para as nossas atividades.”
“Quando o Lula assumiu, dos 28 diretores do Banco do Brasil, apenas três declaravam-se petistas. Os demais eram tucanos.  Logo, eu continuava sendo a oposição na direção do banco”, atenta Pizzolato. “De maneira que os membros do status quo do banco daquele período não querem me ver apenas preso. Eles gostariam que eu virasse pó. Sou um arquivo vivo de tudo o que aconteceu nas gestões de FHC e começo da de Lula.”
Messias certamente não quer a prisão de Cláudio de Castro Vasconcelos, embora a assinatura do ex-chefe esteja em todos os documentos que condenaram Pizzolato e em muitos outros. Afinal, Cláudio, além de amigo, foi quem possibilitou a Messias alçar vôos mais altos na máquina pública de Brasília, a ponto de hoje ser o segundo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O Big Brother e a grande mídia: qual mesmo a diferença?                            

Enio Squeff                                                                                       
O mundo pintado pela informática nos anos que seguiram à implantação dos computadores individuais era róseo: a internet nascia como uma aurora benfazeja e radiante que fazia de cada homem o depositário livre do saber do mundo. O próprio trabalho subtraia-se à maldição do pecado original. Todos teríamos mais tempo em casa: o computador era a ferramenta da libertação dos homens e mulheres que podiam, no convívio com os filhos, cumprir a jornada de trabalho, significativamente diminuída. A consideração de que a exploração do homem pelo homem continuava merecia o riso irônico dos otimistas – e dos mentirosos – de sempre. Não se cogitava que os Estados Unidos, "berço da democracia" pudesse, justamente, pela internet, transformar-se no Big Brother previsto por George Orwell, em seu célebre "1884".

Na verdade, a essas alturas, não parece ser só dos Estados Unidos a primazia do uso da informática para espionar, ou pior, para escamotear. No mundo da informação, o paradoxo de sonegá-la não só aos leitores, mas a todo o mundo, parece ser a contrapartida inimaginada pelos panegiristas tanto das democracias do tipo ocidental, quanto dos defensores do admirável mundo novo da tecnologia como paradigma do bem estar para os homens. T.W. Adorno, nos longínquos anos 50, já alertava que a tecnologia como corolário das sociedades perfeitas, era uma ilusão trágica. Tinha para si o uso que o nazifascismo fizera da então nascente tecnologia da informação. A detenção dos meios de comunicação não eliminava o uso das suas prerrogativas, de instrumento de domínio do sistema. A apropriação privada dos meios de informação não era diferente da apropriação privada dos meios de produção. Eram, pelo contrário, uma coisa só. 

Fica a conclusão para a nossa realidade. O oligopólio da mídia brasileira talvez seja o exemplo mais flagrante do quanto podem os jornais e revistas que mentem e omitem. E o quanto lhes valem apostar em suas meias verdade ou mentiras inteiras para seu próprio futuro no sistema capitalista do Brasil. 

Das meias verdades sabemos bem. Não é mentira que os estádios construídos, adrede, mostram-se, afinal, bem melhores do que tudo o que grande imprensa vaticinava em contrário, ao insistir em que o Brasil não teria a capacidade de construí-los a tempo. Como os fizemos, com algum financiamento do BNDES, ficou-se a ver as multidões da classe média nas ruas a clamar que poderíamos ter feitos mais hospitais em vez de estádios. É uma verdade inteira de que a saúde no Brasil é catastrófica em alguns lugares, não tão desastrosas em outros e que o SUS é o melhor que o Brasil pode fazer para a saúde do seu povo. E que muitos países, mesmo desenvolvidos, não fazem. Aguardam-se, mesmo assim, os protestos contra a Copa do Mundo de 2014. E o silêncio, além do desestímulo, mais rápido e eficiente possíveis a quaisquer comemorações se, por acaso, os jogadores brasileiros lograrem vencer o torneio. Foi assim com a Copa das Confederações. O Brasil venceu mas, em compensação, "não construiu hospitais", logo a TV e os jornais não tinham nada o que comemorar, já que depois da construção dos estádios a única esperança era a derrota do Brasil na final. E não aconteceu. 

Parece ser na área da informação, entretanto, que as omissões e as mentiras deslavadas apontam para a existência de um Big Brother na direção contrária a da verdade. Ela existe, não para todos os gostos. Não, em todo o caso, por exemplo, para os que gostariam – e deveriam saber – como e em que condições um funcionário público, tido como exemplar, como o ministro Joaquim Barbosa, comprou um imóvel em Miami. Sobre o qual ele se recusa a falar, o que, claro, não provoca a estranheza de ninguém na grande imprensa. 

