quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dilma sanciona, sem vetos, lei sobre             atendimento a vítimas de violência sexual 

Segundo Secretaria de Políticas para Mulheres, a estimativa é que a cada 12 segundos uma mulher é estuprada no Brasil
                                                                    Carta Capital

A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta quinta-feira, 1º, sem vetos, a lei que obriga os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 3/2013, que deu origem à lei, foi aprovado pelo Senado no começo de julho.

O atendimento a vítimas de violência deve incluir o diagnóstico e tratamento de lesões, a realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A lei também determina a preservação do material coletado no exame médico-legal.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a sanção transforma em lei práticas que já eram recomendadas pelo Ministério da Saúde. “Ao ser sancionado, [o projeto] transforma em lei aquilo que já é uma política estabelecida em portaria, que garante o atendimento humanizado, respeitoso a qualquer vitima de estupro. Estou falando de crianças, adolescentes, pessoas com deficiência mental, homens e mulheres, qualquer cidadão brasileiro.”

Em nota, a Secretaria de Políticas para Mulheres afirmou que a sanção representa respeito às duas casas do Congresso Nacional, que haviam aprovado o texto, e às mulheres que sofrem violência sexual, “com a adoção de ações que amenizam seu sofrimento, com o atendimento imediato e multidisciplinar para o controle e tratamento dos impactos físicos e emocionais causados pelo estupro.” O comunicado lembrou ainda que o PLC e de autoria da deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) e está em tramitação desde 1999.

Até a sanção presidencial, o projeto estava envolto em polêmica. O texto enfrentou   pressão representantes de grupos religiosos, como o presidente da Comissão de         Direitos Humanos da Câmara, deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), e a             Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que entregaram documento ao       governo pedindo o veto de dois dispositivos do texto, que tratam da profilaxia da   gravidez e que as mulheres devem ser informadas sobre seus direitos legais.             

De acordo com o projeto, a vítima, ao ser atendida no hospital público, deve passar por procedimento de profilaxia da gravidez (que prevê a distribuição da pílula do dia seguinte). Outro trecho estabelece que as mulheres devem receber orientação, ainda no hospital, sobre os direitos legais em relação à violência. Os grupos religiosos temiam que os trechos abrissem brecha para estimular o aborto, com o uso da contracepção de emergência.

Do outro lado, entidades feministas defendiam a sanção integral do texto, que torna lei os procedimentos que já são adotados no Sistema Único de Saúde (SUS) e que são regulados por uma norma técnica e um decreto presidencial.

Índices. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o Brasil apresenta um dos piores índices de violência contra mulheres e meninas. “Estima-se que, a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que em cinco anos os registros de estupro no Brasil aumentaram em 168%: as ocorrências subiram de 15.351 em 2005 para 41.294 em 2010.” Segundo o Ministério da Saúde, de 2009 a 2012, os estupros notificados cresceram 157%; e somente entre janeiro e junho de 2012, ao menos 5.312 pessoas sofreram algum tipo de violência sexual.

Segundo a Organização das Nações Unidas, calcula-se que, em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres se tornará uma vítima de estupro ou de tentativa de estupro no decorrer da vida.

*Com informações da Agência Brasil

Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula  


Fernando Brito                                       TIJOLAÇO                                              
     
Embora a acusação do promotor Rodrigo Poerson contra Fábio Luiz tenha se baseado em notícias da mídia, ele mandou a PF apurar. Já no caso da Globo, não tomou nenhuma medida para investigar

Fui atrás da dica preciosa de uma amiga ainda mais preciosa e bingo!
Um dos designados pelo Ministério Público Federal para atuar no caso do sumiço dado ao processo de sonegação fiscal da Globo é o mesmo que acusou o filho do ex-presidente Lula, Fábio, no caso do contrato da empresa que este mantinha, a Gamecorp, e a Telemar.

Naquela ocasião, Rodrigo Poerson – este é o nome do cavalheiro – achou que o contrato, cujo valor era de R$ 4,9 milhões – 125 vezes menor que o valor da autuação da Globo(R$ 620 milhões) – era um ”desproporcional aporte de recursos financeiros (que) estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp, única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária de Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Mas, no caso do desaparecimento de um processo de sonegação – não simples suposições e notas de imprensa, como daquela vez, mas documentado e analisado, já, por vários auditores da Receita – o Dr. Poerson não achou necessário nem chamar a Polícia Federal, como fez no caso do filho de Lula, nem chamar a Globo a depor.