É que lista de mentiras e omissões, a rigor, não tem fim. A grande imprensa sabe da existência de um processo de mais de seiscentos milhões contra Globo, por sonegação de impostos. Ela sabe, não os seus leitores. Há um processo correndo contra o governo paulista nas cortes internacionais: um alto executivo da Siemens admitiu claramente que pagava propinas para alguns administradores do metrô paulistano. Feita a denúncia pela revista "Isto é", os jornalões e as revistonas (de novo, com a exceção da "Carta Capital, entre outras menores) tentaram claramente ignorar o assunto, pois fazem toda a questão de proteger o tucanato no governo Só não o fizeram porque o assunto está correndo em tribunais do exterior – do contrário nunca o mencionariam.

Em relação ao rumoroso caso do mensalão, sabe-se que há uma urgência dos jornais e a mídia em geral em ver os réus condenados, devidamente trancafiados atrás das grades. Quanto ao fato de ter ficado demonstrado que não houve o desvio de um único centavo dos mais de setenta milhões pagos à agência de Marcos Valério, como provaram a Visanet e o Banco de Brasil, por intermédio de suas respectivas auditorias, (o que desmonta o processo inteiro levado a cabo pelo doutor Joaquim Barbosa), este é um assunto guardado a sete chaves. Que só os que têm acesso a alguns cronistas, sites e blogs sabem por inteiro. Há, no entanto, pelo contrário, o engodo da mansão do filho do Lula – que os jornais jamais denunciaram ser, na verdade, o prédio da Escola de Agricultura da Universidade de São Paulo (Esalq); há a montagem grosseira de uma foto de Lula com a sua esposa e sua suposta namorada, que igualmente todo o sistema de informação ficou sabendo, mas jamais informou; há a mentira das relações da presidenta Dilma com assaltos a bancos, no tempo da Ditadura, uma falsidade grotesca estampada por um dos grandes jornais brasileiros, de que ele, aliás, ele jamais se retratou. Há as denúncias contra a filha de José Serra, enfeixada num dos grandes best-sellers que jamais foi apresentado que tal pela grande imprensa; há, em suma, uma censura global, no Brasil, que está longe de ser da alçada do Big Brother da vez, que é o sr. Barack Obama e que, surpreendentemente, é praticado pela mesma mídia que a todo o momento fala em liberdade de imprensa. As mentiras, as omissões e as meias verdades são tantas que se pode projetar facilmente um livro a respeito: ele talvez se transforme num best-seller que certamente, por razões óbvias, os leitores da "Veja", do "Estadão," da "Folha" e os ouvintes da CBN e os telespectadores da Globo, dentre outras, jamais tomarão conhecimento. 

Quem trabalhou nos grandes jornais e revistas nos anos setenta e oitenta há de se lembrar, com saudade, dos editorais furibundos do "Estadão" contra a "Folha", desta contra a "Globo", e de todos contra a "Veja", além da própria, contra todos. Não se tratava apenas do sagrado mandamento da concorrência. Havia o consenso de que a liberdade de imprensa dependia do contraditório. E o prestígio se fazia por quem "furasse" o outro. Na época, imaginava-se que o Big Brother seria aquele previsto e pintado por Orwell, num mundo em que os resistentes seriam a imprensa e os jornalistas. Não passava pela cabeça de ninguém que o "Grande Irmão" acabasse sendo, afinal, a própria grande imprensa. 
(*) Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

Do trocado para o cafezinho  
 ao ‘laranja’ de Deus-me-livre
                                                                                                                 Antônio Manoel Góes
                                              

Corruptores e corruptos constam às pencas na História do mundo, desde tempos 
imemoriais. Há dois mil anos, fariseus de Jerusalém meteram trinta pratas na mochila de 
Judas Escariotes, que lhes entregou de bandeja Jesus de Nazaré.  Deu no que deu.  Muito
antes, a libertina serpente, para ‘melar’ a obra do Criador, convenceu Adão a cair de 
boca na maçã de Eva, subvertendo a paz no  Paraíso. Prova de que o crime jamais 
compensou, o primeiro varão bíblico carregou às costas, para sempre, o peso do pecado
original no planeta Terra.

Aqui no Brasil, nossas estruturas sociopolíticas nasceram contaminadas por uma tríade 
perversa  - patrimonialismo, clientelismo e coronelismo -,  invenção ibérica de 
dominação importada de Portugal. Assim, El-rei de lá implantou entre nós o sistema feudal 
de sesmarias, favorecendo notórios apaniguados com as capitanias hereditárias.  Não deu 
certo e a corte de Lisboa tratou de criar o governo-geral, a fim de apertar o cerco na 
arrecadação de impostos e exploração predatória de nossos recursos naturais.

A corja de aristocratas lusitanos, parasitas grudados na jugular dos negociantes da colônia, 
apenas fiscalizava, arrecadava e consumia. Os gajos nada produziam, exceto a ruína da 
metrópole. O regime patrimonialista não fazia distinção entre o público e o privado. A 
relação clientelista ensejava permanente troca de favores e apoio político. Instaurou-se
o mando das oligarquias e os cargos oficiais eram objeto de apropriação(indébita). Após a 
Independência, foi criada a Guarda Nacional, depois que Pedro I se mandou(a fim de não 
ser despejado) e promovido um festival de patentes de ‘coronel’ para os oligarcas locais, 
oficializados militarmente, com poder de vida e morte sobre a população.

Instituto originário da ganância  e extrema voracidade do ser humano, a corrupção
sempre existiu  em toda parte, desde que o mundo é mundo.  No Brasil-colônia, o modelo 
administrativo propiciava a rapinagem geral. Para não perder os dedos, a vassalagem 
entregava os anéis, barganhando a liberação do osso, como obediente cão-de-guarda. 
Joaquim Silvério dos Reis, flagrado de calça arriada pelo fisco real, era devedor 
remisso do famigerado ‘quinto dos infernos’. Para tirar o ‘seu’ da reta, delatou Tiradentes 
e toda a turma da conjuração de Minas Gerais.

Naquele tempo, segunda metade do século XVIII, já era ‘normal’ levar ‘algum’ por fora e 
os barões das terras ‘lavaram a égua’. O mote, sempre o mesmo: ‘Vosmecê facilite o meu 
lado, que não vai se arrepender...’  O expediente de ‘molhar a mão’ dos arrecadadores 
de impostos ensejava o sumiço de processos contra notórios inadimplentes da Coroa.    Já 
naquela época,  o   artifício  da ‘taxa  de pressa’       acelerava, com olímpica 
velocidade, qualquer demanda de interesse dos chefes políticos e seus periféricos.

Herdamos dos portugueses a burocracia cartorial. As repartições públicas, com suas 
exigências documentais, controlavam a vida dos exauridos contribuintes. Com a
República, consolidou-se no balcão oficial  a ‘indústria’ do ‘trocado para o cafezinho’, 
depois com sua variação ‘para a cervejinha’, que ninguém era de ferro. A ‘propina’ foi 
admitida como instituição nacional, eficaz ‘amolecedora’ de servidores intransigentes na 
rigorosa observância dos trâmites burocráticos. Nascia, ‘na baixa’, sem alarde, por trás da 
moita, o proverbial ‘jeitinho brasileiro’.

O hábito de ‘levar algum’ nem sequer poupou a rigidez eclesiástica, das igrejas-matrizes 
no interior às catedrais das metrópoles. Por conta de piedosa ‘espórtula’, oficialmente 
destinada à redenção dos pecadores,  sacristães expediam batistérios para acobertar 
relações adúlteras de conhecidos benfeitores das obras eclesiais. O generoso ‘óbulo’ extra 
se sobrepunha(providencialmente) a eventuais vexames que, de repente, poderiam abalar 
a ‘reputação’ de  vetustos cidadãos, tidos como exemplares pais de família, na verdade 
dissimulados garanhões que passavam ‘nas armas’ indefesas e pobres mocinhas do lugar.

Desde antigamente, o ‘homem da mala’ tem sido o mais desejado personagem a 
percorrer, sorrateiro, os corredores e labirintos oficiais. Nos gabinetes de governantes,
ministérios e secretarias, assembleias estaduais, , câmaras de vereadores e(claro!) no 
Congresso Nacional, usam-se envelopes dos grandes, malotes e similares, abarrotados de 
grana firme, a depender do  ‘câmbio’ de cada um. No caso de empreiteiras(construtoras 
de estradas, pontes e edificações públicas), envolvendo propinas milionárias, 
convencionou-se o salutar depósito na conta de ‘laranjas’, preferencialmente em remota 
agência bancária, situada em ‘Deus-me-livre’, para não deixar rastro. 

No manual da corrupção, capítulo primeiro, a máxima’ de que, por enquanto, só não se dá 
jeito na morte. Por enquanto. Um dia – quem sabe? , dobraremos o incorruptível ‘anjo’da 
própria e ele baterá asas sem consumar o ‘aviso prévio’ que, rotineiramente, é 
endereçado aos  mortais.