A emissora diz até, em sua(LEIA AQUI) nota oficial, que só ficou sabendo agora que a funcionária Cristina Maris Meirick Ribeiro foi condenada, seis anos depois!

Será possível que alguém acredite que um Procurador da República possa ter critérios diferentes quando se trata da Globo e quando se trata do filho de um então Presidente da República?

Será que alguém aprovou uma PEC 37 só para a Globo?

O Dr. Poerson permitiu que os documentos de seu pedido de investigação contra Fábio Lula vazassem para toda a imprensa e não ficou “consternado” como o MP se diz em relação ao caso Globo?

O Dr. Roberto Gurgel, chefe do Dr. Poerson, poderia dar alguma explicação para isso antes de sair da Procuradoria Geral da República?

Qual universidade para o Brasil avançar?


Não se pode pedir às ruas o que não cabe às ruas prover.

A resposta aos gargalos do desenvolvimento brasileiro não virá das escaramuças na avenida Paulista. 

Nada que desabone o papel da avenida Paulista na história. 

Ao contrário. 

Os fatos, em geral, caminham à frente das ideias. 

Mas as ideias são indispensáveis para ajudar os fatos com a força dos argumentos, adicionando-lhes um sentido e uma extensão muitas vezes ignorados pelos seus próprios protagonistas. 

Os fatos de junho sacudiram um certo entorpecimento das ideias no país, acomodadas depois de 12 anos de governos progressistas. 

E isso diz respeito não só aos partidos, mas também à universidade pública, de cuja arguição e descortino a democracia e o desenvolvimento não podem prescindir para ir além da lógica incremental gotejada pelo mercado. 

Partidos e usinas intelectuais, de certa forma, terceirizaram ao governo a missão de compor a agenda e mover a alavanca da história nesse período.

A consciência das cepas distintas que separam governo e poder não impediu a confortável acomodação.

Deu-se o sabido.

O agendamento nacional foi sequestrado pelo dispositivo midiático conservador, que passou a pautar a sociedade e o debate do seu desenvolvimento.

Grandes meios de comunicação tornaram-se o epicentro de uma exacerbação conservadora.

Diuturnamente, ela avilta a inteligência, desidrata o senso crítico da sociedade e fragiliza a democracia. 

O conjunto engessa os avanços reclamados pela economia e distorce as inquietações da cidadania, dando-lhes um escopo conservador indevido.

As ruas de junho deram o sinal de alarme.

O degelo social impulsionado pelas conquistas acumuladas desde 2003, criou um país maior que os piquetes de contenção erguidos secularmente por suas elites.

A energia da nação vaza por todos os lados. 

A demanda vaza para parques industriais asiáticos; a mobilidade vaza para logísticas colapsadas; a cidadania vaza para periferias conflagradas...

Pouca dúvida pode haver, o aprofundamento do projeto progressista iniciado há 12 anos é incompatível com esse enjaulamento de potencialidades, ideias e ação.

É ingenuidade imaginar que um governo sozinho –qualquer governo – seja capaz de reverter o triplo torniquete que asfixia o curso da história brasileira. 

A saber: 

a) responder às urgências por infraestrutura e serviços públicos mais eficientes e dignos;

b) libertar a democracia do agendamento conservador;

c) reordenar as balizas do crescimento, em meio a uma transição de ciclo econômico mundial, que encarece o custo do investimento, ao mesmo tempo em que desvaloriza receitas ancoradas em bens primários.

Um quarto mandato progressista sem desatar os laços dessa trama, percorrerá uma rota de colisões esfarelantes. 

Evitá-lo, para muitos, somente a bordo de uma Constituinte. 

Na assembleia soberana, capaz de redefinir parâmetros fiscais e orçamentários , ademais de desenhar uma reforma política que amplie a escuta popular, estaria o ponto de mutação de um interregno já assombrado por manifestações mórbidas.

Seja qual for o escopo institucional da travessia, ela não poderá prescindir de uma ampla impulsão de fatos e ideias para ganhar o torque e a densidade requeridos.

Carta Maior, que nasceu como um espaço de reflexão da intelectualidade progressista brasileira, elegeu uma prioridade nesse mutirão.

Seu compromisso é mobilizar a inteligência democrática da universidade brasileira, na arregimentação de contribuições a essa travessia.

Não se busca um eldorado de ideias prontas.

Estufas de exatidão idealista não resistem ao sol da história.

O que se aspira, ao contrário, é restituir ao ambiente acadêmico o ruído de uma usina de reflexão e de propostas, atada às urgências do novo ciclo de desenvolvimento que a Nação reclama. 

Intriga que a explosão dos protestos de junho, predominantemente protagonizada por jovens estudantes, não tenha registrado qualquer preâmbulo de efervescência acadêmica que a anunciasse. 

A avaliação desse paradoxo impõe-se desde já como um ponto de partida oda série nacional de debates com a comunidade acadêmica, que Carta Maior iniciou em São Paulo, no dia 30 de julho último.

Em pauta, o papel da universidade e dos intelectuais na encruzilhada de uma Nação que ainda não dispõe de um arsenal de ferramentas democráticas à altura das reformas cobradas pelo seu desenvolvimento. 

Mas que terá que realiza-las, de qualquer forma.

Supor o contrário seria ceder ao retrocesso. 

Cerca de 40 intelectuais participaram desse primeiro, de uma série de encontros (leia nesta pág. o relato de Maria Inês Nassif),cuja aspiração é pactuar uma agenda da universidade para as reformas do desenvolvimento brasileiro.

Um consenso significativo do encontro de São Paulo: o monopólio da comunicação interdita o debate e veta as soluções requisitadas pelo passo seguinte da nossa história. 

Superar essa camisa de força é um requisito necessário.

Mas não suficiente.

Faz parte da exigência por mais democracia exercê-la.

E isso diz respeito à universidade, que terá que assumir sua quota nesse desassombro nesse processo.

Não apenas como usina de reflexão.

Mas reinventando-se como uma ferramenta das novas famílias de políticas públicas requeridas pela sociedade. 

O fosso entre as urgências do país e a prontidão do mundo acadêmico foi escancarado pela resistência beligerante, na esfera corporativa e universitária, despertada pelo programa ‘Mais Médicos’.

O Ministério da Educação recuou na ampliação dos cursos de medicina, mas tornou obrigatória a residência de dois anos no SUS.

Por certo, o programa ainda pode ser aperfeiçoado. 

Por certo, tocou em um ponto sensível dos impasses vividos pelo país.

A universidade pública deve se limitar a fornecer profissionais ao mercado? 

Ou o precedente do ‘Mais Médicos’ enseja uma matriz inovadora, feita da interação de políticas públicas de desenvolvimento com instituições de ensino superior? 

Cumpriria a universidade sua função bastante ao ofertar quadros adestrados às respectivas demandas mercantis?

Ou o momento brasileiro impõe avançar a contrapelo da lógica incremental, que atribuiu ao mercado a ordenação do desenvolvimento, cabendo aos demais o papel de prove-lo?

É possível alterar essa 'divisão de trabalho' sem uma reforma profunda da instituição universitária? 

Qual universidade para a democracia social avançar? 

A resistência beligerante ao programa ‘Mais Médicos’ desautoriza ilusões.

O país levita entre o legado de uma mutação inconclusa e um vale tudo à direita, que pode levar a qualquer desfecho.

Menos à convergência da riqueza e ao avanço da democracia

Uma correlação de forças instável, desprovida de projetos claros de futuro, estreita a linha do horizonte nacional. 

O elogio à progressão incremental resulta nesse quadro como uma crosta adicional de ferrugem, depositada nos dentes de uma mecânica institucional emperrada.

A universidade é parte dela. 

Os encontros iniciados por Carta Maior, a partir de São Paulo, pretendem que a comunidade acadêmica rompa o casulo.

Faça mais do que indignar-se com a servidão voluntária dos outros.

Cumpra seu dever diante da Nação.

Dilatando espaços do pensamento e rompendo interditos do dinheiro, para que se possa inaugurar um novo ciclo de avanços da democracia social no Brasil.

Associações universitárias, professores e intelectuais interessados em participar podem entrar em contato com a Carta Maior, através do e-mail J29@cartamaior.com.br

As leituras de Lula

Lincoln, Vargas e Chávez, as biografias que revelam o que vai pela cabeça e o que inspira atos e falas do ex-presidente.
André Barrocal                                                    Carta Capital
Valter Campanato / ABr
Lula
O ex-presidente Lula durante discurso em Brasília, no último dia 23 de julho
O ex-presidente Lula nunca escondeu ter dedicado pouco tempo aos livros. Com raiz sertaneja e formação em escola técnica e no chão de fábrica, seu aprendizado humano e político calcou-se no empirismo e na intuição. Mas a vida depois do poder tornou-o um leitor mais curioso. E o que tem passado pelos olhos de Lula em viagens ou depois do almoço diz muito sobre o que vai pela cabeça do petista, ainda uma liderança atuante.
Na biblioteca do Instituto Lula no bairro do Ipiranga, em São Paulo, encontram-se as biografias de três líderes que fizeram História. São personagens de épocas, perfis e lugares diferentes, mas com pontos de contato com o brasileiro e seu governo: o norte-americano Abraham Lincoln, o venezuelano Hugo Chávez e o conterrâneo Getúlio Vargas.
'Lincolnparte do que teria sido a principal marca dele para a autora, a compatriota historiadora Doris Kearns Goodwin: a habilidade para contornar adversários e adversidades. O título original do livro é bem mais revelador, Time de Rivais – O Gênio Político de Abraham Lincoln. O batismo explica-se por Lincoln ter abrigado no próprio gabinete durante seu governo (1861-1865) três candidatos que havia derrotado nas primárias do Partido Republicano.
A biografia é de 2005, mas só ganhou versão no Brasil em janeiro, no embalo do filme de Steven Spielberg. Nas telas, a narrativa concentra-se na luta do presidente para arrancar do Congresso o fim da escravidão e, assim, acabar com a guerra civil. Unido e sem escravos, os EUA inauguraram uma era de desenvolvimento baseado no mercado interno que levou os republicanos a reinarem nas urnas (elegeram 12 dos 16 presidentes em 72 anos). O domínio só foi encerrado pelo democrata Franklin Roosevelt, depois da quebra da Bolsa de Nova York em 1929.
A geração de renda e emprego na gestão Lula também serviu de base para o Brasil constituir um grande mercado interno pela primeira vez na história. Mas a intersecção entre os dois-presidentes parece ir além, na visão do brasileiro. “Fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln, igualzinho batem em mim”, disse Lula na comemoração dos 30 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em fevereiro.
A relação com a mídia é um dos aspectos a unir Lula e Chávez, biografado em Comandante por um jornalista irlandês. Rory Carroll trabalhou em Caracas de 2006 a 2012, a serviço do jornal britânico The Guardian. Lançou o livro em março, mês da morte do presidente.
A obra relata a transformação econômica e social da Venezuela promovida por alguém que, como Lula, tinha o rosto da maioria e o ódio da minoria. Mas é repudiada pelos chavistas, por narrar casos de corrupção e intrigas no governo do coronel (1999-2012). Nestes trechos, mostra-se desafiadora para alguém como Lula, um simpatizante da Revolução Bolivariana.
Foi com o apoio de brasileiros indicados por Lula, por exemplo, que Chávez disputou sua última eleição, em 2012. O intercâmbio entre os dois deixou no petista a sensação de que Chávez acertou na estratégia adotada para enfrentar a imprensa: apoiar novos espaços midiáticos para ele e seus apoiadores terem como se contrapor à visão expressa pelos veículos de comunicação tradicionais.
O caminho tem sido seguido pelo presidente Nicolás Maduro, mas Lula acha que talvez não baste para que o Socialismo do Século XXI siga no ritmo ditado por Chávez, dono de um carisma e uma força individual incomparáveis. Eis a razão pela qual aconselhou Maduro a maneirar, ao se encontrar com ele em Brasília em maio: “Você não é o Chávez”.
A percepção sobre a importância do carisma no rumo de um governo ajuda a entender por que Lula defende Dilma Rousseff de críticas da imprensa de modo mais firme do que a própria presidenta, responsável por uma relação amena com a mídia. “Eles estão com preconceito contra a Dilma maior do que tinham contra mim”, disse ele em um evento do movimento negro no fim de julho.
O confronto de Getúlio Vargas com a imprensa e a elite nos moldes em que Lula travou e ainda trava será conhecido em detalhes pelo ex-presidente em 2014, com a conclusão da trilogia sobre o gaúcho escrita pelo jornalista cearense Lira Neto. O último livro enfocará o governo eleito em 1950 e encerrado em 1954 com o suicídio de Vargas, clímax da crise deflagrada pelo atentado ao jornalista Carlos Lacerda, um ícone do cerco da imprensa ao presidente.
Nos últimos dias, Lula terminou o segundo volume, Getúlio (1930-1945): Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, a ser lançado oficialmente em agostoAbrange a fase autoritária de Vargas, época de censura, fechamento do Congresso e dos partidos. O discurso contra os partidos e a política usado na implantação do Estado Novo em 1937 fez Lula preocupar-se com o tom dos recentes protestos pelo Brasil. E despertou-lhe vontade de ler O Analfabeto Político, do dramaturgo alemão Bertold Brech, uma condenação veemente da alienação.
Curiosamente, foi como ditador que em 1943 Vargas baixou a CLT, símbolo do emprego e dos direitos trabalhistas, outro ponto de aproximação com Lula. Em dez anos de governo petista, foram criadas 19 milhões de vagas formais. Quando o livro chegar às lojas, em agosto, terá na contracapa textos do próprio ex-presidente e seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, que governou decidido a enterrar a herança de Vargas. Vai ser interessante comparar o que os dois têm a dizer.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Greve de trabalhadores nas redes de fast-food expõe a face da miséria nos EUA

Por Redação, com agências internacionais - de Nova York, EUA                                                                                                     Correio do Brasil

As condições de vida e moradia se degradam com rapidez nos grandes centros norte-americanos
As condições de vida e moradia se degradam com rapidez nos grandes centros dos EUA
Centenas de trabalhadores de redes de fast-food (McDonald’s, King’s Burger etc) de sete cidades dos Estados Unidos entraram no segundo dia da greve iniciada nesta e pretendem manter a paralisação durante toda esta semana. Eles protestam nos EUA contra o que chamam de “salário de miséria de US$ 7,25 a hora”. De acordo com reportagem da revista Forbes, muitas das lojas dessas empresas estão fechadas ou funcionam com capacidade reduzida. As cidades norte-americanas em que ocorre a greve são Nova York, Chicago, St. Louis, Detroit, Milwaukee, Kansas City e Flint.
As empresas de fast-food norte-americanas costumam pagar aos seus atendentes e cozinheiros no país o salário mínimo de US$ 7,25 por hora (cerca de R$ 16). Segundo os trabalhadores, isso não é suficiente para garantir a sobrevivência familiar. Além do baixo salário, eles também reclamam da ausência de benefícios, das precárias condições de trabalho e da grande pressão em que têm que trabalhar. O movimento paredista atinge as lanchonetes Mc Donald’s, Burger King, Wendy’s, KFC e Domino’s Pizza.
Miséria
Nos EUA, em 2013, há mais de 23 milhões de desempregados ou severamente subempregados. Mais de 146 milhões – 48% da população – vive com renda menor do que a mínima necessária para sobreviver ou já mergulhou na indigência, recorde nacional. Os salários reais foram incansavelmente empurrados para baixo, ao longo dos últimos 30 anos. Se corrigido pela inflação, o salário mínimo hoje é 45% menor do que era em 1968.
Segundo o relatório divulgado pela agência inglesa de notícias Reuters, baseado em dados recentes do Censo, em 2011 havia 200 mil famílias de “pobres trabalhadores” a mais do que em 2010. Cerca de 10,4 milhões dessas famílias – ou 47,5 milhões de norte-americanos – agora vivem na linha da pobreza, definida nos EUA como sendo uma renda inferior a US$ 22.811 por ano, para uma família de quatro pessoas.
Na realidade, quase um terço das famílias trabalhadoras dos Estados Unidos atualmente enfrenta dificuldades, segundo a análise. Em 2007, quando a recessão nos EUA começou, eram 28%.
“Embora muita gente esteja voltando a trabalhar, elas estão muitas vezes assumindo vagas com salários menores e menos segurança no emprego, em comparação aos empregos de classe média que tinham antes da crise econômica”, disse o estudo. As conclusões ocorrem quase três anos depois de o país ter oficialmente deixado a recessão, no segundo semestre de 2009.
Contração
Brandon Roberts, coautor da pesquisa, nota que os resultados são surpreendentes pois, no ano passado, funcionários do Censo disseram que a taxa de pobreza no país se estabilizara. Vários outros dados recentes, no entanto, demonstram ao longo do tempo que há uma contração da classe média, apesar da recuperação econômica gradual dos últimos anos e um aumento vertiginoso na concentração de renda. Os dados mostram que os 20% mais ricos dos EUA receberam 48% de toda a renda nacional, enquanto os 20% mais pobres ficaram com apenas 5%. Este fenômeno pode ser observado nos Estados do Sul, como Geórgia e Carolina do Sul, e do Oeste, como Arizona e Nevada, onde há o maior crescimento no número de famílias trabalhadoras pobres.
O efeito da pobreza sobre o crescente número de crianças que vive nessas famílias – um aumento de quase 2,5 milhões de menores em cinco anos – também coloca em xeque o modelo econômico do país. Em 2011, cerca de 23,5 milhões (ou 37%) das crianças dos EUA viviam em famílias trabalhadoras pobres, contra 21 milhões (33%) em 2007, segundo o relatório. Parte do problema é que mais pais estão trabalhando no setor de serviços, o que resulta em longas jornadas noturnas, com as decorrentes dificuldades para cuidar dos filhos, além de salários baixos e um involuntário status de trabalhador de meio período, segundo a análise.

Apesar da versão caLHORDa do pIg...

GOVERNO NÃO DESISTE     

DE 2 ANOS PARA MÉDICOS

Adicionar ao conhecimento dos recém-formados o convívio e o aprendizado com os pobres 
Saiu no Estadão, em estado comatoso:
GOVERNO DESISTE DE DOIS ANOS A MAIS NO CURSO DE MEDICINA
BRASÍLIA – O governo desistiu de ampliar os cursos de Medicina de seis para oito anos, conforme previsto na Medida Provisória dos Mais Médicos, que tinha sido alvo de críticas, e vai apoiar agora a proposta trazida à mesa por uma comissão de especialistas para que os dois anos adicionais se transformem em residência médica. “(A diretriz é que) após a formação do médico na graduação, em seis anos, a residência médica assegure essa vivência na urgência e emergência e na atenção primária”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, após participar de uma reunião com o titular da Saúde, Alexandre Padilha, e representantes de faculdades de Medicina federais do País, em Brasília.

Mercadante defende que a Medida Provisória 621, que trata do Mais Médicos e tramita no Congresso, já previa a possibilidade de que os dois anos adicionais se convertessem em residência médica. O Conselho Nacional de Educação (CNE) também deverá propor novas diretrizes para os cursos de Medicina a partir das modificações estabelecidas pela MP.

O ministro disse ainda que, pela posição do governo, toda a residência médica deverá ocorrer no Sistema Único de Saúde. Além disso, o primeiro ano da residência terá foco na atenção básica e na urgência e na emergência, já com orientação na especialidade que o formado queira adotar. “Toda a residência será no SUS. No primeiro ano da pediatria, (ele) vai fazer (a residência em) atenção básica, já orientada para a especialização como pediatra”.

Navalha
Não é verdade.
O Governo não desistiu dos dois anos adicionais para a formação dos médicos.
De reunião, nesta quarta-feira, no Ministério da Educação, com Mercadante e Padilha, que terminou às 13h30, participaram membros de uma comissão de especialistas, vinculada ao MEC, da Associação Brasileira de Educação Médica, e do Fórum Nacional de Dirigentes de Escolas Médicas.
Surgiu, aí, a proposta de:
1) universalizar a residência, que seria obrigatória para todo médico recém-formado;
2) seriam obrigados a fazer a residência os 12 mil médicos que entrarão nas escolas de Medicina do país, até 2017;
3) a residência seria INTEGRALMENTE no SUS, por dois anos, embora , em alguns casos, como na Pediatria, sejam necessários 3 anos;
Como a MP original do Mais Médicos previa que os dois anos adicionais PODERIAM ser feitos no SUS, mas não determinava como, o Ministro Padilha, da Saúde, concordou com a ideia.
Na verdade, a proposta de hoje e a original convergem a um ponto: adicionar aos conhecimentos acadêmicos dos recém-formados o convívio e o aprendizado com os pobres.
E garantir que os mais pobres que recorrem ao SUS – 100 milhões de brasileiros, ou seja, o MAIOR sistema público de saúde do mundo ocidental !, graças à Constituição Cidadã de 1988 – sejam atendidos segundo o espírito do Juramento de Hipócrates.
Essa proposta de hoje poderia, por isso, ser encaminhada ao Congresso, que examinará a MP do Mais Médicos.
E, aqui, sobre o número impressionante de médicos, que, aparentemente, boicotaram a inscrição no Mais Médicos.
(Paulo Henrique Amorim)

IDH: LULA 10  x  0 FHC

Os 'colonistas' do PiG-Partido da Imprensa Golpista tentam tucanar o resultado do IDHM … Por que o Cerra e o Alckmin esconderam o FHC do palanque?

                                                      CONVERSA AFIADA                                                                 

O Conversa Afiada reproduz post do Instituto Lula que ajuda a entender o que o Marcelo Neri descreveu como um resultado es-pe-ta-cu-lar!

DADOS DO IDH POR MUNICÍPIO MOSTRAM ESCALA DAS MUDANÇAS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 10 ANOS



O Brasil viveu uma radical mudança em qualidade de vida, distribuição de renda e educação entre 2000 e 2010. Os desafios pela frente ainda são grandes, mas as conquistas dos últimos anos mostram que o país caminha no rumo certo. Os dados que referendam essas afirmações estão no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, lançado nesta segunda-feira (29), em Brasília, pelo PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.


Na semana passada, em Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia falado sobre a importância de reconhecer as conquistas e continuar avançando. “Tem gente querendo fazer com que as pessoas esqueçam o que fizemos nos últimos dez anos”, afirmou Lula no começo de seu discurso em comemoração pelos 10 anos de governo democrático e popular. “Nós temos o direito de reivindicar tudo que falta, mas temos a obrigação de reconhecer tudo que conquistamos”, completou.


O Atlas 2013 mostra que cerca de 74% dos municípios brasileiros (ou 4.122 deles) se encontram nas faixas de Médio e Alto Desenvolvimento Humano. O trabalho pela frente ainda é grande, cerca de 25% deles (ou 1.431 municípios) estão nas faixas de Baixo e Muito Baixo Desenvolvimento Humano. Ainda mais reveladora é a comparação com os dados da série histórica. Em 1991, 99,2% dos municípios brasileiros estavam nas faixas de IDH de Baixo e Muito Baixo desenvolvimento. Em 2000, 71,5% dos municípios, bem mais de dois terços do país, encontrava-se na mesma situação. Dez anos depois, esse número havia baixado para 25,2%, porcentagem menor do que a dos municípios no extremo oposto, de Alto e Muito Alto Desenvolvimento, que faziam 34,7% do país.

Os dados refletem a evolução apresentada pelo IDHM do Brasil nas duas últimas décadas, ao sair da faixa de Muito Baixo (0,493) em 1991 para Alto (0,727) em 2010. Esta evolução sinaliza também que o país está conseguindo, aos poucos, reduzir as disparidades históricas de desenvolvimento humano entre os municípios das regiões Norte e Nordeste e aqueles localizados no Centro-Sul.

Apesar da evolução neste quadro, a análise por regiões mostra que o Nordeste ainda tem a maioria de seus municípios no grupo de Baixo Desenvolvimento Humano (61,3%, ou 1.099 municípios), enquanto no Norte eles somam 40,1% (180 municípios) nesta categoria. Pelos dados atuais, 0,8% dos municípios do Brasil (44 deles) faziam, em 2010, parte da faixa de Muito Alto Desenvolvimento Humano e 33,9% estavam na faixa de Alto Desenvolvimento.

Educação foi o indicador que mais melhorou
O item educação foi o que mais melhorou no acompanhamento do PNUD (128%), mas é também aquele que apresenta menor valor absoluto do IDHM (0,637 em 2010, contra 0,279 em 1991). Pelos dados reajustados, em 1991, apenas três municípios (de um total de 5.565) estavam acima da faixa mais baixa de desenvolvimento humano em educação. Em 2000, a situação havia mudado sensivelmente no Sudeste e no Sul, mas continuava idêntica na maior parte do Brasil. O mapa de 2010 mostra a mudança em todas as regiões do país, puxada principalmente pelo aumento do fluxo escolar de crianças e jovens (156%).

Alguns dados de educação (entre 1991 e 2010):
- População adulta com ensino fundamental concluído passou de 30,1% para 54,9%
- Crianças de 5 a 6 anos frequentando a escola passaram de 37,3% para 91,1%
- Jovens de 11 a 13 anos nos anos finais do fundamental, de 36,8% para 84,9%
- Jovens de 15 a 17 anos com fundamental completo, de 20% para 57,2%
    -Obs.: 40% dos jovens nesta faixa ainda não têm fundamental completo
- Jovens de 18 a 20 anos com ensino médio completo, de 13 para 41%
    -Ou seja: a maioria destes jovens ainda não possui médio completo